Only Girl

3 Capítulo Dois - Beginning


Notas iniciais
Ei, babies :D

Bella POV.


Fazia três dias desde que Edward havia dado os pontos. Eu não sabia como iria fazer para tirá-los, já que eu não tinha direito a um hospital. Só esperava que tudo desse certo.

Os dias no trabalho eram agitados, Carmen e Paul sempre me ajudavam quando eu me encontrava nervosa assim que um policial aparecia. Eu tinha medo de que me descobrissem e não sabia o que iria fazer caso tivesse que ir embora daqui.

Eu tremia só de pensar nisso. Eu não queria voltar para o México. Por mais que eu tenha nascido lá, vivido lá, eu não me sentia de lá. Eu amava aqui, Chicago. Eu sempre tive vontade de vir para cá, desde pequena, quando meus pais ficavam falando dela. Claro que meu sonho era vir legalmente, mas como as coisas nunca saem como a gente quer...

Procurei prestar atenção no trabalho, já que a lanchonete se encontrava cheia, a não tropeçar nem nada do tipo e ao mesmo tempo desviar das cantadas dos garotos que apareciam por ali. Eu não podia me envolver com ninguém, e sabia que as pessoas iriam fugir e/ou me denunciar quando descobrissem que eu estou aqui ilegalmente.

Eu só queria que as coisas dessem certo para mim. Porque tudo o que eu tinha, me foi tirado. E não podia perder essa oportunidade. Ela era minha única opção.

No dia seguinte, fazendo quatro dias que eu tinha conhecido Edward, Carmen e Paul tiveram que sair mais cedo. O sobrinho deles seria pai.

- Tem certeza, Bella? – Carmen me perguntou. – Nós podemos fechar mais cedo.

- Vai dar tudo certo – ri. – E ninguém da polícia costuma aparecer, então podem ir tranqüilos. Eu fecho tudo aqui.

- Obrigada, Bella – Paul se aproximou e me deu um abraço. – Até amanhã.

Eu os deixei ir e voltei ao caixa, pegando o dinheiro e indo até os fundos guardar no cofre. Voltei e continuei a cuidar do trabalho.

Foi então, faltando meia hora para fechar, que ele apareceu.

Seus olhos verdes me buscaram e me examinaram, fazendo-me corar. Ele estava todo de branco – ele ficava extremamente lindo assim – e sorriu quando viu que eu o olhava.

- Boa noite – disse. – Precisa de alguma coisa, Dr. Cullen?

- Oi, Bella – riu. – Não me chame de assim, por favor. Eu me sinto velho.

- Tudo bem. – Desviei os olhos dos dele e fitei o caixa. – Precisa de alguma coisa, Edward?

- Hmmm... O que você sugere? – Ele se apoiou no balcão e deu um sorriso torto.

- Bom, temos uma torta de chocolate que é realmente muito gostosa. E acompanhada de cappuccino ela fica ainda melhor.

- Pode ser isso.

Ele se sentou a uma das mesas, enquanto eu pegava um pedaço da torta e preparava o cappuccino. Equilibrei tudo em uma bandeja e levei até a mesa dele. Ele sorriu.

- Como está a mão? – perguntou, antes que eu pudesse me afastar.

- Normal – dei de ombros. – Não é meu primeiro machucado e nem vai ser o último.

Ele riu. E eu fiquei me xingando mentalmente por ter achado a sua risada maravilhosa.

Outros dois clientes chegaram e eu tentei conter meu nervosismo ao notar um comentando sobre Green Card. Acabou que eu tropecei e caí, assim que os dois clientes saíram e Edward ainda estava ali.

- Bella? Você está bem?

- Estou ótima – disse, me levantando.

Eu não entendia exatamente porque Edward estava ali, já que ele já havia terminado a torta.

- Eu vou indo – anunciou. – Eu passo aqui daqui três dias, para retirar os pontos.

- Não precisa...

- Só se você prometer que vai ao hospital.

Eu respirei fundo.

- Eu não posso.

- Bella... – Eu olhei para cima e ele estava me fitando, os olhos verdes intensos. – Por quê?

- Porque não...

- Você... você é ilegal, não é? Porque é a única explicação.

Eu congelei.

Era agora. Agora que ele iria ligar para a polícia.

Eu não consegui olhá-lo e nem respondê-lo.

- Vou interpretar isso como um sim. – Eu o olhei novamente e fiquei impressionada por ele estar sorrindo. – Não se preocupe, Bella, eu prometo não contar para ninguém e nem te denunciar.

Eu queria duvidar, mas havia tanta sinceridade em sua voz, em seus olhos... Como duvidar disso?

- Obrigada – murmurei.

- Então, daqui a três dias eu venho aqui e procuramos um lugar para tirar seus pontos.

- Obrigada, Edward – sussurrei. – Mesmo.

Ele sorriu, pagou pelo lanche dele, e me deu um beijo na bochecha, depois de me ajudar a fechar a lanchonete.

E, naquela noite, eu me peguei desejando que os três dias se passassem rápido, porque Edward era uma pessoa legal. Ele sabia que eu era ilegal aqui e não fugiu, nem me denunciou.

E eu sabia, de alguma maneira, que ele não iria me denunciar.

Edward POV.

Eu não agüentei e fui vê-la. Agüentei até o quarto dia, mas eu somente precisava conversar com Bella mais um pouco. Entender o que se passava naqueles olhos castanhos que me convidavam para conhecer sua alma.

E eu tinha pensando bastante nos motivos que a levaram a não ir a um hospital. Só depois a ideia de ela ser ilegal me atingiu, e eu tive a confirmação quando ela não conseguiu me responder na lanchonete.

Mas... por que? Por que Bella viria para cá ilegalmente?

Eu não tinha direito de me meter nem de querer alguma coisa, mas eu queria ser amigo dela.

Três dias depois eu estava indo de novo a lanchonete, direto do trabalho, já com minha maleta a mão. Adentrei o local e percebi que estava cheio. A moça que me atendera – Carmen, se não me engano – estava andando entre as mesas, servindo os clientes. O homem que avisara que Bella se cortara estava no caixa, mas Bella não estava à vista.

Preocupei-me imediatamente. Será que a polícia a pegara?

Com o coração martelando segui em direção ao caixa.

- Boa noite. – O homem que estava ali me olhou e sorriu ao me reconhecer. Ele não sorriria assim se alguma coisa tivesse acontecido com Bella, sorriria? – Eu vim retirar os pontos da...

- Ah, claro – interrompeu-me. – Ela esta na cozinha. Aqui está muito movimentado hoje, então ela está ajudando nossa cozinheira.

Não entendi o suspiro de alívio que escapou por entre meus lábios.

- Eu posso dar uma olhada nela? – perguntei.

- O senhor se incomoda de esperar? – sorriu. – É que estamos cheios, e...

- Sem problemas – sorri também.

- Obrigado. Siga por aquele corredor e adentre a segunda porta a esquerda. É meu escritório, o senhor pode esperar lá que assim que a Marie desocupar, eu peço para ela ir lá.

Eu não entendi porque ele chamara Bella de Marie, mas julguei que fosse um apelido carinhoso, então apenas assenti e segui pelo local que ele me indicara. Adentrei o escritório e sentei-me em uma das poltronas que havia ali, observando o local.

Eu nunca fora muito de ir aquela lanchonete, mas do lado de fora ela parecia bem menor do que era. Era um local simples, mas também ótimo e confortável.

Vi que havia algumas fotografias na mesa, mas não me atrevi a me aproximar; Bella não era parente deles, se ela fosse, talvez houvesse alguma foto dela ali...

Não sei dizer quanto tempo passou, mas eu julgava que haviam se passado das onze e meia quando uma batida ecoou pela porta. A mesma se abriu e eu sorri ao ver aqueles olhos castanhos, que traziam tanta dor, sofrimento e segredos.

Eu já mencionara o quão era curioso?

- Boa noite, Dr. Cullen. – Bella adentrou o local e acenou timidamente para mim. – Obrigada por vir e me desculpe pela demora.

- Sem problemas, Bella – ri. – E já não pedi para não me chamar de assim? Chame-me de Edward.

Ela assentiu, corando levemente.

E Bella ficava tão adorável quando corava...

- Pronta para retirar os pontos? – indaguei, indicando a poltrona a minha frente para que ela se sentasse.

- Aliviada, na verdade. – Ela riu e depois fez uma careta. – Mas, como eu disse naquele dia, não é a primeira e nem vai ser a última vez, então... só me resta esperar, porque eu sei que um dia vai acontecer de novo.

- Seja otimista, Bella.

Ela apenas revirou os olhos e ficou calada enquanto eu retirava a faixa e os pontos. Procurei ignorar o que sentir sua pele macia provocava e me concentrei no trabalho.

- Então... – murmurei, minha curiosidade falando mais alto. – Por que o homem que estava no caixa te chamou de Marie?

- Paul? – perguntou. Eu dei de ombros; não sabia o nome dele. – Eu sou conhecida como Marie aqui, por causa de... você sabe.

- Por que Marie? – Eu não sabia se estava me intrometendo demais, mas precisava saber.

Bella me fitou por alguns minutos e eu imaginei que ela estava avaliando-me, vendo se eu era confiável. Eu sustentei seu olhar e deixei que ela ficasse calada o tempo que quisesse, mesmo isso estando me matando por dentro de tanta curiosidade.

- É meu segundo nome – sussurrou depois de algum tempo. – Meu nome é Isabella, meu segundo nome é Marie.

- O meu segundo nome é Anthony – sorri, esperando deixá-la mais confortável. – E qual é o seu sobrenome, senhorita Isabella Marie?

Ela riu.

- Swan, Cullen. Meu sobrenome é Swan.

Cinco minutos depois eu estava partindo da lanchonete, enquanto Bella ajudava os patrões a fecharem tudo.

No carro eu sorri imensamente.

Isabella Marie Swan.

Mas logo parei de sorrir, porque agora eu nem podia mais ir vê-la, simplesmente porque não tinha mais pontos, nem nada do tipo...

Bufando, segui para casa.

Assim que cheguei, tomei banho e comi alguma coisa, e, então avistei meu notebook...

Será que eu devia...?

Eu não desconfiava dela, estava apenas... curioso.

Coloquei minha louça suja, agradecendo por ser sexta o dia seguinte. Minha empregada viria, então, por hoje eu não precisava limpar nada.

Depois segui até meu notebook, e esperei-o ligar. Quando terminou de carregar, abri meu navegador e, no Google, digitei:

Isabella Marie Swan.

Diversas páginas apareceram, em inglês, francês, e diversas outras línguas, mas a principal era em espanhol.

Cliquei em uma, que anunciava um trágico acidente, e me espantei.

ACIDENTE DE AVIÃO MATA MARIDO E MULHER.

Charlie e Renée Swan faleceram na viagem de volta à terra natal, México, deixando uma filha milionária, com apenas dezessete anos.

Charlie Swan e sua esposa, Renée Swan, partiram para uma segunda lua de mel, deixando o amigo de família cuidando dos negócios e da filha, Isabella Swan (foto). O casal estava comemorando a segunda lua de mel e, infelizmente, acabou em tragédia (...)

Eu encarei o notebook sem realmente vê-lo. Pensando que pudesse estar enganado, confundindo essa Bella com outra, olhei a foto, e segurei a respiração. Era uma foto de Bella com seus pais. Ela parecia ter uns 15 anos, mas era ela.

Era Bella.

E ela era órfã.

Por isso a dor em seus olhos? Por isso a sensação de abandono?

Mas... se Bella era milionária, por que ela viria ilegalmente para um país? Por que ela iria trabalhar em uma lanchonete?

Eram tantas perguntas, perguntas que eu nem sabia, se, um dia, seriam respondidas.

Só que havia uma, uma questão que se sobressaía de todas as outras:

Por que Bella saíra do México?

Frustrado, fechei o notebook, e me dirigi até meu quarto, ainda pensando em tudo o que acontecera e em tudo o que eu lera.

Não era da minha conta, eu sabia disso melhor do que ninguém, claro, mas... Deus! Por que eu estava me envolvendo tanto?

Decidido a esquecer – e não me meter – me joguei na cama, fechando os olhos com força e esfregando as têmporas.

Só que, enquanto adormecia, eu só conseguia pensar nos olhos castanhos de Bella.

E em toda dor e sofrimento que havia neles.

Notas finais
n/a: Ei, babies! Como vão? Desculpem-me pela demora, mas a inspiração resolveu dar uma passeada por esses dias, haha. Então, gostaram? Bella era milionária, huh? O que acham, o que acham? Façam suas apostas ;) Comentem, comentem, que logo o próximo aparece por aqui. E eu postei uma short nova – Addiction – e ficaria feliz se pudessem passar lá. Beijos, beijos Deh C. / Frii n/b: Mas é uma vaca mesmo. u.u Déborah, Déborah... para de ser má assim, demo /