Only Dreamers

10 Mirror – Savannah


Notas iniciais
Gente eu estou muito feliz com os comentários (ontem eu recebi 8), por isso, mais um capítulo, que eu ia postar amanhã. Savannah é a garota do 8, aquela que acendeu a fogueira e morreu no segundo dia na arena. Esse é um dos nomes mais prováveis para ela, embora algumas pessoas digam que é Fidlana, mas eu não coloquei Fidlana porque é um PÉSSIMO nome.

Eu me lembro de quando eu tinha três anos. Eu olhava no espelho e achava que tinha uma irmã gêmea que estava na minha frente.

Agora é parecido. Tem uma garota na minha frente. Ela tem os cabelos iguais aos meus, e está cheia de sangue. Seus cabelos ruivos e cacheados agora estão mais ruivos ainda, e no seu queixo quadrado se encontra um corte profundo que eu fiz quase acidentalmente. Olho um pouco assustada para ela. Tem os olhos cerrados e os punhos também. Suas pernas parecem que estão se preparando para pular em cima de mim. Ela tem uma pequena faca que eu consegui na Cornucópia no primeiro dia da arena. Mesmo que o corpo se encontre sangrando, os cortes estão fechados. Cato me torturou lentamente por quase uma hora, e no final eu nem morri. Peeta me matou misericordiosamente. Ou seja, sou uma fracassada. Eu só estava morrendo de frio e não tinha nada para me aquecer.

Finalmente o meu clone joga a faca, acertando o meu abdômen, que me faz sentir a pior dor do mundo. Eu me encolho, me preparando para mais golpes, mas eles não vêm. Arquejando, retiro a faca do corpo e a seguro para o caso de ela avançar. Tento me levantar sem mexer o tórax – o que é quase impossível – e depois, com a coluna um pouco dobrada, aponto a faca para a garota. Ela gira rapidamente, fazendo a roupa folgada se mover, e tenta acertar com o punho a minha face, mas eu vou para o lado, pulando em seguida e fincando a faca no tornozelo dela. A empurro, fazendo-a bater as costas no chão, e me atiro ao lado dela para finalmente cortar sua garganta.

Gritos e mais gritos de horror são ouvidos, algumas lutas estão acontecendo bem perto de mim, mas eu tento ignorar. Com certeza alguém morreu, não sei quantos, só sei que os clones ainda estão vagando pelo cômodo, tentando matar os antigos tributos. Logo chegarão em mim.

Enterro a lâmina da faca na lateral do pescoço da garota de cabelos vermelhos. Ela grita, se debatendo, mas não morre. Ela apenas me empurra, e o corte na garganta dela se fecha em menos de um segundo, me fazendo engolir em seco. Ela me dá uma série de socos perto do meu ferimento, e eu perco a conta de quantas vezes berrei.

Só sei que, quando o meu clone arranca a faca da minha mão e vai abaixar na minha cabeça, ela cai para o lado, morta. Com uma lâmina nas costas, perto da nuca.

Olho para o lado para ver quem atirou a lâmina, e é a última pessoa que eu pensei que faria isso. A garota do 5, cujo nome nunca prestei atenção.

– Achou mesmo que ia conseguir matar a si própria? – pergunta ela, se aproximando. – Vamos ajudar os outros antes que todos morram!

Ela me puxa até alguns metros e depois me deixa continuar a caminhada. Estou em choque, nem sei porque a cópia de mim mesma me atacou. Será que é porque eu acendi aquela fogueira na arena? Será que eu mesma me matei?

A garota do 5 pega a sua lâmina e sai correndo, sem saber direito o que fazer. Agora que estou livre do clone, consigo ver tudo que se passa por aqui. Mais ou menos metade dos tributos morreram. O que sobrou são muitos clones que andam de um lado para o outro, ajudando outros clones a matar os que ainda não foram mortos. Vejo um clone decapitar a garota do 9, então decido não olhar fixamente para nenhuma luta. Em um momento, estico a perna e faço um clone cair. Então eu o chuto repetidas vezes com ódio, porque não quero mais mortes na minha frente. Eu já morri nos Jogos Vorazes e não quero mais saber de morte, nem de clones matando as próprias pessoas originais. Pulo em cima do clone que está caído no chão, e consigo ver que é o garoto do 6, Jason. Me arrasto, levando o clone junto comigo, e pego a minha pequena faca.

Consigo fazer um corte no ombro dele, e dessa vez o corte não cicatriza em um segundo. Então é isso, nós temos que matar os clones dos outros. Mas esse que está na minha frente é rápido e me derruba. Deslizo para trás e passo por debaixo de uma mesa, chegando perto dos sofás. Um outro clone, que deve ser a garota do 3, chega perto de mim. Ela acaba de matar o garoto do 5, que foi o seu assassino na arena, e agora vagueia, tentado achar outra vítima. Dessa vez sou eu.

Ótimo, agora tenho dois clones para a luta.

Giro a faca e a atiro na 3, e eu devo ter acertado algum ponto vital dela, talvez o fígado, porque ela grita muito alto. Puxo a faca, chutando o clone do Jason e aplico outro golpe para quebrar o braço da garota do 3. Ela grita novamente, deixando o seu peito exposto, e eu finco a faca exatamente no coração.

Olho para Jason, ele já sentiu a minha coragem e/ou sorte. Agora os gritos diminuíram bastante, o que significa que tudo está acabando. Eu vejo corpos no chão, e tenho vontade de chorar. Muitos corpos. Posso ver a garota do 3 morta, tanto a original quanto a que eu acabei de matar. Os dois tributos do 7 e os do 9.

Agarro o casaco do Jason, pronta para atacar. Nos olhos dele, posso ver o reflexo do meu rosto. Está horrível, com sangue já coagulado e, principalmente, sinais de uma garota que acabou de matar e que agora se arrepende.

Chuto Jason para longe, me virando e correndo para qualquer lugar que eu possa ficar sozinha. No caminho, passo por um clone com a tatuagem de tordo no queixo, e tenho que desviar de um golpe de Cato.

Ao chegar no meu quarto, eu bato a porta e me jogo na cama, com os olhos ardendo de tanta vontade de chorar. Olho no pequeno espelho que tem perto da janela, e eu consigo ver, mesmo com a visão embaçada, que eu me tornei uma assassina.

Notas finais
Mais ação, né? Eu vi que vocês gostam, então coloquei mais lutas. O próximo capítulo talvez só saia na sexta, porque eu tenho um novo trabalho para fazer. Mas eu vou dar um jeito de escrever um pouco logo quando chegar da escola.