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12 Parte 12 - That's The Truth


A campainha estava tocando, e Dougie moveu-se na cama, sentindo sua cabeça doer. Ele olhou para o lado, Summer ainda estava adormecida. O barulho apenas a incomodou um pouco; ela não chegou a despertar. Ele beijou seu ombro nu e cobriu-a com o lençol, levantando-se definitivamente para ver quem era. Pelo escândalo, provavelmente era Tom que, tentando ligar para o telefone e não sendo atendido, resolveu dirigir para chamar a atenção do garoto.

E ele não estava errado.

— Poynter! De novo? — Tom entrou apartamento adentro, segurando o celular no ouvido, enquanto falava com alguém. — Já achei ele, Danny. Pode deixar que eu mesmo vou matá-lo. Dougie, você ficou louco?

— O que houve dessa vez? — Dougie falou baixinho, apesar de Tom estar determinado a fazer barulho. Ele colocou o telefone no bolso e olhou em volta. O telefone de Dougie fora do gancho ainda. O amigo vestindo uma boxer, somente, e nem sinal da bagunça que ele costumava fazer na mesa de jantar.

— Você não atende o telefone, isso que houve. Ficamos preocupados, e vim até aqui. Mas como você não atendia a porta também, pedi a Danny que fosse até a sua mãe... ainda bem que ele nem chegou até lá, ou você morreria umas três vezes, hoje!

— Fale baixo, por favor. — Dougie pediu, passando a mão pelos cabelos. Tom franziu a sobrancelha e passou por ele, indo em direção ao quarto. Dougie quis impedi-lo de entrar, mas Tom colocou a mão na porta e a abriu, com gentileza. Sua expressão mudou de homem muito irritado para amigo bastante surpreso, e ele encarou o rapaz que tentava, inutilmente, fechar a porta.

— Você acha que é mais forte que eu, Poynter? — Tom empurrou o amigo para trás, ele mesmo se afastando e fechando o quarto. — Então é isso, uma garota.

— Uma garota não. — Ele sorriu, apesar do cansaço enorme que sentia. — A garota, Fletcher.

— Sério? — Tom arregalou os olhos. — Summer?

Tom tentou abrir a porta de novo, mas Dougie colocou-se à frente.

— Sim, Summer.

— Como isso aconteceu? Eu pensei que vocês...

— Eu não sei como aconteceu. Mas aconteceu, e eu não estou reclamando nem um pouco. Agora, você pode desaparecer? E avisar aos outros que eu quero ficar sozinho? É o primeiro final de semana que temos em muito tempo; eu quero curtir meu tempo com ela.

— Você tem sorte porque eu estou de bom humor. — Tom deu uma risada. — Pode deixar, avisarei a todos que você está incomunicável.

Dougie expulsou praticamente o amigo de seu apartamento, empurrando-o para fora e fechando a porta. Depois que Tom saiu, ele não resistiu e deu uma longa gargalhada. Aquela situação era toda tão estranha, mas tão estranha, que ele não parecia estar no mundo real. Quatro anos depois de se apaixonar por uma garota, e depois de tudo dar errado, quando ele podia dizer que já era finalmente um homem, ela era finalmente sua. Depois de perdê-la todas as vezes que podia perdê-la para Harry, e depois de duvidar se um dia ela fosse interessar-se por ele, de qualquer forma, ele finalmente a tinha em sua cama.

Ele voltou para seu quarto, de onde não pretendia ter saído, e enfiou-se debaixo das cobertas. Aproximou-se de Summer bem devagar, sem querer acordá-la, apenas desejando abraçá-la. Respirou fundo e afundou o nariz em seus cabelos, envolvendo-a em seus braços. Fechou os olhos e deixou o tempo passar.

Quando Dougie acordou novamente, seu corpo estava dolorido. Ele virou-se na cama, e estava sozinho. A sensação de acordar sem Summer não foi boa, mas tão logo seus sentidos se recuperaram, ele ouviu o barulho do chuveiro ligado. Seus lábios se esticaram em um sorriso, e ele pensou que provavelmente aquele sorriso não sairia dali tão cedo. Seu coração batia acelerado; estar apaixonado era ridículo, mas ser correspondido era fantástico. Levantou-se e caminhou até o banheiro.

— Dougie. — Summer sobressaltou-se ao vê-lo entrar, com uma toalha limpa nas mãos. — Você não pode entrar assim... eu...

— Você? — Ele sorriu, de pé, parado.

— Não estou vestida. — Ela queria um lugar para se esconder.

— Ah... claro. Isso nem deveria importar mais...

— Mesmo assim... fico embaraçada.

— Não se preocupe. — Dougie pendurou a toalha no cabide e, em um gesto rápido, levou as mãos à borda das boxers, empurrando-as para baixo. Summer olhou para ele surpresa, mas ele terminou de retirar a roupa. — Pronto, agora podemos ficar embaraçados juntos.

— Isso até parece engraçado.

Ela abriu o blindex do box e fez um gesto para que ele entrasse. Ele não faria aquilo, sem o convite dela. Ele não sentia que podia invadir muito mais do que já tinha invadido.

— Eu estou me sentindo meio idiota com isso tudo. — Ele disse, entrando debaixo da água com ela, segurando-a por entre seus dedos. — Mas eu já disse que te amo, não disse?

— Hoje não.

— Você quer lavar os cabelos? — Ele perguntou, mudando completamente de assunto. — Devo ter alguma coisa aqui que sirva.

— Pode deixar. — Ela disse, fazendo-o olhar diretamente para ela. — Usar seu shampoo um dia não vai me deixar careca. Aliás, seu shampoo deve ser bem melhor que o meu.

— Assim espero. — Ele brincou.

Dougie pegou o frasco de shampoo, mas ao invés de lhe entregar ele mesmo assumiu a tarefa de passá-lo em seus cabelos para lavá-los. Ela tinha cabelos lindos, fartos, longos. Summer não reclamou, afinal era gostoso quando ele lhe tocava. Ela gostou de sentir seus dedos em sua pele, seja onde quer que fosse.

A brincadeira de lavar os cabelos de Summer deixou de ser divertida para se tornar tensa. Enquanto a água escorria por sua pele, os dedos de Dougie mudaram repentinamente de direção e procuraram o corpo ensaboado de Summer. Ela tinha os olhos fechados; a sensação de seu toque era fantástica demais para que ela perdesse um instante. Ele deixou a pele deslizar por sobre a pele, o contato suavizado pela espuma que caía dos cabelos de Summer. Ela virou-se para ele subitamente, batendo o nariz em seu queixo. Dougie não precisou de muito esforço para segurar-lhe pelas costas e beijá-la, sugando seu lábio inferior bem devagar.

— Acordou agora? — Ela disse, sentindo pressionar contra si a parte mais rígida do corpo de Dougie.

— Já estou acordado faz tempo. — Ele implicou, sem parar de beijá-la. Perder contato com seus lábios era quase uma tortura.

— Nós estamos preparados para isso agora? — Ela perguntou, enquanto Dougie a fazia encostar-se aos azulejos mornos pelo vapor do chuveiro.

— Não... — ele murmurou, já procurando uma passagem para si. Summer deixou escapar um gemido surdo ao recebê-lo dentro dela. Segurou os lábios dele por entre os seus, com força. — Mas você é gostosa demais para resistir.

Talvez Summer não estivesse muito certa do que faria quando apareceu na casa de Dougie no dia anterior. Talvez ela quisesse apenas ter certeza que ele não o amava, ou que não sentia por ele tudo que estava certa de sentir. Mas ela não conseguiu reagir quando ele a beijou, enquanto ela estava tão desesperada. Ela não resistiu quando ele a tomou os braços, na cama, e a aconchegou em seu peito depois de fazer amor. Ela não resistiu ao contato de seu corpo sobre o dela, ao cheiro que ele exalava, ao seu hálito quente que sussurrava palavras sem sentido em seus ouvidos.

Os corpos se friccionavam em uma batalha incansável, em uma dança frenética e sem ritmo. Dougie sustentava Summer com seus braços, enquanto fazia com que ela se movesse descompassadamente sobre ele. Suas pernas fraquejaram com a proximidade do orgasmo, à medida que seus corpos se moviam mais e mais rapidamente. Ela ainda não havia conseguido retomar o controle de seus batimentos cardíacos quando ouviu o ruído da campainha.

— Ignore. — Ele disse, beijando-a sem parar.

— Quem pode ser? Você não acha importante atender? — Ela não tinha certeza por que falava aquilo.

— Aposto que não é nada sério. Talvez a polícia, porque os rapazes acharam que eu tinha sumido. Ignore, Summer.

Dougie continuou se movendo contra ela, e foi impossível não obedecer a ele. Depois de mais algumas investidas, ele parou, sentindo as pernas fraquejarem. Afastou-se de Summer alguns centímetros, a respiração muito acelerada.

— Eu não tenho tanta resistência assim. — Ele sorriu para ela, colocando a mão no registro e fechando a água. — Vamos acabar com isso fora daqui.

Ano de 2009. Londres, Inglaterra.

A semana foi torturante para Summer. Ela passou sábado e domingo na cama de Dougie Poynter, incomunicável. Ela não atendeu ao celular, não assistiu televisão, não ouviu música, não fez nada além de sexo. Com Dougie. Foi como se ela precisasse dele desesperadamente, e quanto mais ela estivesse com ele, mas ansiosa ela ficava. Mas passou, ela teve que voltar para sua casa, para o trabalho, para a rotina. Rotina que não parecia mais satisfatória, porque o desejo de ficar ao lado de Dougie era irresistível. Mas ele também tinha que trabalhar, ensaiar, gravar, aparecer em programas de televisão. E ela não podia ir atrás dele, por alguns motivos. Além da publicidade desnecessária que aquilo seria, ainda havia... Harry.

Ela não tinha considerado como faria com ele. Como contaria a ele que, apesar dos anos jurando amá-lo, ela estava completamente apaixonada por outra pessoa. Pior, ela estava completamente apaixonada pelo melhor amigo dele; ela era tola mas sabia o quanto eles se amavam. E ela chegaria e se colocaria no meio daquela amizade.

Era já quinta-feira, e ela tinha deixado algumas mensagens para ele, esperando que Harry decidisse encontrar-se com ela. Ela esperava mesmo que ele lhe respondesse marcando um jantar, ou algo em público. Algo que o impedisse de ficar emotivo, algo que a impedisse de chorar. Mas ela acabou se surpreendendo. Naquela noite, quando a campainha de sua casa tocou, não era a comida que ela havia encomendado. Nem o sorridente Dougie. Era seu namorado, ou seu ex-namorado a partir daquele momento, Harry Judd.

— Summer, eu preciso falar com você. É sério, você pode me ouvir?

Ela saiu da frente da porta, e ele entrou. Harry estava com os cabelos bagunçados, a roupa suada e os sapatos sujos. Era como se ele tivesse acabado de sair do trabalho, e ele tinha se dedicado bastante. Havia uma faixa em seu punho direito, indicando que ele sofrera alguma lesão ali. Mas ele estava tenso, e ela tremeu. Provavelmente, Dougie tinha falado alguma coisa. Ele tinha descoberto o que eles fizeram, e não estava satisfeito.

— Diga. — Ela foi com ele até a sala, e expulsou Angus para o quarto. Nem o Labrador deveria ouvir aquela conversa.

— Tem algo que você precisa saber, e eu não sei nem como vou começar falando. Acho que a melhor coisa é dizer logo. Eu não sou o homem por quem você se apaixonou.

Ela sentiu seu coração parar, e a respiração travou. Olhou para Harry, confusa.

— Eu não entendo.

— Pois é. Eu não sei como deixei isso chegar onde chegou, mas acabou. Você precisa saber a verdade; quando você me conheceu, não era eu que estava do outro lado do computador. Nunca fui eu. Você conhece essa embalagem – ele moveu os braços traçando as linhas do próprio corpo – mas é só isso. Eu não sou o homem por quem você se apaixonou, aquele era outra pessoa.

— Harry, se você quer dizer que mentiu para mim, eu acho que...

— Não fui eu que menti no início, Summer. — Ele passou os dedos pelos cabelos suados. — Você conversava com outra pessoa; não era eu.

— Mas então, quem...

E então ela viu a luz que brilhava incandescente em algum lugar em seu cérebro. Ela enxergou todas as pistas que estavam sendo dadas a ela desde que conhecera Harry pessoalmente. Tudo fez sentido, repentinamente, de uma forma cruel. As datas, as vozes; o fato de que Dougie sempre sabia mais do que deveria saber; a vontade absurda que ela sentia de ficar ao lado dele; por que ele sabia o que ela tinha desejado em Roma; o cheiro que ele tinha e que só o homem que ela amava poderia cheirar daquele jeito, e tocá-la daquele jeito, e saber o que fazer sempre.

Aquele era Dougie. E não Harry.

— Você não está falando sério. — Ela disse, afastando-se dele. Harry tinha as duas mãos estendidas pelo corpo, em um claro sinal de derrota. O olhar que ele lhe lançou disse tudo que ela precisava saber. — Você não pode estar falando sério, Harry. Como isso pode acontecer?

— Ele tinha dezesseis anos. Ele é inseguro assim, acha que todo mundo vai rejeitá-lo. Quando eu fiquei sabendo, ele já tinha se passado por mim, e ele queria que eu mantivesse a farsa para você poder conhecê-lo. Eu sinto muito.

— E por que? — Ela afastou-se mais. — Por que agora? Por que você está me contando isso?

— Porque você precisa saber. — Harry olhou para baixo. — Você precisa saber que você, na verdade, ama Dougie. Que é com ele que você sempre quis ficar, e que eu sou um canalha imbecil que deixei isso ir longe demais.

Ela colocou as duas mãos na cabeça e pressionou as têmporas, sentindo um mal estar súbito. Ela olhou para Harry, os olhos vermelhos, ardendo em fogo.

— Você sente muito? — Ela deu alguns passos em sua direção. — Você sente muito por ter me usado desse jeito? Por ter-me feito crer que você era uma pessoa, enquanto era outra? Por ter-me deixado beijar você, sabendo que eu queria beijar Dougie? Você fez sexo comigo sabendo que eu... que eu... como você pode fazer isso comigo? Com ele? A quem eu estou querendo enganar, ele sabia disso tudo, não sabia? — Harry continuava mudo, olhando para Summer. Ela atirou os punhos contra ele, batendo em seu peito. Ela não era muito forte, mas tentou toda violência que podia para causar dor. — Ele teve essa ideia, não teve? Vocês disputavam? Quem me beijaria mais vezes? Quem dormiria comigo primeiro? Era um tipo de jogo doentio, para vocês?

— Não era um jogo. — Harry segurou os pulsos da garota, fazendo-a parar. Havia lágrimas que escorriam dos olhos de Summer, e seu corpo inteiro latejava. — Ele te ama. E eu... você é adorável. Era fácil ter você ao meu lado, eu me deixei levar.

— Saia daqui. — Ela desvencilhou-se dele, caminhando até a porta. — Saia daqui, Harry. Eu não quero falar com você. Eu não quero nem ver você.

— Summer, eu...

— Não! Não diga mais nada, não há nada que você possa dizer para me fazer sentir menos miserável. Eu preciso que você vá embora e me deixe sozinha, agora. Por favor, vá embora!

Harry baixou o olhar novamente, e obedeceu a Summer. Ela tinha razão, ele sabia. Ele não esperava outra reação dela; ele sabia que ela não aceitaria a história. Nenhuma pessoa aceitaria; eles tinham ido longe demais. Mas ele estava feliz, ao menos, por ter encerrado aquilo. Summer bateu a porta e escorregou para o chão, permitindo-se então chorar como devia. Seu corpo foi acometido de uma onda de soluços, e ela envolveu os joelhos com os braços e ficou ali, chorando apenas, deixando as lágrimas lavarem a confusão que tinha se formado dentro dela.

O telefone celular dela tocava sem parar. Já devia ser a décima chamada que ela fingia não ouvir. Summer estava estática; as costas apoiadas na parede há bastante tempo, as mãos ainda segurando os joelhos. Seus olhos estavam colentos, em razão do sal das lágrimas. Sua boca seca estava rachada, mas ela não levantava nem mesmo para beber um copo de água. Angus retornou para a sala e deitou-se ao seu lado, percebendo a sua tristeza. O telefone era o que menos a incomodaria, naquele instante.

As horas tinham passado, e ela imaginava que já deveria ser bem tarde. Depois de mais algumas vezes, desistiram de ligar. Tanto o telefone de sua casa, quanto seu celular, ficaram mudos e silenciosos, e aquilo era muito pacífico. Ela pode ouvir os pensamentos latejando dentro de si. A sua cabeça a ponto de explodir. Fechou os olhos e jogou a cabeça para trás. E ouviu um barulho do lado de fora, seguido de batidas em sua porta.

Ela não estava esperando ninguém. Fingiu que não estava em casa, deixou que batessem. Mas a pessoa não iria embora.

— Summer. — Era a voz de Dougie, e ele parecia agitado. — Summer você está em casa? Sou eu, Dougie, abra a porta por favor.

Não, ela não abriria. Ela nem podia processar a ideia de tê-lo ali, de olhar para ele. Ela cerrou os dentes e manteve-se imóvel.

— Ela não atende. — Ele conversou com outra pessoa. Ela ausência de resposta, ela considerou que ele estaria no telefone. — Ela não atende nada, Tom! Eu vou chamar a polícia.

— Vá embora. — Ela resolveu manifestar-se. Não queria um circo em volta daquilo. — Vá embora, Poynter.

— Summer? — Ele bateu mais. — Abra a porta, você está bem? Eu estou preocupado, o que está havendo?

O que está havendo? Ela sentiu a irritação preenchê-la. A vontade de bater nele até deixá-lo roxo e sangrando era muito grande. Ela cerrou os punhos, em uma posição de ataque. Seus olhos encheram-se de lágrimas novamente, mas daquela vez ela estava mais irritada.

— Se você tem um pingo de amor próprio, vá embora! — Ela gritou, sentindo o pouco controle que ainda tinha esvair-se.

— Eu não vou a lugar algum antes de ver você.

Ela levantou-se, com dificuldade, arrastando-se até a porta. Destravou-a e girou a maçaneta, sem, no entanto, abri-la totalmente.

— Você quer me ver, Poynter? Você quer olhar para mim e ver o que sobrou?

— O que está acontecendo? — Ele tentou tocá-la, mas o simples olhar que ela lançou para suas mãos o fez recuar.

— Harry esteve aqui. E eu acho que devo perguntar... foi divertido, ver-me com ele durante todo esse tempo? Foi divertido, vê-lo me beijar? Saber que passávamos noites juntos? Saber que eu dizia que o amava? Isso foi divertido para você, Poynter? — Ela largou a porta e atirou os dois punhos por sobre ele, que foi empurrado para o meio do corredor.

— Ele te contou?

— SIM! — Ela gritou novamente. — Ele me contou a verdade! Como você pode fazer isso comigo, por todos esses anos? Como você pode suportar?

Dougie engoliu seco, e tentou manter ele o controle. Summer estava completamente fora de si. Ele tentou envolvê-la com os braços, mas ela tinha espinhos. Tocá-la estava impossível. De seus olhos saía fogo; enormes labaredas que queimariam com o primeiro toque.

— Eu posso tentar explicar.

— Não há explicação. Eu te amei, Dougie. Eu te amei tanto, como você pode agir assim comigo?

— Eu...

— Não. — Ela virou as costas, querendo entrar. — Não diga que me ama. É mentira. Você não sabe o que é amar. Você não tem ideia. Harry veio me contar a verdade porque, por algum motivo que ignoro, ele decidiu ser honesto. Você nunca pensou em ser honesto comigo no final de semana, enquanto eu estava na sua cama? Quando você fez amor comigo, você não pensou em me dizer que era você que eu sempre amei, e que eu não precisava me sentir mal por trair meu namorado; porque meu namorado sempre foi você?

— Summer...

— Eu não quero ouvir. — Ela caminhou em direção ao seu apartamento, sem olhar para trás. — Você quer saber a verdade, Poynter? Depois que Harry saiu, eu descobri que eu não te amo. Se eu te amasse, somente, seria fácil passar por essa porta, ou encarar o que você fez. Se eu simplesmente te amasse, talvez eu pudesse agir como uma pessoa normal. Mas a verdade é que meu sentimento por você é tão anormal que eu te amei duas vezes! Eu achando que você não era você consegui me apaixonar novamente por você!! E é porque eu não vou conseguir me desvencilhar de você que eu estou tão confusa agora!

Ela caminhou para dentro e trancou a porta, deixando Dougie parado no meio do corredor, sem ter conseguido dizer uma única palavra que pudesse servir como defesa.