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10 Parte 10 - Bubble Wrap
Ano de 2008. Roma, Itália. Madrugada do show do Mcfly.
O céu não tinha nuvens, e a lua brilhava redonda. As estrelas ornamentavam o breu, e a brisa suava soprava os cabelos de Summer. Ela estava sentada na porta do hotel em que estava hospedada, segurando um cigarro nas mãos. Ela não fumava, mas acendeu-o mesmo assim, caso desejasse fumar. O aroma de tabaco era nauseante, mas ela não tinha melhor para fazer. Todos dormiam; era provável que toda Roma dormisse. A Europa inteira deveria estar adormecida, enquanto ela não conseguia fechar os olhos. Havia uma mistura de sentimentos contraditórios dentro de seu peito, e ela não podia expulsar nenhum deles.
Havia Harry, o homem por quem ela se apaixonou, a figura linda do baterista sexy que sorria daquele jeito delicioso e que a beijava como se ela fosse única. Havia Harry, que ao vivo era tão diferente do Harry da internet, mas que mesmo assim era tudo que ela desejava. E Havia Dougie, o menino do grupo, tão mais jovem, tão parecido com um menino, e que a fazia lembrar um anjo toda vez que surgia. Havia Dougie, que parecia sempre saber tudo que ela queria, tudo que ela precisava; que dizia as palavras certas na hora certa, e que a olhava daquela forma especial – como se ele conhecesse Summer desde sempre.
E ela não queria expulsar nenhum dos dois.
Colocou o cigarro na boca e tragou uma vez. Exalou a fumaça branca, observando-a sair lentamente de dentro de si. Depois apagou-o na pedra fresca da escada na qual ela estava sentada. Seus músculos latejavam, e ela pensou em entrar, quando uma forma conhecida surgiu em seu campo de visão. Dougie Poynter.
Ela olhou no relógio e confirmou que eram mais de três horas da manhã. Depois de um concerto como aquele, ela não conseguia entender como ele ainda tinha condições de estar acordado, e parecer tão inteiro, tão lindo.
— Dougie? — Era a pergunta inútil. — Não é um pouco tarde para crianças estarem fora da cama?
— Sim, por isso eu vim. Você já deveria estar dormindo, não acha?
— Como você sabia que eu estaria aqui? Ou você não sabia e é coincidência?
— Eu sabia, claro que sabia. Você parece não acreditar que eu sei muito sobre você, mesmo com tantos indícios. — Ele riu, e sentou-se ao lado dela, na escada. — Você deveria me dar um pouco mais de crédito.
— Você simplesmente não pode saber tanto assim sobre mim. — Ela duvidou.
— Você quer apostar? — Dougie encarou-a. — Você está com insônia, e quando isso acontece você precisa de um cappuccino. Não entendo como, porque mais cafeína deveria te fazer até mal. E pior ainda, você precisa de um cappuccino com canela. Tem uma cafeteria aqui perto, nós certamente vamos até lá. E esse cigarro que você apagou é de menta, porque você adora o cheiro e ele te acalma.
Summer olhava para ele, surpresa.
— Isso tudo é tão fácil de adivinhar! — Ela preferia pensar daquela forma.
— Você fez o desejo? — Ele questionou. — Na Fontana?
— Você falando italiano é divertido. — Ela riu. — Eu fiz, claro. Joguei uma moeda e fiz um pedido. Espero que ele se realize.
— Você vai me contar?
— Você vai me contar para quem cantou, hoje?
— Claro que não. — Ele afastou-se, como se aquela informação fosse protegida por um segredo.
— Então, como pretende que eu conte meu desejo? Você precisa me contar algo, para que eu também te conte algo.
— Se eu adivinhar seu desejo? — Ele desafiou. Havia um sorriso sombrio em seus lábios vermelhos. — Se eu adivinhar?
— Você não vai adivinhar meu desejo! — Ela franziu a testa. — Mas que assanhamento; é muita curiosidade a essa hora, Sr. Poynter.
— Vamos tomar seu café. — Ele se levantou e segurou-a pela mão, puxando-a para cima. — Depois do cappuccino, conversamos sobre o desejo.
Dougie puxou Summer pela mão, de forma confortável e natural. Ele não estava confortável, mas pretendia passar aquela sensação para ela. Seu corpo estava gelado, e ele tentava bravamente não tremer. Ele estava fazendo coisas que ele não sabia fazer, entrando em um terreno que ele não conhecia. Mas ele não recuaria. Ele arrastou a garota até a cafeteria que já tinha sido previamente marcada, e que estava aberta mesmo àquela hora. Sem conseguir pronunciar direito uma palavra, pediu os cafés em Italiano, deixando a vendedora completamente embaraçada. A garota deu uma risadinha constrangida e correu para o fundo da cafeteria, a fim de preparar as bebidas.
Com dois copos de isopor, Dougie sentou-se de frente para Summer, olhando sempre diretamente em seus olhos, com o mesmo sorriso perfeito que ele costumava exibir — e que já estava começando a causar algum desconforto nela.
— Então, seu desejo. — Ele insistiu.
— Vamos mudar de assunto, Dougie. — Ela disse, bebendo o café. — Céus, isso está perfeito.
— Se eu adivinhar, eu posso realizá-lo. — Ele sorriu.
— Não acho que seja possível isso. — Ela duvidou. Os dois continuaram bebendo o café em silêncio, mesmo se ele estivesse ansioso o suficiente para entrar em combustão. Alguns minutos depois e com copos quase vazios, Dougie levantou-se, pagou as bebidas e ofereceu a mão para Summer novamente. — Aonde vamos? — Ela quis saber.
— Confie em mim.
Summer queria confiar. Ela deixou-se ser conduzida pelo rapaz pelas ruas estreitas da cidade romana, enquanto ele sorria, mas não falava nada. Ela não fazia ideia do que ele planejava, e Dougie parecia bastante impulsivo. Seu relógio marcava mais de quatro horas da manhã, e ela não sentia vontade de dormir. O céu estava bem escuro, mas as estrelas brilhavam ainda. Os dois pararam de andar depois de alguns metros, e estavam cansados. Tinha sido uma boa caminhada, e Dougie tinha trabalhado tão duro no concerto que parecia impossível que ele ainda conseguisse ter tanto fôlego.
— Chegamos. — Dougie disse.
— O que viemos fazer aqui, especificamente? Parece o meio do nada.
— Vire-se. — Ele segurou-a pelos braços e a fez girar. Summer arregalou os olhos quando o Coliseu entrou em seu campo de visão, completamente iluminado pela luz artificial. Ela parou de respirar por alguns instantes, até conseguir absorver toda a maravilha daquele lugar. — Chama-se Gianicolo, essa via.
— E o que isso tem a ver com meu desejo? — Ela perguntou, fingindo. Summer estava um tanto assombrada porque Dougie parecia saber exatamente o que estava fazendo.
— Isso é só metade do seu desejo. — Ele sorriu. — Feche os olhos.
Summer obedeceu-o, sem questionar. Ela parou de frente para o Coliseu e fechou os olhos. A luz fraca que clareava o monumento Italiano ainda se fazia ver por suas pálpebras quando uma sombra a bloqueou. Sem mover-se, ela sentiu quando os dedos de Dougie tocaram sua pele. Primeiro seus ombros, e então seu colo. O polegar direito tocou seu queixo, e seu lábio inferior. Ela ia abrir os olhos quando os lábios dele tomaram o lugar dos dedos, envolvendo os dela em um beijo suave.
Dougie sentiu seu corpo retrair. Summer nunca fora sua; já eram anos que ele a desejava, e ela nunca fora sua. Aquela mesma cena protagonizada com Harry quase o fez pensar que ela jamais seria dele. Mas ali estava ela, tão rendida, como se ele esperasse por aquilo. Dougie insistiu no beijo, as duas mãos em sua face, e a língua umedecendo a sua boca. Ela tinha um sabor diferente. Não era doce, como ele pensava que seria. Summer tinha um misto de gosto ácido e amargo, que fazia seus lábios parecerem com um remédio. Ele não conseguia respirar. Capturou seu lábio inferior por entre os seus e sugou-o bem devagar, enquanto sentia as mãos de Summer segurarem firme o tecido de sua camisa, forçando seu corpo contra o dele. Se ela era um remédio, ele estava doente há muito tempo.
Ele afastou-se depois de alguns minutos. Não deveria acontecer tão rápido, e ele não suportaria segurar o que sentia se o beijo se prolongasse.
— Você não precisa dizer se eu adivinhei. — Eles estavam próximos, as testas coladas. Summer voltou a respirar, seu peito ofegante. Suas mãos seguravam Dougie pelo abdômen, e ela podia sentir seu diafragma mover-se para cima e para baixo, contraindo e expandindo. — Agora eu devo levar você para o hotel.
Ela não conseguiu dizer nada. Seu coração batia tão descompassado que ela não conseguiria coordenar uma frase inteira. Dougie segurou sua mão novamente e arrastou-a de volta para o lugar onde se encontraram.
Danny Jones chutou a porta do quarto de Dougie, forçando sua entrada. Já era quase meio dia e o membro mais jovem do Mcfly ainda dormia, o que deveria ser normal em um pós concerto. Mas era hora de acordar, e ele pretendia tirar o menino da cama. Ele encontrou Dougie dormindo metade na cama, metade no chão, parecendo arrasado. Sentou-se na cama e beijou a bochecha do amigo, que não se moveu. Danny então beijou sua testa, e ele também não se moveu. Sem ver outra opção, ele berrou no ouvido de Dougie, fazendo-o despertar imediatamente.
— Pelo amor de Deus. — Dougie caiu ao chão, assustado. — Vai me matar do coração.
— Vamos, bela adormecida. Está na hora de acordar.
— Jones, eu quero dormir. — Ele voltou para a cama, puxando a coberta para cima de si. — Eu não dormi nada essa noite, vê se me erra.
— Eu posso ir embora agora e voltar com Tom. Ou você pode levantar, lavar essa cara e vir conosco almoçar.
Dougie sentou-se na cama, olhando para o amigo. Antes que ele pudesse mandá-lo para o inferno, Harry entrou no quarto, tomando um sorvete de casquinha que, pelo calor do meio dia, derretia e escorria por seus dedos. Ele reclamava, enquanto tentava evitar que a guloseima de chocolate se perdesse.
— Ew, Poynter, vista-se. — Harry protestou contra a falta de roupas de Dougie. Ele usava apenas cuecas, pois só teve tempo de tirar o que vestia e atirar-se na cama. Ele pretendia tomar um banho gelado, para eliminar a ansiedade. Summer o deixava excitado só em pensar nela; tocá-la como ele a tocou era um pouco demais para seu autocontrole. — Vamos passear? Quero visitar os pontos turísticos.
— Será divertido. — Danny deu uma risada. — Veja bem, o Mcfly andando livremente por Roma.
— Vamos com seguranças, vamos em locais fechados, sei lá. Mas não quero ficar preso em hotel, o voo para Paris só sai à noite!
— Podemos convidar os amigos da garota do Dougie e fazer um chat, ou algo divertido. — Danny estava mais prático. — Não inventa moda, Harry. Sair nesse meio tempo será muito difícil. — Ele jogou o telefone celular em cima de Dougie. — Ligue para ela e chame-a.
— Não sei. — Dougie lembrou-se da reação dela ao beijo, e cogitou se deveria realmente revê-la tão rapidamente. Ele queria vê-la, mas ele precisava ser cauteloso. — Talvez ela não esteja querendo falar comigo, hoje. Harry, você...
— Não. — Ele disse, terminando o sorvete. — Nem pensar. Por que la não iria querer vê-lo; a música teve efeito contrário?
— Teve não. — Dougie deu uma risada. — É que...
— Poynter, onde você passou a noite? — Danny perguntou, achando estranha a resposta que acabara de receber. — Você está acabado, muito mais do que qualquer um de nós. E agora me vem com esse “teve não” quando eu falo da Summer? Explique-se.
— Eu não tenho que te explicar nada.
Harry sentou-se na cama e jogou-se por sobre Dougie.
— Tem sim, ou sofrerá as consequências.
— Está bem. — Ele tentou sair debaixo do amigo, mas não conseguiu. Danny também pulou sobre ele, e os dois espremendo o menino no colchão. — O que querem saber?
— Onde esteve? Cuidado, Tom vai cansar de esperar e vai vir para cá...
— Eu não dormi direito, fui atrás de Summer. Eu queria ficar com ela um pouco. Agora podem me deixar levantar?
— Não foi só isso. — Harry insistiu.
— Eu realizei o desejo dela. — Ele gritou. — Ela jogou uma moeda na fonte, e ela queria que o homem que ela ama a beijasse em Roma, um momento romântico no nascer do sol, como em um filme que ela viu. E eu a levei ao Coliseu, e a beijei.
Harry e Danny saíram imediatamente de cima de Dougie, e o encararam. Ele estava acuado como um bichinho, todo encolhido, mas aquilo era uma brincadeira de sempre deles. Tom, como era de se esperar, surgiu na porta, irritado porque os amigos demoravam tanto a aparecer para o almoço.
— Ligue para ela. — Danny insistiu. Dougie recusou o telefone, colocando-o de lado. — Não seja teimoso, Poynter! Ligue para ela, pergunte se ela quer aparecer para um chá, sei lá!
— Não, Danny. — Ele continuou recusando. Todo mundo olhou para Harry, que lambia os dedos sujos de sorvete.
— Então eu ligo. — Tom pegou o celular e encontrou Summer nos contatos de Dougie. A ligação chamou algumas vezes, até ser atendida por uma voz masculina. — Boa tarde, eu posso falar com a Summer?
— Ela está dormindo ainda. — A voz de Clarence também era sonolenta. — Mas eu posso acordá-la, se for importante.
— Não, está tudo bem. Você pode deixar um recado para ela? Avise apenas Tom ligou porque que o tonto do Dougie deseja uma boa volta para casa.
Tom desligou o telefone após as despedidas convencionais, e jogou o aparelho em cima da cama. Com um sinal de cabeça, ele indicou que todos deveriam se arrumar e encontrá-lo em algum lugar. Havia uma pequena mudança de planos na agenda do dia, e o Mcfly voaria para Paris em poucas horas.
— Summer, ligaram para você enquanto você dormia. — Clarence disse, sentado à mesa do jantar. Estavam no restaurante do hotel, e já era noite. Summer dormiu o dia inteiro, sem que ninguém conseguisse acordá-la. Ela encarou os amigos, ainda sonolenta, esfregando os olhos. Seu relógio marcava vinte horas, mas ainda havia claridade entrando pelas janelas de vidro.
Ela sentou-se em uma cadeira e bebeu água do copo de Alice.
— Deixe-me adivinhar, meu chefe?
— Thomas Michael Fletcher. — Felicia disse, batendo palminhas. Ela era, definitivamente, a mais empolgada. — Ele ligou para desejar uma boa viagem.
— Explique direito. — Alice reclamou. — Assim você confunde a Summy. Ele ligou para dizer que Dougie Lee Poynter deseja boa viagem.
— Vocês me assustam, falando o nome completo deles assim. — Summer deu uma risada. Ela estava bem humorada, apesar da confusão absoluta que se formou dentro de si. Passou o dia dormindo e sonhando com duas pessoas diferentes; e no sonho ela podia ter as duas. No mundo real, ela precisava escolher, e ela nunca foi boa em fazer escolhas.
Ano de 2008. Londres, Inglaterra.
O Mcfly em turnê impedia Summer de estar com Harry. Ou Dougie. Havia dias em que ela, durante o trabalho, olhava a foto de Harry em sua área de trabalho, ou no porta retrato que ficava em sua mesa, e suspirava com ele. Havia dias em que ela tocava os lábios, instintivamente, e lembrava-se de Dougie. E ela não sabia direito quem desejava. Ela precisava ter certeza do que seu coração queria, e ele não parecia contribuir muito com ela.
Já era quase dezembro, e fazia muito frio em Londres. Ela pensou em ir para Yate no feriado de Ação de Graças, mas desistiu. Os pais nem estavam lá mesmo, e toda família que ela precisava era Angus. Ficaria em casa, sem amigos, sozinha mais um pouco. Ela não se importava, mas ela sentia falta de alguma coisa que não deveria faltar.
E ela acabou tomando outra decisão impulsiva, como aquela que a levou a Londres pela primeira vez, ou aquela que a fez ir até a Itália. Noite fria, céu encoberto, o apartamento na penumbra, e ela segurou o telefone Blackberry nas mãos. Digitou os números já muito conhecidos e escolheu a opção de enviar uma mensagem de texto. Ela não falaria com ele, não sabia onde ele estava e não queria ser inconveniente.
“Aonde você vai estar na Ação de Graças?”
Enviada a mensagem, Summer sentou-se à janela e ficou observando a rua gelada, enquanto segurava o telefone na expectativa que ele vibrasse. Aquela distância tinha que acabar. O ruído que indicava a nova mensagem a fez sentir uma ansiedade juvenil.
“Londres.”
Simples, curto e direto. Não era exatamente o Harry da internet, mas mensagens de texto via internet eram muito chatas de escrever.
“Eu preciso ver você.”
Ela tomou coragem de escrever. Ela estava certa, ela precisava. Não era uma questão de querer ou de desejar estar com ele; ela tinha que vê-lo de qualquer forma. Apesar das dúvidas, era Harry que ela amava.
“Dê-me vinte minutos. Estou chegando.”
Summer deu um salto de onde estava. Ela não esperava que ele estivesse já em Londres; ela não sabia onde o Mcfly estava naquela semana. E ela pretendia ver Harry no feriado, em dois dias, e não naquela noite. Ela não estava preparada, ela não estava sequer apta a recebê-lo em casa. Angus olhou para ela, sentindo sua excitação. O que ela faria em vinte minutos, nervosa daquele jeito; ela jamais conseguiria esperar tanto tempo, e era pouco tempo demais para fazer algo produtivo que a distraísse.
Ela correu até a cozinha e abriu um vinho tinto. Serviu uma taça e pegou um tubinho de Pringles sabor cebola. Desistiu em instantes, imaginando que não queria ter o hálito prejudicado. Optou por salgadinhos sabor queijo. Acendeu alguns abajures e deu uma limpeza na sala, guardando os sapatos espalhados e algumas roupas que estavam por sobre o encosto das cadeiras. Ela quase nunca tinha tempo de arrumar nada, e não tinha ninguém para prestar atenção naquilo.
A campainha tocou no instante em que ela entregou um osso de borracha para Angus, desejando que ele não notasse Harry. O cão não gostava de visitas, apesar de ela saber que Harry gostava de animais. Esfregando os dedos, ela abriu a porta quase sem conseguir girar a maçaneta, porque estava suando.
A figura que ela visualizou encheu seu coração de um sentimento muito contraditório. Harry estava usando jeans escuros, camiseta azul marinho e tênis. Ele carregava aquele sorriso com ele, o sorriso que iluminou o quarto de Summer quando ela viu sua foto pela primeira vez.
— Eu não sabia que você já estava em Londres. — Ela disse, indicando que ele deveria entrar.
— Não foi planejado. — Ele sorriu novamente. — Mas quando vi sua mensagem, achei que deveria aparecer.
— Eu ia pedir o jantar. Você me acompanha?
Harry concordou, e ela lhe ofereceu uma taça de vinho. Enquanto Summer ligava para pedir comida chinesa, ele se sentou no sofá de tecido bege, sendo imediatamente vigiado pelo velho Labrador dourado. Angus levantou-se e, deixando o brinquedo, aproximou-se para cheirar e identificar o estranho visitante. Mas ela voltou em seguida, fazendo com que o cão se afastasse.
Aquela situação não tinha sido mesmo planejada por Harry. Ele não queria nada daquilo, mas ele também não tinha feito nada para evitar. Desde que foi obrigado a conhecer Summer e literalmente empurrado para a cama dela, ele se viu em uma contradição. Dougie era seu melhor amigo, quase seu irmão. Ele não imaginava amar ninguém como amava aquele menino. Mas aquela garota estava no caminho; porque ele não podia mais negar que queria estar com ela. Foram meses de conversas, desde que Dougie decidiu que não se passaria mais por ele no chat. Foram meses de ligações surpresa, de mensagens de texto, de declarações de amor. Summer acreditava que o amava, e Summer era tão apaixonada que era impossível não se apaixonar por ela.
Mas naquela noite, ele queria contar a verdade. Ele pretendia encerrar tudo, dar um fim ao tormento. E ela parecia nada disposta a permitir aquilo.
— Chega em uma hora. — Summer sentou-se ao lado de Harry, no sofá. — Você tem novidades para me contar, coisas sobre a turnê?
Ele sorriu, e começou a contar alguns fatos que aconteceram durante os shows. Coisas engraçadas, que eles faziam sempre. Novidades sobre o novo álbum, que seria lançado em 2008. Eles conversaram muito, na penumbra do apartamento, e beberam a garrafa toda antes mesmo da comida chegar.
— Você sabe uma coisa engraçada? — Summer considerou, movendo-se sorrateiramente para mais perto dele. — É a primeira vez em mais de dois anos que conversamos tanto, pessoalmente.
— Sim. Porque é a primeira vez que temos tempo um para o outro. — Harry olhou dentro de seus olhos. Eles eram lindos, diferentes.
— E o que você pretende fazer com esse tempo livre?
Aquela era uma pergunta que não se fazia. Principalmente se ele, Harry, estivesse tão a fim de fazer algo errado. Colocando a taça de lado, ele levou as duas mãos até a face de Summer, segurou-a e puxou-a para si, beijando-a devagar. Ela não se surpreendia mais; o beijo de Harry não era novidade. Não se parecia com o de Dougie, e ela sequer podia imaginar por que pensava em Dougie em um momento daqueles. Harry empurrou-a para trás e forçou seu corpo contra o dela, pressionando-a contra o sofá. Beijaram-se por vários minutos, as mãos passeando aleatoriamente pelos corpos, até que a campainha indicou que a comida tinha chegado.
Summer colocou as caixinhas na cozinha e voltou para a sala, onde Harry estava confortável no sofá.
— Não vamos comer agora? — Ele questionou, já segurando os braços dela com as mãos e fazendo-a voltar para onde estava.
— Acho que temos coisa melhor para fazer.
A deixa foi suficiente para que ele entendesse o que ela pretendia. A ausência de luz deixou Harry mais tranquilo, enquanto ele se colocava novamente por sobre ela e beijava-a nos lábios com alguma força. Ela estava mais gostosa naquele momento do que esteve antes, e o sabor de vinho aprimorou a sensação. Suas mãos se posicionaram na blusa que Summer usava e em instantes ela estava descartada. Beijando cada centímetro da pele dela, Harry livrou-a também do sutiã e envolveu seus seios com os lábios, sugando-os devagar. Summer arqueou para trás, travando Harry pelos quadris com as duas pernas, fazendo-o acomodar-se entre si. Eles ainda estavam vestidos, mas os dedos dela já estavam em seu zíper.
O sofá não era grande, mas não ter uma posição adequada parecia tornar tudo mais interessante. Harry tirou sua camisa pelo pescoço, e voltou a beijá-la, cada vez com mais violência.
— Summer. — Ele disse, quando ela já tentava empurrar os jeans que ele usava para baixo. — Eu... não vim preparado para isso.
Ela empurrou-o com as duas mãos, olhando em seus olhos. Um sorriso malicioso se formou nos lábios dela, enquanto ele parecia apenas constrangido. Escorregando por debaixo de Harry, Summer levantou-se e puxou-o pela mão, as calças caindo pelas pernas, até seu quarto, e depois empurrou-o para sua cama, fazendo-o cair de costas por sobre seu edredom. Ela abriu uma gaveta de sua cômoda e jogou um pacote plástico por sobre Harry, imediatamente atirando-se na cama ao seu lado.
— Use com sabedoria. — Ela deu uma risada. — Só tenho esse.
Ele também riu, e moveu-se rapidamente por sobre Summer, beijando-a novamente. Não demorou para que as roupas fossem descartadas, jogadas em algum lugar pelo chão do quarto. Harry rasgou a embalagem do preservativo com os dentes, e mal teve tempo de colocá-lo. Estavam ambos ansiosos demais, os lábios procurando uns aos outros. Summer envolveu seus quadris com as pernas e facilitou o caminho para dentro dela. Mas daquela vez Harry não permitiria que fosse tão rápido, ele pretendia prolongar ao máximo tudo que fosse possível. Até que ela não aguentasse mais esperar por ele, até que ela desistisse.
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