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9 Parte 09 - Lonely


Summer estava feliz. Ela estava sem ver Harry há um bom tempo, mas a visita de Dougie a deixou feliz. Aquilo não parecia fazer sentido algum, mas era como ela estava – e não podia negar. Naquele final de semana, ela decidiu uma coisa. Ela veria o Mcfly em um concerto, e ela faria aquilo logo. Não queria mais esperar, já passava tanto tempo que ela conhecia o grupo e ela ainda não os tinha visto cantar ao vivo. Era sábado, e ela provavelmente não falaria com ninguém online, já que o grupo estaria se apresentando. Na Espanha.

— Alice? – Summer ligou para a amiga, que ela não via há algum tempo.

— Summy, menina! Pensamos em você esses dias, vimos um comercial com o Mcfly.

— Sério? Viram o Harry?

— Vimos o grupo todo, eles estão bem lindos, hem? Mas são mais novos, não acha que são novos demais?

— Rá, Alice... eu só estou namorando um deles, e eles não são tão novos assim, são bem lindos mesmo. Mas é sobre eles que quero falar – eu preciso vê-los. Vamos a um concerto?

— Quando, em Londres?

— Na Itália, Roma.

— Eu não vou até a Itália para ver um grupo de garotos. – Alice protestou. – Qual é, Summer, eles vêm a Londres e os vemos.

— Eu quero ir a Roma. É rápido, e podemos ir no final de semana e voltar. Pegamos um avião e pronto! Mas eu gostaria que você e Clarence fossem comigo, e de preferência que Felicia fosse também.

— Você quer seus amigos quando vai ver seu namorado?

— Eu quero, pode ser?

Alice moveu os ombros, mesmo sabendo que Summer não veria. Ela concordou, porque ela obviamente não negaria uma viagem para a Itália. Todos tinham dinheiro e podiam viajar, então aquilo não era um problema. O show tinha sido definido, e ela precisava apenas contar a Harry.

— Dougie Poynter. – Tom interceptou o amigo. Era tarde de sábado, e eles tinham uma apresentação em horas. O integrante mais jovem do Mcfly não tinha sido visto desde quinta-feira, e todos tentaram esconder o seu sumiço. Nem o celular o menino atendeu. – Onde raios você se meteu? Quer me enfartar?

— Desculpe, pai. – Dougie deu uma risada. – Mas eu estou aqui, pronto para o show.

— Onde, Poynter?

— Londres. – Ele confessou, fazendo um bico. – Eu fui ver Summer, eu sentia tantas saudades dela...

— Eu pensei que você tinha desistido dela.

— Por que eu faria isso? – Ele riu.

— Porque você disse um monte de coisas para o Harry e está todo mundo confuso. Você está completamente maluco, você sabe disso?

— Eu sei. Mas eu não desisti dela.

— Desistiu de quem? – Harry surgiu, o cabelo totalmente produzido para o concerto. – Retornou ao mundo dos divos, Poynter?

— Ele foi atrás de Summer. – Tom, dedo duro. – Mesmo depois de tudo, ele ainda foi atrás dela.

— Cale a boca, Tom. – Dougie fez um bico.

— Como ela está? – Harry perguntou, mais por educação. – Eu não tenho falado com ela.

— Eu sei. Você poderia não fazer isso, ela sente a sua falta.

— Ela sente a sua falta, Poynter. Céus, que conversa de bêbado. Eu cansei desse jogo, falei com você. Não adianta você insistir, eu não vou ficar com ela enquanto você a ama desse jeito, é ridículo. Você entendeu?

Enquanto Harry falava, discursando, com as baquetas na mão, o seu celular vibrou no bolso da calça. Ele olhou para o número que piscava e mostrou o aparelho para os amigos. “Garota do Dougie” era o título que ele havia dado para Summer, e aquilo indicava que ela estava ligando. Movendo os ombros, ele atendeu a ligação na frente de todos. Ela queria avisar que iria ao show na Itália, e queria ouvir a voz dele um pouco. Ela precisava entender a distância que havia entre eles desde que eles passaram a noite juntos, em Londres. Aquilo deveria aproximá-los, mas não o fez.

— Sua garota vem para um show, Poynter. Está na hora de acabar com essa palhaçada.

— Que show?

— Roma. Até lá, pense no que fazer. Porque se você não fizer nada, eu vou.

Ano de 2008 — Roma, Itália.

Os quatro amigos passeavam à pé pela capital Italiana, em uma linda sexta-feira de primavera. O clima ameno estava fantástico para uma caminhada, e eles queriam aproveitar a viagem inusitada para conhecer a cidade. Todas as construções, todos os locais históricos, que eles conheciam apenas de livros ou websites. Portando câmeras fotográficas, eles tiravam fotos dos monumentos, e fizeram questão de posar em toda e qualquer igreja que encontravam. Além dos obeliscos e fontes.

Eles tinham pousado em Roma na manhã daquela sexta-feira, e tudo que fizeram foi colocar as malas no hotel e sair pela cidade. Comeram em um tradicional café nas ruas romanas, e conversaram sobre tudo. Clarence, Alice, Felicia e Summer não viajavam juntos há muito tempo, e aquele passeio teria um duplo objetivo.

A caminho da Fontana di Trevi, o celular de Summer vibrou. Ela puxou o aparelho, mas não reconheceu o número que havia acabado de lhe deixar uma mensagem de texto. O grupo dispersou-se, os amigos fazendo o reconhecimento do local. Aquela era uma das praças mais famosas de Roma, a Navona. Eles queriam conhecer tudo, e fotografar tudo. A mensagem era esquisita.

“Onde você está?”

Ela não fazia ideia de quem queria saber, mas não era Harry. O número dele ficava gravado em sua memória.

“Quem quer saber?”

Ela respondeu de volta. Em instantes, o SMS foi respondido. Clarence, curioso, aproximou-se para ver o que estava havendo. Summer estava parada em frente à magnífica Fontana di Trevi, e nem estava prestando atenção.

“Aquele que pretende pagar o almoço.”

Summer olhou para o amigo, e mostrou o visor do aparelho para ele, que pronunciou o nome de Harry. Diante da negativa dela, e conferindo que todos os amigos estavam ali, Clarence não pode identificar de quem partia aquele convite.

“Poynter?”

Ela arriscou. Algo dentro dela disse que deveria ser ele. Ou algo dentro dela desejava que fosse ele.

“Demorou quatro mensagens para me descobrir, estou desapontado. Você gosta de pizza?”

A mensagem a fez rir. Não sorrir, mas rir. Summer deu uma gargalhada divertida, que ela não pode e não quis controlar. Saiu no impulso, mas rir daquele jeito era tudo que ela sempre queria.

“Fontana di Trevi. E adoro pizza, como descobriu?”

Clarence tomou o celular de Summer, olhando para ela com aquela cara de pai que lhe passaria um sermão.

— Só eu estou achando isso esquisito? Quem e Poynter, seu caso não era com Harry?

— Dougie Poynter, seu tapado. – Felicia chegou, intrometendo-se. – O que tem ele? Ele é delicioso!

— Pergunte a Summer, que está trocando mensagens com ele e rindo como uma adolescente. Em uma atitude muito suspeita, devo considerar.

O telefone vibrou novamente, e Clarence não o entregou a Summer. Ele mesmo abriu a mensagem, que vinha do mesmo número de telefone das anteriores.

“Estou chegando aí. Jogue uma moeda, faça um desejo. Dizem que eles se realizam.”

Summer tomou o celular de volta, e guardou-o no bolso. Encarou os dois amigos e moveu os ombros, querendo dizer que não se dizia um “não” a Dougie.

— Parece que vamos almoçar com uma celebridade, hoje.

O grupo aproximou-se da fonte, para admirar a maravilha da construção. A fantástica obra de arquitetura parecia ainda maior e mais imponente vista ao vivo, de tão perto. Summer sentou-se na borda da fonte e, segurando uma moeda, pensou em algo que ela queria muito. Algo que ela desejava mais do que qualquer coisa. Algo que a faria completa. E jogou a moeda na água cristalina da fonte, com toda fé que seu desejo poderia realizar-se. Todos optaram por jogar moedas, enquanto todos os outros turistas faziam a mesma coisa.

O carro prateado fez a curva exatamente no limite autorizado para veículos. Eles não podiam prosseguir. O motorista usava óculos escuros e um boné de jogador de baseball, e acenou para Summer. Ela estreitou os olhos e fixou-os em direção à Ferrari que reluzia sob o fraco sol do meio dia. A temperatura estava excelente, ela podia dizer. A pessoa acenou novamente, e ela teve certeza que se tratava daquele que pagaria o almoço. Ela chamou a atenção dos amigos e caminhou, em passos largos, até Dougie.

— Roubou esse carro em algum lugar, Poynter? – Ela disse, sorrindo.

— Facilidades de se estar na Itália, as Ferraris são bem mais fáceis de se alugar. Então, você aceita aquela pizza? Eu e Danny estamos morrendo de fome.

Danny Jones estava no banco do carona do carro esportivo, e acenou para ela.

— Diga onde, encontramos vocês lá.

— De jeito algum. Danny vai com seus amigos de táxi, você vem para cá.

O rapaz abriu a porta e saiu do carro. Ele usava óculos espelhados, e os cabelos claros brilhavam.

— Tome meu lugar, Srta. Handerssen. É um crime um homem dirigir uma Ferrari sem uma garota do lado – e eu não sou, definitivamente, uma garota.

O grupo deu uma risada. Felicia estava deslumbrada, ela nunca tinha visto o Mcfly ao vivo, mesmo morando no mesmo país que eles. Danny Jones já tinha um táxi esperando para levar os três amigos de Summer, e ela seguiria com o outro integrante do grupo – dentro da linda Ferrari prateada. Ela tinha muito dinheiro, mas não gostava de usá-lo. Nunca tinha entrado em um carro como aquele, que cheirava a couro novo e óleo de motor. Mas era um cheiro bom.

— Se você queria impressionar com esse caro, conseguiu. – Ela implicou.

— Foi para impressionar. Eu nem ligo para carros. – Dougie riu, enquanto parava a máquina na frente do restaurante que escolheram.

— Nem adianta perguntar de Harry, né? – Ela fez um bico, enquanto soltava o cinto de segurança. Dougie soltou a marcha, tirou o pé da embreagem, e olhou para ela com a cara de quem não sabia o que fazer nem o que falar. Ele torceu os lábios e tirou o boné. O cabelo bagunçado caiu pela testa, e Summer resistiu à vontade de passar a mão para consertá-lo.

— Ele está muito ocupado, se isso te consola. Ele tem muito treino para fazer, eu já sou muito bom. – Dougie sorriu. Summer sorriu com ele. O ar condicionado da Ferrari estava gelado, e ela sentiu frio subitamente. Os dois ficaram parados, em silêncio, respirando o ar frio, até que Danny bateu no vidro do lado do motorista, fazendo barulho e assustando-os.

Dougie abriu a porta, irritado, mas ele sabia que eles tinham horários. Entregou as chaves da Ferrari para o rapaz que estacionaria o carro, e abriu a porta para Summer sair, como um cavalheiro faz. Ele não era um cavalheiro, nem se sentia parecido com um. Mas ele estava com a mulher que amava; ele tinha no mínimo que atuar bem.

O restaurante não parecia muito chique, do estilo que Felicia esperava que celebridades frequentassem. Mas eles eram garotos, muito jovens, e não se importavam com aqueles detalhes. Com o cardápio escolhido, pizza de qualquer coisa que representasse queijo e pepperoni, eles tinham muito tempo para descontrair, até a hora do concerto – e não podiam se atrasar. Propositadamente, Felicia, Alice e Clarence sentaram em um lado da mesa, deixando Danny, Dougie e Summer, nessa ordem, do outro lado. Ela ficou espremida entre a parede – a mesa era de canto – e Dougie, o que não deveria ser um problema, se seu coração não estivesse tão confuso.

E Summer então realizou o óbvio. Havia alguma confusão dentro de si. Algo que ela não imaginava que estivesse acontecendo, mas que provavelmente mais gente já tinha percebido. Sentada na cadeira, com uma fatia de pizza de mussarela nas mãos, ela se pegou olhando para Dougie com o mesmo olhar que ela dedicava somente a Harry Judd. Era alguma coisa na forma como ele falava, na forma como ele era ridiculamente patético com o amigo, na frente dos seus amigos; na forma como ele passava a mão na testa e retirava o cabelo; na forma como ele olhava para ela e de repente pouca coisa fazia sentido. E aquele sentimento não tinha lugar dentro de si. Ela pertencia a outra pessoa, de corpo e alma.

A diversão do almoço acabou, e ela não aproveitou exatamente a farra. O bolo de saliva que estava em sua garganta a fez engasgar algumas vezes. E, toda vez que Dougie esbarrava nela, a sensação ruim de que alguma coisa estava errada a dominava.

— Você passou a tarde muito estranha, Summy. – Clarence constatou. Eles estavam no saguão do hotel, já preparados para o concerto. Esperavam Alice, sempre a última a ficar pronta.

— Sim, eu também achei. – Felicia concordou. – Foi porque o namorado não apareceu na orgia da pizza?

— Eu não estou estranha, e Dougie disse que ele anda muito ocupada.

— O Sr. Ferrari. Bonito carro. – Clarence implicou. – Falando nisso, ele literalmente se ofereceu para você a tarde toda.

— Que absurdo. – Ela franziu a sobrancelha, fingindo estar assombrada com aquela informação. – Ninguém está estranho e ninguém se ofereceu para ninguém. Ele é meu amigo, a gente se dá muito bem.

— Aham. – Clarence disse, e caiu na risada. Felicia o seguiu, mas os dois foram interrompidos pela carrancuda Alice que chegava. Eles tinham que ir para o local do concerto, e enfrentar a enorme fila que provavelmente estaria ali. Secretamente, todos odiavam Summer por ela não ter pedido ingressos especiais, ou coisa parecida. Mas ela jamais faria aquilo; Summer não pedia dinheiro aos pais. Ela jamais pediria algo a eles.

Mas eles não estavam errados em irritar-se. Havia, sim, uma fila quilométrica, que dava a volta duas vezes em torno do local do concerto. Seus ingressos davam direito ao acesso à pista simples, e eles teriam a maior fila para enfrentar. E os fãs mais escandalosos para lidar.

— Isso é que é amizade. – Alice protestou. – Ficar nessa fila por você, Summer, merece uma recompensa mais tarde!

— Não sejam bobos. – Ela reclamou. – São apenas algumas... horas de espera.

E foram horas. Já havia mais de duas horas que eles aguardavam, e o relógio passava muito devagar. A fila andava, mais devagar ainda. Fazia calor, e eles estavam cansados do dia agitado. Uma pessoa vestindo uma camiseta preta aproximou-se do grupo, identificando-os com alguma dificuldade no meio de um monte de fãs escandalosos.

— Srta. Handerssen? – O homem falou, com sotaque. Ela virou-se para ele, duvidando que outra pessoa com aquele sobrenome estivesse ali, e indicou que era com ela que ele queria falar. – Venha comigo, por favor.

— Eu? – Ela então duvidou. – Não, eu não posso... se sair da fila agora, não conseguirei mais entrar nesse estádio.

— Você entrará. – O homem disse, e algo em sua voz parecia garantir que ele falava a verdade. – O Sr. Judd pediu que eu levasse a senhorita e seus amigos para o backstage.

Os amigos se entreolharam. Não parecia inverossímil que aquilo acontecesse, e aquele homem que os interpelava poderia ser um segurança. Se algo acontecesse e eles perdessem o lugar na fila, Summer ligaria para seu salvador, e acabaria mesmo no backstage do grupo. Todos moveram os ombros, em sinal de concordância, passaram por baixo da corda de isolamento e seguiram o corpulento Italiano, em direção a um lugar ainda mais movimentado e cheio de fãs.

Uma porta escura abriu-se, e outros seguranças interviram para que eles entrassem. Com Summer à frente, eles seguiram por corredores claros e barulhentos que mais pareciam labirintos, até chegarem a uma sala enorme, que mais parecia um quarto de hotel para várias pessoas. Só faltavam camas.

-- FLASHBACK –

— Eu não acredito que você fez isso! – Dougie reclamava, enquanto uma pessoa amassava seu cabelo com mousse. O grupo estava se produzindo para o concerto.

— Você deveria me agradecer. Onde já se viu, deixar a namorada na fila? – Harry ajeitava sua roupa na frente de um enorme espelho, e brincava com suas baquetas.

— Ela é sua namorada. – Dougie fez um bico com os lábios. – Ela está se tornando minha amiga, agora.

— Sei não. – Danny apareceu, segurando uma guitarra. – Não foi bem isso que eu vi, no almoço.

— É o seguinte. – Harry virou-se para o amigo. – Eu mandei chamá-la, mas não sou eu que vou dar atenção a ela, nem que vou cantar uma música para ela. Você assume as negociações assim que ela chegar aqui, afinal, eu sou muito ocupado.

— Eu não vou cantar uma música para ela! –Dougie arregalou os olhos.

— Claro que vai. – Tom juntou-se à loucura, seu cabelo completamente pronto para o concerto. – Já está tudo certo, você vai pegar o violão e vai cantar para ela, mesmo que você não queira.

— Eu não vou dizer, no meio do palco, que vou cantar para uma garota.

— Vai sim. – Danny enfiou uma partitura na cara de Dougie. – Você vai dizer, mas não vai dizer qual. Será melhor ainda, causará ciúmes! Ela ficará desejando que seja para ela.

— Vocês estão todos loucos. – O garoto caminhou para o espelho, tentando verificar se seu cabelo estava tão bom quanto deveria. Ele precisava durar um concerto inteiro, então tinha que estar fantástico. – E eu também, por deixar que façam isso.

— Só te peço uma coisa. – Harry colocou as duas mãos nos ombros de Dougie. – Não olhe para mim quando ela chegar. Não olhe para ela. Olhe para Tom, Danny, qualquer outra coisa. Faça-me esse favor.

-- FLASHBACK END –

E Summer estava então em um território que ela ainda desconhecia. Depois de dois anos convivendo diariamente com a ideia de Harry Judd, ela finalmente conhecia o que ele fazia. Ela finalmente se encontrava com a parte mais importante de sua vida. Ela estava assustada e fascinada com tudo aquilo. Os rapazes não estavam ali, mas ela e os amigos foram deixados naquela sala. O segurança saiu, fechando a porta atrás dele, e eles ficaram sozinhos. Aquele era, definitivamente, um camarim. Mas não havia artistas ali.

— Summer? – A voz que ela tinha certeza ser de Harry ecoou. Ela virou-se para ver de onde vinha, e ele surgiu em seu campo de visão. O sorriso que iluminava toda a sala. Ela sorriu também, porque era inevitável. Ele estava lindo, mais do que lindo, vestido para o concerto. E parecia tão normal, tão ele mesmo. Os jeans que não cobriam muita coisa, a camiseta que moldava seu corpo, tênis nos pés. Ela caminhou em sua direção, vacilante, querendo correr, e atirou-se em seus braços. Fazia tempo que ela não sentia seu toque ou provava seu beijo, e era o que ela precisava, naquele instante.

Harry segurou-a pela cintura e a puxou para perto, correspondendo positivamente ao beijo. Suas mãos prenderam Summer bem próxima ao seu corpo, e ela pode sentir o calor de sua pele e ouvir as batidas do seu coração. Ele a beijou por alguns minutos, independentemente dos amigos estarem ali ou não, independentemente daquilo parecer demais para o momento. Tom surgiu por trás, pigarreando de forma a chamar alguma atenção e interromper o beijo. De alguma forma, ele queria dizer que já tinha sido o suficiente.

— Eu sei que você disse que não queria entrada especial. Mas aposto que tirar vocês da fila foi a melhor coisa que fizemos hoje. – Harry disse. Summer estava abraçada com ele, mas ele precisava desvencilhar-se. Não seria fácil, sem magoá-la, mas ele precisava.

— Vamos, Judd. – Danny, com seus cabelos cacheados, juntou-se ao grupo. – Temos que ensaiar aquela música, ou vamos fazer bastante feio no palco hoje. Boa noite, pessoal.

— Boa noite Danny. – Felicia agitou-se. Harry fez um gesto como que dizendo a Summer que era a sua vez, e afastou-se rapidamente. Ele esperava que ela não percebesse o quanto ele tinha que mantê-la longe dele; não de uma forma negativa.

— Bem, nós vamos tomar conta de vocês. – Tom disse, caminhando até uma mesa cheia de coisas. – Afinal, somos os mais disciplinados. Certo, Poynter?

Ninguém tinha visto Dougie ainda, e ele gritou qualquer coisa do banheiro. Ele fazia o favor que prometera a Harry; mantinha-se longe dele e de Summer. Era, na verdade, para poupá-lo de cenas como a que tinha acabado de acontecer. Cenas que o fariam sofrer, e ninguém queria aquilo.

— Esse menino anda muito difícil. – Tom implicou. – Alguém poderia ir buscá-lo?

Todos, inclusive Tom, olharam para Summer. Ele sabia que aquela era a ideia, mandá-la para cuidar de Dougie, que estava um pouco insuportável desde o retorno da tarde. E ficaria ainda mais insuportável, porque, por mais que eles tivessem tentado evitar, ele sabia que estava escondido porque Harry e Summer estavam se beijando. Haviam se beijado. Qualquer coisa. Ela seguiu a direção apontada pelo indicador de Tom, entrando por uma porta aberta, até atingir outro quarto, mais escuro, menos glamoroso, cheio de roupas espalhadas. Dougie apareceu na penumbra, passando os dedos pelos cabelos, segurando um cabide. Ele assustou-se ao vê-la, porque ele genuinamente não esperava que Summer aparecesse ali enquanto ele se vestia. Constrangido, porque usava apenas shorts e uma camiseta preta, ele sorriu parcialmente para ela.

— Lembre-me de matar Tom quando sair daqui. – Ele torceu os lábios.

— Ele me pediu para buscá-lo, não avisou que eu deveria vesti-lo também.

— Eu estou meio em dúvida. Tenho tantas camisetas iguais que não sei qual eu devo usar. – Dougie acendeu uma lâmpada, mostrando a Summer duas camisetas, e apontou as calças azul marinho que estavam por sobre um sofá. – Vou usar isso e tênis. Bem, eu nunca uso outra coisa mesmo.

— Deveria. – Ela sorriu, abrindo um enorme guarda-roupas que estava ao seu lado. Ela examinou as roupas por alguns instantes e pegou uma. – Que tal isso?

Dougie olhou para a camisa branca que estava nas mãos da garota.

— Isso é uma camisa social.

— E você ficaria lindo nela. – Summer fez um bico, colocando a camisa na frente dele.

— E Harry me mataria, simplesmente por não ter seguido o estilo. Tom então, ele nem me deixaria entrar no palco. – Dougie deu uma risada e pegou uma camisa de malha cinza, com a estampa “I will rock ya”. – Isso é algo que eu usaria no palco.

Summer caiu na risada. Ele puxou a barra da camiseta que vestia e a fez sair pelo pescoço, exibindo sua forma física impecável. A tatuagem que lhe cobria o braço e se estendia para o peito era tão colorida que parecia ter sido desenhada com lápis de cor. Ela se permitiu observar, enquanto ele deslizava a camisa cinza pelo corpo, terminando com o cabelo bagunçado. Ainda rindo, ela se aproximou mais e correu os dedos por sua franja, ajeitando o que tinha saído do lugar. Por algum motivo, que estava acima de sua compreensão, ela tremia e estava gelada. Seu coração batia mais forte do que quando Harry a tomou nos braços.

— Poynter, você abduziu a garota? – Tom gritou, do outro lado. A tensão diminuiu, eles pararam de se encarar. – Vamos logo, mocinha, temos um show para fazer. Temos que levar su... Summer para o lugar dela.

— Nós temos ingressos para a pista premium! – Felicia, nitidamente a mais animada dos quatro amigos, balançou os bilhetes com letras douradas.

— Ah, mas a namorada do Harry não pode ficar em pista. – Tom sacudiu a cabeça. – Vamos, eu vou deixar vocês com o Marcus. Ele é ótimo, ele vai levá-los ao melhor lugar para me ver cantar e pular.

Summer saiu com Dougie de onde estavam, juntando-se ao grupo. Marcus era o segurança que os tinha resgatado da fila, e foi com ele que os amigos desceram até o estádio, sendo levados para um reservado especial, onde poucas pessoas já esperavam ansiosamente pelo show. Eles podiam ver toda a multidão que aguardava o Mcfly, e ouvir os gritos dos fãs. A pista tremia, mesmo de onde eles estavam, e aquilo era a coisa mais empolgante que Summer já havia feito. Ela mirou a bateria onde Harry estaria, durante todo o show, e para onde ela olharia. Quase o tempo todo, ela pensou. Porque havia mais do Mcfly que ela queria ver naquela noite.

Apoteótico. Foi a palavra que Summer usou para descrever o que ela estava vendo. Ela não sabia o que a afastava de eventos como aquele, mas garantiu que nunca mais perderia um show de uma banda. Os rapazes tocaram, cantaram, pularam, divertiram a plateia, deram um espetáculo. Músicas que ela nunca tinha ouvido, algumas que ela já conhecia, e outras que ela nem poderia imaginar que eles já teriam tocado um dia – como Broccoli, que a fez rir muito.

Havia uma pausa, e eles conversavam com a plateia. O publico delirava, enquanto Tom e Danny pareciam dominá-los completamente. Depois de falarem bastante, Harry recebeu o presente da noite, ele daria um solo de bateria. Exibindo toda a sua categoria como músico, ele entreteve as fãs com um espetáculo à parte. Summer ficou paralisada, vendo-o atacar a bateria com tanta vontade. Ela parou de respirar por vários minutos, até que o solo terminou e o público delirou o suficiente para deixar qualquer presente surdo.

E seus olhos, que não conseguiram desfocar-se de Harry por nenhum instante, estavam procurando outra pessoa no palco. A luz brilhou por sobre Dougie Poynter, e ele estava sorrindo, enquanto Danny contava alguma piada que Summer não prestou atenção. Seus olhos estavam muito azuis sob os refletores, e seu cabelo molhado de suor. Eles insistiram que ele deveria cantar uma música, e, sob os gritos histéricos das meninas que estavam na pista VIP, Dougie assumiu o microfone e começou a falar com a plateia.

Ciao Roma. – Ele arriscou duas palavras em Italiano. – Vocês estão bem essa noite?

E o público respondeu, entre mais gritos.

— Eu devo cantar para vocês. Afinal, se esses dois cantam, eu devo conseguir. Mas eu não vou bagunçar com meu solo dessa vez. Eu quero mesmo cantar uma música, e vou cantá-la especialmente para alguém. Ela é antiga, e tenho certeza que todos vocês conhecem. Então, por favor, não me deixem cantar sozinho, eu não quero desafinar na frente de vocês!

Os acordes iniciais eram de uma música que Summer nunca tinha ouvido. Ela não conhecia todas as músicas, mas aquela era tão gostosa de ouvir que ela se surpreendeu por que ainda não tinha comprado todos os álbuns do grupo. A voz de Dougie era suave e fininha como a de um garotinho. Ela fechou os olhos, permitindo que a canção penetrasse em todos os seus poros.

“... I’m so sick of being lonely

This is killing me so slowly

Don’t pretend that you don’t know me

That’s the worst thing you could do

Now I’m singing such a sad song

These things never seem to last long

Something that I never planned on

Help me baby, I’m so sick of being lonely …”

No refrão, a voz de Tom e Danny prestaram suporte ao amigo. Harry acariciava a bateria com suavidade, enquanto as guitarras pareciam desplugadas, totalmente acústicas. Dougie tocava baixo, e ela novamente conseguia ouvi-lo muito bem. A letra da música era simples, doce, divertida. Como eles eram; como eles sempre foram e ela nunca soube.

Quando ela abriu novamente os olhos, tomou um susto. Dougie estava parado em sua frente, no palco. Ele estava no lado oposto a Summer, por todo o concerto. Ela tinha Tom sempre do seu lado, e Harry em um ângulo interessante. Danny e Dougie estavam bem mais longe, mas naquele instante eles tinham invertido suas posições. Enquanto eles cantavam e trocavam de microfone, enquanto ela estava perdida dentro de si mesma, eles caminharam pelo palco e se reorganizaram. Por algum motivo, naquele momento, enquanto Dougie cantava com seu lindíssimo sotaque britânico, que ela mesma não tinha, Summer teve a impressão de que ele cantava para ela. Claro que ele não cantava para ela, porque não havia motivos para Dougie dizer aquelas palavras para ela. Não havia motivos para que fosse ele a dedicar-lhe uma canção. Mas ela, secretamente, surpreendentemente, desejou que fosse ela a destinatária daqueles acordes.