Online
3 Parte 03 - Too Close For Comfort
Ano de 2005. Yate, Inglaterra.
Summer usava sua caneta comprada no atacado para tamborilar o tampo de vidro de sua mesa. Ela estava totalmente sem ideias. A criatividade lhe fora tolhida cruelmente desde que conhecera Dougie. Ela não o conhecia, sabia. Mas sentia como se conhecesse, de um longo tempo. Sentia que ele era seu amigo de infância. Só não tinha noção de seu verdadeiro eu, de seu verdadeiro nome. O verão tinha acabado, e uma brisa fria soprava na persiana. Alice entrou sala adentro, com a cabeça fervilhando de ideias para uma nova campanha publicitária, mas Summer não estava disposta a ouvir. Ela tinha coisas mais interessantes lhe ocupando os pensamentos.
Era dia 30 de novembro e um sol tímido e gelado se escondia por detrás de algumas nuvens branquinhas. Summer não conseguiu ficar até o final do expediente, inventou uma dor de cabeça, um enjoo e foi para casa. Ou seu inferno caseiro, como preferia. Os pais em casa, pelo menos sem implicâncias com a internet. Eles estavam fazendo terapia, e o primeiro passo para uma vida feliz era deixar de lado o que fosse negativo. Pegar no pé da filha que trabalha não era nada positivo. Mas Summer não estava ligando para os pais. Havia comprado um bolo lindo, de chocolate, coberto com marshmallow e calda. Era aniversário de Dougie, e ela pretendia comemorar com ele.
Desde janeiro, quando começaram a conversar, não pararam mais. Summer decidiu não se encontrar com ele até que se sentisse preparada para isso, apesar de desejar senti-lo ao seu lado o tempo todo. E Dougie parecia não parar nunca, sempre viajando, sempre fazendo coisas. Ele trabalhava com música, e de certa forma fazia sentido não ter muito destino. Summer imaginava que ele compunha para grandes cantores, ou que acompanhava bandas famosas. E, naquele dia especial, quando ele completaria 20 anos, ela preparara uma festa para ele. Sabia que ele ia se conectar; tinha certeza. Eles tinham combinado de se falarem. E ela pegou uma webcam com Clarence, instalou devidamente em seu computador, ornamentou seu quarto com balões e preparou o bolo com as velinhas. Era a festa surpresa que ela poderia dar a Dougie.
Era tarde, passavam das 10 horas da noite. A casa estava silenciosa, apesar dos ruídos de guitarra que vinham do quarto de Miles. Summer jamais entenderia o que fazia o irmão tocar aquele instrumento tão tarde. O computador ligado no mesmo chat de sempre, poison conectada e o diretório de mp3 tocando no Windows Media Player. O ambiente preferido de Summer.
“... Endlessly
Every time I look into your eyes
I see forever …”
No monitor, o nickname hawk piscou algumas vezes no canto da tela.
poison: Parabéns pra você... nesta data querida...
hawk: Assim eu fico sem graça!
poison: Nem vem, que não sei como consegue ser tímido ainda! Pelo menos comigo! E então? Como foi seu dia? Teve festa? Presentes?
hawk: Não... nada disso. Mas foi legal, trabalhei demais.
poison: Quem trabalha no dia do aniversário? E por que não teve festa?
hawk: É complicado, Summer. Tenho uma vida agitada, ninguém parou para comemorar meu aniversário. Meus amigos, eles me deram muito amor. E eu recebi alguns presentes, mas não teve festa.
poison: Pois bem! Você já instalou o Yahoo! Messenger, como te ensinei?
hawk: Sim, só não sei para que serve. Vamos conversar por ele, agora?
poison: Podemos. Mas minha intenção é outra. Você vai se conectar e vai procurar meu nickname. Quando encontrar, adicione. E espere uma surpresa.
Summer estava excitada. Já estava tudo pronto, a câmera em seu devido lugar, o bolo próximo ao teclado, a iluminação perfeita.
hawk: Que surpresa?
poison: Conecte-se!
Fez-se uma pausa, e logo um pedido de autorização para que Summer fosse adicionada ao diretório de Harry. Ela aceitou a solicitação e enviou para ele um convite para conferência de vídeo.
poison: Aceite o que estou te mandando.
hawk: É vírus?
poison: Aceite, Harry!
Outra pausa fez aparecer a janela de videoconferência do Messenger. Summer sorriu e enviou uma mensagem.
poison: Está me vendo?
Dougie demorou um pouco para responder. Summer ficou apreensiva.
hawk: Isso é fantástico!
Ele parecia empolgado e assustado com a tecnologia.
poison: Estamos virando o século, baby! Consegue me ouvir?
hawk: Mais ou menos, parece telefone ruim.
poison: Ainda estamos virando o século... hehehehehe. Mas pedi que instalasse o programa para me ver, e para ver sua festa de aniversário.
Ela rodou a câmera pelo quarto para mostrar os balões, os enfeites e o bolo. Não podia ver a cara de Dougie, mas daria muito dinheiro por sua expressão. Depois, voltou com a câmera para si, e, segurando o bolo, acendeu as velas que mostravam o número 20.
poison: Faça um pedido.
Dougie se mantinha em silêncio.
poison: Ih... pelo silêncio, imagino que não gostou da festa.
hawk: Estou sem palavras.
poison: Faça um pedido!
hawk: Queria que você estivesse aqui.
poison: Aqui aonde? Nem sei onde está, hoje!
hawk: Na Itália.
poison: UAU!!! A Itália é fantástica! Faça um pedido.
Uma pausa.
hawk: Já fiz. Agora devo apagar as velinhas?
poison: Sim. Sopre.
hawk: Fuuuuuuuuuuuuuuu!
Summer caiu na risada, e apagou as velas ela própria.
hawk: Estou impressionado. Não esperava uma surpresa dessas.
poison: Achou que eu não ia fazer nada especial no seu aniversário? Falando em especial... você não tem uma câmera para a gente poder se ver, não?
hawk: Eu não tenho. E não sei...
poison: Está bem, como eu disse, não quero forçar nada.
Houve uma longa pausa. Summer não entendeu se ele estava confuso, nervoso, emocionado, ou outro sentimento que lhe fizesse perder a “voz”. Ela temia que ele não gostasse dela, ou da forma como era. Em verdade, ela temia perdê-lo. Sabia que não podia perder o que nunca tivera, mas sentia que Dougie era tão seu! Ao mesmo tempo em que ele parecia sempre longe demais para que ela o alcançasse.
hawk: Estou emocionado. Desculpe.
poison: Desculpe por quê?
hawk: Porque não estou correspondendo a tudo que você faz por mim. Quero dizer, nunca faço nada do que você pede.
poison: Tenho pedido demais?
hawk: Não! É exatamente aí que me sinto mal.
poison: Harry... eu não ligo, ok? Desde que possamos continuar amigos.
hawk: Somos amigos.
poison: Senti uma hesitação.
hawk: Não queria ser seu amigo.
poison: Não?
Summer sentiu um nó na garganta. Ele não queria ser amigo, nem ela, em verdade.
hawk: Não. Eu queria... desculpe, eu não posso. Simplesmente não posso.
hawk left the chat:
As palavras estavam escritas em sua frente, mas ela não acreditava. Ela tinha feito tudo que imaginava legal para o aniversário dele, e ele simplesmente ficara constrangido. Ela imaginou que fosse constrangimento, não conseguia pensar em outra coisa. Sentiu o nó na garganta apertar-se, como se fosse uma corda prestes a lhe enforcar.
Talvez Alice tivesse razão, e aquela coisa de namorar pela internet não tivesse sentido. Summer não acreditou que pensara namorar, mas era como queria. Ela o queria ao seu lado. Queria que ele fosse, simplesmente, seu.
O inverno estava sobre a Inglaterra, tão rigoroso como o verão. As temperaturas desciam a cada dia, fazendo com que os ingleses mudassem de hábitos. Summer estava tão satisfeita e feliz que já não se importava com as situações familiares mais. Ignorava o descaso de Madeline, a saudade de Gregory e as contravenções de Miles. Não se importava com as idas e voltas dos pais, que insistiam ainda um pouco mais em manter as aparências de um relacionamento falido. Talvez preferissem ser sócios, para que a sociedade continuasse a vê-los juntos.
De qualquer forma, ela trabalhava cada vez mais em um projeto, em conjunto com Clarence e Alice. Uma grande empresa, uma grande conta, muito dinheiro envolvido. Seria o momento de mostrar todo o seu talento. Ou toda a sua competência. Ou ambos. A integração com os amigos e trabalho a afastou um pouco dos computadores e, consequentemente, de Dougie. Conectava-se de madrugada, mesmo sabendo que ele não estaria, lá, e deixava-lhe mensagens. Queria que ele soubesse que pensava nele, a cada minuto do dia, ou mais. Queria que ele não a esquecesse. Mas afastou-se naturalmente.
Summer decidiu voltar aos estudos, para aperfeiçoar-se. Haveria um MBA em Propaganda interativa, ela matriculou-se e iniciou os estudos para a prova de seleção. Fazia cada vez mais calor, e os fins de semana convidavam para um passeio às praias. Summer não era fã de praia, mas decidiu acompanhar os três amigos até uma cidade próxima de Ferguson. Precisava mesmo distrair-se e descansar. Enviou uma mensagem para Dougie, avisando da sua ausência por dois dias, e foi curtir a viagem.
— E como anda o namoro, Summer? – Felicia quis saber. Estavam ainda dentro do carro, a caminho da praia. Clarence dirigia o utilitário de Summer, melhor carro para passeios que ela conhecia.
— Que namoro? – Alice não entendeu.
— O namoro dela com aquele cara da internet, oras! Harry!
— Ai, meu Deus! Você não pode estar falando sério! Está namorando mesmo, Summer?
— Não, claro que não. Felicia está confusa por causa do frio. – Summer protestou.
— Mas eu pensei que estivesse interessada nele!
— Isso não significa namoro.
— Ainda bem que você está meio consciente! – Alice respirou aliviada.
— Mas ele é um gato! – Felicia suspirou.
— Como você o viu? Pensei que nem Summer o conhecia!
— E não conheço. Mostrei a foto a Felicia.
— Eu nunca vi essa foto!
— Está aqui comigo.
— Você vai gostar... ele é Britânico!
— Então ele mora aqui? – Alice mais confusa ainda.
— Língua solta você, hem Felícia? – Summer sentiu-se constrangida.
— Vamos, mostre-me. – Alice insistiu.
Summer tirou a foto impressa de Harry, que pensava ser Dougie, e apresentou à amiga Alice. A mulher segurou a foto entre os dedos, sobrancelhas franzidas e lábios contraídos.
— Eu conheço esse cara! – Alice sentenciou.
— Como assim, conhece? – Summer interessou-se.
— Já vi em algum lugar... em uma revista, algo do gênero.
— Bem, ele mexe com música. Vai que ele é famoso?
— Pelo que me lembro, é bem famoso! Eu acho que... uau! É isso!
— Isso o que? – Summer não conseguia mais se conter.
— Assim que chegarmos, eu te mostro.
Alice devolveu a foto para Summer, que mal conseguiu ficar sentada até Clarence parar o carro. O rapaz, que falava pouquíssimo, divertia-se com as conversas das amigas. Os quatro estacionaram próximo a um restaurante e saíram do carro, querendo esticar as pernas um pouco. Alice caminhou até uma banca de revistas, do outro lado da rua. Summer se roía de curiosidade, sabendo que a amiga estava para lhe provar de onde conhecia Harry.
Clarence e Felicia procuravam um lugar para comer, e Summer não sabia se acompanhava os dois ou se aguardava a chegada de Alice, que sorria com uma revista nas mãos. Preferiu ir atrás de Felicia, e esperar a outra amiga enquanto tomava um chocolate quente.
— Você é completamente desligada do mundo, Summer! – Alice bradava, enquanto se aproximava.
— Por quê? – Summer não entendia.
— Veja aqui seu “namorado” online! – Alice entregou a Summer a revista, que parecia uma daquelas de adolescentes. Nas capa, em cores e caixa alta, a matéria sobre uma banda que não parava de fazer sucesso na Inglaterra e em todo o mundo. Logo abaixo da introdução, uma linda foto do grupo de rapazes.
Summer ficou estarrecida, olhando fixamente a foto por alguns instantes. Ali estava Harry, sorridente, ainda mais lindo do que na foto que recebera. Todos os rapazes eram lindos, e extremamente jovens, mas ela podia jurar que Harry era o mais perfeito. Felicia colocou-se por cima do ombro da amiga para poder conferir o que Alice falava, e confirmar que Summer realmente conhecia aquela pessoa.
— Como eu já imaginava, ele está te passando a perna. – Alice foi enfática.
— Por que diz isso? – Felicia tomou as dores da amiga.
— Porque está na cara que esse cara que conversa com Summy mandou a foto do famosão aí para se safar de mostrar sua verdadeira identidade.
— Pode ser... ainda não tinha pensado nisso.
— Vocês se esquecem que, quando Summer o conheceu, ele ainda não era tão famoso! – Clarence tomou a página das mãos da amiga. – Aqui diz claramente que o CD foi lançado agora, e que eles ainda estão fazendo sucesso... Ele pode estar dizendo a verdade. Antes da fama, somos todos comuns.
Summer olhou para Clarence como que lhe agradecesse. Seu Harry era um cara famoso, ídolo da música pop. Pelo menos, estava se tornando um ídolo. E, o pior, ela pensava que ele podia não ser quem ela pensava que fosse. Ela não teve certeza se pensava ou se comprava a ideia de Alice, mas o fato é que pensou. Olhava para a fotografia impressa e seus pensamentos rodavam como um redemoinho em sua cabeça, embaralhando os neurônios.
— Sei não. Ainda acho que é golpe.
— É muito fácil descobrir. – Felicia teve uma ideia. – Basta Summer se encontrar com ele.
— Se for ele mesmo, talvez não queira se encontrar. – Clarence conjecturou. – Afinal, não deve ser fácil ser famoso.
— Vocês estão me deixando confusa. – Summer resolveu acabar com a conversa. – Deixemos as coisas como estão. Ele é Harry Judd, esse cara aqui da revista, e pronto. Se um dia eu descobrir que não é, pelo menos será sempre a pessoa por trás do computador que eu gosto, e não da fotografia.
Ano de 2006. Londres, Inglaterra.
Os olhos de Dougie percorriam todo o estúdio. Não tinham mais nada para gravar, e ainda gravavam. Fitas de vídeo, clipes musicais, todo o tipo de invencionice que as fãs adorariam comprar. O frio cada vez mais forte parecia não diminuir de intensidade, mesmo com o fim do inverno. Estavam ali para gravar um clipe qualquer. Era uma musiquinha monótona e ele nem cantava. Já haviam gravado a mesma coisa diversas vezes, mas nunca estava bom o suficiente. Nunca estava à altura da música.
Sentia saudades de Summer. Mal se falavam desde o início do inverno. Eram mensagens e mais mensagens, intermináveis. E tudo que lhe vinha à cabeça era a imagem dela no computador, implorando que fizesse um pedido e apagasse as velinhas de seu aniversário. Apesar de querê-la de uma forma esquisita, tinha medo de conhecê-la. Ela era maravilhosamente perfeita, poderia detestá-lo. Além do mais, Summer tinha gostado de Harry, e não de Dougie. Ele estava confuso, se um dia não fora confuso alguma vez.
Resolveu que estava na hora de dar um passo a mais na relação. Ele tinha que arriscar alguma coisa, ou passaria a vida inteira se lamentado por ter deixado Summer escapar. Pensou, imaginou como poderia ir além do chat room sem arriscar conhecê-la, e só conseguiu pensar no telefone. Seria perfeito, conversar com Summer pelo telefone. Mas ele queria fazer algo diferente. Perguntar seu telefone não teria graça, ele precisava surpreendê-la. Enquanto os colegas disputavam quem faria uma imitação mais perfeita de algum animal que Dougie não quis saber qual; e enquanto aguardavam uma nova gravação, ele muniu-se do laptop e buscou na lista telefônica online por Summer Handerssen. Ele tinha certeza que não haveria duas Summer com sobrenome holandês. E não se decepcionou. Havia sim, um telefone, em nome de Summer. Agradeceu secretamente por tê-la pedido o nome completo.
Era noite no quarto de Dougie. Seu laptop estava ligado, o chat room conectado, mas seu nickname estava oculto. Lá estava poison, talvez esperando para conversar com ele. Se ela estava online, estava em casa. E se estava em casa, ele sentia que poderia falar com ela. Pegou o telefone e pediu que a telefonista fizesse uma ligação. Aguardou alguns instantes e o telefone tocou de volta. Uma voz suave e sonolenta lhe atendera.
— Alô? – Summer falou, sem ter ideia de quem era do outro lado.
— Summer? – Dougie arriscou.
— Sim... quem está falando?
— Duvido que você adivinhe.
— Harry? – Summer estava hesitante.
— Surpresa!
Dougie não gostou de ter que se fazer passar por Harry no telefone. Ele gostaria que Summer chamasse seu nome. Mas não queria dizer a ela que havia mentido todo esse tempo.
— Nossa... eu... estava esperando... como conseguiu meu telefone?
— Estava na lista! Acho que não fiz bem em ligar.
— Não! – Summer exaltou-se. – Fez sim, quero dizer, eu só não esperava que me ligasse! Achei que conversaríamos sempre pelo computador. Acho que até já tinha me acostumado. Eu... que bom ouvir sua voz.
— Também acho. Senti saudades, precisava de algo mais.
Summer fechou os olhos e imaginou-se em algum lugar que Dougie também estivesse.
— Harry, tem algo que ia te perguntar, que eu preciso saber.
— Diga. – Dougie ficou apreensivo.
— Eu contei de você para três amigos. Não se preocupe, pois são pessoas discretas que jamais falarão sobre minha vida particular com estranhos. Mas uma das minhas amigas me mostrou uma foto do McFly.
Como no computador, fez-se uma pausa. Dougie podia sentir seu coração bater acelerado. Seu segredo; metade do seu segredo, estava descoberto.
— Bem, então você já sabe.
— Acho que ainda não sei.
— Eu sou famoso. Bem, estou ficando cada dia mais. Saio em jornais, em revistas, apareço na televisão. Por isso não queria que divulgasse meu endereço. Não posso me expor mais do que já sou exposto.
— Minha amiga adora música. Ela te achou em uma revista; por que não me disse? – Summer sentiu-se levemente traída.
— Porque não queria que você soubesse. Queria me gostasse de mim pelo que sou, sem me imaginar um ídolo.
— Não faria diferença para mim. Pensou que esconderia até quando?
— Até você me amar.
Dougie não acreditou que falara o que falara, mas as palavras pularam de sua boca. Ele era um fracasso com garotas, até pelo telefone. Não era surpresa ter-se passado por Harry.
— Eu já te amava há muito tempo. – Summer não viu necessidade de se conter muito.
— Summer, eu...
— Harry, por que você não... por que nós não... eu queria tanto conhecer você!
— Eu também. Mas não quero estragar o que existe entre nós. É tão abstrato!
Summer concordou secretamente com o que Dougie dizia. Era mesmo abstrato, e se ficasse concreto poderia estragar tudo. Eles poderiam se decepcionar. Perder a ilusão.
— Vou comprar o CD.
— Não!
— Por que não?
— Vou ficar envergonhado!
— Ah, pare com isso imediatamente! Onde já se viu, ficar envergonhado! Então quer dizer que o mundo todo pode te ouvir cantar, menos eu?
— Eu não canto, praticamente. E eu não me importo com o que o mundo todo vai pensar, só com você.
— Assim eu fico sem graça.
Summer ouviu um barulho que a fez assustar. Harry e Danny esmurravam a porta do quarto de Dougie. Gritavam, chamando o amigo para alguma noitada.
— O que foi isso? – Summer ficou curiosa.
— Meus amigos... preciso ir. Ou eles jamais me deixarão em paz.
— Que drama! Pode ir... nos falamos mais depois.
Dougie desligu o telefone irritado, e abriu a porta, sendo imediatamente surrado pelos amigos que o perturbavam. Ele tinha quebrado uma barreira, mas não dava para ir muito além daquilo.
Fale com o autor