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2 Parte 02 - Please, Please
Apesar do fogo que a consumiu durante toda a noite, Summer acordou mais racional e comedida. Sabia que não queria cometer nenhuma loucura da qual fosse se arrepender. Deixar de assistir um filme para conversar com Harry era uma coisa. Deixar o trabalho para encontrar-se com ele era outra. Tinha o domingo inteiro para pensar, e não queria pensar sozinha. Achou prudente encontrar-se com algum amigo, e apenas Felicia estava disponível naquela manhã. Summer não pensou em contar nada para a amiga, mas queria companhia. Ou podia fazer besteiras.
As duas fizeram algumas compras e passaram a manhã em um salão de beleza. Summer precisou sentir-se bonita, estonteante. Ela tinha agradado aquele deus grego; ele a tinha achado atraente. Ela não precisava de mais nada, nem de ninguém para elogiá-la. Na verdade, Summer passou o dia todo com Felicia, mas pensou em Harry o tempo inteiro. Mal deu atenção às histórias da amiga, que contava sobre suas viagens extraordinárias pela África central. Felicia não vinha de família rica como Summer, mas viajara bastante. A mãe era arqueóloga, e a levou para conhecer verdadeiros paraísos. Summer, em compensação, mal conhecia a Inglaterra. Como ela sempre pensava, de nada adiantava o dinheiro.
Quando a noite chegou, Summer não conseguia pensar em outra coisa que não conectar-se e entrar no chat room. Miles ainda não retornara da casa dos amigos e os empregados estavam todos de folga, naquele fim de semana. Ela já havia comido demais com a amiga, não tinha mais apetite. Novamente, um calor começou a incendiá-la, como se estivesse em chamas. “O que está acontecendo comigo?”, ela perguntou para si mesma, olhando Angus, adormecido sobre o tapete. Trancou toda a casa e sentou-se em frente ao computador, tentando decidir se ligava ou não a máquina. “Não. Vou me dar algum valor. Só ligo amanhã, quando chegar do trabalho.”, foi o que pensou. Ela queria acreditar nisso. Precisava acreditar que não deveria ligar o computador e procurar por Harry. Ela sequer o conhecia. E não era dada a aquele tipo de paixão.
Summer ligou o som no volume máximo e deitou-se. Pensou em esvaziar a cabeça, não pensar em nada por alguns instantes. Seus neurônios andavam trabalhando demais, entorpecidos pelos hormônios juvenis que seu corpo exalava.
“Seu corpo é fruto proibido
É a chave de todo pecado e da libido...”
Ela adormeceu pensando em Harry. Dele, só tinha a imagem sorridente da fotografia. Não sabia mais nada. Nem se aquele era ele mesmo. Algo dentro dela lhe disse que aquele Harry era uma pessoa conhecida. Sentiu como se já o tivesse visto em algum lugar. Mas pensou que estava doida; afinal, ela via Harry em qualquer lugar desde que vira sua foto no computador.
Ano de 2005. Frankfurt, Alemanha.
A noite estava quente demais, em Frankfurt. Tom estava entediado, sentado no quarto observando o hálito se dissolver no ar. Nada para fazer, nada para ver, o sono não chegava, um ócio que não lhe era comum. Levantou-se e resolveu procurar os amigos, mesmo sabendo que já passava de meia noite. Danny dormia como um bebê, e Harry estava desaparecido; restava apenas Dougie. Aquele lento, provavelmente estaria no quarto, também sem nada para fazer. Tom pensou em jogarem videogame. Não era uma atitude muito adulta, ele sabia. Mas não parecia haver nada melhor para se fazer. O hotel estava um verdadeiro tédio.
Entrou silenciosamente no quarto que Dougie estava alojado. Estava tudo tão quieto, mas as luzes acesas indicavam que o amigo estava acordado. Tom olhou em volta e não encontrou o amigo. O laptop novo estava aberto sobre a mesa, e a curiosidade de Tom fez com que se aproximasse e descobrisse o que ele fazia com o computador. Tom era um grande fã de computadores, e desde que Dougie comprara aquela máquina esquisita, estava cada dia mais viciado. Viu que o amigo estava em um chat room. “Deve estar procurando mulheres!”, pensou alto.
Dougie percebeu o barulho em seu quarto e saiu do banheiro, assustado. Colocou-se rapidamente entre o amigo e o laptop,
— Tom? O que está fazendo aqui?
— Fuxicando suas coisas, oras! Não tenho nada para fazer... o que você está fazendo? Catando mulheres na internet? Que coisa nerd!
— Não é da sua conta.
Ele expulsou Tom da cadeira e procurou mais uma vez pelo nickname que o interessava. Nenhum registro constava do que procurava. Sentiu-se um pouco frustrado, mas não deixou que Tom percebesse.
— Qual é, Dougie! Vai brincar e me deixar de fora?
— Não estou brincando, Tom.
— Quem é que você está procurando aí? Nem sabia que você sabia usar esse negócio... que você entendia desses chats!
— Não entendo. Estou recebendo ajuda.
— De quem?
Dougie respirou fundo. Tom era meio fofoqueiro, e tudo que ele lhe contasse se tornaria público com o primeiro raio de sol. Ele não deveria contar o que fazia realmente na frente do laptop.
— Sei lá, de gente que encontro aqui no chat.
— Você diz quem é?
— Claro que não! Por que diria que sou Dougie Poynter? Não teria mais sossego. O melhor desse negócio de chat room é eu poder conversar sem dizer quem sou e ninguém desconfiar.
Tom deu um tapinha no ombro de Dougie e deixou o quarto do amigo. Começou a sentir sono, achou mais conveniente dormir. Ainda porque o amigo estava muito enjoado, só pensando naquele computador. Aliás, todos os amigos andavam complicados. Mas ele não desistiu de descobrir o que fazia Dougie tão fascinado com aquela máquina. Eles eram uma banda musical, ligados à era da tecnologia. Mas não tinham tempo para gastar em frente a chat rooms, ainda mais porque não precisavam daquilo. Se ele quisesse amigos, ele tinha. Se quisesse mulheres, ele podia escolher de uma fila!
O dia seguinte chegou com mais frio ainda. E chovia muito. Tom Fletcher acordou mais cedo e resolveu esperar os amigos na varanda do hotel. Se ele soubesse que o tempo está tão péssimo na Alemanha, teria conversado para adiarem aquela viagem. Para ele, tempo bom seria se estivesse quente como o inferno. Tom riu de sua analogia, se todo aquele calor fosse quente como deveria ser o inferno. Alguns minutos após sua chegada ao restaurante, Harry e Danny apareceram. Conversavam animadamente sobre amenidades da vida de pop star. Era uma novidade muito grande para eles, porque eles estavam estourando nas paradas de sucesso. O primeiro álbum foi um grande sucesso, e o segundo também seria. Havia altas expectativas para o lançamento daquele álbum. E estavam sendo produzidos pelo mesmo produtor de várias celebridades, o que lhes dava todo o apoio possível.
Quando Dougie, finalmente acordou, o grupo tomou o café da manhã e resolveu sair para espairecer pela cidade. Tom, no entanto, reclamou de dor no estômago e pediu para ficar. Os outros três amigos já não aguentavam mais ficar trancados dentro do estúdio ou do hotel, e preferiram acompanhar a ideia de Danny, único que ainda tinha disposição para passear. Sequer perceberam que as reais intenções de Tom eram desbravar o computador de Dougie. O amigo não costumava esconder nada, e Tom tinha certeza que ele escondeu com quem conversava na noite anterior.
Assim que o grupo saiu, Tom trancou-se no quarto com o laptop. Ele não era o mais entendido de computador que conhecia, mas sabia encontrar arquivos pela cronologia. Fez questão de acessar o mesmo chat room que Dougie estava na noite passada. Achou graça do nickname do amigo... hawk. “Que coisa mais gay!”, Tom pensou. Imaginou que o falcão simbolizasse a força e poder que Dougie não tinha. Ele era tímido, por mais que não parecesse ser.
Procurou nos arquivos recentes e encontrou uma fotografia com nome esquisito. Deu dois cliques no ícone e uma linda mulher se abriu na tela do computador. Morena, cabelos fartos e negros, olhos profundos. Tom arregalou os olhos e surpreendeu-se. O nome do arquivo era sugestivo... summer. Aquela mulher realmente parecia o verão. Deveria ser alguma modelo de revista por quem Dougie estava caído, mas ela não parecia europeia. Ele sempre gostou de se apaixonar pelo impossível. Uma mulher daquelas nunca, em momento algum, daria bola para ele.
Um barulhinho fez Tom desconcentrar-se da imagem desconcertante e prestar atenção em uma janelinha que abrira, piscando, no monitor.
poison: Harry? É você?
Tom não entendeu. Aquele era o computador de Dougie. Por que alguém procuraria por Harry?
hawk: Não, sou Tom, amigo dele.
poison: Ah, que pena. Bem que achei engraçado vê-lo por aqui. Ele só apareceu de noite, até agora.
hawk: De noite? Tem certeza que falou com Harry, mesmo?
Tom ainda não tinha se convencido. Dougie andava grudado naquele computador, ele ainda não vira Harry encostar na máquina.
poison: Sim, ele até me mandou uma foto. Só se estivesse brincando comigo. Você não tem um amigo Harry?
hawk: Sim, tenho. Só achei engraçado, porque ele praticamente não usa o computador.
poison: Ele disse que o computador não era dele. Deve ser seu, então.
hawk: É do Dougie, outro amigo nosso.
poison: Ah, tá.
hawk: Diga-me uma coisa, qual seu nome?
Ele precisava tirar uma dúvida à limpo.
poison: Summer. Por quê? Harry falou de mim?
hawk: Não, é que vi uma foto sua no computador. Você é muito bonita.
Tom achou complicado acreditar que aquela pessoa com quem conversava era a mesma da fotografia. Se fosse, não acreditava que Harry mantivesse um contato com tudo aquilo.
poison: Que nada, você está sendo gentil.
hawk: Imagina!
poison: Bem, vou ter que trabalhar agora. Mas já que você está sendo tão simpático, poderia dar um recado a Harry para mim?
hawk: Sou todo olhos. Pode teclar.
poison: Diz a ele que estarei conectada hoje à noite, no mesmo horário.
hawk: Já está anotado.
poison left the chat room:
Tom ficou alguns instantes parado em frente ao laptop, boquiaberto, olhando simultaneamente o letreiro que indicava a desconexão de Summer e sua fotografia. Aquilo deveria ser alguma pegadinha com Harry. Aquela mulher era simplesmente linda. Mas alguma coisa ainda restava mal explicada para Tom. O computador era de Dougie, e ele mal via os outros amigos usando o laptop. Seu sentido mais usado lhe avisou que alguma coisa cheirava mal.
Antes do horário de almoço, os rapazes estavam de volta das ruas de Frankfurt. Caía uma chuva fina e fazia ainda mais frio. Tom estava ansioso, grudado na janela, esperando Harry chegar. Ele queria saber até que ponto a conversa dele com a tal Summer fazia sentido. Todos entraram reclamando do frio, e encontraram Tom na sala, fazendo cara de quem sentia dores.
— Está melhor? – Danny quis saber.
— Um pouco. Tomei um chá, espero que melhore.
Danny sacudiu a cabeça.
— Chás costumam ser muito terapêuticos. Vou ver com a produção a agenda para a tarde.
Danny afastou-se, indo para seu quarto. Tom não conseguiu resistir muito tempo.
— Harry, sua namorada avisou que vai estar conectada hoje à noite.
Harry franziu a sobrancelha. Dougie engoliu seco, perdendo imediatamente a pouca cor que lhe tingia a face.
— Que namorada, Tom? O chá que você tomou estava na validade?
— Não tente esconder! Eu estava jogando no computador de Dougie e uma garota apareceu procurando por você. Aliás, que garota! Sr. Harry Judd está escondendo o jogo! Amarrou uma gata de arrasar um quarteirão.
Dougie agarrou Tom pelo colarinho, ignorando que ele pudesse estar realmente indisposto.
— Quem disse que você podia mexer no meu computador? Que te autorizou a futucar minhas coisas?
— Calma, Dougie! – Harry intercedeu, separando os amigos. – Sabe como Tom é... não consegue ficar parado.
— Eu ia jogar.
— Mentira! – Dougie estava alterado. – Você foi descobrir o que eu fazia na noite passada! Confesse!
— Tá bom, eu fui. – Tom desistiu. – Satisfeito? Você estava muito esquisito, e queria saber o que era. Mas acabei descobrindo o segredo de Harry. Uma mulher morena linda, chamada Summer, que está esperando conversar com ele hoje à noite.
— Eu não faço ideia do que você está falando, Tom. – Harry estava confuso. – Eu não uso aquele computador, muito menos fico conversando com ninguém. Essa pessoa se confundiu.
— Ela deve ter se confundido. – Dougie acalmou-se um pouco, mas não soltou Tom. – E o Sr. Thomas Fletcher vem comigo até meu quarto, quero ter uma conversinha com ele.
Os outros amigos acharam melhor deixar Dougie dar uma bronca em Tom, talvez ele aprendesse a não mexer nas coisas dos outros. Tom tinha a péssima mania de não guardar segredos, nem os deles, nem os das pessoas próximas a ele. Não que Dougie fosse diferente, ele também não conseguia guardar a língua na boca. Mas Tom merecia uma lição há tempos. Dougie arrastou o amigo para dentro de seu quarto e trancou a porta. Seu olhar era fulminante.
— Você está tão bravo assim porque eu mexi nessa máquina? – Tom não entendeu direito.
— Você conversou como com Summer? – Dougie estava nervoso.
— O que você tem com isso?
— Ela procurava por mim.
Tom caiu na gargalhada.
— Nem vem, Dougie. Sei que a mulher é poderosa, mas ela escreveu HARRY claramente... com todas as letras.
— Eu sei! – Dougie ligou o computador, a fim de ler o chat de Tom. – Eu disse que me chamava Harry, e mandei uma foto dele para ela.
— Você enlouqueceu de vez!? – Tom parecia não acreditar no amigo. – Por que fez isso?
— Porque sim! Não quero levar um fora dela. Viu como é linda? E simpática! Ela é perfeita. E o melhor: ainda não nos conhece. E eu sou esse garoto desconjuntado.
— Ela não nos conhece? Ela mora onde, em Marte?
— Não seja ridículo. – Dougie riu. – Ela trabalha, é um pouco mais velha, talvez não goste do estilo. Mas ela é um sonho!
— Eu acho mais um pesadelo. Dougie... você nem conhece essa pessoa!
— Ela quer me encontrar.
— E você?
— Dei meu endereço a ela.
Tom aproximou-se do amigo e colocou a mão em sua face.
— Você realmente não está nada bem, deve ser febre.
Dougie o afastou.
— Pare com isso! Eu estou muito bem, nunca estive melhor.
Tom sacudiu a cabeça e deixou Dougie sozinho. Ele achava que havia alguma coisa mal explicada, e tinha razão.
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