Havia sido um final de semana agitado para Spencer Reid. Voltar de Las Vegas depois de deixar sua mãe outra vez. Ele contou nos dedos cada vez que ele precisou pegar um voo de madrugada ou a noite. Agora não era diferente.

— Bem-vindo ao aeroporto de Las Vegas, Dr. Reid. – A atendente cumprimentou o jovem. – Mais um final de semana difícil?

— Sim. – Ele bocejou, cansado da consulta médica que havia feito para a mãe e para si mesmo. – Felizmente estou com o coração mais leve.

— Certo, se nada mudar, seu voo sai as 22 horas e 20 minutos. – A aeromoça o viu comprar um café logo em seguida.

Ele mandou uma mensagem para Hotch avisando que iria chegar em 45 minutos e bocejou. Ele foi até o banheiro e começou a fazer a necessidade 1.

Durante o curto período, o voo de Reid mudou de portão e como os microfones, eles precisaram avisar todos de boca a boca. Mas como Reid não estava por ele, ele não sabia de nada.

Enquanto isso, em Washington, uma grávida Penelope esperava com Derek e Hotch no aeroporto. A barriga de Penelope era de quase seis meses e ela e Derek teriam um filho em menos de três meses.

— Você tem certeza de que ele está bem, Hotch? – Penelope perguntou. – Estou preocupada com ele.

— Ele está sim. Estaremos todos lá para ele. – Hotch quis dizer a verdade para Penelope, mas no atual estado dela, qualquer coisa a fazia chorar, mesmo que fosse de felicidade. – Ei, espere ao menos ele chegar aqui. Eu sei que ele prometeu lhe trazer uma compota de frutas, chore de alegria quando ele chegar.

Penelope assentiu. Os hormônios eram uma merda nesse período de gravidez.

— Dr. Reid. – A aeromoça escaneou Reid. – Como está sua mãe?

— Bem, obrigado. – Reid apenas disse e foi para sua poltrona.

Ele estranhou que fosse um avião maior, mas achou que fosse algum tipo de promoção e vendas em massa. Ele havia ganhado um livro de sua mãe antes de deixa-la e então, começou a ler.

— Desculpe, senhor. – Uma aeromoça chegou perto de Reid. – Mas temos uma duplicidade de assento. Será que poderíamos conferir sua passagem?

— Claro. – Reid entregou o canhoto da passagem para a aeromoça.

— Está correta. – A mulher sorriu, porque achou Spencer muito bonito. – Tenha um bom voo.

O avião levantou voo quando o último passageiro de camisa florida entrou. Reid achou aquilo um pouco engraçado todo mundo de camisas floridas, mas ele sabia que gosto era algo individual.

Ele percebeu os monitores se ligando e resolveu assistir Branca de neve. Ok, talvez ele fosse o cara da física quântica, mas precisava de um pouco de distração.

O avião vindo de Las Vegas pousou e Hotch aguardou Reid desembarcar ou ao menos aparecer na esteira de bagagens. Quando a última mala foi retirada por um homem que claramente não era Reid, Hotch se preocupou com o agente.

— Será que Spencer perdeu o voo? – Hotch se perguntou e olhou para Derek. – Eu já volto, Derek.

— Posso ajudar você? – A mulher desconectou os fones de ouvido.

— Sou o agente especial Aaron Hotchner, estou querendo saber sobre o voo que chegou de Las Vegas. – Hotch mostrou o distintivo. – Gostaria de saber sobre outro agente meu, Spencer Reid. R-E-I-D.

A mulher digitou no computador e encontrou a passagem de Reid. Torcendo um pouco o nariz, ela precisava dizer que ele aparentemente não tinha usado ela.

— Senhor, o agente Reid não usou sua passagem. – A moça viu a confusão no rosto de Penelope. – Eu sinto muito.

— Hotch, o que aconteceu com Reid? – Penelope olhou para Aaron com os olhos cheios de lágrimas. – Ele está bem?

— Derek, leve Penelope para casa. – Hotch aconselhou. – Ela está cheia de hormônios e sabemos que qualquer coisa faz ela chorar.

Penelope sabia que era extremamente emocional e por isso, resolveu ir para casa.

Enquanto isso, sobre algum lugar no oceano, Reid olhou para o monte de água fora da janela e não entendeu.

— Escuta, quatro horas não é muito para ir para Washington? – Reid perguntou para o passageiro ao seu lado.

— Mas esse voo está indo para a Flórida. – O homem ao lado de Reid falou e viu o agente ficar pálido.

— Mas eu estou indo para Washington. – Reid então começou a ficar doido.

— Estamos indo para o Flórida. – O passageiro viu Reid suspirar.

— Eu estava indo para Washington. – Reid disse um pouco mais alto dessa vez.

— Mentira! – O passageiro atrás dele gritou. – Está indo para Washington aqui!

Reid queria era se encolher. Olhando para a aeromoça, ele acenou e ela veio.

— Foi você que conferiu a minha passagem? – Ele a viu assentir. – Eu estou indo para Washington.

— Misericórdia. – A mulher ficou completamente pálida com aquela informação.

Reid fechou os olhos. As camisas floridas, o avião maior e com certeza o café da manhã preparado no compartimento dos aeromoços.

Durante o resto do tempo, Reid estava sorrindo. Ele não estava constrangido. Ele precisava sorrir para a situação.

Hotch precisou fazer seis ligações e mesmo assim não conseguiu descobrir onde diabos Reid estava. O celular de Hotch tocou e era Penelope.

— Chefe, eu estava me sentindo muito entediada em casa e decidi fazer o que eu faço de melhor. – Penelope digitou mais informações. – Eu descobri onde o menino gênio está e ele vai demorar para voltar.

Reid se sentou na poltrona. O avião todo comentava a falta de sorte do agente. Depois que o voo dele pousou na Flórida, Reid pegou o celular, ligando primeiro para Rossi.

— Bom dia, Dave. – Reid engoliu em seco quando um monte de palavrões em italianos soou pelo telefone. – Calma, Dave. Primeiro de tudo, eu estou bem. Não fui sequestrado

— Onde você está Reid? — Toda a equipe já reunida esperando Reid falar.

— Estou na Flórida. – Reid falou como se fosse a coisa mais normal de todas. – Deu uma confusão no voo e eu vim para a Florida.

— Você quer que mandemos resgate? – Derek brincou com ele. – Penelope pode mandar te sequestrar porque ela está cheia de hormônio e está esperando o que você prometeu a ela.

— Eu vou fazer as pazes com ela. – Reid deu um sorriso. – Escuta, eu acho que vou ficar uma semana aqui. Preciso de férias.

— Ei, Spencer. – Penelope pegou o telefone. – Eu acho que você deveria voltar agora. O chefe quase teve um AVC por não descobrir onde você estava.

— Diga a Hotch que eu vou comprar um par de óculos de sol igual ao do Horatio Caine. – Reid brincou. – Olha, esqueça os óculos. Eu vou levar algo muito melhor para ele.

Depois de conseguir um voo para Washington, Spencer segurava uma sacola grande, cheia de pequenas lembrancinhas.

Do aeroporto, ele foi direto para a BAU e encontrou todos olhando para ele no segundo em que entrou. Penelope o abraçou e ele deu a ela uma boneca, que se parecia muito com ela.

Ele deu o presente de Hotch e sorriu enquanto o chefe abria a coleção de botão, para que brincasse com Jack.

Apesar de ter pego um voo errado, Reid aprendeu que os problemas eram apenas uma parte de todo o resto. Ele iria apreciar o tempo que tinha com sua mãe e tentaria não ir para a Flórida ou para o Havaí na próxima vez.