Oneshots Criminal Minds
14 Finding You.
Spencer acordou com o pescoço doendo. Outra vez. Foi assim nos últimos dois meses. O arquivo aberto em sua mesa, lhe dizia que de novo, ele dormiu a procura de qualquer pista.
Já fazia dois meses que Penelope tinha sido sequestrada pelo bando de Meadows durante a situação com o culto. A agente traidora em questão foi encontrada duas semanas depois com a boca cheia de sangue e o colar de Penelope.
Benjamin e qualquer sinal do culto haviam sumido. Penelope nunca foi encontrada. Alguns dias mais tarde, uma sacola com o vestido e os sapatos dela foram encontrados.
Sem mais nenhuma pista, o caso foi fechado sem solução. Os dias não ficaram melhores. A nuvem negra que caiu sobre o departamento era consequência do sumiço dela.
Luke começou a beber mais que o normal. Ele terminou com Lisa na semana seguinte ao desaparecimento de Garcia. Rossi se afundava em trabalho. Ele sempre considerou Garcia como a filha que ele teria. Ele tinha Joy, mas Penelope era sua filha de coração.
Matt tentou não demonstrar o quanto a ausência de Penelope o atingiu. Eles eram amigos e Kristy também ficou desolada. Ela não queria pensar no que a garota estaria passando.
Derek não recebeu bem a noticia. Ele chorou tudo o que podia e então decidiu voltar para agencia. Em parte, a pedido de Savannah, que adorava Garcia e em parte por ele mesmo.
JJ olhava para ultima foto que ela havia tirado com Garcia, duas noites antes de ela sumir. Ela explicou a Henry em meio a lágrimas que a madrinha preferida dele estava sumida contra a vontade e prometeu que a traria de volta.
Tara parecia insensível, mas ela não deixaria de chorar toda a vez que ficava sozinha. Ela se reunia com amigos para fazer buscas entrelinhas.
Emily nunca permitiu que o analista substituto entrasse no lar de Penelope. Aquele lugar era sagrado e a esperança de ter Penelope de volta era a última que morria.
Anacostia...
Em um galpão sem muita eletricidade, Penelope acordou outra vez sob água gelada. A coleira em seu pescoço era uma lembrança constante em sua rotina agora. Seus pulsos machucados das algemas fortes que ela usava a noite.
Sua rotina era seguida com ela sendo colocada na caixa de água gigante e sufocada pela água por alguns minutos. Ela não tinha uma noção de quanto tempo ela estava aqui. Ou se a equipe dela estava em busca. Ela só queria era sair daqui, tomar um banho, ver sua equipe.
Mas não seria tão cedo, ela achava. Se ela tivesse que apostar, ela diria dois meses mais.
Reid teve outro de seus sonhos esquisitos. Penelope em uma caixa de água, em um galpão em alguma parte de Washington. Ele queria realmente descobrir o endereço. Talvez fosse um aviso.
Na noite seguinte, ele olhou para a foto de Garcia outra vez. Ele pediu proteção a amiga, pediu ajuda a qualquer coisa que pudesse existir e fazer ela ser forte. Ele deitou na cama, não se esquecendo de tentar ver o endereço do galpão no sonho.
E ele conseguiu. Em alguma parte de Anacostia. Ele ligou para Emily para avisar que ele traria Penelope com ele dessa vez e que ela o encontrasse lá. Valia a tentativa.
Eles se encontraram na porta do prédio de Emily. Era um grande tiro no escuro, mas eles precisavam tentar.
— Tem certeza disso, Spencer? – Emily perguntou. – Se não a trouxermos dessa vez. Isso vai matar Luke.
— Foi minha culpa, Emily. – Reid apenas falou. – Eu deixei aqueles desgraçados levarem ela. Não aguento mais isso. Quero um fechamento. Seja bom ou ruim.
— Todos queremos. – Emily sussurrou. – Vamos esperar que seja bom.
— Vamos avisar aos outros? – Reid esperou por isso. – Seria om companhia.
— O telefone de Luke só cai na caixa postal. – Emily olhou para baixo. – Rossi e JJ estão indo e Tara e Matt vão em seguida.
— Ok. – Reid suspirou. Vamos.
Ligando o carro, eles dirigiram até o armazém. Emily olhava pela janela do carro, observando as ruas e lugares.
— Você sabe que ela vai voltar. – Reid quebrou o silencio. – Se ela não voltar sabe que isso vai matar o Luke.
— Não só a ele. – Emily confessou. – JJ já está descendo, Rossi não faz outra coisa além de ver aquele arquivo cada vez que tem tempo. E de muitas formas, eu não aguento mais de saudade dela.
Eles dirigiram cerca de uma hora até o galpão. Rossi e JJ estavam pensativos no SUV que dividiam.
— Disse algo a Henry? – Rossi finalmente perguntou.
— Ele dormiu. – JJ disse. – Ele ainda chora de noite. Isso tudo é culpa da Meadows. Eu nunca culpei a Penelope. Eu sinto que deveria ter ficado com ela.
— Conseguiu contato com o Luke? – Rossi estava preocupado. – Ele está sofrendo mais do que os outros.
— Eu sofreria também se minha noiva estivesse desaparecida. – JJ revelou. – Eles ficaram noivos uma semana antes de ela sumir. Mantiveram em segredo.
Luke acordou em seu sofá outra vez. A cabeça latejava. Era a única coisa que fazia esquecer de Penelope. Não que ele quisesse. Ele precisava cada dia mais. Cada hora que ele estava sem ela, era uma tortura.
Matt deixou que Tara dirigisse. Ele precisava pensar.
Penelope queria ir para casa. Suas mãos estavam precisando de curativos, assim como as queimaduras de cigarro nas costas e o pescoço depois dos repetidos choques. Ela só queria ir para casa.
Ela chorou a perda do bebê que ela esperava de Luke, esperando que ele a perdoasse. Outra onda de água foi iniciada e ela sabia que talvez se ela se deixasse se afogar, ela poderia dar fim a tortura.
A equipe parou na entrada do prédio quase ao mesmo tempo. Só havia uma entrada, o que queria dizer, apenas uma saída. Emily e Tara ficaram na entrada. Elas dariam chumbo em qualquer um que fosse responsável pelo sofrimento da amiga e da equipe.
Reid ergueu a arma e ouviu barulho de água ecoando pelo prédio. Seu coração ficou em pedaços. Ela estava sendo afogada. Ele correu pelo prédio atrás do barulho e sua voz ficou presa quando viu a cena na sua frente.
Debaixo da água, com uma coleira de choque, estava Garcia. Olhando de novo, e de novo, ela parecia não estar respirando. O cadeado simples era frágil e ele atirou nele.
Simmons correu em busca de uma escada e tirou o celular, chaves e relógio rapidamente. Rossi ligou para a emergência em busca de ambulância, SWAT e todos os policiais que ele encontraria. Derek estava vindo também.
Assim que a porta foi aberta, Simmons mergulhou e trouxe Penelope para cima.
— Precisamos de ajuda! – Ele gritou enquanto a tirava do tanque. – Ela não está respirando!
— Vamos Penelope! – Reid a colocou no chão. – Não desista agora.
— Já chamei a ambulância. – Rossi se ajoelhou na frente dela. – O que eles fizeram com você Kitten?
Emily e Tara chegaram perto. Tara se ajoelhou na frente dela e começou a chorar. Tudo a atingiu rápido demais e ela agora poderia chorar. Emily tirou o próprio casaco e cobertou Penelope. Reid fazia massagem cardíaca em Penelope.
Simmons foi além e fez boca a boca nela. Era necessário e Kristy entenderia.
Derek surgiu desesperado, e pegou a mão que JJ segurou. A garota não conseguia parar de tremer. A dor nos olhos dela dizia tudo.
Penelope tossiu depois de cinco minutos, trazendo alivio em todos. Rossi gentilmente removeu o colar dela e pisoteou. Ele estava sem bateria no momento.
Não aguentando esperar pelo resgate, Derek e Dave levantaram Penelope e a diretamente para a SUV em espera.
— Eu não me importo! – Emily gritou. – Eu não vou dar nenhuma declaração. Eles ainda estão por aí. Não vou simplesmente colocar Penelope em risco.
Alguém gritou palavrões no outro lado da linha. Emily estava ficando nervosa.
— Pela ultima vez! – Emily finalmente explodiu. – Enfia essa pora de entrevista coletiva no cú! Bota uma coisa nessa sua cabeça de merda. Se eles descobrirem que Penelope está viva, eles vão tentar matar ela de novo. E se isso acontecer, eu mesma acabo com você.
Ela desligou o telefone e sorriu.
— Ele entendeu o recado. – Ela casualmente falou. – Como ela está?
— Estável, mas precisamos chegar ao hospital. – Rossi observou. – Precisamos que alguém busque Luke e o leve ao hospital.
Penelope foi encaminhada para a emergência logo que eles chegaram. Limpando as feridas dela, catalogando todos os cortes e fazendo um kit estupro, eles a colocaram em sedação.
Reid nunca saiu de perto dela. Ele listou os perigos que ela corria e eles o deixaram. Quando ela foi encaminhada para o quarto, Rossi entrou no lugar. Eles estavam cansados, estavam chateados, mas Penelope era a razão pela qual eles estavam aqui.
Derek foi buscar Luke e o fez ficar sóbrio antes de contar que eles haviam encontrado Penelope. Eles foram direto para o hospital.
Com todos reunidos, o médico descobriu que seria uma boa hora para contar os últimos resultados.
— Penelope Garcia? – Ele viu o grupo se reunir. – A senhorita Garcia tinha uma contagem incrível de ferimentos. Felizmente o kit estupro veio limpo. Não há sinais de força que existiriam mesmo com o preservativo. Eu lamento em dizer que o bebê que ela esperava acabou morrendo.
— Ela estava grávida? – Luke perguntou incrédulo. – Do meu bebê?
— Foi um aborto provavelmente causado por agressões no ventre. – O médico o acalmou. – Ela provavelmente tentou defender porque seu braço tem as mesmas contusões da barriga. Enxertamos pele nas queimaduras de cigarro e esperamos uma recuperação completa em um mês.
Luke sabia que era a surpresa que ela queria contar a ele.
Nos próximos dias, ele sempre ficava ao lado dela.
Ele sabia como seria complicado em ela se abrir com ele. Ele trouxe o anel dela e colocou no dedo dela. Fazendo um voto silencioso, Luke prometeu não beber mais. O álcool cobraria um preço alto na vida dele e agora com Garcia de volta, ele teria mais era que se cuidar.
Seu coração foi inundado com a presença dela novamente. Era como um sonho, mas essa era a realidade.
— Venha Penelope. – Ele praticamente implorou. – Eu preciso te amar.
Ele desceu a mão na barriga dela. Ele sabia que a culpa era desses canalhas. Fazendo círculos nela, ele sabia que queria fazer outro apenas para fazer de Penelope uma pessoa melhor se pudesse.
Penelope acordou com medo. Ela não poderia estar outra vez naquele armazém e o cheiro de desinfetante dizia que parte do inferno havia acabado. Movendo a cabeça devagar, ela viu Luke.
— Luke... – Ela estava ainda fraca, mas feliz de ver ele ali. – Eu te amo.
— Eu te amo muito mais. – Ele beijou a mão dela. – Eu sei o que aconteceu, Penelope.
Ela começou a chorar. Ela sabia que essa seria a hora da culpa. Mas ao invés de dor, quando ela olhou para ele viu... amor.
— Você deveria estar me odiando agora. – Ela foi sincera. – Eu tinha planejado contar.
— Por que eu odiaria a coisa mais linda que eu já tive? – Ele se levantou e a beijou. – Nós vamos encontrar todos eles, Penelope. E eles vão pagar.
— Eles só me torturaram. – Era quase um alivio nela. – Eles nunca me...
— Ei. – Luke a trouxe para o seu colo. – Tudo bem. Eu estou aqui. E te amo muito mais que suas cicatrizes.
Ele a viu relaxar, grato que seu toque era bem recebido.
— Eu gostaria de perguntar algo. – Luke empurrou a cadeira mais para ela. – Sei que é muito recente, e eu vou esperar, mas você gostaria de tentar outro bebê comigo?
Ela o olhou e seus olhos encheram de lágrimas. Ele queria um filho com ela.
— Eu vou ter cicatrizes. – Ela tentou lembra-lo. — E provavelmente pesadelos.
— E eu vou estar lá para você cada vez que eles te assombrarem. – Luke limpou uma lágrima dela. – E nós vamos usar nossas cicatrizes como um lembrete de sempre agirmos antes de algo assim acontecer de novo.
Luke queria dizer cada palavra. Seus olhos pegaram um sorriso dela. Era a coisa mais linda depois de meses de saudade e dor.
— Você sabe que cada um de nós enfrentamos problemas. – Luke começou. – JJ esteve com problemas com Henry. Rossi também. Derek voltou para ajudar.
— Então eu os fiz chorar? – Penelope parecia chateada. – E tudo porque peguei um elevador.
— Quando estiver pronta. – Ele pegou a mão dela e colocou na sua. – Todos nós estamos prontos para ouvir. Não tem pressa, porém somos nós ou a dra. Creston.
— Certo. – Penelope estava cansada. – Acho que eu preciso de um pouco de descanso agora.
— Tenho certeza, princesa. – Ele beijou a testa dela. – Vou deixar a equipe saber que seus olhos se abriram. E chamar o médico.
— Kay. – Ela disse antes de dormir.
Por alguns minutos, Luke ficou admirando ela da janela do quarto. Ela sempre foi linda, mas agora ela estava maravilhosa.
Ele não notou a equipe chegando por trás e olhando para Penelope. Eles também estavam felizes. JJ até trouxe Henry para ver Penelope.
— Acho que você pode entrar por alguns minutos. – A agente disse ao filho. – Só lembre que ela passou por muitas coisas ruim durante esses dois meses.
— Certo. – Henry entrou com um coelhinho cor de rosa.
Entrando devagar, ele se sentou ao lado de sua madrinha e a observou por alguns minutos. Ele realmente precisava disso.
Alguns dias depois, Penelope deixou o hospital com a equipe em seu lado. Eles a apoiaram em tudo.
Duas semanas se passaram e eles felizmente conseguiram o resto do bando. Luke e Penelope se casaram em uma cerimonia simples, sem muito luxo. Ninguém reclamou. Era a coisa certa a se fazer agora.
Eles tentaram outro bebê por quatro meses quando finalmente tiveram a noticia que seriam pais de gêmeos.
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