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15 Especial de Ano Novo parte II
Notas iniciais
Caos, era assim que Hogwarts se encontrava. Estudantes morrendo, correndo, descendo, desesperados. Muitos alunos voavam pelas escadas, qualquer movimento das mesmas podia significar a vida ou a morte deles, muitas mãos passavam pelos corrimãos de pedra da escola, o que antes fora o lar de muitos, hoje era um campo de batalha. Choro, desespero, até mesmo os fantasmas fugiam. Um fato curioso, eles já estavam mortos, porque fugiam? Não iriam morrer de novo, o máximo que poderia acontecer era alguém atravessa-los. Confusão nas escadarias quem caísse ali, morreria pisoteado. Atordoados, perdidos, desesperados, são poucos os que sabem reconhecer almas assim, mas em uma guerra não precisa ser profissional para saber que as pessoas estão assim, o bruxo mais temido retornou e junto dele, um exército.
Ano novo, para todos presentes naquele castelo não significava nada. Lutavam, guerreavam, ficavam fortes, sobreviviam, se escondiam, armavam um plano, muitos se entregavam, desistiam, morriam. Era difícil ganhar uma guerra onde o inimigo era mais forte e tinha um exército bem maior, mas iriam tentar, ao menos morreriam sabendo que fizeram o máximo que puderam.
A morte para muitos não era nada, reveriam aqueles que amavam, ficariam junto daqueles que lhes foram tirados, a dor não existiria mais, descansariam. Foram sete longos anos se preparando para tal batalha, Voldemort estava mais forte do que jamais esteve, Dumbledore estava morto. A única opção era Harry, mas aparamente ele estava morto, Neville podia ser o garoto da profecia, matou Nagini e depois num movimento repentino, Potter salta do colo de Hagrid e mata o Lorde das Trevas. Paz? Nem perto, talvez um alivio momentâneo. Mortes? Muitas, fica até difícil saber o número certo de defuntos, onde antes era um salão cheio de vida que abrigava a todos e ocorriam várias festas e banquetes, hoje era um cemitério. Cada canto abrigava um morto, as pessoas andavam com cuidado para não pisarem nos corpos já sem vida. Enquanto iam caminhando vários rostos eram identificados, Fred, Tonks, Remo, Colin, Lilá, Pedro, Snape, Dumbledore, Bellatrix, foram tantas mortes que fica impossível dizer todos os nomes.
Mas isso não mudava o fato de que era noite de ano novo. A batalha acabou algumas horas antes, Harry devolveu A Varinha das Varinhas para Dumbledore, enterrou seus amigos, professores e até mesmo pessoas que já considerava família. Fred era seu irmão mais velho que sempre esteve ao seu lado, mas sua dor não podia ser comparada a de George, aliás a dor de ninguém podia ser comparada a dor do ruivo gêmeo ou o que sobrou da dupla.
Precisavam honrar todas as pessoas que se sacrificaram, tinham de continuar, a vida segue. Seria dolorido? Até demais, mas nós seres humanos aguentamos qualquer coisa, basta ter fé e esperança. Nesse caso, todos tinham certeza de que os falecidos iriam falar para comemorem sim a chegada do novo ano. Muitos morreram, o inimigo fora derrotado. Era motivo para comemoração e recomeço. Seria difícil seguir sem eles, mas desde que vivessem na memória e no coração de todos, então não fora em vão.
Tinham certeza de que se essas pessoas ainda estivessem vivas, diriam que o show precisa continuar e por mais difícil que seja a situação, todos deveriam seguir em frente e enfrentar essa noite. Era uma noite de novas esperanças, reformariam a escola e novos alunos poderiam estudar lá, agora em segurança. Não teria mais ninguém ameaçando a vida dos alunos, nem dos trouxas ou mestiços. Mas para isso acontecer, eles deveriam renovar as esperanças e não há maneira melhor de fazê-lo senão no ano que começa.
Teriam que ser fortes e enfrentar esse ano sem muitas pessoas ao seu lado, mas precisariam de mais força ainda para encarar tudo isso de cabeça erguida. Estavam todos abalados, uma guerra nunca é fácil e todos saem perdendo, uns mais do que os outros, mas no fim ninguém vence. O inimigo cai, perde força, perde amigos, morrem, perdem a vida deles, perdem família, eles perdem. Os heróis morrem, perdem familiares, perdem amigos, perdem parte da vida deles, eles perdem. Viu? No fim o único vencedor, como em qualquer grande, é a morte, ela é a única que ganha.
– Sabe Mione, eu acho que isso aqui injusto. Nada disso deveria ter acontecido. – um garoto a tira de seus devaneios.
– Eu concordo, Draco. E parte meu coração ver essa cena, eu cresci nesse castelo, aqui sempre foi meu lar, mas não estou apenas mal com isso e com as mortes. O que me assusta são os vivos, pois os que nos deixaram estão protegidos, estão em um lugar melhor, em contrapartida e os vivos? A próxima geração de crianças, carregará nos ombros o peso de uma guerra, perguntarão o que ocorreu ao pais e eles lhe dirão, enfrentarão uma realidade da qual fizemos parte. Já não temos mais aquele brilho no olhar e elas também não terão, elas sentirão o horror e o terror de uma guerra, que mesmo já acabada, vai deixar muitas vítimas. Serão lares incompletos, famílias desoladas, pessoas infelizes, essa geração será obrigada a crescer mais rápido do que deveria acontecer. Elas carregarão o mundo nas costas, elas deverão trazer a alegrai de volta, deverão colorir o mundo novamente, e os filhos dos que lutaram na batalha, por Merlin, todos os vão conhecer. A pressão será enorme e é por isso que digo que em guerra nenhuma, há vencedores. Apenas perdedores, apesar de acharem que só inimigo perdeu, estão errados. Nós também perdemos. A morte venceu. – Mi falou.
– Eu concordo com você, mas hoje era para ser um dia de comemoração e se quisermos passar esse espírito guerreio e batalhador para essa geração, então devemos nos entregar essa noite. Devemos começar dando esperança a elas, esperança de que tudo vai melhorar, esperança de que isso nunca acontecerá de novo, esperança de que elas poderão vencer qualquer obstáculo e eu quero dar esperança a uma pessoa em especial, eu quero dar esperanças a única garota que acreditou e confiou em mim, a única pessoa capaz de ver o homem por trás do monstro, a única menina que nunca desistiu de mim, a única que sempre disse para continuar. A única que sempre serei grato e que sempre continuará sendo “a única”, porque ninguém jamais será como Hermione Granger foi, é e será. – o loiro disse. – Eu queria te agradecer por tudo e não achei maneira melhor de fazer isso, eu sempre gostei da literatura trouxa. É claro que minha família nem sonha que eu, um Malfoy, gosta de artefatos trouxas, posso não entender muito do seu mundo, mas eu sei o que é um livro e sei reconhecer uma ótima história. Esse livro é dos irmão Grimm e quero que me prometa uma coisa, não apenas baseado no livro, mas em uma série também. Sempre que se perder, vai agir como João e Maria, sempre que precisar lutar vai libertar o lobo que há em você, assim como Ruby faz, quando for fazer experimentos e tiver medo de fracassar, vai lembrar de Victor Frankenstein, quando for lutar por alguém, vai ser do mesmo modo que o Hook, quando for achar alguém, vai fazer igual ao Charming, quando for mostrar a força feminina, vai agir como a Mulan, quando se ver como a vilã, vai agir como a Regina e quando for ajudar os outros, assumirá uma postura igual à do Robin, quando for salvar um mundo, fará igual a Emma e quando for caçar, vai imitar o Ghram. Quando for fazer um acordo que seja como Rumplestiskin e quando for lutar por alguém, que seja como Ariel e Aurora, mas quando for manipular alguém e armar um joguinho, que seja como Peter Pan. – a encorajou.
– Muito obrigada, Draco. E eu prometo, não só fazer tudo isso, como lembrar de você a cada personagem que eu incorporar. – prometeu.
E apesar de todas as mortes, de toda a tragédia, todo desespero, toda lágrima derramada, cada gota de suor que caiu, cada grito de terror proferido, cada feitiço lançado, cada corpo enterrado. O ano terminou como deveria ser, com promessas e esperança. A esperança necessária para todos seguirem em frente.
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