One and only
17 Aprendendo a sorrir novamente
Notas iniciais
Naquela Sexta-feira o sol voltou a sorrir em São Paulo iluminando a cidade suavemente, Beatriz ainda dormia quando Gabriel despertou, ele abriu os olhos lentamente e foi até o banheiro do quarto da moça para fazer sua higiene matinal, e quando entrou no ambiente sentiu o cheiro doce de Beatriz abundante, ele inalou aquela fragrância e respirou fundo. Gabriel caminhou até a cama da moça e viu que ela ainda estava dormindo tranquilamente, ele sentou ao seu lado e começou a acariciar seus cabelos, após algum tempo sentindo aquele carinho Beatriz começou a agitar as pálpebras, e antes de abrir os olhos ela sorriu suavemente, fazendo o coração de Gabriel bater num compasso mais rápido.
_Bom dia! –disse o rapaz sorridente.
_Bom dia moço! –disse sonolenta agora com os olhos abertos fitando-o.
_Está se sentindo melhor? –perguntou calmamente.
_Sim, acho que mais tarde vou ao hospital, não posso ficar adiando isso pra sempre. –disse sentando-se na cama.
_Tudo bem, eu vou embora amanhã, e com tudo isso acho que você e a Mel não irão para Pernambuco, não é mesmo? –perguntou olhando-a nos olhos.
_Sim, eu acho que não há condições de nos divertirmos em uma viagem agora, mas vai ficar tudo bem, eu prometo! –disse sorrindo suavemente.
_Okay, mas isso não quer dizer que você não possa ir algum dia, e eu cuidarei disso pessoalmente! -disse sorrindo com o canto dos lábios.
_Como assim, Gabriel? –falou olhando para os olhos verdes claros do rapaz.
_Bom, isso eu já não posso explicar, é segredo. –disse sorrindo.
_Ok ok! Vem, vou preparar algo para comermos! –falou levantando da cama. _Me dá só um minuto enquanto escovo os dentes, pode me esperar na cozinha se quiser! –disse entrando no banheiro sumindo do campo de visão de Gabriel.
Gabriel fez o que Beatriz havia sugerido, ele sentou em um dos banquinhos próximos a bancada e ficou esperando pela morena que chegou após 10 minutos. Ela foi direto até a geladeira, pegou 2 ovos e um pouco de queijo com manteiga. Beatriz preparou ovos mexidos com queijo e fez um suco rápido de laranja, ela pôs a mesa agilmente e logo estavam saboreando o café da manhã que a moça havia preparado.
_Então quer dizer que você também cozinha? –perguntou Gabriel sorrindo olhando para a morena a sua frente.
_Não, não mesmo, eu só sei cozinhar o básico, a verdade é que isso aqui é minha especialidade! –disse sorrindo amarelo.
_Ovos mexidos com queijo? –perguntou arqueando as sobrancelhas com uma leve ironia.
_Ah não, pode parar! Está bom, não tá? Então pronto! –disse fingindo ter se chateado com a pergunta do rapaz.
_Tá, tá! Maravilhoso! –disse sorrindo olhando para a morena.
_Certo, vamos mudar de assunto. –disse apenas.
_Bom, obrigada por ter me recebido tão bem... –disse ainda sorrindo segurando uma das mãos da moça.
_Eu é quem agradeço por você ter vindo, a princípio confesso que não achava uma boa ideia você me ver desse jeito, sabe... mas agora vejo que foi uma ótima escolha, pois você está me fazendo muito bem. –disse sinceramente olhando nos olhos do rapaz.
_Que bom, e você não queria que eu viesse, por que achou que eu poderia tentar alguma coisa, te paquerar, talvez? –perguntou curioso.
_Bom, é que nós dois sabemos que você está meio que interessado em mim Gabriel e nós dois também sabemos que eu amo o Mateus independente de qualquer coisa, então... –disse abaixando o olhar para encarar suas mãos.
_Eu sei Bia, mas eu não vou desistir de você. –disse se aproximando um pouco mais da morena juntando suas mãos. _Você me encantou desde o primeiro momento em que te vi, mas não só por sua beleza exterior mas sim e principalmente por sua beleza interior, eu amo o seu jeito, como fala sobre as coisas, o quanto é segura mesmo por ser órfã, o quanto é atenciosa e gentil, eu lhe admiro muito, e devo confessar que estou sim apaixonado por você, porém saberei esperar o seu momento, e se você não quiser ficar comigo, eu não aceito lhe perder para alguém que não lhe faça feliz, pois tudo o que eu quero e o que me importa é te fazer feliz. –Gabriel olhava no fundo do mar azul a sua frente, seu coração batia aceleradamente e um leve sorriso surgia em seu rosto ao falar de Beatriz.
Beatriz ouvia tudo o que Gabriel falava atentamente, mas de repente ela sentiu uma ponta de desconforto, afinal ela amava o Mateus e isso nada iria mudar, então, como ela lidaria com aquela situação? Ela não fazia a mínima ideia e tudo o que conseguiu dizer foi:
_Gabriel, eu não quero lhe machucar, e muito menos quero perder sua amizade, mas não acho justo manter contato com você, não sei, isso é errado. Acho que a melhor maneira de fazer com que você me esqueça é me afastando, eu sinto muito. –disse com o olhar baixo, e realmente ela sentia muito, porém não esperava que Gabriel lhe respondesse com tamanho altruísmo.
_Bia, presta atenção, okay? Bom, me afastar de você está simplesmente fora de cogitação, eu não paro de pensar em você um minuto sequer, então mesmo que eu vá para o outro lado do mundo meu coração vai ficar com você, pois o vazio que havia nele você já preencheu Beatriz, e agora, não há mais volta, portanto, eu vou ser seu amigo, estarei com você em todos os momentos, sejam eles de alegria ou de tristeza, e eu não me importo se você prefere estar com o Mateus, pois o que eu quero é lhe fazer feliz, e não importa o que eu tenha que pagar para isso. Tudo bem? –perguntou após terminar de falar, pois Beatriz o olhava confusa, ela não entendia como alguém poderia agir daquela forma em meio àquela situação, contudo ela não poderia abrir mão do Gabriel.
_Tudo bem, mas por favor, não faça nada que também não lhe faça feliz, eu não quero te machucar Gabriel, eu não sei o que eu faria se isso acontecesse. –disse abraçando o rapaz fortemente.
_Eu sei, não se preocupe. Eu amo você, Bia! –disse em voz baixa próximo ao ouvido da morena que sentiu um frio na barriga ao ouvir as três palavras que ela mais gostara de ouvir agora saindo da boca de outro rapaz.
Beatriz e Gabriel ainda conversaram por um longo tempo, depois ambos se arrumaram e foram até o hospital, a garota pediu para que ele a esperasse na recepção pois ela já não sabia qual seria a reação de Mateus ao vê-la novamente e achava que seria bem pior se Gabriel estivesse por perto.
A morena caminhou em direção ao interior do hospital afim de chegar o mais rápido possível ao quarto de Mateus, mesmo que ele a tratasse mal ela não conseguia parar de pensar em ver o rosto do rapaz novamente, pois era com aquele sorriso que ela sonhara todas as noites, era naqueles olhos castanhos que ela mergulhara sem querer sempre que pousava os olhos. Beatriz chegou ao quarto do rapaz, olhou pelo vidro da porta e não viu ninguém do lado de dentro, respirando fundo ela abriu a porta e entrou.
Mateus estava profundamente irritadiço naquela sexta-feira, ele mantinha o olhar preso a algum local do teto e não pronunciara nenhuma palavra desde que Beatriz chegara ali, ela estava ao seu lado sentada numa cadeira com os cotovelos apoiados na cama dele, olhando-o ela percebeu o quanto ele havia emagrecido, seus cabelos estavam sem vida, e a barba não estava aparada da maneira que ela tanto gostava mas sim espessa e descuidada.
_Mateus, você vai continuar me ignorando até o resto das nossas vidas ou é impressão minha? –perguntou Beatriz tentando manter um tom neutro em sua voz.
_Eu só não quero falar com você, não é tão complicado assim compreender isso, até uma criança sabe quando não é querida. –disse secamente sem olhar para a morena.
_Olha, eu sei que você está revoltado com toda essa situação e eu não posso imaginar o quanto você está sofrendo, mas eu sei de uma coisa Mateus, eu estou aqui, e estou aqui por você, estou aqui por que não consigo viver sem você, eu preciso estar ao seu lado, saber como você está, eu... eu amo você, e droga! Para de me tratar dessa forma! –disse Beatriz exasperada com a voz embargada.
_Eu não estou revoltado, eu estou indignado Beatriz, agora me deixe sozinho por favor! –disse com a voz firme.
_Eu sei, mas a culpa não é minha, eu não tive culpa Mateus, pelo o amor de Deus, você não acha que eu também estou sofrendo com tudo isso, eu estou te perdendo. –disse deixando as lágrimas rolarem por seu rosto.
_Eu sei Bia, vai embora! Só vai embora! –disse olhando pela primeira vez para a morena ao seu lado.
_Eu não vou, eu não vou sair daqui, não agora! Não até que você pare de me tratar desse jeito. –disse segurando o rosto do rapaz com as duas mãos fazendo-o olhar diretamente em seus olhos.
_E como você quer que eu te trate Beatriz? Como se nada houvesse acontecido? Desculpe, mas não sou louco, e muito menos um robô, nada será como antes novamente, eu nunca vou conseguir ficar de pé de novo, e te abraçar, te beijar, te ter em meus braços como sempre sonhei, nunca mais Beatriz, e ainda assim você quer que eu finja que nada está acontecendo? –perguntou com a voz elevada.
_Não precisa fingir nada, eu só quero que você me trate normalmente, não precisa me afastar dessa forma, eu não quero ir a lugar algum Mateus, eu quero e preciso ficar ao seu lado, eu sei que tudo isso vai passar, sei que você vai conseguir recuperar seus movimentos. –disse sorrindo levemente com confiança ainda olhando nos olhos do rapaz.
_Você está enlouquecendo? Isso é impossível! –disse apenas meneando a cabeça leve e negativamente pois esse era o único movimento que ele conseguia realizar.
_Nada é impossível para aquele que crer Mateus, eu creio que Deus vai fazer você ficar de pé novamente! –disse firmemente deixando de segurar o rosto do rapaz para juntar suas mãos as dela.
_Deus? Sério Beatriz? Isso é alguma piada? –perguntou sarcástico.
_Mas é claro que não, sei que você sempre teve suas dúvidas mas eu sei em quem tenho crido Mateus, e sei que Ele virá nos ajudar. –disse sorrindo levemente.
_Okay, vá embora por favor! –disso sorrindo com o canto dos lábios ironicamente.
_Eu já disse que não vou. –disse apenas.
_Bom, eu vou dormir, por favor não me perturbe, infelizmente não posso te colocar para fora, por que, bom, eu não posso me mexer, então... –disse olhando para o teto novamente ainda com um sorriso irônico brincando em seus lábios.
_Eu sei que um dia isso tudo vai mudar, eu sei. –disse Beatriz enquanto o moreno fechava os olhos.
Mateus acabou pegando no sono em menos de 15 minutos por causa da forte medicação que estava tomando. Beatriz ainda ficou o observando por alguns momentos e ela realmente gostaria de estar ali quando ele acordasse mas lembrou de que Gabriel estava lhe esperando na recepção do hospital, então ficando de pé ela se aproximou do moreno e lhe beijou na testa suavemente sussurrando um “ Eu te amo!”, ele não apresentou sinal algum de que havia lhe ouvido ou sentido o seu beijo, sem demora a moça saiu daquele quarto e seguiu rumo a recepção.
_Achei que iria ficar mais tempo com ele. –disse Gabriel assim que viu a morena surgir a sua frente.
_Ele está completamente insuportável hoje, preferi vim te encontrar para fazermos alguma coisa, amanhã eu volto! –disse sorrindo levemente.
_No que pensou? essa é minha última tarde por aqui... –disse enquanto saiam juntos do hospital.
_Bom, que tal, um cineminha? –perguntou sorrindo olhando para o loiro que era uns dois palmos mais alto do que ela.
_Acho uma ótima ideia, mas eu escolho o filme! Não iremos passar minha última tarde em São Paulo assistindo uma comedia romântica melosa... –disse sorrindo largamente.
_Ahhh e quem lhe disse que eu iria escolher uma comedia romântica melosa? Pelo o amor de Deus, do jeito que eu estou aqui, sou capaz de assistir até o pior filme de terror! –disse dando um soco de leve no ombro do loiro.
_Sei, então se prepare, pois essa será a tarde mais assustadora de toda a sua vida! –disse sorrindo largamente enquanto entravam no carro da morena.
_Não me diga! Mal posso esperar! –disse sorrindo largamente.
Beatriz e Gabriel seguiram pelas ruas movimentadas de São Paulo que levavam ao shopping mais próximo ao som de várias risadas, ela estava mais relaxada e eles conversavam tranquilamente como se já se conhecessem a anos, e tudo o que ela conseguia pensar era que ele estava lhe ensinando a sorrir novamente, mas ele iria embora logo logo, e só de imaginar o quanto tudo seria mais difícil sem ele por perto um aperto lhe tomou o coração.
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