One and only
18 Agora temos um acordo!
Notas iniciais
O final de semana chegou para Beatriz e com ele a volta de Gabriel para sua cidade natal, ela estava voltando do aeroporto pois havia ido levar o loiro até o embarque, era sábado a tarde e no domingo Mateus ganharia alta do hospital, ela resolveu passar o resto da tarde ao lado do moreno apesar de todos os foras e grosserias que teria de aguentar.
Beatriz passou rapidamente numa cafeteria e pediu um café rápido e uma fatia da torta preferida de Mateus, ela pagou pelos os dois e saiu a passos largos do local caminhando rumo ao hospital, em menos de 15 minutos ela já estava acomodando sua bolsa no armário do quarto onde o rapaz estava internado, ele estava dormindo quando ela chegou mas agora a garota conseguia sentir um olhar arder em sua pele, com a fatia de torta nas mãos ela virou-se para encontrar os olhos de Mateus que apenas desviou o olhar da morena, focando em algum ponto do teto.
_O que foi? Por que estava me olhando daquele jeito? –perguntou sorridente puxando uma cadeira parar sentar-se ao lado da cama.
_Nada, você só está diferente, mas isso não é da minha conta! –disse secamente.
_Sei, desde quando o meu jeito deixou de ser da sua conta? Achei que você se importasse comigo... –disse olhando para o moreno.
_Exatamente Beatriz, me importava, não me importo mais, nada mais importa. –disse apenas olhando para a morena movendo a cabeça levemente para o lado onde ela estava.
_Eu não entendo o motivo de tudo isso, por que você está fazendo isso comigo Mateus? –perguntou já com a voz baixa e embargada.
_Não é obvio Beatriz? Pelo o amor de Deus, me esqueça de uma vez por todas, eu não sou mais o Mateus que você conhecia, eu nunca poderei voltar ao normal, estou condenado a isso, e não quero que você se prenda a mim nessa minha vida extremamente interessante. –disse rapidamente um pouco exasperado.
_Será que você ainda não entendeu que sem você não há vida pra mim? –perguntou seriamente olhando nos olhos do moreno deixando uma lágrima rolar por ser rosto.
_A qual é Beatriz, pare com todo esse drama... Daqui a pouco você encontrará outra pessoa muito melhor do que eu e tudo será como você sempre sonhou. –disse sorrindo com o canto dos lábios ironicamente.
_Eu já encontrei Mateus, eu já encontrei essa pessoa, só que não estou nem perto de me apaixonar por ele, eu amo você e não há nada que possa mudar isso. –disse segurando uma das mãos do rapaz.
_Mas isso irá acontecer logo logo, e aí tudo será como você sempre sonhou. –disse apenas lutando contra as lágrimas que já se formavam em seus olhos.
_Eu e você sabemos que isso não acontecerá, mas quero lhe propor um acordo! –disse sorrindo levemente.
_O que é dessa vez? –perguntou voltando a olhar para o teto.
_Bom, proponho uma trégua, eu prometo que não vou lhe chatear e que vou tentar lhe esquecer se é isso que você quer, mas em troca peço para me tratar um pouco melhor, pode ser? –perguntou olhando para o rapaz.
_Hum... não sei se é uma boa ideia... –disse apenas.
_A qual é Mateus, você sabe que eu não deixarei de vir aqui nem de cuidar de você, e sei que não quer viver em pé de guerra comigo, então não vejo outra saída. Você ver? –falou ficando de pé para olhar nos olhos do rapaz.
_Tudo bem Beatriz, eu vou tentar cumprir esse tal acordo, feliz? –perguntou sorrindo ironicamente para a garota.
_Muito! –disse beijando o rosto do rapaz com um largo sorriso no rosto. Mas percebendo o que havia acabado de fazer, se afastou ainda sorrindo e sussurrou um “me desculpe” completamente falso, fazendo Mateus sorrir naturalmente sem querer.
A morena ofereceu um pedaço da fatia de torta que havia comprado para o rapaz, que depois de muito resmungar acabou aceitando, após uns 30 minutos Mariana entrou no quarto acompanhada por Victor, eles cumprimentaram Mateus com largos sorrisos no rosto. Beatriz chamou Victor para que pudessem conversar um pouco do lado de fora do quarto, o rapaz acompanhou a moça e no corredor Beatriz começou a lhe lançar suas perguntas.
_Bom, amanhã ele receberá alta, certo? –perguntou olhando nos olhos do moreno.
_Sim, por que? –falou em resposta.
_Vocês já decidiram onde ele irá ficar? –falou rapidamente.
_Sim, desde que descobrimos que ele ficaria tetraplégico mamãe começou uma reforma lá em casa, e agora ela está completamente preparada para recebe-lo, e também contratamos um enfermeiro para nos ajudar durante o dia. –disse calmamente.
_Certo, mas e a noite? –perguntou preocupada.
_Eu, mamãe e papai estaremos por perto Bia, não precisa se preocupar. –disse segurando os ombros da morena.
_Bom, tudo bem, assim eu fico mais tranquila. Victor, por favor seja sincero, quais serão as chances de recuperação no quadro dele? –perguntou olhando para o rapaz.
_sinceramente? Mínimas, quase nulas, mas eu farei de tudo, usarei todo o meu conhecimento e sei que ele conseguirá. –disse passando as mãos no cabelo exasperado.
_Sim ele conseguirá, Deus irá nos ajudar Victor, eu sei que vai. –disse sorrindo sofregamente abraçando o moreno mais velho.
_Sim, Ele irá. –disse em resposta no ouvido esquerdo da moça.
Beatriz e Victor voltaram para o quarto mas por volta das 18:00 ele e sua mãe voltaram para casa alegando que precisavam acertar mais alguns detalhes para a chegada de Mateus, Beatriz chamou uma enfermeira para fazer a higiene corporal de Mateus enquanto ela ia pegar mais um café na cantina do hospital. Quando a morena voltou já passava das 19:15, Mateus estava devidamente limpo e com outra roupa, seus cabelos estavam penteados para trás, de uma forma que ele simplesmente odiava, ela sorriu rapidamente ao ver o penteado do rapaz e em resposta ele arqueou as sobrancelhas.
_O que foi? Estou sujo? Ou com um nariz de palhaço? –perguntou estreitando os olhos na direção da morena.
_Nada, só o seu cabelo que está parecendo com uma tentativa fracassada em se parecer com o Elvis, fora isso nada mais. –disse sorrindo largamente se aproximando da cama do rapaz.
_Droga! Essas enfermeiras não sabem nem ao menos pentear um cabelo direito. –disse fazendo uma careta que apenas contribuiu para a gargalhada de Beatriz.
_Vem, deixa eu arrumar isso. –disse passando as mãos nos cabelos macios do moreno arrumando-os de lado meio desgrenhado quase do jeito como ele costumava fazer. _Pronto, agora está melhor.
_Deixa eu ver a proeza que você fez, pegue o espelho para mim por favor. –pediu com um meio sorriso irônico nos lábios.
Beatriz caminhou até o armário e pegou um espelho pequeno, Mateus se olhou e notou o quanto estava diferente, mas que seu cabelo realmente estava quase como ele sempre usava, ele viu que estava mais magro e emburrado demais, ele nunca fora daquele jeito, porém não deu muita importância para sua aparência pois para ele aquilo realmente não importava, o que estava realmente lhe tirando toda a concentração era o que Beatriz havia lhe dito mais cedo, ela realmente encontrara alguém, e provavelmente era aquele loiro amigo da Mel, ele iria perder o seu amor, por mais que doesse.
Mateus
Beatriz estava sentada ao meu lado lendo algum livro que eu não tinha a mínima ideia do título por que nem conseguir virar a cabeça completamente para ler eu consigo, que ironia do destino, eu que sempre fui uma pessoa ativa apaixonada por aventuras e adrenalina agora estou preso a uma cama ou a uma maldita cadeira de rodas. Mas o pior de tudo é que nunca mais poderei sentir o calor do abraço dela, ou simplesmente lhe fazer carinho enquanto dorme em meus braços, nem mesmo poderei segurar sua mão. Eu não sei se conseguirei sobreviver dessa forma, ou melhor eu não irei conseguir.
Minha família e ela insistem em dizer que vou me recuperar, mas pelo o amor de Deus, desse jeito vou achar que eles também acreditam que papai noel existe. A verdade é que nunca mais poderei ficar de pé ou acenar para alguém com as mãos, e isso é simplesmente demais para mim. Não sei quanto tempo se passou desde que Beatriz mergulhou em sua leitura, ela sempre lia demais e também amava escrever. Virei minha cabeça em direção a ela e pude ver que ela dormia ali mesmo, não sei se iria passar a noite aqui, mas de qualquer forma seria bom acorda-la se não ficaria com dores por todo o corpo.
_Beatriz! Hey! Beatriz? –chamei seu nome em voz alta mais umas cinco vezes até ela despertar.
_Oi, aconteceu alguma coisa? Você está bem? –perguntou um pouco exasperada.
_Sim, estou bem, mas quem não vai ficar é você se continuar dormindo sentada. –disse ainda olhando para ela.
_Posso deitar ai com você? Preciso apenas de um pouquinho de espaço. –disse com a voz arrastada ficando de pé.
_Não, por que não vai para casa? –perguntei rapidamente.
_Por que falei pra sua mãe que passaria a noite com você! –disse esfregando os belos olhos azuis.
_Bom, então peça, seilá, uma maca a uma das enfermeiras... –disse sem perceber o que realmente estava falando.
_Você só pode estar brincando, mas que droga, me deixe deitar com você, já dormimos na mesma cama inúmeras vezes! –disse ficando visivelmente irritada.
_Você nunca mais passará a noite aqui comigo Beatriz, essa cama já é pequena para mim, quanto mais para nós dois. –disse numa tentativa fracassada de que ela desistisse e fosse para casa.
_claro que não passarei, você terá alta amanhã, esqueceu? Agora me ajude pois vou empurrar você um pouquinho para lá. –disse já abaixando a grade de proteção da cama para empurrar meu corpo.
Beatriz conseguiu me afastar um pouco depois de muito esforço, ela cuidadosamente soltou os cabelos e tirou os brincos, graciosamente deitou ao meu lado de modo que seu rosto ficou próximo demais do meu, eu conseguia sentir sua respiração, e meu Deus! Como estava quente...
_Beatriz? –chamei por ela rapidamente.
_Sim, o que houve? –perguntou num sussurro soando preocupada.
_Você poderia ajustar a temperatura do ar, está muito quente aqui! –pedi sentindo que iria desmaiar a qualquer momento por conta daquele calor infernal.
_Claro, só um momento. –disse ficando de pé para caminhar com o controle em mãos em direção ao ar condicionado. _Pronto, está melhor assim? –perguntou virando-se para mim.
_Sim, obrigado. –disse em resposta.
Beatriz caminhou de volta a cama e aconchegou-se ainda mais a mim colocando um braço envolta do meu peito, aquilo não me incomodava afinal eu não consegui sentir nada, mas o problema era que a minha barreira estava sendo desfeita e ali parado eu não podia fazer nada para mudar aquela situação, já estava tarde eu não poderia manda-la ir embora. Beatriz pegou no sono tranquilamente e logo após eu dormi, quando amanheceu Beatriz já não estava mais ao meu lado, ela não estava em lugar algum naquele quarto. Mas depois de algum tempo seus belos olhos azuis encontraram os meus novamente, ela trazia um copo com um pouco de café e eu cuidei de assumir minha postura rabugenta novamente, eu não iria dar esperanças a ela.
_Achei que você finalmente havia ido embora, na verdade eu estava torcendo para isso! –disse secamente desviando o olhar para o teto.
_Bom dia pra você também, daqui a pouco sua mãe deve estar chegando para irmos para casa. –disse ela sorrindo largamente para mim como se eu não houvesse dito nada.
_Ela já deveria ter chegado eu quero ir pra casa! –disse apenas.
_Mateus, ainda são 06:15 da manhã pelo o amor de Deus! –disse sentando-se ao meu lado.
_Não importa, eu quero ir embora! –falei na tentativa de irrita-la.
_Como pode alguém regredir tanto? Acho que sua idade mental hoje é de no máximo 6 anos de idade! –disse sorrindo levemente olhando para mim.
_Eu já disse que não importa Beatriz, ande vá chamar uma enfermeira, quero meu café da manhã! –disse não entendendo como eu conseguia agir daquela forma com ela.
_E a palavrinha mágica, onde está? –perguntou enquanto bebericava seu café.
_Bem aqui, mas não vejo necessidade alguma de usa-la, você quem quis ficar aqui! –disse sorrindo ironicamente.
_Insuportável Mateus! Simplesmente insuportável! –disse levantando-se rapidamente para sair do quarto.
Ótimo, quanto mais ela se irritar melhor será para a aceitação da minha escolha. Beatriz voltou 10 minutos depois falando que o café só seria servido as 07:00Hrs, o que me deixou impaciente, mas por volta das 06:40 minha mãe e meu irmão chegaram ao meu quarto para minha alegria pois assim Beatriz iria finalmente parar de tagarelar um pouco, pois ela gostava muito de ouvir o próprio som de sua voz, só sendo assim pra falar tanto. Porém, eu sempre gostei de ouvir suas histórias e indagações sobre tudo ao seu redor, Beatriz sempre foi brilhante e extremamente criativa ela nunca ficava sem assunto, e quando estava em silencio era por que estava muito triste ou simplesmente estava pensando no enredo do seu próximo romance. Ainda lembro de quando ela me mostrou o seu primeiro esbouço...
_Anda, diga o que achou, pare de me torturar Mateus! –disse me empurrando de leve com seu ombro, estávamos sentados num banco de uma praça próxima a minha casa.
_Bom, ele precisa mesmo morrer no final? e essa questão de virgindade não está muito antiquada não? –perguntei sorrindo levemente ainda olhando para o texto em minhas mãos.
_Faz parte do drama Mateus, e não, não é antiquada, ao menos não pra mim. –disse apenas tomando os papeis para si.
_okay, okay, não precisa se chatear, você está mal de críticas heim... –disse empurrando-a levemente com os ombros.
_Nada a ver Mateus, é que as vezes você me irrita, entende? Só isso. –disse apenas olhando para o jardim a nossa frente.
_Ah para com isso Bia, ficou ótimo, eu serei o primeiro a compra-lo quando for publicado. –disse abraçando-a com um largo sorriso no rosto.
_Obrigada, você sabe que sua opinião é muito importante pra mim, não sabe? –falou baixinho próximo ao meu ouvido direito.
_Sei sim, assim como a sua é de suma importância para mim! –disse beijando sua bochecha.
_Que bom! –disse por fim.
Minha amada escritora, tão talentosa... Eu sinto falta de ser o amigo, o confidente, o amor da vida dela, como sempre fui, mas dessa forma será melhor, não há outro jeito, eu não aguentarei passar muito tempo em cima de uma cama, então para que ela não sofra tanto é melhor que ela passe a me odiar, e para que isso aconteça eu não medirei esforços.
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