Claro que era ele, somente ELE escolheria um lugar tão impróprio. Debaixo da chuva forte, no meio do gramado da praça. Ela sabia que ele queria ficar sozinho, respeitava e entendia essa vontade mas, vê-lo assim tão deprimido a deixava triste e frustrada. O único jeito de de se sentir melhor era faze-lo se sentir melhor, isso era lógico já que eles eram como um só. E ela mesmo sendo meio egoísta, resolveu fazer alguma coisa por ele.

Sem saber exatamente o que deveria fazer ela foi se aproximando devagar. Segurando a saia, sentou ao lado dele, observando discreta e meticulosamente seu rosto. Ele mantinha uma expressão vazia, com o olhar sem foco, o que era bem incomum. Ela perguntou baixinho:

- Tudo bem?

Ele pareceu sair bruscamente do tranze em que se encontrava, a olhou rápido evitando que seus olhos castanhos se encontrassem com os azuis da garota e respondeu com o grande sorriso de dentes brancos bem característico:

- Tudo bem.

Se ela não o conhecesse tão bem como conhecia, se enganaria com aquele sorriso, mas era por isso que era ela, e não outra. Então sorriu também, um sorriso diferente, meio torto, sem mostrar os dentes, com o típico aspecto cético que parecia sempre emanar dela. Com um movimento, ela se pôs de joelhos ao lado dele -propositadamente para ficar um pouco mais alta- passou a mão pelo seu pescoço, puxando-o para si num abraço forte. Depois sussurrando tão baixo, que apenas ele conseguiria ouvir, ela completou:

- Então tudo bem.

Ele correspondeu o abraço, passando os braços ao redor da cintura dela, escondendo o rosto em seu peito. Ali, com o rosto escondido por ela, a máscara de sorriso caiu e lagrimas silenciosas escorreram, se mesclando com as gotas de chuva. Ouvindo as batidas do coração da garota, seu próprio coração foi acalmando, ate ambos corações baterem no mesmo ritmo calmo.

- Tudo bem — ele repetiu.

Afinal, alguém o tinha dito que "todo homem deve ser forte o suficiente para demostrar sua fraqueza apenas na frente de uma única mulher" .