One Piece
2 02: Um Rapaz Chamado Zeus e a Transformação de Bubble

"Fama, riqueza, poder... um homem conquistou tudo o que este mundo podia oferecer, o Rei dos Piratas, Mateo Prometheus.
Suas últimas palavras antes de sua execução, fizeram legiões de todo o mundo se lançarem aos mares:
— O meu tesouro? Podem pegar. — Mantinha-se sério e calmo, mesmo prestes a ser morto. — Deixei tudo naquele lugar. Aproveitem o caminho, que não será fácil. Mas não se preocupem se não encontrarem... pois a vida é apenas um grande conto de risadas! Vão! Encontrem se puderem!
Homens desbravam o caminho dos seus sonhos em direção à Grand Line. Assim começou a Grande Era dos Piratas!"
• • •
[East Blue — Verona]
Dá última vez que nos encontramos com o protagonista desta história, Daemon Lucifero, ele procurava por um escondido tesouro de um antigo pirata, em uma densa floresta. Naquele momento, o jovem tentava encontrar algo com o olhar no topo de uma árvore. Olhou em todas as direções mas não encontrou nada que fosse diferente de árvores e arbustos.
— Poxa vida, esqueci que sou péssimo com direções. — coçou a cabeça, bufando. — Acho que estou perdido.
• • •
Em outro lugar daquela floresta, não muito distante da localização de Daemon, uma outra pessoa caminhava calmamente por um caminho da floresta com menos vegetação. Trata-se de um jovem rapaz, alto e muito bonito de vinte e cinco anos chamado Zeus. Ele saiu do barco apenas com um saco nas costas. Zeus é um jovem musculoso de pele morena. Ele tem cabelo castanho espesso e bagunçado com duas tranças de cada lado. Ele também tem olhos verdes, com uma cicatriz fina que vai da sobrancelha esquerda até a bochecha. Suas roupas consistem em uma camisa branca polo de manga cumprida, por baixo de um colete amarelo. Um cinto de couro marrom prende a calça de moletom preta em sua cintura. Nas mãos estão um par de luvas e nos pés um par de sandálias marrons. Mas sem dúvidas o que mais chama a atenção em sua aparência são as orelhas de felino no topo da cabeça e o rabinho comprido que sai de dentro de sua calça.
— Estou começando a achar que estou perdido. — pensou alto, olhando para os lados.
Resolveu sentar em uma pedra para pensar um pouco e fazer uma boquinha, colocou primeiro a mochila no colo, depois tirou dela um sanduíche embrulhado em papel alumínio. Antes de comê-lo, lembrou que também tinha uma garrafinha de leite quente em algum lugar da mochila, por isso pôs o sanduíche na pedra ao seu lado.
— Achei. — encontrou a garrafa de leite, logo indo pegar seu sanduíche mas não o encontrou onde havia deixado. — Ué?
Olhou no chão, atrás da pedra, mas não encontrou. Olhando para trás viu algo se mexer na escuridão do arbustos, algo grande, e por isso ficou em alerta. Zeus pensou em testar uma coisa, colocou a garrafa ao lado dele no mesmo lugar onde antes deixou o sanduíche e fingiu estar distraído, mas na verdade observava tudo pelo canto do olho. Ele esperou alguns segundos, até que enfim aconteceu. Um fio branco se esticou, saindo de entre a vegetação e grudou na garrafa.
— Peguei! — segurou o fio com firmeza, mas haviam dois problemas, primeiro aquilo não era um fio e sim teia de aranha, e segundo o rapaz não conseguia mais tirar a mão da teia. — Eh?
Zeus foi puxado com tudo, arrastado pelo chão por uns quinze metros até parar próximo a uma enorme árvore. A dona da teia então se revelou, uma aranha enorme, preta com manchas laranjas, que devia ser maior que algumas raças de cachorro. O castanho tentou se levantar, mas o animal fez questão de prender sua mão ao chão com uma rajada de teia.
— Cacete. — resmungou o rapaz. — Você quer me devorar, é isso?
A aranha novamente sumiu no topo das árvores, Zeus conseguia ouvir apenas o barulho dos galhos se mexendo. Sem esperar mais, deu um soco no chão de terra, quebrando uma parte do chão, o suficiente para conseguir tirar sua mão do chão ainda com um pedaço de terra grudado nela.
— Merda. — balançou a mão para tirar a terra dela e ao menos tentar retirar um pouco da teia, o que não deu lá muito certo já que boa parte dela continuou presa ao seu pulso.
A aranha lançou um fio de teia na direção do moreno, que não a viu nos galhos de uma árvore atrás dele. A teia acertou o ombro do rapaz ficando presa nele.
— Parece que me pegou de novo. — disse Zeus, que logo depois disso segurou firmemente na teia com a mão direita. — Mas não vou ser seu jantar hoje.
Faíscas começaram a sair do mão do rapaz, até que uma forte corrente elétrica saiu da palma da mão dele, percorrendo toda a extensão do fio que estava diretamente conectado ao animal, até chegar na própria aranha. Ela foi eletrocutada por alguns segundos, depois caiu no chão carbonizada. O choque foi forte, tanto que as teias da aranha se desfizeram na mão de Zeus. Antes de sair dali, ele ainda olhou uma última vez para o animal caído no chão, depois virou-se de costas para ir embora.
— AAAAH! SAI DE BAIXO!
O meio mink ouviu um grito alto, olhou para trás rapidamente e deu de cara com um certo ruivo caindo logo em cima da aranha morta. Ele caiu com tanta força que até rachou o chão, formando uma pequena cratera.
— Eh? — Zeus não entendeu nada, ficou encarando o garoto.
— Woah, caramba. — sim, se tratava de Daemon. Ele levantou coçando a cabeça, ainda bastante tonto. — Minha nossa. Anh? — olhou para baixo, vendo a aranha gigante sob seus pés. — EH? Ih, caramba. Matei uma aranhona!
Daemon finalmente notou Zeus, indo logo até ele.
— Gomenasai. Acho que matei sua aranha. — inclinou o corpo como forma de se desculpar. — Oh, você tem orelhinhas, que legal!
— Mas que merdinha. — uma veia saltou da testa dele, mas logo o rapaz bufou, relaxando os ombros. — A aranha não era minha, não se preocupe. Aliás, o que estava fazendo no alto das árvores?
— Oh, é mesmo. — ele riu, colocando as mãos na cintura. — Fiquei meio perdido no meio da floresta, então resolvi subir nas árvores para ver se encontrava alguma coisa. Acabei caindo.
Zeus deu de ombros, então começou a pegar suas coisas que foram espalhadas pelo caminho no meio da confusão, Daemon o ajudou, até voltarem para a pedra onde tudo aquilo começou.
— Valeu. — ele agradeceu, colocando tudo na mochila e a pondo nas costas. — Para falar a verdade, acho que também estou perdido. Estou na ilha apenas de passagem. Acabei entrando na floresta para encontrar a cidade, mas no final acabei não encontrando nada.
— Poxa vida, estamos na mesma. — ele riu alto, expondo os dentes. — Mas já que está aqui, poderia me ajudar a encontrar um tesouro?
— Tesouro? — o castanho não entendeu bem no começo.
— É, estou procurando um tesouro escondido. — disse Daemon, com o mesmo entusiasmo de sempre. — Mas não sei nem por onde começar. — riu. — Que tal me ajudar? E aí depois a gente sai daqui.
Zeus o encarou com uma expressão neutra, depois deu de ombros, alongando os braços logo depois.
— Por que não? — disse ele, sorrindo levemente para ela. — Se acharmos esse tal tesouro vou querer metade.
— Legal!
O Lucifero deu um pulo e saiu correndo e puxando o outro em uma direção aleatória, sem nem saber para onde estava indo.
• • •
Na praia, nossa cronista ainda pensava em como iria tirar o navio que derrapou na areia. Ela resolveu sair para fora para ter certeza que nenhum estrago havia sido feito em Bubble.
— Tudo certo por aqui. — respirou aliviada, parada na frente do navio do lado de fora. — Você tem alguma sugestão de como tirar você dessa situação, Bubble?
— Tenho várias funções que podem ajudar, senhorita. — respondeu o navio.
— Ai, que bom. Ia ser ótimo se você tivesse pernas e saísse daí andando. — riu, mas logo parou assim que notou algo estranho se mexendo na água.
Ela pôs a mão sobre os olhos para ver se enxergava o que era, mas não conseguiu. Se lembrou quase que imediatamente do monstro marinho de mais cedo e começou a ficar preocupada, por precaução se escondeu atrás de Bubble, e por sorte fez isso. Aos poucos, vários tentáculos começaram a sair da água, um por um até se somarem oito, para no fim uma lula gigante se revelar. A lula gigante tem grandes pupilas negras e a parte externa de seus olhos é de uma cor amarelada escuro.
— Que medo! — pensou Fiona se tremendo. — Tomara que ele não tenha me visto.
— É você, não é?
A loira ouviu alguém falar algo atrás dela e olhou na direção da voz, mas tudo aconteceu tão rápido, havia uma mulher atrás dela que fechou a mão e sem dizer mais nada acertou um belo soco no rosto da moça. Fiona cambaleou para trás com o impacto do soco e caiu de bruços no chão.
— E-eh!? — ela berrou sem entender nada e colocou a mão no local onde levou o soco, ainda sentada no chão. — Quem é você? Por que fez isso, sua maluca?
A mulher parada ali sorriu de forma assustadora para ela. Se tratava de uma mulher de pele morena clara, de olhos dourados e cabelo ruivo penteado em um coque que lembrava a ponta da cauda de um escorpião. Ela usava um top curto dourado escuro com uma saia curta combinando com uma capa sobre os ombros presa por botões dourados e uma corrente. Ela também usava várias algemas douradas em volta do pescoço, pulsos, braços, coxas e tornozelos junto com sapatos brancos.
— Foi você quem atacou o meu querido companheiro, não foi? — apontou para ele. — Era um monstro marinho muito querido para mim.
— Eu não fiz nada! — se levantou irritada. — E mesmo assim, quem diabos tem uma aberração gigante de estimação!?
— Ele não é de estimação, okay? — pôs as mãos na cintura, aparentemente indignada. — Era como um filho para mim! Se não foi você quem o machucou, quem foi então?
Fiona sabia que Daemon era o culpado de todo o problema, mas não podia entregar seu capitão assim.
— Ele mesmo me disse que foi atacado por uma loirinha com um navio que parecia um peixe. — deu um tapa na lataria do Bubble enquanto falava. — Só pode ser você.
— "Ele te disse"? — a cronista arqueou uma das sobrancelhas, fazendo uma cara de deboche. — É maluca mesmo.
— CALADA! — ela gritou irritada. — Eu consigo conversar com os animais por causa da minha Akuma no Mi, sua pateta. Eu comi a Hiso Hiso no Mi.
Hiso Hiso no Mi = Fruta do Sussurro
— Mas isso não importa. — ela estalou os dedos, olhando alguns segundos para a lula gigante parada na água.
Não demorou e o gigante monstro marinho usou seus tentáculos para agarrar o Bubble Deluxe, o levantando. Usando um outro tentáculo livre, a lula pegou a mulher negra na praia e a pôs sobre sua cabeça.
— Bubble!
— Que tal se eu fizer ao seu navio o mesmo que você fez com o meu querido amigo? — gritou ela do alto da cabeça da lula.
— Eu já disse que não fui eu! — a Fortune gritou de volta, começando a ficar irritada com aquela história.
— Então quem foi? — a ruiva retrucou, igualmente irritada.
Fiona olhou para o lado, suando frio e balançando as mãos de uma forma suspeita.
— E-eu não sei... — disse ela se fingindo de louca.
— MENTIROSA! — ela berrou, bufando logo em seguida e tirando uma mecha de cabelo do rosto. — Pode apertar.
A lula começou a apertar Bubble com seus tentáculos, espremendo-o com força, embora nenhum dano estivesse aparente.
— Ameaça detectada. Chance de dano: 78%. — falou o navio.
— Woah! Essa coisa fala? — a mulher se espantou com tamanha tecnologia. — Que coisa bizarra. Aperte mais forte! — gritou com a lula, dando chutes no topo da cabeça dela.
O animal continuou apertando o navio, porém parecia estar tendo uma enorme dificuldade para causar qualquer dano no mesmo. Fiona sabia que tinha que fazer algo, embora estivesse com medo. Engoliu em seco antes de mais nada, cerrando os punhos.
— Hey! — gritou, chamando a atenção da mais velha e de seu "bichinho". — Você não é a única que tem Akuma no Mi.
Fiona estava com o braço estendido na direção dela, preparando-se para atacar. Ela a encarou, mais séria do que antes, até de certa forma curiosa com o que a jovem queria fazer.
— Shakkahou!
Shakkahou = Canhão de Fogo Vermelho
Ela gerou uma bola de fogo carmesim na palma de sua mão, bola essa que saiu voando em alta velocidade na direção de sua adversária.
— Deu certo. — pensou a cronista, sorrindo.
Mas como alegria de pobre dura pouco, o ataque começou a ficar cada vez menor e menor na medida que subia, e então caiu no mar, formando uma pequena explosão. Fiona encarou a cena com uma gota.
— HAHAHAHA! Mas o que foi isso? — a ruiva gargalhou com gosto da situação. — Que porcaria de fruta é a sua? HAHAHAHA!
— PARE DE RIR! — Fiona berrou, com uma veia saltando de sua testa. Ela estava visivelmente envergonhado.
— Ai, ai, garota. — secou os olhos marejados de tanto rir. — Eu não ria assim há um bom tempo. Muito obrigada, viu. Mas chega de brincadeira. Spark, quebre esse navio de uma vez.
Spark, a lula, apertou Bubble com mais e mais força, virando-o de cabeça para baixo. Fiona já não sabia mais o que fazer, ele se ajoelhou no chão, começando a se desesperar com a situação.
— B-Bubble! — berrou o rapaz. — Você não tem nenhuma função que possa ajudar agora!?
O outro nada respondeu, ficou em silêncio por alguns segundos.
— Acho que o modo automático pode ajudar, senhorita. — enfim disse alguma coisa.
— Pode ser! Só faça alguma coisa!
— Como quiser, senhorita. Ativando o modo automático. — disse, seguido de um som robótico e alto.
Os "olhos" dele, ou melhor, os dois faróis amarelos na parte da frente do navio brilharam intensamente. Bubble começou a emitir sons esquisitos. Fiona, a lula e a mulher ali não fizeram nada, aliás não podiam fazer nada, apenas observaram a cena, estáticos.
— Modo automático ativado. Agora ativando modo de combate!
• • •
Vamos falar agora sobre dois indivíduos, homens, também na floresta da ilha de Verona. Eles não estavam longe da localização de Daemon e dos outros. Um dos homens é velho, branco e com longos cabelos acizentados. O outro é mais jovem, alto e tem um longo cabelo escarlate. Eles se encontravam em uma enorme clareira, cavando buracos no chão, tinham vários buracos espalhados pela área, uns mais fundos que os outros, outros maiores que os outros.
— Aah, não aguento mais procurar! — remungou o mais velho, grisalho, bufando e jogando sua pá no chão. — Tem certeza que esse tesouro está aqui?
— Encontramos alguns esqueletos nessa área, que podem ser dos piratas que estamos procurando. — falou calmamente o rapaz de cabelos escarlate.
Estamos falando de Froggy e Jacky, capitão e imediato, respectivamente, dos Piratas do Sapo. Eles estão buscando o mesmo tesouro que nosso protagonista. Froggy é um homem alto, com cabelo branco espetado amarrado para trás em um rabo de cavalo, com duas mechas na altura dos ombros que emolduram os dois lados de seu rosto. Ele também tem linhas vermelhas que escorrem de seus olhos, e usa um protetor de testa de chifres. Ele tem uma verruga visível no lado direito do nariz. Froggy usava um kimono com camisa verde e calças curtas; debaixo da qual ele usava uma armadura de malha. Sua roupa é concluída com guardas de mão, um cinto preto simples, tradicionais sandálias de madeira japonesas, uma capa vermelha com dois círculos amarelos simples, e um pergaminho nas costas.
Já Jacky é um homem musculoso que tem olhos vermelhos e cabelos bagunçados na altura do peito. Ele veste uma camisa branca e calça preta com um cinto branco com duas gemas douradas e vermelhas junto com uma espada com punho dourado. Ele também usa um casaco cinza com alguns detalhes vermelhos e botas marrons.
— "Podem"? E se estivermos cavando aqui todo esse tempo para não encontrar nada? — colocou as mãos na cintura, indignado. Seu imediato continuava com a mesma expressão neutra.
— É. — não disse mais nada.
— Sua calma me irrita. — Froggy comentou entre dentes, com uma veia saltando em seu testa.
O homem se cansou, sentou-se em uma pedra aleatória por ali e cruzou as pernas.
— Vá buscar alguma coisa para eu comer. — disse Froggy um pouco mal humorado. — Aproveite para dar uma olhada na área e ver se não tem ninguém bisbilhotando por aqui perto. Aliás, você sabe onde a Rina foi?
— Ela me disse que tinha algumas coisas sérias para resolver. — respondeu Jacky, que deu de ombros e virou-se de costas para ir obedecer a ordem de seu capitão.
O avermelhado saiu andando para fora da clareira, não disse mais nada, apenas foi. Em alguns segundos já havia sumido entre as árvores.
• • •
Novamente na floresta, Daemon e Zeus caminhavam entre a mata, quando encontraram algo estranho ao longe.
— Eh? Você está vendo o mesmo que eu? — nosso protagonista forçou a vista tentando enxergar melhor.
— Acho que sim.
Ambos observavam a tal clareira onde Froggy e seu imediato estavam, na verdade, apenas Froggy naquele momento. A clareira ficava em uma parte mais baixa da floresta, os dois se encontravam no topo de um barranco alto.
— Tem um cara estranho no meio do nada, com vários buracos no chão ao redor dele. — disse Daemon sentindo um leve arrepio. — Bizarro.
— Ele pode só estar querendo desovar um corpo. — falou Zeus, com a mesma tranquilidade de quem respira.
— Não fale essas coisas assustadoras como se não fosse nada! — o ruivo berrou irritado com o outro. — Será que ele está procurando um tesouro como nós?
— Não é impossível.
— Acho que vou lá perguntar. — ele pôs um pé para frente e se preparou para ir, mas foi puxado pela gola da camisa. — Eh? O que foi?
— Melhor não irmos lá. — soltou o castanho, tomando todo o cuidado possível para não chamar atenção. — Nem sabemos quem esse cara é. Por enquanto é melhor só olharmos daqui.
Daemon assentiu e continuou a observar o grisalho, bastante concentrado aliás. Zeus, por sua vez, notou alguns barulhos vindos de arbustos próximos. Poderia ser algum animal? Talvez. Ele torcia para que não fosse outra aranha, por isso continuou encarando o nada, chegou a esquecer de Daemon e do velho esquisito por alguns segundos. Inesperadamente, um sabre de esgrima saiu voando das sombras como uma bala, na direção dos dois ali.
— Cuidado! — bradou o meio mink, empurrando Daemon para que ele saísse do caminho da arma.
— Anh? — o ruivo foi jogado para frente com o empurrão, sem querer rolou barranco abaixo. — AAAAH!
Zeus deu um pulo para trás e não teve muito tempo para se preocupar com seu colega Lucifero. O sabre alheio fincou numa árvore após passar sobre a cabeça do moreno. Zeus ficou atento à tudo, olhando para todos os lados, completamente desconfiado. Então de repente, uma adaga foi lançada por alguém escondido na sombras das árvores, e o objetivo era claro, acertar Zeus.
— Droga. — de forma ágil ele chutou a adaga para cima, que saiu voando e caiu no chão ao longe.
Mal deu tempo do rapaz respirar e mais duas foram voando na direção dele para acertá-lo, infelizmente dessa vez, ele só conseguiu desviar de uma com outro chute, a outra adaga ficou presa em seu ombro.
— Mas... que merda. — arrancou o objeto de metal, o jogando para longe, mas àquela altura do campeonato a arma já havia conseguido cortá-lo, mesmo que superficialmente.
Finalmente a pessoa por trás de todos aqueles ataques se revelou, e não era ninguém mais ninguém menos que Jacky, que logo foi até a árvore onde seu sabre estava preso e o pegou.
— O que estão fazendo aqui? — perguntou o avermelhado secamente, apontando sua arma para o rapaz.
— Estamos apenas de passagem. — ficou em posição de alerta.
— E quer que eu acredite? — riu desdenhoso. — Meu capitão deixou bem claro que eu poderia dar fim à qualquer enxerido perto daqui.
— Nossa, que medo de você e desse seu espeto de churrasco... — Zeus ainda tentou zombar do adversário, mas foi interrompido por Jacky jogando mais adagas.
O moreno desviou num pulo, caindo em pé um pouco mais para frente.
— Fala sério, tudo que eu mais queria hoje era só dormir na sombra de uma árvore. É pedir muito? — bufou, soprando alguns fios de cabelo caídos em seu rosto.
Jacky correu até ele e com seu sabre iniciou um ataque direto, que acertaria o abdômen do mais alto, todavia o moreno desviou. Jacky continuou atacando dessa forma, pelo menos mais cinco vezes, até Zeus dar um salto para trás e pegar distância de seu adversário.
— Vamos lá. — murmurou, e correu de volta até onde Jacky estava, parando subitamente na frente dele. De forma muito veloz ele elevou o joelho esquerdo, flexionando-o acima da cintura e, na sequência, fez uma extensão de seu joelho atingindo a região anterior da sola do pé em Jacky, esse que ainda conseguiu se defender com os braços, mas foi jogado para trás com o impacto.
Depois de atingir o alvo, Zeus abaixou a perna até encostar o pé no solo. Um ap tchagui muito bem executado por parte do moreno. Jacky estalou o pescoço e logo se recompôs para mais ataques, e tão rápido quanto da outra vez, jogou seu sabre para que acertasse o moreno. Dessa vez, ao invés de chutar o objeto para longe ele o pegou com a mão direita, só não esperava que seu oponente jogasse um trio de adagas na direção dele ao mesmo tempo. Foi impossível desviar de todas, duas delas ficaram cravadas nele, uma em sua perna e outra no sou outro ombro.
— Cacete! — disse ele arrancando as duas de uma vez, jogando o sabre alheio para longe na sequência. Por impulso decidiu olhar melhor as adagas antes de se livrar delas, só então notando um estranho líquido semitransparente gotejando da ponta das duas armas. — Mas o que...
— É veneno. — disse Jacky, minimamente sorridente indo pegar seu sabre jogado por ali. — Eu já te acertei três vezes, não foi? Não é o suficiente para te matar, mas deve te deixar meio grogue.
Zeus rangeu, tinha que pensar como acabar com aquilo de uma vez, e usar seus poderes advindos de sua raça estava a parecer ser a única saída. Só que ele também se preocupava com essa história de veneno, pois parecia que ele já estava começando a fazer efeito. Aos poucos, a imagem do espadachim de cabelos vermelhos ao longe foi ficando borrada, mas não só isso, era como se o corpo do homem estivesse se desfazendo no ar. Alucinações? Talvez, muito provável que sim, mas ele não poderia ter certeza.
• • •
Não vamos nos esquecer do protagonista de nossa história, Daemon, que rolou de um barranco não faz muito tempo, pouco antes da luta entre Zeus e Jacky começar. Daemon deu cambalhotas, tropeçou, bateu em pedras, por fim caiu dentro de um buraco e ficou por lá por alguns segundos, até se levantar um pouco atordoado. Froggy assistiu à tudo aquilo com os olhos arregalados.
— Au... anh? — notou a presença do pirata mais velho ali. — Oh, oi!
— QUEM É VOCÊ!? — ele berrou, se escondendo atrás da pedra onde estava sentado. — JACKY! JACKY!
— Ei, ei, pare de gritar. — Daemon se aborreceu com aquela atitude do mais velho. — Parece até que estão tentando te matar. — ele foi dar alguns passos e quase acabou caindo dentro de outro buraco. — Qual é a de todos esses buracos, em? Não está desovando corpos, está?
O garoto fez uma careta assustada, pondo os braços na frente do rosto.
— É-é claro que não... — respondeu o homem, com uma gota. — É que eu estou procurando um certo teosuro... — notou que havia falado demais. — AH, Q-QUER DIZER...
— Ahá! Sabia que também estava atrás do tesouro dessa ilha! — bradou Daemon, gritando mais alto que ele e apontando o dedo, deveras sorridente. — Que ótimo! Que ótimo! Onde está?
— Que merda. — resmungou ele, bufando em seguida. — Bom eu estava procurando, mas ainda não o encontrei, e sinceramente estou começando a achar que ele nem existe.
— Eh? Não diga isso. — falou Daemon, colocando as mãos na cintura. — Se quiser posso ajudar a procurar! — ele estava novamente radiante e bastante entusiasmado. — E depois disso nós podemos dividir o tesouro, quando o encontrarmos.
— Anh?... — Froggy pensou antes de responder. Dividir todo o ouro e riquezas que ele estava procurando há tanto tempo? Sem chances. Mas ter um garoto desmiolado procurando para ele, enquanto ele descansava, parecia uma ideia não tão ruim assim. — Bom... claro. Por que não. É óbvio que podemos dividir o tesouro, hehehe. — estendeu a mão.
Daemon abriu um grande sorriso amistoso, retribuindo o aperto de mão do mais velho, esse que sorriu para ele também, só que de uma forma gananciosa. Daemon, hiperativo como é, nem esperou Froggy falar mais nada e já saiu logo catando a pá jogada por aí e começou a cavar em alta velocidade, jogando terra para todos os lados.
— Q-QUE RÁPIDO! — o mais velho se assustou com tamanha vontade por parte do ruivo. Ele não demorou à sentar no chão de uma forma mais confortável e cruzar os braços atrás da cabeça, apenas assistindo o outro trabalhar. — Isso vai ser molezinha! — pensou.
• • •
Na praia, Fiona, a lula Spark e Rina, atual navegadora dos Piratas do Sapo, encaravam o grande navio azul se transformar diante de seus olhos. Primeiramente, a nadadeira traseira se retraiu e ficou bem menor, depois as duas asas ou nadadeiras laterais foram recolhidas para o interior do navio e deram lugar para dois braços robóticos, assim como duas pernas robóticas saíram da parte de baixo de Bubble. O navio, agora robô, abriu o braço esquerdo, e onde seria seu cotovelo tinham duas turbinas, que se ligaram naquele momento.
— Rocket Daredevil! — disse Bubble.
Rocket Daredevil = Demolidor Foguete
Com um potente soco metálico, o Bubble Deluxe soltou-se dos oito tentáculos de Spark. A lula foi jogada para trás com o impacto do golpe, ficando até um pouco desnorteada. Foi um soco tão potente que jogou Rina para o alto.
— AAAAH! — berrou a mulher, que segundos depois caiu com tudo na faixa de areia.
Spark ficou sem dúvidas zonzo, mas não foi vencido. O animal novamente enrolou todos os seus tentáculos em Bubble, tentando pará-lo de alguma forma. Bubble não se deu por vencido, puxou, empurrou a lula, não iria desistir tão facilmente. Fiona gritava em defesa de seu navio lá da praia, o vendo de longe.
— Vai lá! — bradou nossa loira levantando os braços.
— Para quem está torcendo, sua merdinha? — Rina andou irritada para perto dela, batendo os pés com força na areia.
— AAAH! Não se aproxime! — pegou um graveto qualquer no chão e apontou ameaçadoramente na direção alheia. — Estou torcendo para o meu incrível Bubble Deluxe. Não é óbvio?
— Humpft. Acha mesmo que sua pilha de sucata vai derrotar meu incrível Spark? — ela cruzou os braços, arqueando uma das sobrancelhas.
— "Incrível"? A coisa horrorosa ali na baía? — sorriu em desdenho. —Na verdade, ele combina com você, é a sua cara. — riu.
— Ora sua... — rangeu.
Rina partiu para cima dela, puxando o cabelo loiro da cronista, que ficou sem como se defender.
— AAAH! MEU CABELO! — tentou se soltar das garras da navegadora, mas sem sucesso. — SOCORRO! SOCORROOO!!!
Bubble mais uma vez se soltou dos tentáculos, dessa vez arrancando um deles. O grande robô deu um empurrão na lula, jogando-a para trás, e com os dois braços agarrou também dois tentáculos de seu adversário, e então começou a girar Spark no ar. Isso fez com que ondas fossem formadas na água, ondas essas que atingiram toda a área da praia. Fiona e Rina foram levadas por elas, nem deu tempo de tentar escapar.
— Rocket Launch! — gritou Bubble uma última vez.
Rocket Launch = Lançamento Foguete
E finalizou seu ataque lançando Spark centenas de metros para longe da praia, nem foi possível ver onde ele caiu. Logo após terminar seu serviço, o navio bateu as mãos como se não tivesse sido nada. Na areia, Rina levantou-se desnorteada, vomitando bastante água no processo, havia um zumbido horrível no seu ouvido e a vista estava um pouco embaçada. Não entendia muita coisa, mas logo notou a falta de seu enorme Spark na água, via apenas o robô azul de costas para ela naquele momento. Se levantou apenas com força da raiva, já que suas pernas ficaram um pouco trêmulas, rangendo os dentes logo em seguida.
— Desgraçado! — gritou para Bubble, que enfim se virou. Rina ainda tentou ir até ele, dando alguns passos para frente, mas parou ao notar uma silhueta parada logo a sua direita. — Anh?
Se tratava da nossa cronista, Fiona Fortune, de joelhos no chão, completamente encharcada e possivelmente com as pernas tão doloridas quanto as de Rina, porém ela mantinha os dois braços estendidos para a ruiva.
— Me lembro de você ter me perguntado qual era a minha Akuma no Mi mais cedo. — Fiona tinha um sorriso de canto no rosto enquanto falava. — Eu comi a Maho Maho no Mi. Basicamente consigo usar magia.
Maho Maho no Mi = Fruta da Magia
— Está certa que mal sei usar meus poderes, mas tenho certeza que consigo te acertar dessa distância. — as palmas de sua mão começaram a brilhar em um vermelho intenso, uma bola de fogo se formou ali. — Shakkahou!
E ela acertou, Rina e Fiona estavam a menos de um metro e meio uma da outra, o ataque voou diretamente e acertou o rosto da mulher, criando uma pequena explosão de fumaça espessa. Finalmente as pernas da mulher de pele negra cederam, e ela caiu de joelhos, assim que a fumaça se dissipou foi possível ver o rosto completamente derrotado da mulher. Alguns segundos depois seu corpo desacordado desabou na areia de uma vez. Fiona sorriu vitorioso, caindo para trás imensamente cansada.
— Peguei ela de jeito Bubble... — a loira gritou usando o resto de suas forças, virando o rosto na direção do navio.
Bubble nada disse, apenas levantou seu braço esquerdo lentamente, fazendo um joinha, o que encheu os olhos de Fiona de brilho, que obviamente retribuiu o joinha.
TO BE CONTINUED...
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