One Piece

3 03: Luta Contra o Sapo. Um Novo Companheiro!


"Fama, riqueza, poder... um homem conquistou tudo o que este mundo podia oferecer, o Rei dos Piratas, Mateo Prometheus.
Suas últimas palavras antes de sua execução, fizeram legiões de todo o mundo se lançarem aos mares:

— O meu tesouro? Podem pegar. —mantinha-se sério e calmo, mesmo prestes a ser morto. — Deixei tudo naquele lugar. Aproveitem o caminho, que não será fácil. Mas não se preocupem se não encontrarem... pois a vida é apenas um grande conto de risadas! Vão! Encontrem se puderem!

Homens desbravam o caminho dos seus sonhos em direção à Grand Line. Assim começou a Grande Era dos Piratas!"

• • •

[East Blue — Verona]

Na praia, após todo o ocorrido entre Fiona, Rina, Bubble e Spark, a jovem se recompôs e resolveu amarrar Rina, por precaução.

— Mas que absurdo! — berrou a ruiva, perfeitamente consciente. Ela acordou um tempo depois de ser nocauteada. — Quando eu me soltar daqui eu vou quebrar a sua cara, em!

— Será que dá para parar de reclamar? Eu só estou te amarrando. Se fosse qualquer outro teria te matado. — apertou bem as cordas que amarravam a mulher jogada de barriga no chão, e se levantou ao terminar. — Okay, tudo feito. Agora tchau, tchau.

A loira saiu andando até seu navio, que já havia voltado ao normal e a esperava um pouco longe da areia.

— EEEI! ESPERA AÍ! — gritou Rina, se arrastando como uma minhoca atrás da mais nova. — Vai me deixar aqui?

— E quer que eu faça o que? Te leve para casa? — perguntou a garota pondo as mãos na cintura. — Fique aí e espere alguém te encontrar.

— Não vá embora! Não vá embora, sua miserável!

E a outra ficou lá, berrando, enquanto Fiona se distanciava aos poucos, mas parou abruptamente antes de chegar a água, virando-se novamente e focando o olhar na direção da floresta.

— Acabei de lembrar que não posso ir ainda. — bufou, um pouco impaciente. — Onde diabos o Daemon se meteu, em? — coçou a cabeça.

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Falando nele, vamos dar uma olhada no que nosso capitão está fazendo na floresta. Da ultima vez que o vimos, ele cavava um buraco gigante para "ajudar" o pirata Froggy. O jovem cavou vários para falar a verdade, uns grandes, outros nem tanto, mas ele continuava com a mesma força de vontade. O velho pirata sapo resolveu tirar um cochilo, dormindo por ali mesmo sem nem se importar com o seu redor. Daemon cavou tantos buracos que chegou uma hora que faltava espaço para cavar um novo.

— Que coisa. — arqueou uma sobrancelha, um pouco pensativo. — Acho que esse cara não vai se importar se eu tirar algumas árvores daqui para abrir um pouco de espaço.

Olhou bem as árvores e escolheu logo uma que nem árvore parecia mais, era só um tronco velho, grosso e sem folhas, que continuava de pé por algum motivo, e era aberto no topo. Daemon envolveu o braço direito com fogo, sem pensar mais socou a árvore com tudo, fazendo um barulho tão alto que acordou Froggy no susto.

— AAAAH! — ele berrou dando um pulo. — QUE ISSO!?

— Ah, você acordou. — disse o Lucifero, como se nada tivesse acontecido. — Estou quebrando umas "coisinhas" para abrir caminho.

— Oh, é só você... — o velho resmungou, sentando-se no chão. — Faça o que quiser. Só vai logo aí.

— Folgado. — arqueou uma das sobrancelhas. — Eu disse que ia te ajudar, mas só eu estou trabalhando aqui.

— É-é, bom... só tem uma pá, não é. Além do mais, você está trabalhando tão bem.

— Anh, estou? — o ruivo abriu um grande sorriso brilhante. — Haha, é claro que estou. Você tem razão.

Daemon colocou as mãos na cintura, um pouco convencido, enquanto Froggy segurou o riso ao máximo, não conseguia achar o garoto mais burro. Ele decidiu então voltar a trabalhar, só que antes, seus olhos castanhos notaram um brilho diferente no meio da árvore velha que ele havia acabado de socar, um brilho dourado facilmente reconhecível, ouro. O capitão pirata não demorou, logo deu mais um soco no tronco e terminou de despedaçar a parte de cima, e então pôs a cabeça lá, para encontrar um esqueleto velho e rechonchudo dentro do tronco, segurando um baú meio aberto revelando alguns dos tesouros escondidos dentro dele. Os olhos dele cintilaram tanto quanto estrelas e logo o garoto arrancou o esqueleto velho de pirata de dentro do tronco, jogando-o para cima. O esqueleto caiu sobre Froggy, que antes cochilava atrás dela.

— QUE MERDA É ESSA?! — berrou tentando loucamente se livrar do defunto em cima dele. — SOCORRO!

Daemon ignorou o velho e prestou toda a sua atenção no baú de riquezas, agora em suas mãos. Ele parecia genuinamente feliz.

— Eu achei! — gritou liberando todo o seu entusiasmo. — Eu achei o tesouro e... um cadáver. Isso explica algumas coisas, não? Aquele pirata gordo deve ter tentado se esconder dentro do tronco e ficou preso lá. Por isso nunca o encontraram.

O capitão dos Piratas do Sapo apareceu atrás do Lucifero, igualmente deslumbrado com aquela quantidade de ouro, dinheiro, etc. Logo sua expressão de felicidade transformou-se na mais pura perversidade.

— Ora, ora, garotinho, pode deixar tudo com os adultos agora... — riu de forma maligna.

— Eh?

Sem nem ter tempo de resposta, Daemon foi pego de surpresa, Froggy lançou sua língua para fora da boca que se estendeu até ele e se enrolou em seu braço. Com bastante rapidez Froggy mexeu sua língua de forma que lançou o ruivo longe dentro da floresta, destruindo tudo pelo caminho. Sem enrolar mais, o homem velho agarrou aquele baú com um sorriso bobo de orelha a orelha.

— Olha só quanto dinheiro! — riu. — Foi fácil demais com aquele idiota me ajudando. Agora só tenho que encontrar o Jacky e a Rina para irmos embora daqui.

De forma impressionante, Froggy subiu em uma árvore e começou a pular de árvore em árvore para sair dali, abraçado ao baú de tesouros como se fosse um filho. Já nosso protagonista, lançado metros longe do homem, se levantou com certa dificuldade e tirando de cima dele todos os galhos e troncos que acabou arrastando pelo caminho. Daemon balançou a cabeça, tirando o cabelo do rosto, sua expressão não era nada boa.

— Aquele velho maldito... ME ENGANOU!! — gritou assustando até os pássaros próximos, e saiu andando em uma direção aleatória, pisando com força no chão.

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Voltando para Zeus, o rapaz continuava na mesma situação, enjoado, tonto, por causa do bendito veneno de Jacky. Falando nele, o alto homem de cabelos vermelhos se aproximava mais e mais do meio mink com o sabre em mãos, pronto para sabe-se lá Deus o que.

— Tenho que levantar. — o moreno pensou, mas seu corpo parecia cansado.

Segundos depois, sem nem falar nada, Jacky deu um pulo e acertou um certeiro chute bem no rosto de Zeus. Foi uma bela de uma pancada, o qual arremessou nosso combatente para o meio da mata, ele rolou alguns metros e parou no meio de uma moita. O imediato dos Piratas do Sapo continuou correndo atrás dele, por isso Zeus não viu outra alternativa a não ser correr também. Uma perseguição frenética se iniciou ali, com o moreno cambaleando na frente se esforçando ao máximo para não bater em nada, e Jacky logo atrás dele, ainda jogando adagas banhadas em veneno. Zeus parou de repente, virando-se de frente ao avermelhado e estendeu o braço. Um pequeno raio saiu da palma da mão dele, que acertou uma árvore do lado de Jacky, a árvore caiu bem em sua frente mas não o acertou.

— Não está me enxergando direito, rapaz? — Jacky perguntou em tom de ironia, pulando sobre a árvore caída. Por não obter nenhuma resposta, continuou os ataques com adagas.

O moreno estalou a língua já um pouco irritado com toda a situação, por isso voltou a correr na direção contrária a de seu inimigo. Tudo a volta do rapaz comecara a ficar turvo e sua visão embaçada, deixando ele sem saber mais quanto tempo iria aguentar correr antes de desmaiar. Para a sorte dele, ou azar, ele foi obrigado a parar de correr assim que chegou na ponta de um não tão alto desfiladeiro. Olhou para baixo e pode ver um fino rio correndo lá embaixo, a queda poderia com certeza machucar, então tratou de se afastar da beirada.

— Não baixe a guarda! — Jacky bradou aparecendo atrás dele e lhe lançando uma outra de suas armas.

Essa adaga acertou-lhe logo o ombro já machucado, e Zeus, já bem desorientado, caiu para trás, ficando sentado no chão.

— Você é até bastante forte. A maioria das pessoas já teria desmaiado. — o avermelhado aproximou-se mais ainda do outro sentado no chão.

O moreno se esforçou a levantar a cabeça para olhar seu oponente, mas para a sua surpresa ele novamente parecia estar se desfazendo no ar, tornando-se em pétalas de cerejeira.

— Pela sua cara as alucinações já começaram, estou certo? — empunhou seu sabre de novo. — Eu chamo de Chizakura no Koroshi-ya.

Chizakura no Koroshi-ya = Assassino das Mil Pétalas de Cerejeira

Aos poucos o corpo inteiro do espadachim foi virando pétalas e começaram a girar em torno de Zeus em uma velocidade assustadora, literalmente um redemoinho rosado ao redor dele.

— Isso tudo faz parte do efeito do veneno. — o moreno não conseguia ver Jacky, mas podia ouvi-lo. — Uma alucinação quase que perfeita!

Zeus começou a receber pequenos cortes em várias partes de seu corpo, provavelmente vindos do sabre do avermelhado. Rosto, ombros, e principalmente suas costas foram acertadas com golpes rápidos de sabre, que não deixavam cortes tão fundos mas sem dúvidas machucavam. O combatente aos poucos foi se encolhendo mais no chão, quase perdendo as forças e se entregando ao destino, porém não queria morrer ali, ele queria sobreviver, tinha que sobreviver, afinal de contas o rapaz mal viveu e estava no auge de seus 25 anos.

— AAAAH! — Zeus gritou, socando o chão com toda a força que ainda lhe restava.

Seu punho na verdade estava energizado com eletricidade que se espalhou pela área. A descarga não fez mal algum para Jacky, porém fez toda a terra de uma boa parte da beirada do desfiladeiro ceder. Uma enorme quantidade de terra e pedra desceram desfiladeiro a baixo, com Zeus e Jacky junto, que rolaram em meio as pedras.

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O pirata Froggy ainda pulava de um galho para o outro no topo das árvores de uma forma muito habilidosa, lembrando um sapo mesmo. Ele carregava o baú nos braços com o maior cuidado, olhando para baixo e procurando por algum de seus companheiros.

— Onde estão aqueles dois cabeçudos? — olhou mais uma vez ao seu redor, mas viu apenas uma movimentação estranha ao longe, fora de seu campo de visão. O homem teve que semicerrar seus olhos para ver se enxergava o que era.

A única coisa que enxergou foi um enorme tronco de árvore voando em sua direção.

— AAAH! — deu um salto do galho onde estava, segundos antes do tronco acertar o galho e se despedaçar completamente no ar. — QUE ISSO!?

Froggy pulou para outro galho, respirando rapidamente e assustado. Foi quando Daemon surgiu perto do homem, revelando-se, com uma cara de irritado.

— Você! — ele apontou para ele e falou com firmeza. — Mentiroso! Você disse que íamos dividir os tesouros!

— E obviamente eu menti. — riu da cara do garoto, mas ainda assim estava um pouco amedrontado. Afinal ele acabara de jogar um tronco na direção dele. — Você ainda foi idiota de acreditar.

— Ora seu...

Daemon, na mais pura força do ódio, arrancou do chão uma pedra do tamanho dele e não demorou a jogá-la na direção de Froggy. O grisalho mais uma vez tratou de pular para longe da pedra, para outro galho sendo mais específico. O pedregulho quebrou alguns galhos e caiu ao longe. Froggy secou o suor na testa, afinal essa foi por pouco.

— E-errou de novo... — riu de nervoso. — Pode jogar quantas coisas quiser e eu vou conseguir esquivar. Eu comi a Kaeru Kaeru no Mi, sou um humano-sapo agora.

Kaeru Kaeru no Mi = Fruta do Sapo

O Lucifero rangeu enquanto o grisalho mostrava a língua. Ele mais uma vez envolveu o braço com fogo, andando para a árvore onde Froggy se encontrava. Ele o observou sem entender muito bem.

Devil Punch!

Devil Punch = Soco do Diabo

E ele deu um soco no tronco e fez um buraco nele, derrubando a árvore na mesma hora. O pirata sapo tomou um baita susto e pulou para outra árvore mais próxima.

— O que está fazendo!? — ele perguntou já começando a ficar desesperado.

Sem nem responder, o ruivo deu mais um potente soco na árvore onde ele estava e a derrubou também, forçando-o a pular para outra.

— Esse garoto é maluco. — pensou ele suando como um porco.

— Eu vou te pegar, seu sapo sujo! — Daemon gritou a plenos pulmões.

Froggy engoliu em seco, não pensando duas vezes antes de fugir, saltando de galho em galho. O protagonista obviamente foi atrás dele, andando mais rapidamente dessa vez.

— Droga! Droga! Droga! — o grisalho corria mais olhando para trás para ver se o garoto ainda o perseguia. — Achei que tinha apagado esse doido lá atrás.

Conseguiu ver bem perto dali, uma pequena casinha de madeira escondida entre as vegetações. Froggy pensou que ali seria um bom lugar para se abrigar e se esconder. Já no chão, Daemon tratava de catar todas as moedas de ouro, jóias e dinheiro que o pirata mais velho deixou cair no meio da confusão.

— Ah, fala sério. — disse indignado, tirando tudo do chão. — Olha só quanta coisa esse velho está deixando cair. Que raiva!

Não tinha bolsos para colocar aquilo tudo, por isso saiu enfiando dentro da cueca mesmo e tudo bem.
Froggy enfim desceu das árvores e entrou com tudo na casa de madeira solitária ali, dando um susto no senhor lá dentro.

— AAAH! SOCORRO! — o senhor, que já vestia uma camisola branca para dormir, gritou pulando para trás da cama. — UM LADRÃO!

— Cala a boca, velho! — Froggy berrou com ele, deixando o homem trêmulo.

O pirata fechou a porta com o cadeado e ficou olhando por um pequeno buraco na parede para ver se seu perseguidor ainda estava por ali. Ele respirou aliviado quando não viu nada, sentando-se no chão.

— Ufa. Acho que ele me perdeu de vista. — olhou novamente para o dono da casa, escondido atrás da cama. — Que foi?

De repente, a porta foi arrebentada por um poderoso soco, advindo justamente de Daemon Lucifero. O ataque foi tão forte que a porta acertou Froggy e os dois atravessaram a parede do outro lado da casa, deixando um buraco enorme ali e jogando o pirata para fora da casa. Daemon então adentrou a casa com os braços cobertos de fogo, observando ao redor.

— AAAH! SOCORRO! — o pobre do senhor gritou mais uma vez. — OUTRO LADRÃO!

— A-ah, eu? Não, não. Eu não sou ladrão. — quando ele virou-se para o homem, foi possível notar um volume considerável em sua bermuda, que estava quase duas vezes maior que o normal, por causa dos tesouros guardados ali. — Eu quebrei sua porta e... a parede né. — coçou a nuca. — Gomenasai!

O ruivo então lembrou-se de algo e começou a tirar de dentro da bermuda tudo que foi colocado ali por ele, até que uma pilha de ouro, dinheiro e jóias se formar perto de seus pés.

— Pode ficar com isso se quiser. Acho que vai ajudar a consertar a casa. — sorriu amistosamente, colocando as mãos na cintura.

— WOAH! — os olhos do senhorzinho quase saltaram do rosto. — M-MUITO OBRIGADO!

Daemon sorriu para ele e saiu, deixando o homem para trás, que gritava coisas como "Estou rico!" e jogava dinheiro para cima. Do lado de fora, ele encontrou a porta caída e logo a retirou com cuidado, pronto para socar o pirata sapo, mas não o encontrou debaixo do objeto.

— O que? — jogou a porta longe, ficando em alerta.

Movimentos nas copas das árvores chamaram a atenção dele, que olhou para cima, mas foi pego desprevenido novamente pela língua do mais velho sendo envolta em sua barriga. O homem enfim saltou do galho onde se escondia e usou sua força para lançar Daemon contra um tronco, o quebrando em vários pedaços. Ainda sem soltá-lo, o jogou no chão com força, fazendo uma cratera, finalmente soltando o ruivo. Froggy assumiu uma forma mais parecida com a de um sapo, com verrugas por todo o rosto e um nariz bem maior.

— Muito bem, muito bem. Se quer lutar, então vamos lutar, ranhento. — queria terminar tudo aquilo de uma vez. O baú não se encontrava com ele. — Prepare-se para a ira do sapo!

Daemon se levantou aos poucos do chão, primeiro limpando as roupas e depois estalando o pescoço.

— Você conseguiu ficar mais nojento. Okay, isso me deixou mesmo irritado. — deu ênfase ao "mesmo", o fuzilando com o olhar. — Vou fazer questão de acabar com você com um golpe só, velhote.

Froggy rangeu os dentes ao ouvir tal afirmação. Ele encheu o peito de ar e então cuspiu duas bolas verdes e gosmentas de uma vez.

Gamayudan!

Gamayudan = Bomba do Óleo de Sapo

Daemon foi rápido e desviou dando saltos para trás. As duas bolas de óleo acertaram o chão, e quase imediatamente explodiram em chamas alaranjadas, formando fumaça e jogando terra para cima. O homem não demorou a lançar mais bolas, formando mais fumaça ainda.

— Você está acabado, garoto!

Então, para encerrar seus ataques, lançou sua língua no meio da fumaça na intenção de capturar Daemon, porém não conseguiu puxar a língua de volta, por mais que quisesse. Assim que a fumaça se dissipou, ele pode descobrir o motivo daquilo. Daemon segurara sua língua com as duas mãos, ambas imbuídas em fogo. Um sorriso confiante tomou conta do rosto do ruivo.

— Não vai conseguir me derrotar só com isso. Afinal... — falou ele. — Eu sou forte pra caralho!

— Anh? Eeeah! — gemeu devido as queimaduras que estavam sendo feitas em sua língua.

O Lucifero imediatamente depois disso puxou Froggy pela língua com toda a sua força. O homem foi jogado na direção alheia sem ter tempo de fazer nada. Daemon deixou uma das mãos livres, a colocando para trás.

DEVIL PUUUUNCH!! — berrou socando a cara do grisalho assim que ele chegou em sua frente.

O soco foi muito poderoso. Froggy literalmente saiu voando, bateu em árvores e pedras no meio da floresta e parou fora da vista do ruivo. O jovem concluiu que seu adversário provavelmente estava desacordado devido a força do soco, por isso suspirou e relaxou um pouco os músculos, tinha se livrado enfim do sapo chato, mas logo lembrou-se do baú que devia encontrar. Procurou entre os arbustos, pedras, mas o achou atrás de uma árvore qualquer, com a maioria dos tesouros ainda dentro dele.

— Ótimo! Tenho que levar isso de volta para o navio! — pôs a mão no queixo. — Ainda sinto que estou esquecendo de alguma coisa... ou alguém.

• • •

E estava mesmo, Zeus. O rapaz usou seus misteriosos poderes elétricos da última vez que o vimos, para destruir a encosta de um desfiladeiro e jogar tanto ele quanto seu oponente de cabelos avermelhados penhasco abaixo, de encontro direto com um rio. Porém, antes que ele pudesse cair, o moreno conseguiu se segurar na raiz de uma árvore que estava presa a parede do desfiladeiro. O problema da situação, foi que Jacky conseguiu segurar no pé dele, então estavam os dois pendurados a metros de altura.

— Droga. — disse o moreno, fazendo o possível para não largar a raiz. — Você é pesado!

— Então me deixa subir!

— O que? Não!

Zeus olhou para a raiz, que parecia querer ceder e também olhou para baixo, mais especificamente para o rio correndo lá embaixo. Algum dos dois teria que cair, isso era certeza. O de cabelos castanhos levantou a perna minimamente e chutou a cabeça de Jacky várias vezes, porém nada do homem soltar.

— Desgraçado. — gritou Jacky e começou a escalar o corpo do rapaz, subindo até sua cintura.

O moreno fazia de tudo para derrubá-lo, empurrando sua cabeça para baixo com a mão.

— Pare com isso e me deixe subir! — falou Jacky fazendo uma força tremenda também. — Você pode ficar aqui e morrer. Isso se chama sobrevivência dos mais fortes...

De repente, os dois ouviram um "crack" e por puro instinto olharam para a raiz. Quebrada. Na mesma hora ambos soltaram um "Eh?" em uníssono, antes de despencarem vários metros na direção da água. Jacky agarrou seu oponente, já se preparando para o impacto, e fechou os olhos. Porém ele os abriu assim que sentiu não estar mais caindo. Olhou para baixo e eles pareciam... estar parados. Até que então olhou para cima e viu o que Zeus havia feito. Ele estava sem as luvas, revelando suas mãos, que eram donas de grandes unhas felinas, que Zeus usou para se prender na lateral do barranco.

— P-por que não fez isso antes? — perguntou Jacky suando frio.

O moreno, aparentemente se esforçando bastante para não cair, deu de ombros, e colocou a mão na testa do homem agarrado nele.

— Você precisa cair.

— O-o que? Agora que você consegue escalar nós dois podemos subir juntos ao topo...

— Não. Sobrevivência dos mais fortes. — falou neutro e calmo como ninguém.

Zeus eletrocutou Jacky usando sua mão, o homem gritou alto ao receber a descarga elétrica. Quando o ataque foi encerrado, o avermelhado continuou preso ao corpo do outro por alguns segundos, forçando o mais novo a soltá-lo de si. Jacky caiu vários metros e afundou no rio, sendo levado pela correnteza. Zeus o observou por mais um tempinho, mas depois voltou para terra firme e colocou novamente suas luvas. Logo, tudo o que o rapaz comeu antes da luta voltou à garganta e ele vomitou ali mesmo no chão. Depois disso, olhou ao redor, sua vista voltava a ficar mais embaçada, por isso ele resolveu voltar logo pelo caminho de onde veio e sair dali. Pelo menos tentar. Andou, passou por árvores e galhos caídos, coisas que restaram pelo caminho de sua batalha anterior e chegou na trilha por onde estava passando antes. Ao chegar lá encontrou sua mochila caída no chão e a pôs nas costas. Ele estava mesmo muito cansado. Sentou-se no chão, o veneno ainda circulava pelo seu sangue e não tinha muito o que fazer. Alguns barulhos foram ouvidos na mata, mas ele nem tinha mais forças para se importar com aquilo. Para a sorte dele, se tratava de Daemon andando por ali com o baú nas mãos, e ele o viu.

— Ah, ei! — acenou para o rapaz e correu até ele. — Você está aí. Olha só o que eu achei, o baú!

— É... que bom. — seus olhos foram ficando cansados. Ele deitou-se no chão, ignorando o mais novo ao seu lado.

— Eh? Hey! Hey! — Daemon se desesperou e começou a chacoalhar o rapaz, mas nada dele acordar. — Que merda! O que eu faço? Talvez a Fiona saiba como ajudar!

Pegou Zeus e o colocou nas costas, se esquecendo até do baú de tesouros que tanto custou para o jovem conseguir. Ele começou a correr sem rumo, mesmo sem saber para onde estava indo, ele queria ajudar o moreno e na hora nem pensou em como ia chegar na praia ou por onde deveria ir.

• • •

Voltamos para a praia. Várias horas se passaram após aquilo. Já passava das 20:00 da noite. Rina dormia na faixa de areia, depois de tentar se soltar da corda que foi amarrada. Daemon chegou ali suado e morrendo de cansaço pois carregou Zeus por horas, e assim que chegou na areia, desabou de joelhos, com a língua para fora.

— CANSEI! — bradou usando o resto do ar nos pulmões. — FIONA!

O Bubble Deluxe permanecia ao longe, na baía. A porta do navio se abriu e uma certa cronista loira apareceu, porém ela usava um pijama rosa listrado, uma toalha no pescoço e tomava uma garrafa de leite gelado. Aparentemente tinha acabado de tomar um banho.

— Oh, Daemon. Você chegou. — disse a jovem calma, tirando a garrafa da boca, o que a deixou com um bigodinho de leite. — Demorou, em.

— MISERÁVEL! — berrou o ruivo com uma veia saltando de sua testa. — Eu procurei essa praia por horas! Enquanto isso você relaxava?!

— Ei, ei. Por que está tão bravo? — fez bico. — Mas me lembrei de algo. Onde está o tesouro que disse que ia procurar, capitão-chan? — seu entusiasmo voltou num estalar de dedos.

Daemon não o respondeu de imediato, antes se levantou e pegou Zeus no colo. Foi andando até o navio azul e pisando com força na água, só parou quando atravessou a porta.

— Eu deixei lá. — falou ele. — Mas isso não importa. Temos que levar ele para algum médico na cidade.

— O que? Eu fiquei aqui esperando a tarde toda por aquele tesouro. — cruzou os braços, indignada. — Aliás, quem é esse cara?

— Fiona! — a cortou rispidamente, fitando a loira com uma expressão séria e diferente de todas as que o garoto fez o dia todo. — Ele precisa de ajuda!

A Fortune cerrou os olhos, franzindo o cenho. Fez questão de revirar os olhos, mas nada mais disse, foi direto para a sala de comando. Daemon levou Zeus para a sala e o colocou sobre o sofá, sentando-se do lado dele, um pouco aflito. Seus olhos castanhos pareciam culpados por algum motivo, Daemon se sentia realmente mal pelo castanho.

• • •

Os olhos verdes de Zeus se abriram devagar, ele ouviu passos no piso de madeira do lado de fora do quarto onde estava, por isso acabou acordando. O rapaz de constituição esguia, percebeu que um fino raio se sol que havia conseguido passar pela fresta da janela, batia em sua pele clara. Sentou-se na cama, onde tinha passado a noite e coçou os olhos, para enfim olhar ao redor. Naquele quarto, não muito grande, feito inteiramente de madeira amarela, havia um tapete velho e vermelho todo empoeirado. Encostados na parede ao lado de Zeus, encontravam-se dois sofás marrons. Não tinha mais ninguém ali. A direita de onde o rapaz estava sentado havia uma janela fechada. Nosso combatente enfim levantou, após espreguiçar-se, indo logo abrir a janela e dando de cara com uma paisagem totalmente nova para ele. Ele se encontrava no segundo andar de algum prédio, com várias casinhas envolta, dava para ver o mar dali e um pouco da floresta. A porta de frente para a cama se abriu, eram Daemon e Fiona.

— Woah! Você acordou! — o ruivo pareceu alegre ao ver aquilo, indo direto até ele.

— Você. — o moreno soou surpreso ao falar, mas ainda assim não tanto. Sentou-se novamente na cama, só então notou estar usando um avental hospitalar. — O que aconteceu? Onde eu estou?

— Bom, você foi envenenado. — respondeu ele, sentando do lado dele.

— É. Me lembro disso.

— E depois te trouxemos para cá. Felizmente encontramos um médico. — Fiona completou, encostada no batente da porta. — Não nos conhecemos ainda, não é. Fiona. Enfim, sinceramente achei que você fosse morrer. Mas o médico nos disse que não havia muito veneno no seu sangue, então não te mataria de imediato. Porém te faria mal se não tivéssemos o trazido para cá. Depois disso, eles conseguiram tirar o veneno de você e você dormiu por meio dia.

— Entendi. — fitou o chão, pensativo. — Valeu... então.

— A ideia foi toda do Daemon.

Os dois olharam para o garoto, que abriu um pequeno sorriso forçado.

— Por que me salvou?

— Era o mínimo que eu poderia fazer, não? — bufou, soprando alguns fios de cabelo em sua testa. — Além do mais, fiquei um pouco culpado pelo que aconteceu. Você não teria se machucado se não tivesse me seguido, afinal.

Zeus olhou para cima, pensando bem nas palavras antes de dizer.

— Não foi culpa sua. Eu te segui porque quis. — colocou a mão no ombro dele, que o encarou um pouco menos tristonho.

Daemon ficou em silêncio por alguns segundos, mas depois se levantou com o mesmo sorriso de sempre, balançando a cabeça e indo para a janela.

— Bom, vamos esquecer tudo isso então. — olhou para fora, respirando todo aquele ar puro. — Chega de ficar triste. Isso não combina comigo. O Daemon voltou! — deu um berro.

— Para de gritar na janela! — Fiona puxou o ruivo pela gola da camisa, irritada.

— Hehe. Gomenasai. — ele respondeu coçando a nuca.

Zeus ficou ali, olhando a cena, analisando bem coisas. Aquele garoto, Daemon, definitivamente era um tanto peculiar e no mínimo estranho. Só que mesmo assim sua presença era agradável para o rapaz.

— Você... — Zeus falou, em voz baixa. — você conseguiu encontrar o tesouro que estava procurando?

— É... na verdade não. — suspirou, colocando as mãos na cintura. — Deixei na floresta quando tive que te levar. Mas pelo menos consegui te salvar.

— Entendi. — o rapaz assentiu e se deitou adequadamente na cama, cobrindo as pernas.

Fiona pareceu se lembrar de alguma coisa e puxou seu capitão para falar algo em seu ouvido. Imediatamente Daemon sorriu todo bobo e foi até Zeus.

— É mesmo! Fiona acabou de me lembrar. — pigarreou, ajeitando o corpo. — Enfim, sou Daemon Lucifero, um capitão pirata, e pretendo me tornar um incrível Rei dos Piratas. Para isso, precisarei de igualmente incríveis companheiros, por isso, gostaria de saber se não quer entrar em minha tripulação? — olhou bem fundo nos olhos verdes do outro.

Zeus não pôde conter a expressão surpresa. Estava viajando sozinho havia um tempo e toda essa ideia de de repente acompanhar alguém, e ainda se tornar um pirata, parecia complicada para ele. Porém, também uma boa oportunidade de se tornar mais forte junto de outras pessoas. Ele engoliu em seco, segurando firmemente no lençol da cama.

— Não me parece... má ideia. Acho que agora posso começar a te chamar de capitão então. — sorriu minimamente.

Os olhos de Daemon brilharam tanto quanto estrelas, e um sorriso de orelha a orelha surgiu no rosto da jovem.

— YAY! LEGAL!

— PARA DE GRITAR! — a cronista deu um soco na cabeça do mais novo.

— Desculpa. — choramingou, acariciando o enorme galo feito pelo soco.

Fiona ficou ali, dando um sermão em Daemon, e palestrando sobre o porquê dela não poder ficar gritando dentro de um hospital e o ruivo apenas assentia. Zeus soltou um riso contido. Algumas aves passaram do lado de fora da janela e chamaram sua atenção, por isso ele olhou para lá. A vista era bonita, sem dúvidas, por isso respirou fundo e ficou encarando o horizonte. Zeus sentia que coisas boas poderiam acontecer ao lado de Daemon, e que enfim depois de sair de casa para se aventurar pelo mundo, uma grande jornada estava para começar.

TO BE CONTINUED...