One Piece

1 01: Nossa Aventura Será Lendária!


"Fama, riqueza, poder... um homem conquistou tudo o que este mundo podia oferecer, o Rei dos Piratas, Mateo Prometheus.

Suas últimas palavras antes de sua execução, fizeram legiões de todo o mundo se lançarem aos mares:

— O meu tesouro? Podem pegar. — mantinha-se sério e calmo, mesmo prestes a ser morto. — Deixei tudo naquele lugar. Aproveitem o caminho, que não será fácil. Mas não se preocupem se não encontrarem... pois a vida é apenas um grande conto de risadas! Vão! Encontrem se puderem!

Homens desbravam o caminho dos seus sonhos em direção à Grand Line. Assim começou a Grande Era dos Piratas!"

• • •

[East Blue — Verona]

Uma jovem garota de dezenove anos chamada Fiona Fortune, andava próximo ao porto da litorânea cidade de Verona, um pouco distraída enquanto escrevia em sua pequena caderneta. Ela saiu de seu respectivo barco apenas com uma bolsa de ombro e a própria caderneta mesmo. Fiona tem olhos castanhos e cabelos loiros na altura dos ombros que geralmente são amarrados por fitas em uma variedade de cores em um pequeno rabo de cavalo no lado direito da cabeça com o resto do cabelo solto. Ela é rechonchuda e tem um corpo curvilíneo. Ela usava uma camisa branca sem mangas com uma cruz azul atravessando-a, saia curta azul e botas da cor marrom. E Fiona é assim, bem chamativa devido a sua beleza, quem vê de longe pode até pensar que é uma atriz ou modelo famosa, mas ela por parte gosta disso. A garota olhou para todos os lados.

— Onde será que posso encontrar algo para comer? — nas redondezas haviam apenas casas e algumas barracas vendendo peixes. Ela fechou a caderneta e a guardou em sua bolsa, respirando fundo em seguida. — Estou sem ideias de novo.

Segundos depois o nariz apurado da loira sentiu um cheiro familiar e muito agradável, só podia ser a comida favorita da Fortune, takoyaki. Procurou, olhou de um lado, do outro, até encontrar a pequena barraca no fim da rua. Uma simpática senhorinha preparava os takoyakis atrás de um balcão de madeira. Num pulo Fiona já estava lá, babando em cima da mulher que a encarou sorridente.

— Haha. Está com fome, minha filha?

— Você não sabe como, senhora! — falou Fiona pegando o dinheiro em sua bolsa na mesma hora. — Vou querer uma porção.

— É para já. — se aprontou para preparar o pedido da mais nova.

Enquanto esperava, Fiona sentiu uma brisa passar por ela, jogando um pouco de cabelo em seu rosto, ao ouvir passos virou-se por pura intuição. Depois disso um encontro deveras estranho aconteceu. Os olhos acastanhados com tons de amarelo dele se encontraram com os belos olhos acastanhados de um rapaz ruivo que andava por ali, um rapaz bem baixo, diga-se de passagem. Ele apenas passava por aquela rua no momento, mas parou ao perceber estar sendo observado por Fiona. Os dois se encararam involuntariamente por alguns segundos, até a vendedora de takoyakis a chamar.

— Vai demorar um pouquinho. — disse a senhora.

— A-ah, okay... — balançou a cabeça para a mulher e voltou a olhar para o ruivo.

Ele sorriu para ela e voltou a fazer seu caminho, como se nada tivesse acontecido. Fiona arqueou uma das sobrancelhas, sem entender muito bem o motivo de ter recebido um sorriso e muito menos o porquê de o ter encarado daquele jeito. De qualquer forma, ela estava com fome e queria comer, então resolveu ignorar isso e esperar sua comida.

• • •

Fiona conseguiu comprar uma bandejinha de takoyakis. Seu prato favorito sempre foi o bolinho de polvo, que naquele momento ela comia com tanta felicidade.

— Woah, está tão gostoso! — comentou com as mãos nas bochechas. — Ainda bem que encontrei uma barraquinha por aqui.

Virou em um beco, colocando a última bolinha de takoyaki na boca, mas parou antes de sair dele ao ouvir algumas vozes mais na frente.

— Coloque logo tudo na sacola! — gritou um homem.

Algo acontecia em uma das ruas não muito movimentadas da cidade onde alguns feirantes faziam suas vendas. Um pirata forçava uma senhora a colocar todas as frutas que ela vendia, em várias sacolas. Seu nome é Hex, o Boxeador. Hex é um homem alto, musculoso, de longos cabelos negros amarrados e olhos da mesma cor. Ele não usa camisa, apenas uma calça branca velha, com um cinto preto. Usa braceletes nos braços e pernas, semelhantes a coleiras. Ele não usa sapatos. Atrás dele estava o seu bando, que intimidava quem quer passasse por ali.

— V-vocês vão pagar por isso?

— Anh? — Hex arqueou uma sobrancelha. — É claro que não! Nós somos piratas, nós roubamos!

Ele e seus homens riram. A mulher, sem poder fazer nada, apenas continuou colocando as frutas na sacola. Fiona observava tudo, escondida na escuridão daquele beco, assustada.

Que medo! — pensou com os olhos arregalados. — Eu vou cair fora daqui.

Ela então sentiu alguém tocar em seu ombro, tomando um susto terrível.

— AAAH!

— Ei, não precisa gritar. — para sua surpresa era o mesmo ruivo que ela encontrou mais cedo, a encarando mais uma vez.

Com aquele grito agudo da garota, os piratas de Hex notaram a presença dos dois parados no beco.

— Quem são esses? — perguntou-se um dos piratas.

Ao mesmo tempo, uma maçã acabou caindo de sua mão, rolando até os pés do ruivo ao lado de Fiona, essa que se tremia que nem vara verde atrás dele.

— Oh! — o garoto exclamou. — Uma maçã.

Ele a pegou, logo o bando de Hex cercou os dois.

— Devolva a maçã, pirralho — disse um. —, e você sairá ileso.

O ruivo encarou o homem com seus olhos castanhos claros.

— Eu achei a maçã no chão, por que tenho que devolvê-la à você?

— Porque ela é nossa!

— Não estou vendo o nome de ninguém nela. — levantou-se segurando a maçã. Fez questão de procurar por algum nome na fruta.

— O que está fazendo!? — a Fortune se desesperou. — Devolva logo a maçã!

Porém, o rosto do homem ficou vermelho de raiva, levantando o machado que segurava em seguida. Seus companheiros ao seu lado fizeram o mesmo com suas armas. O rapaz de cabelos alaranjados percebeu que ia ser atacado e deu um pulo, voando sobre todos eles, caindo em pé.

— Pelo visto vocês querem lutar. — sorriu, mostrando os dentes branquinhos e ficando em posição de batalha. — Então lembrem-se do nome do homem que irá derrotá-los, Daemon Lucifero! — apontou para si mesmo com o polegar direito.

Isso foi o suficiente para enfurecer todos os piratas. O capitão deles, Hex, apenas observava a cena e parecia calmo.

Sobre Daemon, ele é um jovem com cabelos castanhos escovados e espetados e grandes olhos castanhos. Ele não é muito alto. Sua franja é geralmente afastada de seu rosto com apenas alguns fios pendurados sobre sua testa. Suas roupas consistem em uma camisa branca de mangas compridas com decote em V com forro azul, um suéter vermelho amarrado na cintura, shorts verde escuro, meias pretas e tênis azul e dourado. Por baixo de sua camisa está uma regata preta folgada. Ele usa um gorro preto sobre a cabeça e um par de fones de ouvido em volta do pescoço. Daemon também usa um grande relógio de pulso preto no pulso esquerdo.

— Você é bastante abusado, garoto!

Um dos homens avançou contra Daemon, usando um bastão. Erguendo o bastão ele tentou acertar logo a cabeça do jovem, que se abaixou rapidamente antes que fosse acertado. Levantou um chute com rapidez, de baixo pra cima, acertando o queixo do pirata. A pancada foi forte, seu corpo foi jogado para trás, e ele caiu sobre seus companheiros.

— Quem é o próximo? — perguntou, confiante.

Os outros ficaram um pouco receosos em continuar a luta, mas não podiam amarelar na frente de seu capitão. Todos pularam na direção do rapaz. Daemon não temeu e bateu em cada um dos piratas usando potentes chutes, acertando os homens com golpes na cabeça, estômago e entre as pernas. Foi assim até que todos estavam no chão. Após tal façanha, ele girou até parar de frente para Hex.

— Já acabou?

A expressão no rosto de Hex ainda era calma, ele se virou para o menor e deu alguns passos em sua direção. Na parte de trás de sua calça, haviam duas luvas de boxe vermelhas que ele tirou enquanto andava, e as colocou. Ao fundo, Fiona esperava o momento certo para fugir.

— Eu tenho que sair daqui! — pensou escondida atrás de uma lata de lixo.

— Você derrotou os meus homens com facilidade, não é?

— Pois é, não teve nem graça. — riu, expondo os dentes branquinhos novamente.

Hex cuspiu no chão ao seu lado, enfim terminando de colocar as luvas de boxe.

— Você sabe quem eu sou, garoto?

— Anh... — coçou a nuca, pensativo. — não.

— Eu me chamo Hex, o Boxeador. — se aproximou dela. — Você vai entender o porque do apelido.

Sem mais enrolar, o grande homem musculoso desferiu um soco no tronco de Daemon, jogando-o para trás. O de cabelos ruivos parou apenas ao bater de costas contra a parede de uma casa.

— Uau! — uma gota de suor escorreu em sua testa. — Você é forte, tio.

— Eu sei.

Novamente o homem avançou contra o mais baixo, dessa vez foi correndo. O boxeador mirou um soco no rosto de Daemon, que desviou se abaixando. Agora ao lado de seu oponente, o mais novo acertou o braço de Hex com um chute lateral. O ataque não deu em nada, Hex nem mesmo se mexeu. O homem segurou na perna alheia e com força puxou Daemon, jogando o garoto sobre si. O Lucifero caiu de costas no chão, do outro lado do pirata. Sem pestanejar, o boxeador preparou um outro ataque direto, ia acertar o rosto do ruivo com um soco. Mas Daemon conseguiu rolar para o lado antes disso.

— Stop!

— O que foi, não aguenta mais? — Hex bateu uma mão contra a outra. — Eu só estou começando.

— O que? É claro que não! — cruzou os braços, formando um "X". — Um homem forte de verdade nunca desiste! Só parei para que eu pudesse pegar um pouco de distância.

Daemon sorriu de forma estranha. De repente, seus pés começaram a pegar fogo, como num passe de mágica labaredas subiam até a barra de seu shorts.

— Agora sim. — sorriu. — Toma!

Ele girou, pegando um pouco de força para enfim desferir um ataque poderoso na lateral do corpo de Hex com seu pé direito. O ataque lançou uma onda de chamas para cima. O boxeador cambaleou para o lado, antes que pudesse fazer qualquer coisa, recebeu mais dois golpes certeiros no abdômen, fazendo ele se ajoelhar no chão, quase sem ar.

— Yay, eu sabia que eu conseguiria com isso! — sorriu, voltando para o chão. — Vou terminar o serviço agora.

— Ali, são eles!

A senhora que antes era roubada por Hex, havia saído durante a luta para chamar a Marinha. Os homens corriam na direção dos dois que lutavam.

— Essa não, a marinha! — Daemon logo correu dali. — Vou ter que ir, depois a gente se vê! — disse para Hex e saiu correndo pelas ruas antes que fosse pego. — Não posso ser preso antes de conhecer minha tripulação!

Mas ele parou com tudo, lembrou-se de Fiona.

— Ah é mesmo... — virou para trás só que nem sinal da jovem, o que o deixou com uma gota. — Não é que ele fugiu mesmo.

• • •

— QUE MERDA! — gritava Fiona com os olhos cheios de lágrimas, enquanto corria feito um foguete na direção do píer. — Eu vou é vazar daqui!

Só parou de correr quando ao longe notou uma pequena multidão de pessoas paradas perto do píer, observando alguma coisa no mar. Fiona, curiosa por natureza, teve que ir até lá ver o que era. Além de que seu navio estava por ali também.

— Com licença, o que está acontecendo? — perguntou para uma senhora.

— Olha minha filha, ninguém sabe muito bem. — a senhorinha respondeu inocente. — Mas parece que tem um peixe dos grandes se mexendo no mar.

— Oh, entendi.

A garota se aproximou mais da ponta do píer, semicerrando os olhos na tentativa de ver alguma coisa. Até que enfim conseguiu notar uma silhueta bem grande se movimentando na água. Tal visão deixou Fiona um pouco preocupada com o que poderia ser aquilo, na verdade.

— Será que é um daqueles monstros gigantes do mar? — perguntou um velhinho.

Os outros ao redor se entreolharam com caretas duvidosas. Poderia mesmo um monstro marinho aparecer ali? No mais pacífico dos mares?

— Deve ser só um peixe grande. — gritou um homem.

As pessoas assentiram, era mais fácil acreditar no mais provável. Uma pena todos estarem tão enganados. Foi logo após sentirem um solavanco que uma enorme criatura marinha saiu da água bem na frente do píer. Os olhos de cada um saltou para fora do rosto, inclusive os de Fiona, impressionados com o monstro azul que surgiu de repente.

— MONSTRO GIGANTE!! — gritaram todos os presentes, com os braços para cima.

A criatura olhou para baixo, só então percebendo os humanos ali.

— Não façam nada, se possível nem se mexam. — Fiona instruiu-os.

Porém, um homem muito assustado tirou uma pedra do além para jogar no bicho.

— S-sai daqui! — gritou ele jogando a pedrinha.

A pedra bateu no nariz da criatura e caiu na água. O animal nada fez em um primeiro instante, mas logo seus olhos se encheram de raiva, soltando um alto grunhido estranho.

— Nós vamos morrer! — berrou uma.

Foi nesse momento que todo mundo se desesperou e saiu correndo. Uma enorme gota surgiu na testa da moça loira, que rapidamente se escondeu atrás de um barco.

Droga! Droga! Droga! — pensou ela, não acreditando em tudo que estava acontecendo. — Que dia terrível!

Fiona então viu o momento em que o grande monstro encontrou seu navio, o Bubble Deluxe. O Bubble é um navio cuja estrutura se assemelha à de um peixe com uma barbatana dorsal grande. O navio tem quatro bicos na extremidade traseira servindo como o principal sistema de propulsão, enquanto outros quatro bicos (dois em cada lado das asas) atuam como um modo secundário. O monstro marinho começou a "bicar" e empurrar o navio como se fosse um animal estranho.

— Hey, pode parar aí! — Fiona encontrou uma coragem que ela nem tinha para falar com a criatura na frente dela. — Esse é meu navio, tire essa cabeça de peixe de perto dele...

O enorme animal nem deixou Fiona terminar de falar, descendo a cabeça com tudo na direção dela, quebrando o píer.

— AAAAH!!! — conseguiu desviar dando um pulo, caindo de bunda mais para frente. — É sério? Vou ter que lutar contra um bicho? Quando eu poderia estar por aí me divertindo? Eu mereço. — bateu na própria testa.

O bicho soltou um grito de novo. As pessoas assistiam toda a cena de longe. Fiona respirou fundo.

— Isso nem sempre dá certo. Vamos tentar. — estendeu os braços na direção de seu inimigo. — Shakkahou! — bradou.

Shakkahou = Canhão de Fogo Vermelho

Fiona gerou e disparou uma esfera de energia vermelha carmesim a partir da palma de sua mão. A esfera voou vários metros no ar, porém com a mesma velocidade de uma lesma, o ataque rodopiava de um lado para o outro no ar feito uma borboleta. O monstro e as pessoas ao redor observaram aquilo com uma gota, enquanto acompanhavam a esfera com a cabeça, sem entender se aquilo era parte do plano ou não. Nossa Fortune ficou com uma gota, um pouco desconcertada.

Droga, deu errado de novo. — resmungou bem baixinho.

Sobretudo, para a surpresa de muitos, a esfera vermelha enfim encostou na cabeça da criatura marítima e explodiu, formando uma pequena nuvem de fumaça.

— A-ah... isso! Era isso que eu queria fazer, foi tudo parte do plano. — disse empinando o peito e o nariz, olhando para as pessoas que viam a luta de longe.

— Que legal!

— Uh!? — Fiona tomou um susto quando ouviu aquela afirmação. Quando se virou pode ver Daemon atrás dela, completamente maravilhado, seus olhos brilhavam como estrelas.

— Que legal! — ele gritou de novo. — Esse ataque de agora foi tão legal! Como se chama?

Nossa jovem cronista de cabelos loiros não conseguia raciocinar direito, pensava apenas em uma coisa:

VOCÊ DE NOVO!? — pensou, com uma veia imediatamente aparecendo em sua testa ao ver o protagonista ali perto dela.

Os devaneios confusos de Fiona foram interrompidos pelo barulho do Rei dos Mares saindo do meio da fumaça formada pela explosão do ataque da jovem, e sem querer quebrando mais um pedaço do píer. Voaram pedaços gigantes de madeira para todos os lados, inclusive um passou tirando fino dos cabelos ruivos de Daemon, que nem se mexeu, aliás, parecia nem se importar com a criatura ali.

— Droga! — resmungou a jovem loira, achando que já tinha acabado com a criatura marinha antes.

— Oh, um monstro gigante. — Daemon comentou sorridente, com as mãos na cintura.

— POR QUE PARECE TÃO CALMO?! — Fiona perguntou irritada.

— É porque eu vou acabar com isso rapidinho.

Daemon correu até o outro, parando mais ou menos ao seu lado. Ele encheu os pulmões de ar, preparando-se para alguma coisa.

Fire Devil Breath!

Fire Devil Breath = Sopro de Fogo do Diabo

O rapaz soltou todo o ar em seu pulmão com um sopro poderoso, porém de sua boca saiu uma enorme onda de chamas que acertou o monstro gigante em cheio. Após a fumaça se dissipar, o grande animal aquático desabou na água, com o rosto carbonizado, formando uma pequena onda. Depois de terminar, Daemon bateu as mãos, olhando sorridente para trás. Todos ao redor, inclusive Fiona, arregalaram os olhos ao ver o que rapaz tinha feito.

— N-NANI?! — exclamaram em uníssono.

— Ah é. — a protagonista pareceu se lembrar de algo. — Você. — apontou para Fiona. — Eu estou viajando em busca de companheiros. Eu achei aquele seu ataque muito legal. Além de que nós nos encontramos várias vezes hoje, só pode ser o destino. Por isso não posso deixar de perguntar: queria saber se quer fazer parte da minha tripulação?

"Destino". Aquela palavra ressoou no fundo da alma da garota, trazendo de volta uma memória antiga, de alguém muito querido por ela, a sensação quentinha no coração foi inevitável, um aconchego inexplicável. Fiona não conseguiu não rir, deixando Daemon confuso.

— Eu disse algo errado? — ele questionou.

— Não, não. Essa coisa de "destino" me fez lembrar de alguém especial. — o fitou ainda sorridente. — De qualquer forma, não sei se seguir você será uma grande ideia. Nós nem nos conhecemos.

— E isso importa? — inclinou levemente a cabeça. — Teremos muito tempo para nos conhecer. Nossa jornada será lendária. A partir de agora você seguirá o homem que um dia se tornará o Rei dos Piratas! — ergueu os braços.

Em um primeiro instante Fiona pareceu surpreso com aquela forte afirmação, mas logo caiu na risada mais uma vez.

— Você tem um sonho bastante grande.

— E você não tem? — perguntou, dessa vez um pouco mais sério.

A de cabelos loiros olhou para o garoto, suspirando de forma longa.

— Não sei bem se é um sonho, mas... eu desejo muito viajar por todo esse mundo e escrever sobre ele, criando a história mais incrível de todas. O melhor de tudo é que será uma história de aventuras reais!

— Viu? Nós dois temos grandes ambições. — apontou para a jovem. — Isso não é um bom motivo para vir? Além do mais, você não tem mais nenhum lugar para ir, tem?

Fiona olhou para cima, para o sol quente queimando sua testa. Os olhos dela novamente se encontraram com os castanhos de Daemon, que sorria de forma animada, esperando por uma resposta.

— Na verdade... não. — ela suspirou mais uma vez, aparentemente convencida. — Okay, okay. Acho que posso dar uma chance para você.

— Isso! — Daemon literalmente pulou de alegria, correndo até a garota e a puxando pelo braço. Vamos, eu tenho um barco, ele está aqui no píer também... — só notou que ele havia sido destruído durante a luta quando viu seus destroços na água. — MEU BARCO!

— Sinto muito pelo seu barco. — disse Fiona pondo a mão no ombro dele. — Mas não se preocupe, vai adorar o meu.

• • •

Ambos estavam agora em frente ao Bubble Deluxe, que é gigante e mais parece uma nave espacial. Os olhos de Daemon brilhavam tanto quanto estrelas.

— Que coisa mais linda! — exclamou apaixonado pela embarcação. — Ele é seu?

— É sim... bom, parcialmente meu, ainda não terminei de pagar. — falou baixo o suficiente para que Daemon não escutasse. — Mas o que estamos esperando? Vamos entrar!

A parte de dentro é tão bonita quanto a de fora, moderna e inteira de metal, obviamente. Logo ali na entrada ficava uma enorme sala, com sofá, um aquário grande, algumas plantas para enfeitar o local e uma porta aos fundos, tudo isso do lado direito. À esquerda uma outra porta e lá na frente uma escada para o segundo andar. Eles entraram logo pela porta a esquerda que dava direto na sala de comando, um local bem grande, com alguns bancos presos nas paredes, um painel enorme com vários botões, logo acima o vidro igualmente grande e no centro da sala um timão de metal preso no chão.

— Por dentro é mais legal ainda! — exclamou Daemon, mais vibrante do que nunca agora. — Mas qual é a do timão? Tipo, toda essa tecnologia mas você ainda tem que controlar o navio pelo timão?

— É todo um conceito, você não entenderia. — disse Fiona, cruzando os braços e empinando o nariz.

Daemon deu de ombros, e foi até o painel de comando, até tentou apertar um dos botões mas foi impedido pela moça, que aliás se lembrou de algo importante.

— É mesmo, nós nem nos apresentamos. — falou ela levando o indicador aos lábios, pensativa. — Eu ouvi você falando seu nome, Daemon certo?

— Isso mesmo! — se virou para a garota e estendeu a mão. — Daemon Lucifero, para ser mais exato. O capitão dos Piratas das Chamas.

— Entendido, capitão. — brincou, apertando a mão dele. — Fiona Fortune ao seu dispor. Acho que sou a sua cronista então. — os dois cessaram o aperto.

— Oh, é mesmo. Já sei qual será nossa primeira aventura! — Daemon parecia genuinamente animado. — O motivo de eu ter vindo para essa ilha foi para encontrar tripulantes em primeiro lugar, mas também porque descobri que há uma lenda sobre essa ilha.

— Uma lenda? — ela ficou interessada.

— Sim. Uma lenda muito legal! Ela diz que há muitos anos atrás um pirata perverso foi encurralado nessa ilha por marinheiros, ele fugiu para o meio da floresta com seus companheiros e desapareceu na mata. Ninguém nunca o encontrou. Dizem que seu espírito assombra a floresta até hoje. — contava a história com o maior dos sorrisos no rosto.

— QUE MEDO! — exclamou Fiona se tremendo inteira. — Qual é a parte legal disso!?

— Bom, a parte legal é que ele também fugiu com seu tesouro, ou seja, ele também está em algum lugar da ilha. — colocou as mãos na cintura. — Todas as riquezas dele, jóias, seu ouro e muito dinheiro.

— Ouro? — todo o medo da loira passou na hora.

— Sim.

— Jóias? — ela perguntou de novo, se aproximando mais dele.

— Aham.

— Muito dinheiro? — seus olhos se transformaram em moedas de Berrie.

— Isso mesmo!

— Yay! — agarrou o pescoço de Daemon. — Eu adorei a ideia, capitão-chan! Vamos lá pegar toda essa fortuna!

Fiona parecia tão confiante e animada e isso deixou Daemon animado também. Ela se preparou para zarpar e sair dali, enquanto Daemon lhe explicava mais sobre aquela história maluca.

— Entendi. Então o tesouro está em algum lugar ao norte. — segurou no timão do navio. — Será mais rápido se nós dermos a volta na ilha e atracarmos na praia, do outro lado da ilha.

— Como quiser.

— Certo. Bubble, vamos zarpar! — Fiona falou com alguém e num primeiro momento, nosso protagonista não entendeu com quem ela falava.

— Como quiser. — uma voz robótica respondeu.

— WOAH! Quem disse isso!? — o Lucifero berrou apavorado.

— Foi o Bubble, o navio. Ele praticamente tem vida própria. — riu ao perceber o desespero de seu capitão. — Bubble, esse é nosso novo tripulante, o Daemon.

— É um prazer conhecê-lo, senhor Daemon. — disse a máquina.

— Que legal! — rapidamente o medo dele passou e nosso ruivinho agitado voltou. — A ciência é incrível!

Fiona sorriu. Bubble finalmente zarpou, saindo da área do píer em uma só "arrancada". Daemon foi todo sorridente para perto do painel, observar tudo que conseguisse pelo vidro da frente. A cronista atrás dele, conduzindo o navio pelo timão, o observava também sorridente, só pensando por quais aventuras ela passaria junto de seu mais novo e maluco capitão.

• • •

Não demorou muito para chegarem ao lado norte da ilha, pouco mais de vinte minutos, ainda por causa de enorme velocidade do Bubble Deluxe. Na hora de atracar, Fiona teve uma certa dificuldade, bateu na areia, escorregou alguns metros até o navio parar de uma vez. Daemon lá dentro foi jogado com tudo para frente e deu uma cabeçada no painel.

— Minha cara! — gritou o jovem ruivo.

— Foi mal. Eu não sou timoneira, afinal. Controlar o Bubble ainda é meio difícil para mim. — aparentemente a Fortune não se machucou pois se segurou com força no timão.

— Eu percebi. — disse o Lucifero balançando a cabeça e logo se levantando. — Mas sem problemas! Agora nós já estamos aqui, é hora de ir atrás de um grande tesouro! — mal terminou de falar e já estava na porta da sala. — Vamos?

— Acho que vou ficar por aqui.

— Eh, você não vem? — ele virou para olhar para ela, inclinando levemente a cabeça.

— Bom, alguém tem que tirar esse navio da areia, certo?

— Ih, é mesmo. — Daemon riu, coçando a cabeça. — Deixo tudo com você, então.

Ele acenou antes de sair correndo dali e depois sair do navio. A loira apenas o observou, depois voltou sua atenção para o grande vidro ali na frente dela.

— Você está bem, Bubble?

— Eu não fui danificado, senhorita Fiona. — disse o navio, respondendo a pergunta.

— Que ótimo. — sorriu. — Agora vamos ver o que eu posso fazer.

Fiona estalou os dedos das mãos, fitando todos os botões no painel de comando, um pouco confusa, eram tantos botões, que ela já havia se acostumado mas ainda assim não sabia o que a maioria fazia.

Do lado de fora, Daemon parou antes de entrar na densa floresta naquela parte da ilha.

— Certo. Está na hora de uma caça ao tesouro!

E lá se foi ele, correndo com um sorriso no rosto entre as árvores e arbustos, esperançoso, animado e sem dúvidas muito feliz, afinal tinha acabado de encontrar sua primeira tripulante e estava decidida em encontrar mais e mais. Ele tinha certeza, seu futuro seria incrível.

Daemon subia um pequeno morro no meio da vegetação e Fiona quebrava a cabeça para pensar em como tiraria Bubble da areia, só que nenhum deles notou uma estranha movimentação no mar, ali próximo da ilha, como se algo gigante se mexesse na água e parecia cada vez mais perto da praia.

TO BE CONTINUED...