One More Time
1 Betrayal
Notas iniciais
Elena olhava fulminantemente para a loira sentada do outro lado da sala, que conversava animadamente com Damon, seu namorado. O mesmo virou a cabeça em sua direção, percebendo que estava sendo observado, e seus olhos brilharam em um carinho e algo mais que Elena não pôde distinguir, mas que tiraram seu fôlego e ela não conseguiu se impedir de sorrir encatadoramente para Damon.
Damon, no auge de seus vinte e dois anos, podia ser classificado como o mais popular da faculdade. E o mais gato também. O que deixava Elena particularment irritadiça na maior parte do tempo, por conta das garotas que sempre o cercavam em busca de no mínimo um sorriso de canto. O sorriso favorito de Elena, e o que ele tinha estampado nos belos lábios naturalmente rosados naquele momento.
Damon era tão lindo que deixava Elena sem graça e insegura. Ela se achava desmerecedora dele. Mas todos esses sentimentos confusos desapareceram no momento que ele deixou Rebekah falando sozinha — algo que agradou muito Elena — e começou a caminhar daquele jeito que o predador usa para chegar perto de sua caça e fazer o bote. E Elena se sentia um pequeno ratinho naquele momento, sendo devorada por aqueles olhos azuis. E ela não teve tempo para pensar em mais nada porque um segundo depois Damon colou seus lábios nos dela de maneira apaixonada. Suas línguas faziam uma dança lenta e sensual, enroscando-se eróticamente uma na outra. As mãos de Elena foram automaticamente para os cabelos da nuca de Damon, os quais ela puxou com força, fazendo Damon gemer em seus lábios e apertar sua cintura com uma força levemente maior.
Elena partiu o beijo quando seus pulmões gritaram por ar. Sentiu suas bochechas corarem e se deliciou ao perceber que Damon estava no mesmo estado que ela. Eles se olharam nos olhos, desfrutando os sentimentos ali expostos. Não tinha dúvida alguma. Os dois se amavam mais que qualquer coisa no mundo.
– Olá — Damon foi o primeiro a se pronunciar, e sua voz rouca fez os pelos da nuca de Elena se eriçarem.
– Oi... — Ela sussurrou extasiada.
– Meu Deus, eu podia pôr você sobre uma dessas mesas e matar esse desejo louco dentro de mim. — Ele sussurrou em seu ouvido com a voz sedutora que ele sabia, deixava Elena louca.
– Damon... — Elena falou ou gemeu. — Estamos em público.
– Você sabe que isso não me impede de nada — Ele disse e no mesmo instante a puxou com força contra seu corpo, fazendo-a sentir certo volume se formando na altura de seu quadril. Ela revirou os olhos e sorriu sacana.
– Mais tarde, quem sabe... — Elena tentou sorrir sedutoramente. — Vamos pra casa?
– Ahn, eu preciso terminar um trabalho com a Rebekah — Damon coçou os cabelos de modo desajeitado e Elena achou absurdamente fofo. — É pro semestre e sabe como o Prof. Santos é. — Ele revirou os olhos.
Elena não entendeu a pontada em seu peito e o terrível sentimento de sufocamento e perda, então forçou um sorriso e acenou positivamente.
– Tudo bem, te vejo mais tarde então. — Ela se virou para ir embora mas a mão quente de Damon segurou seu pulso e a fez voltar-se para ele.
– Eu amo você. — Ele disse de um jeito tão intenso e sincero que e fez perder o fôlego por um momento.
– E eu amo você. — Elena acariciou a bochecha de Damon e em seguida deu um beijo na mesma e saiu.
Caroline sorriu ao ouvir a porta da entrada batendo e correu até a sala para encontrar uma Elena distraída e levemente atordoada. Estranhou o comportamento da melhor amiga. Elena geralmente era a mais animada, a não ser quando...
– O que o cretino fez dessa vez? — Perguntou Carol tirando Elena de seu devaneio, e de sua voz transbordava um ódio quase palpável.
– Damon não fez nada Carol — Elena riu. — Só estou com saudade de ficar a sós com ele. A faculdade de engenharia tá tomando muito o tempo dele.
– Sei. — Carol disse de forma tão desconfiada que Elena passou a pensar que ela sabia de alguma coisa e estava escondendo dela. Mas esse pensamento foi eliminado tão rapido quanto chegou. Caroline era sua melhor amiga, se soubesse de qualquer coisa ela falaria. E ainda daria uma surra em Damon.- Ele ainda tá de amizade com aquela projeto de prostituta?
– Carol — Elena ralhou.
– O que? Foi você quem inventou esse apelido. — Ela riu e Elena deu de ombros. — Ao qual caiu como uma luva.
– Eu sei — Elena falou de modo convencido. — Enfim, acho que vou ir na casa dele mais tarde para fazer uma surpresa.
– Safada — Carol adotou um sorriso malicioso que logo foi dando lugar a um extremamente animado. — Venha, tenho que te mostrar uma coisa.
Ela puxou Elena pelo braço e saiu arrastando-a em direção ao seu quarto. Elena não pôde evitar que sua boca se abrisse em um perfeito "o" quando viu o vestido roxo longo com uma fenda de pouco acima do joelho até o final do mesmo. Uma única alça prateada e cheia de brilhantes no ombro direito. O tecido levemente franzino acima do quadril e com um broxe de brilhantes em forma de triângulo no lado esquerdo da cintura. O vestido era lindo. Sensual e romântico ao mesmo tempo. Elena olhou para Caroline e a mesma sorria como uma criança que acaba de ganhar seu doce favorito. Carol deu de ombros antes de dizer.
– Para a festa de formatura da mais nova formanda em literatura de Nova Orleans.
Elena se jogou em cima de Caroline em um abraço de urso, antes de sussurrar um "obrigada" emocionado. Com tanta coisa acontecendo Elena quase esqueceu que dentro de dois meses estaria finalmente livre da faculdade e poderia se mudar para Nova York com Damon assim que ele terminasse o ano e então continuaria seu curso lá. Damon e ela morando juntos, o sonho estava prestes a se tornar realidade.
Depois de muita risada e conversa fiada Elena se despediu da amiga e pegou um taxi rumo ao apartamento de Damon. O motorista lhe sorriu simpático e ela retribuiu antes de se perder em seus pensamentos. Aquele frio na barriga lhe atingiu novamente, suas mãos começaram a suar e seu coração disparou. O nervosismo sem motivo aparente a deixou incomodada e quanto mais perto do apartamento de Damon ela chegava, mais piorava. Quando o taxi finalmente parou em frente ao prédio onde o mesmo morava, Elena apenas entregou o dinheiro distraídamente e saiu sem esperar pelo troco. O sexto sentido de Elena dizia que tinha alguma coisa muito errada ali.
Ela entrou no prédio com os pensamentos em uma forte turbulência e acenou mecânicamente para o porteiro que a cumprimentou com o "Leninha" e o sorriso simpático de sempre. No elevador Elena tentou por os sentimentos em ordem e melhorar a cara. Ela respirou fundo uma, duas, três vezes até que o elevador parou no quinto andar. Elena saiu e pôs o melhor sorriso que podia no rosto. Ela chegou em frente ao apartamento de Damon e abriu a porta do mesmo com a chave reserva que ele sempre deixava em baixo do vaso de plantas ao lado da porta. Elena entrou no apartamento e chamou o nome de Damon, não obtendo resposta. Pelo menos não a que queria. Elena pôde escutar gemidos baixinhos vindos do final do corredor, onde ficava o quarto de Damon. Seu estômago deu várias voltas e ela sentiu como se estivesse em uma montanha russa. Foi andando lentamente e com o coração na boca até a porta do quarto, pedindo silenciosamente para não ser o que ela estava pensando. Mas a mínima chama de esperança que ela tinha acesa em seu peito se apagou quando ela abriu a porta e viu Damon com uma outra garota na cama que eles fizeram amor tantas vezes, na mesma cama em que ela entregou sua vinrgindade para ele. Elena não conseguiu se mexer, não conseguiu forçar suas pernas a darem o fora dali antes que eles percebessem sua presença. E foi o que aconteceu dois segundos depois quando Elena também não conseguiu impedir que um soluço sofrido saísse de seus lábios. E foi quando Elena viu com quem ele estava que deixou seus olhos transbordarem toda sua dor.
Damon virou-se para trás e arregalou os olhos ao ver sua Elena parada à porta com lágrimas caindo violentamente de seus olhos e descendo pelo seu rosto de anjo. No mesmo instante Damon pulou da cama não se importando se iria machucar Rebekah e caminhou em direção à Elena, que estendeu as mãos em frente de seu corpo e deu vários passos para trás e saiu correndo. Damon correu atrás dela e consegui a impedir de sair quando ela encostou na maçaneta da porta. Seu corpo pequeno e frágil tremia violentamente e Damon se odiou naquele momento.
– Elena... — Ele chamou desesperado e não teve resposta. — Meu amor, por favor...
– Não. — Damon conseguiu ouvir sua voz rouca pelo choro se pronunciar. Elena se virou e Damon quase caiu para trás com a quantidade de dor e ódio que tinham estampados nos olhos dela. — Não venha me dizer que não é o que estou pensando. Não venha me dizer que isso não teve nenhum significado para você. Não me chame nunca mais de "meu amor". Não me toque — e nesse momento ela puxou seu braço com força da mão dele. — E nunca mais se dirija à mim novamente.
– Elena, não faz isso — Damon pediu e uma lágrima solitária escorreu de seu olho esquerdo. Ele também estava sofrendo, mas Elena não se importava com isso no momento.
– NÃO FAZ ISSO VOCÊ DAMON! — Elena explodiu e o empurrou. — VOCÊ SABE O QUANTO EU ODEIO ESSA GAROTA — e ela apontou para Rebekah parada na frente do corredor, enrolada em um lençol verde musgo. — VOCÊ SABE QUANTO CIÚMES EU TINHA DELA COM VOCÊ. E VOCÊ SEMPRE ME FALOU "NÃO SEJA BOBA LENA, É VOCÊ QUE EU AMO". E OLHA ONDE ESTAMOS AGORA! EU ODEIO VOCÊ DAMON E EU ESPERO POR DEUS NUNCA MAIS TER QUE OLHAR NA SUA CARA DE NOVO. — Ela disse e Damon sentiu como se seu coração estivesse sendo arrancado de seu peito e ele sabia que a culpa era toda e exclusivamente dele. — E VOCÊ SUA PROJETO DE PROSTITUTA — ela se virou para Rebekah, que arregalou os olhos. — FAÇA BOM PROVEITO DESSE DESGRAÇADO. E SEJAM MUITO INFELIZES JUNTOS.
E ela saiu deixando um Damon atônito e culpado e uma Rebekah assustada. E seu coração.
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