One More Night
16 Conversas necessárias
Notas iniciais
Emma olha de Regina para Gold interrogativamente, visivelmente sem entender nada. Sabia que tinha algo errado com a morena, logo que soube que ela não tinha trabalhado hoje, a conhecia muito bem e Regina não tirava dias de folga. E seu sogro aparecendo inesperadamente era outro sinal gritante, Gold Mills raramente saia de sua casa em Boston, era um recluso convicto. Sempre que ele desejava ver a filha, a convidava para uma visita, nunca o contrário.
— Percebo que lhe deixei sem palavras. – Gold sorri e puxa a filha para um abraço. – Sei que sou estranho, mas não sabia o quanto, a julgar pela reação da minha filha caçula.
— Desculpe, Papai. – Regina retribui o abraço afetuosamente, sentindo conforto na presença de seu pai. – Realmente é uma surpresa enorme lhe ver aqui, mas uma maravilhosa surpresa, não tenha dúvidas. Quanto a estranheza...
— Algo que existe sem dúvida nenhuma. – Gold interrompeu a filha rindo. – Nem precisa tentar encontrar palavras para me reconfortar sobre isso.
— Eu vou... – Emma fez sinal para a cozinha, totalmente sem jeito, achando que não deveria estar ali, era um momento de pai e filha, aonde sua presença parecia desnecessária. – Arrumar as coisas.
— Me desculpe, Emma. – Gold olhou para a loira. – Eu que interrompi vocês, não queria trazer nenhum desconforto. Mas eu realmente precisava conversar com a minha filha...
— Sim, já estou saindo. – Emma não esperou o sogro terminar de falar, querendo sair do local o mais rápido possível. – Fique à vontade, não se preocupe.
— Como eu ia dizendo. – Gold sorriu, achando graça do jeito afobado da nora. – Não é segredo para mim, que Regina lhe tem na mais alta confiança, não é necessário que nos deixe a sós. Na verdade, até prefiro que esteja presente nesta conversa.
Regina olhava para a namorada, segurando o riso, sabendo o quanto ela estava se sentindo envergonhada.
— Ah. – Emma coçou a nuca. – Ok.
Robin aparece, se surpreendendo de ver seu avô ali. Os dois se abraçam e trocam algumas palavras, a adolescente logo se despede, pois já estava na hora de ir dormir.
— Robin está linda e um amor de menina. – Gold sorri encantado, olhando a neta subir as escadas, até a perder de vista, quando retorna o seu olhar para a filha. – Querida, me desculpe aparecer aqui assim, sem avisar e uma hora dessas. Mas quando soube do que ocorreu hoje, vim o mais rápido que pude.
— Papai, o senhor não precisa ter cerimônia alguma, pode vir sempre que sentir vontade. Venha, vamos nos sentar. – Regina aponta para os sofás, se encaminhando na frente, sendo seguida pelo pai. – Aceita uma bebida?
— Confesso que uma bebida cai bem para a conversa que teremos. – Gold foi se sentando em uma poltrona ao lado do sofá maior. – Aceito o que forem beber, deixo para escolha de vocês.
— Posso nos servir. – Emma se dirigi para a bancada de bebidas, começando a preparar o que vão beber, sua curiosidade explodindo, pois sabia que devia ser algo grave, para o pai de Regina estar ali daquela forma inesperada, sem falar no que a própria namorada ficou de lhe contar mais tarde, sabia que algo estava acontecendo e tinha certeza que Cora era a responsável do que quer que fosse. – Whisky será.
— Obrigada, Emma. – Regina concorda e senta no sofá ao lado da poltrona que seu pai sentou, esperando a namorada entregar os copos de bebida e se sentar ao seu lado. – Bom, eu nem sei o que lhe dizer, Papai.
— Me deixe começar, então. – Gold bebeu um pouco do whisky e olhou para a filha. – Estava organizando os livros na biblioteca lá de casa, quando meu fiel secretário me ligou, Gideon me contou que minha filha havia pedido demissão e que pelo que ficou sabendo, tinha sido durante uma discussão acalorada com a minha esposa. Sua mãe não me disse nada, então pode imaginar a minha surpresa com todo o relato que ouvi. Achei melhor vir imediatamente lhe ver.
Emma olha rapidamente para a namorada, olhos arregalados e a boca aberta em total descrença, pois Regina amava trabalhar na editora, tinha se esforçado o dobro do que precisava, sempre sentindo necessidade de provar que merecia a posição que tinha conquistado com muito trabalho e não sendo favorecida por ser filha dos donos.
— Não me surpreende que ela não tenha falado. – Regina negou com a cabeça, dando um sorriso amargo. – O que Gideon te contou está correto. Sei que deveria ter lhe procurado para conversar, o que iria fazer...
— Querida, estou aqui, acima de tudo como seu pai, o que menos me importa é a editora no momento. – Gold suspira e dá um sorriso triste. – Sei o quanto o seu trabalho é importante para você, minha filha. Então só posso supor que Cora tenha passado dos limites, para você reagir se demitindo. E o que mais me preocupa é quais foram esses limites.
Regina respira fundo, sentindo sua namorada lhe entrelaçando os dedos das suas mãos, aquele gesto silencioso que significava mais do que qualquer palavra, era o apoio e conforto que sempre encontrava em Emma, aquela força que impulsiona e a faz seguir em frente.
— Cora foi me avisar que eu estava sendo transferida para a filial de Boston, sem a opção de negar, resultando no meu pedido de demissão. – Regina bufou. – Não existe a mínima possibilidade de eu me mudar daqui. Minha vida é nessa cidade, nessa casa, com a Robin e a Emma.
— Estão vivendo juntas novamente? – Gold sorriu, olhando da morena para a loira. – Levou muito mais tempo do que eu apostei, quando vocês se separaram, eu não acreditei que duraria mais de um mês. Apesar de ter conhecimento que as duas ainda ficavam juntas com frequência, mesmo após assinarem o divórcio, eu sabia que não aguentariam ficarem afastadas. Era uma questão de tempo para conseguirem acertar os ponteiros da relação. Vocês duas nasceram uma para a outra, só existe final feliz com as duas juntas.
Emma e Regina se olham sorrindo, com a morena apertando a mão da namorada, esquecendo por alguns segundos o que estava sendo conversado ali, pois os olhares conectados e sorrisos espelhados transmitiam a felicidade que sentiam por estarem juntas novamente e sabiam do fundo dos seus corações que era para todo o sempre. Gold olhava para as duas contemplando a veracidade de suas palavras. Sabendo que essa reconciliação fez a esposa perder o juízo e apelar de uma forma que não era do seu agrado, não concordava com a postura de Cora contra o relacionamento da filha. E sempre deixou claro que as escolhas de Regina deveriam ser respeitadas.
— Foi por minha culpa, não foi? – Emma finalmente se pronuncia, as palavras pesando em sua boca, não querendo ser o motivo da namorada escolher sair da editora. – Depois da festa, era ingenuidade pensar que ela não revidaria.
— Emma, você não tem culpa de nada. – Regina diz convicta e sorri para a loira, fazendo um carinho em sua bochecha. – Eu sabia que sim, que ela não iria deixar passar barato. Só não pensei que já seria no dia seguinte e nem que ela jogaria tão baixo assim. Mas saiba que não me arrependo de nada que nos fez estar aqui juntas. Meu único grande arrependimento é ter pedido o divórcio.
— Aquela editora é teu maior orgulho e realização. – Emma suspira. – Você ama o que faz.
— Realmente amo o que faço na editora. – Regina sorri afetuosa. – Mas está enganada, meu maior orgulho e realização é a família que construímos juntas, nada é mais importante do que isso na minha vida. Sei que já priorizei o trabalho em outras situações, nos causando problemas por isso. E seria uma tola se deixasse isso acontecer novamente, está fora de cogitação, nunca mais vou colocar algo à frente da nossa família.
Emma se emociona com as palavras da amada, sorrindo ainda mais e morrendo de vontade de lhe dar um beijo, mas lembrando que não estavam sozinhas, olha para o sogro, que está as observando com atenção e um olhar carinhoso. Regina segue o olhar da loira, sorrindo para o pai.
— Me desculpe, Papai. – Regina suspira e diz de forma decidida. – Não poderei mais trabalhar na editora...
— Conversarei com a sua mãe. – Gold diz de forma firme. – Ela não podia ter tomado essa decisão sem me consultar, muito menos ter lhe encurralado desta forma. Não existirá transferência nenhuma, seguirá aqui da mesma forma de sempre, eu lhe garanto, minha querida.
— Eu agradeço. – Regina respira fundo, tomando coragem para dizer as próximas palavras, não queria magoar seu pai. – Acredito no senhor, mas não voltarei atrás da minha decisão, eu não posso mais trabalhar na editora.
— Regina... – Gold fica sem saber como reagir, esperava que a filha ficasse contente e que retornaria a sua posição na editora como antes. – Eu não entendo, a editora é o nosso legado, um dia vai assumir a presidência e...
— Papai. – Regina o interrompe, se aproximando e pegando em suas mãos. – Eu me orgulho muito da editora e toda a sua história, não posso afirmar que a minha saída será para sempre, mas é o que eu estou precisando no momento. Cora só me fez perceber que eu necessitava disso, preciso ficar longe das garras afiadas e traiçoeiras dela. Por favor, não me leve a mal, eu preciso traçar o meu caminho sem perigos maliciosos. Se eu voltar, ainda estarei sob o domínio dela, não posso me permitir retornar a isso. Eu preciso de um tempo, para saber qual caminho vou seguir profissionalmente, enquanto isso, quero me focar e dedicar a minha vida pessoal. Quero aproveitar a vida ao lado dos amores da minha existência.
Gold concorda com a cabeça, ainda atônito, mas compreendendo os desejos de sua filha caçula, sabia o quanto Cora era opressora com as filhas, não era à toa que Zelena estava pelo mundo afora. E Regina foi a filha que ficou, a filha que foi mais exigida, por mais que fosse contra as atitudes da esposa, sabia que ela ignorava os seus apelos e seguia fazendo o que bem queria. Era justo que Regina se libertasse de tudo isso, só lamentava que ela precisasse sair da editora.
— Não posso negar que me sinto em choque. – Gold sorri nervoso. – Achei que estaria aqui consertando tudo, mas me enganei feio. Fico orgulhoso que tome as rédeas da sua vida, minha querida. Saiba que tem todo o meu apoio e que as portas da editora estarão sempre abertas para o seu retorno, seja quando for. E caso não queira retornar nunca, também estarei lhe apoiando no caminho que escolher seguir. O que precisar, pode me chamar.
Regina sorri e seu pai se levanta, lhe puxando para um abraço apertado. Dizendo que lhe ama e quer o melhor para ela sempre. A conversa segue por mais um tempo, até Gold se despedir das duas e ir embora, deixando um convite para que lhe visitem em breve.
Quando estão finalmente a sós, o casal se olha e sorriem uma para outra. Emma se aproxima mais, abraçando a morena pela cintura e colando suas testas.
— Uau. – A loira sorri e esfrega carinhosamente seu nariz no de Regina, que lhe sorri de volta e enlaça o pescoço alvo com seus braços. – Eu...
— Não precisa dizer nada. – Regina coloca um dedo sob os lábios rosados da namorada. – Não é uma questão de lógica, é simplesmente amor. Apenas me beije.
— Nunca poderei lhe negar um beijo. – Emma beija a morena apaixonadamente, suspirando no final e voltando a encostar suas testas juntas, sussurra. – Quer dizer que voltamos a viver juntas?
— Me diga você, senhorita Swan. – Regina a olha com tanto amor, que ambas sentem os estômagos agitados e uma emoção crescente. – Aceitaria casar comigo novamente?
Fale com o autor