One More Chance
6 Capítulo 6 - Não confie
Notas iniciais
Uma mente alucinada pelo poder
Uma mente enfraquecida pela dor ....
Uma imensa sala lustrosa , marcada pelo tom rubro em suas cortinas. Haviam doze mulheres sentadas no chão- seis em cada lado– e uma deitada no mesmo. A garota , Annabelle , estava com um pálido gélido sobre o rosto o qual a fazia parecer uma boneca frágil de porcelana . Parecia que falecera ali mesmo, naquele pano vermelho. A adaga ainda estava fixada sob seu peito. A respiração era algo quase imperceptível. As mulheres não tencionavam matá-la , aquilo era uma magia. Doze magas fizeram Annabelle transitar entre o real e o imaginário. Onde sua alma se encontrava ? Era um mistério até mesmo para as praticantes de magia celta , tudo o que sabiam é que a alma não residia mais naquele corpo. Anna estava em uma constante luta contra si própria , contra uma memória que fora esquecida. Apagada. Morta.
As mulheres levantaram-se e um guarda entrou no salão, era Leonard , rumou em direção a Annabelle e a pegou do chão. As mulheres -sem falar uma palavra– indicaram para o homem tirar a garota dali. E assim Leonard fez , a retirou daquele ambiente e a levou para o quarto em que a colocaram quando a trouxeram de Machu Picchu . Quando chegou dentro do lugar, deparou-se com uma sombra , um felino noturno sobre a cama da moça . Era Ricardo , ele estava lá. Com os olhos cheios de lágrimas . Parado . Parecia que estava sofrendo em demasia. Leonard não soube bem como interpretar aquilo, talvez fosse saudades de um tempo em que somente seu mestre conhecia, talvez fosse culpa e talvez fosse amor.
Ricardo estava sentado na cama de Anna e quando notou a presença de seu soldado, rapidamente secou as lágrimas finas. E levantou para que o soldado pudessem colocar a jovem sobre cama.
– Ela é linda como sempre foi — Observou Ricardo, ainda um pouco triste enquanto o soldado a colocava na cama.
– Você a conhece a muito tempo , não é mesmo senhor ? — Perguntou o soldado.
– Desde uma era onde somente imperava as trevas. Ela sempre foi muito bela e muito inteligente , Annabelle me desafiou e não quis fazer o ritual- Riu ironicamente.
– A forçaste ? — Leonard o fitou incrédulo — É desumano meu senhor.
– Ela tem que acordar depressa ou todos nós vamos estar fardados ao mesmo destino e talvez um bem pior.
– E o homem ? Lorenzo. — Ao terminar a pergunta , Leonard viu a feição que antes lhe parecia triste virar em uma que mostrava um ódio sem tamanho.
– Ele só não está morto porque é uma peça a mais. Porém minha vontade é arrancar as estranhas dele e colocar sua cabeça emoldurada no salão do trono.Ia dar um belo enfeite.
– Mestre , quando a senhorita Annabelle irá retomar ao seu corpo ? — Tentou mudar de assunto, ver Ricardo furioso era um perigo. Ele mesmo corria perigo de vida ao estar falando com o mestre nesse exato momento.
– Quando ela finalmente notar o que está ocorrendo.
1409 — Romênia, Idade das Trevas
– Societas Draconistrarum ? Desconheço... — Lúzia respondeu hesitante, ela sabia que aquele nome era familiar , mas por que ele era familiar ? A mulher quase translúcida a sua frente , despertava uma estranha agonia na menina.
– A Ordem do Dragão , uma legião de guerreiros. Temida por sua inigualável brutalidade. Eles caçam crianças amaldiçoadas Lúzia.- Parecia que Amalia estava gostando da situação.
– Crianças amaldiçoadas ?- Lúzia demonstrava uma expressão confusa .
– Sim, aquelas que portam a peste dentro de si. Elas são um saboroso jantar para os demônios — Riu ironicamente — Há algumas meninas , que nascem com uma luz gigantesca nesse mundo. Os demônios são atraídos por essa luz , querem alimentar-se da alma delas. Essas meninas são marcadas para sofrer a vida inteira uma vez que possuam esses demônios.
– Então eles trazem azar para as meninas ? — Lúzia interrompeu incrédula.
– Azar ? Eles trazem coisa pior. Trazem a morte. A dilaceração de suas almas. Porém Lúzia , é uma estrada com dois caminhos sem volta. Ou a menina deixa que o demônio devore sua alma e domine seu corpo ou ela o doma. Como domar o indomável ?
– Sendo mais forte que ele ... — Respondeu Lúzia pensativa.
– Isso mesmo minha bem aventurada! — Amalia demonstrava uma imensa ansiedade , a mais nova porém, sabia que essa mulher mesmo tendo uma voz tão doce poderia lhe trazer alguma confusão inesperada — Agora , para ser forte é preciso uma mente forte. "Eu sou capaz . Sua força é minha pois residi em mim" as crianças amaldiçoadas provavelmente devem falar algo do tipo, não acha ? — A jovem Necromante jogou-se sobre a cama macia com tecidos de tom claro em altas gargalhadas.
– Por que está me contando essa lenda senhorita ? — A menina parecia intrigada com a ousadia da divindade a sua frente.
– Eu cuidarei de você a partir de hoje. Logo te contarei muitas histórias e lhe ensinarei milhares de coisas — Amalia perdida em cogitações , planejamos , percebera que era a hora certa de começar a brincar . Levantou-se da cama e andou suavemente em direção a Lúzia , do vestido escuro retirou uma adaga reluzente e brincou um pouco com ela , a jogando de uma mão para a outra . A adaga possuía letras egípcias e era dourada como ouro. Amalia aproximou-se de Lúzia e cravou a lâmina na mão direita da jovem moça. Foi inesperado , doentio e terrivelmente ligeiro . Lúzia soltou um grito assustador nem havia como ter se protegido.
– O que pensa que está fazendo sua maculada ? — Lúzia gritava , estava tomada por um fúria sem fim.
– Uma criança não deveria falar coisas assim — Amalia puxou de volta a adaga reluzente.
– Por que está fazendo isso ? Meu pai te contratou para fazer isso ? — A menina ainda estava agoniada com a ardência que o corte deixara . Estava tentando ao máximo manter a calma. O sangue pingava no chão fazendo uma pequena poça vermelha. Doía, ardia e principalmente a irritava. Seu pai contratara mesmo essa mulher para lhe torturar ?
– Se cure Lúzia. Antes que piore. — Amalia agora estava com um olhar frio.
– Estás maluca ?
– Concentre-se , olhe para as chamas — Subitamente todas as velas do local acenderam , menos a vela negra. Aquilo parecia um pesadelo para Lúzia , a mulher a sua frente era uma verdadeira bruxa e levaria sua alma como presente para Lúcifer, era tudo o que vinha em sua mente — Eu explico tudo depois , agora concentre-se em sua mão . Imagine que o fogo está emanando energia para você , imagine que todas as chamas representam o seu corpo. Deixe que a chama aqueça onde sangra.
– Não o farei ... — Lúzia estava temendo a mulher a sua frente porém ainda mantinha um pouco de coragem.
– Lhe cortarei a língua se não o fizer — Seu olhar era ainda mais frio. Lúzia não sabia o que fazer , provavelmente ninguém a salvaria. E ela não podia simplesmente fugir , estava indefesa com uma louca segurando firmemente uma adaga em sua frente .
Era arrebatador aquele momento , sua mente estava sendo preenchida por um imenso pânico, pânico que ia se transformando em adrenalina. O único jeito era cooperar. Subitamente fechou os olhos , pensou em todas as chamas do quarto , a cena foi passando em sua cabeça de forma lenta , ela conseguia sentir os movimentos das chamas conseguia sentir o suave calor que elas lhe proporcionavam, imaginou aquele calor vindo para seu corpo , imaginou que estava em chamas . Chamas suaves. Direcionou todo aquele calor para um lugar . Sua mão direita. Era como se algo dentro dela já soubesse o que fazer , uma memória morta quem sabe. E nesse momento Lúzia foi preenchida por uma vitalidade que ela mesma desconhecia .
– Abra os olhos — Amalia ordenou e Lúzia foi abrindo devagar os olhos — Olhe para sua mão.
Lúzia surpreendeu-se ao notar que sua mão estava completamente curada. Não sabia se o arroubo do momento que lhe fizera atender o pedido da mulher e se concentrar na mão ferida. Porém , ela estava certa . O machucado fora totalmente curado, nem havia cicatriz para comprovar que de fato ele estava lá. A menina estava assustada e terrivelmente curiosa.
– Como...
– Você usou magia Lúzia, uma magia que só você pode usar. — Declarou a loira impiedosa.
– Você é uma bruxa! — Os olhos tempestuosos da menina demonstravam uma grande inquietação enquanto ela levantava e fitava firmemente Amalia nos olhos.
– Ora por favor! Sou muito mais que isso. Sou uma Necromante Princesa Lúzia — Amalia ergueu a cabeça e encarou mais ainda a menina a sua frente um pouco mais baixa — Não se assuste por favor. Eu lido com isso desde que nasci, é algo que já veio comigo. Correntes que terei de levar até o fim de minha vida.
– Deveria queimar... — Sussurrou Lúzia , em seguida Amalia não conteve a ira e segurou a menina pelo queixo delicado e frágil.
– Torne a falar isso de novo e arranco-lhe a cabeça — Lúzia arregalou os olhos espantada — Eu não quero te machucar , apenas quero que trabalhe ao meu lado.
– Por quê ? — Perguntou Lúzia em um esforço inumano.
– Sua alma é pura , eu quero que seja uma sacerdotisa. Purifique entidades com o fogo que domina tua alma — Amalia soltou a menina e tentou manter a calma. Arrumou o vestido , jogou o cabelo para trás em um movimento egocêntrico e estendeu a mão para Lúzia — Você só precisa purificar as entidades, não há que temer... Posso lhe dar a felicidade que tanto almeja, aceita ?
Era como tocar a mão do diabo , porém Lúzia sabia que estava fardada ao sofrimento. Ninguém a queria por perto, todos a odiavam.
Meu pai me rejeita...- Pensou.
Tudo era tão remoto e sombrio, aquele lugar era uma prisão para ela. E ela queria mais. Logicamente pedir para Amalia queimar foi algo estúpido. Não era aconselhável seguir o que a Necromante pedia , pois até então Lúzia lera um pouco a respeito dos Necromantes . Era uma técnica de bruxaria que via o futuro , passado e até mesmo o presente usando o contato com os espíritos.
Sua resposta ia ser o consentimento de uma vida nova , uma vida que ela jamais poderia ter se a mulher não lhe oferecesse.
Ninguém iria se importar mesmo. Aceite o inaceitável.
Lúzia não parava de cogitar que todos a odiavam, seu coração machucado talvez fosse o que realmente a impulsionou a tomar uma decisão que marcou por completo sua vida, era tudo tão normal até a mulher aparecer , talvez somente se não tomasse essa escolha a menina evitaria seu destino, talvez somente assim ela poderia viver.
– Eu aceito — Sussurrou em um tom depressivo, segurou firme a mão da desconhecida. Aquilo que ela ensinou , aquela magia de cura , havia encantado Lúzia . E Lúzia tinha uma cede do desconhecido.
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– Senhor General ? — Perguntou o subordinado olhando para o homem que se mantinha deitado no gramado baixo e efetivamente cortado. O homem abriu os olhos , o azul celeste demonstrava ira — Um recruta demonstrou uma capacidade digníssima. Ele em breve poderá entrar para o verdadeira treinamento.
– Faça como quiser — O General virou o corpo para o outro lado ainda tentando dormir.
– Ele é um Príncipe — O subordinado ainda mantinha-se inquieto na presença do honrado General — É da lustrosa família Chevalier , General Maximus.
Instantaneamente Maximus pôs-se de pé em um velocidade tão grande que o homem mal conseguiu acompanhá-lo. Seu olhar frio demonstrava uma ferocidade extrema . O subordinado havia falado o nome certo , "Chevalier".
O general parecia um leão faminto que acabara de ver um rebanho inteiro de veados. Aquele nome , aquele nome chamativo , era o nome da família dela. Seu alvo primordial. A portadora do demônio Salamandras.
– Salamandras...- Falou esperançoso o General e uma voz rouca.
– Um demônio tão poderoso e ao mesmo tempo tão protegido. Por que o poderoso Imperador mandaria o próprio filho para a Ordem ? Se ele luta a tanto contra nós . Lembre-se que ele não foi convocado, entrou porque quis — O subordinado parecia intrigado.
– Ele abriu uma porta , Connor . Eu me encarregarei de trazer a cabeça dessa garota para a Ordem o mais rápido possível. E esse rapaz é a chave.
Maximus não perdeu tempo , começou a andar até o local de treinamento onde os recrutas se encontravam. Era do outro lado do castelo , a zona mais baixa , como era chamada . Ao chegar lá , o General deparou com um imenso quarto , com vários panos jogados no chão e uns onze homens espalhados perante o chão. Estavam exaustos , haviam treinado com espadas o dia inteiro. O treinamento era muito pesado por sinal. Quando um acordou e viu que o grande General estava diante a eles parado em uma pose superior , tomou a acordar seus companheiros, era uma balbúrdia. Todos estavam assustados por estarem diante do terrível e impiedoso General. Formaram uma fileira na horizontal , abaixaram as cabeças em sinal de respeito. O General por sua vez ficou encarando-lhes como se tivesse analisando fundo cada detalhe da alma deles.
– Alguém pode me dizer o motivo de estarem aqui ? — Começou a perguntar com uma frieza extrema.
–Desejamos entrar na Societas Draconistrarum , senhor! — Gritaram em unisom.
– E o que os soldados da Societas Draconistrarum fazem ?
– Impedimos que os demônios entrem em novas crianças , senhor! — Continuaram a gritar em unisom.
– Todos aqui foram convocados por demonstrarem uma aura propicia a nossa Ordem. Entretanto sabem as regras. Uma vez que fora convocado ou você entra na Ordem ou lhe tiramos a vida — Maximus analisou os olhares tristes no olhos de cada um , exceto do rapaz desafiador que possuía olhos mais claros que o céu. De fato, todos menos esse rapaz foram convocados para entrar no Ordem. Tudo graças ao poder dos Necromantes da Ordem, eles contatavam entidades e as entidades mostravam quem tinha a energia propicia para entrar na Ordem, a aura negra. Quando os soldados da Ordem iam convocar a pessoa , eles entravam na casa dela e colocavam a lâmina da espada em suas gargantas .A pessoa tinha duas escolhas , ou aceitava morrer ou entrava para Ordem. Todos , sem exceção, entravam para Ordem . Porém teriam de lutar a favor da Ordem ou eram mortos. Era uma verdadeira ditadura.
– Quem entrou sem precisar ser chamado dê um passo a frente — Gritou o subordinado, e apenas um homem deu um passo a frente. Maximus sabia exatamente quem era.
– Ora , ora ... qual o seu nome ? — O General caminhou em direção ao rapaz que possuía um olhar desafiador.
– Sou Ricardo Chevalier — Declarou.
– Pois bem, venha comigo imediatamente. — Ordenou Maximus.
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