One More Chance

7 Capítulo 7 - Artimanhas


Notas iniciais
Bom... depois desse capítulo eu vou acelerar mais as coisas!

O anjo tentava conter os sentimentos.

O demônio os queria...

2014 — Atual Romênia

– Mas senhor! Ela não está reagindo muito bem. Annabelle está sentindo dor , muita dor. Por favor a ajude. — Leonard estava suplicando ajuda a seu mestre, Ricardo. Os dois estavam na sala do trono . Estavam sob o crepúsculo . Ricardo mantinha uma pose severa porém não conseguia esconder a preocupação que estava presente em seu olhar. Fazer o que seu guarda pedia era o mesmo que deixar o inimigo tomar posse de seu tesouro mais precioso.

– Como assim sentindo dor ? — Ricardo levantou e foi até o guarda , segurando-lhe pelo colarinho do terno, demonstrando sua ira — Volte a vigiá-la imediatamente. Não mandarei ninguém até ela. É uma ordem! — Começou a soltá-lo vagarosamente.

– Ela precisa de ajuda! Vai acabar morrendo de verdade, meu senhor. Mande o rapaz logo até ela. O corpo dela precisa de energia suficiente para completar o ritual , e agora ele está tão fraco que pode morrer , assim a alma também morre . E a sua energia não é capaz de alimentá-la no momento. Não são compatíveis , ninguém daqui é. — Bufou Leonard — A ajude. Leve o rapaz.

Ricardo hesitou , sabia que aceitar aquilo era ir contra seus princípios. Aquele homem , aquele pedante homem o qual assassinou sua amada uma vez . Era um lobo em pele de cordeiro. Ele ia trazer a destruição de novo. Não havia como evitar uma tragédia que houve no passado mas como evitar a tragédia do presente ? Ricardo iria fazer aquele assassino sanguinário pagar por todos os seus pecados. Ia mandá-lo de vez para inferno.

– Levem-no até ela — Ordenou friamente.

1409 — Monts Făgăraș, Sul da Romênia . Idade das Trevas.

Os Cárpatos , Καρπάτῆς όρος do grego , são montanhas que formam a ala oriental da Europa. Montanhas rochosas altíssimas. Monts Făgăraș , se localizava nos Alpes da Transilvânia , no sul da Romênia. Era responsável pelas montanhas mais elevadas dos Cárpatos. E era exatamente lá onde encontrava-se o temido General Maximus , e outros seis membros da Ordem juntamente com Ricardo e mais duas Necromantes . Fora a duas noites quando Maximus ordenou que o recruta Ricardo fosse falar com ele. Trocaram palavras simples , e a ordem final de Maximus foi "Você vai para o treinamento verdadeiro nos Cárpatos. Viajaremos agora."

Ricardo fora o único convocado para esse treinamento , algo em seu interior sabia exatamente que estava diante da maior luta de sua vida. Algo que culminava intensamente seus maiores temores. Era um pressentimento péssimo . E o olhar belicoso de seu General apenas agravava toda a situação conflitante. Algo terrível estava a vir.

Maximus guiou seus soldados até uma extremidade plana , cercada pela vegetação baixa . Aquele lugar parecia o paraíso na Terra. Um terreno montanhoso cercado pela grama baixa , aquele visual tirava o fôlego de qualquer um que fosse contemplá-lo. O General parou e do alto completou aquele esplêndido lugar, estava perdido em tamanha perfeição . Os soldados estavam parados ao lado dele e Ricardo atrás. Maximus logo voltou a atenção ao recruta.

– Recruta , vamos começar o treinamento agora mesmo. Deite-se no chão — Ordenou Maximus friamente.

– Como assim ? — Ricardo realmente não sabia no que isso ia ajudar , imaginou que seu treinamento seria escalar as montanhas , lutar contra Maximus , fazer coisas -ainda– impossíveis.

–Cale-se! Não questione , agradeça a minha ajuda . Apenas deite no chão antes que eu perca a paciência e decida acabar com você aqui mesmo.

Ricardo temia o que estava por vir , aquele homem era perigoso e não hesitaria em tirar sua vida. Porém ele lutaria até a morte se esse homem tirano realmente tentasse algo. Não desejava morrer tão cedo . Querendo evitar um conflito e tentando seguir ordens , deitou-se no chão observando o céu límpido diante a si. Maximus sacou a espada perfeitamente afiada , deslizou os dedos perante aquela lâmina mortal. Dava passos leves.

– Sabe Recruta, admiro muito que você tenha vindo por conta própria — Ainda deslizava vagarosamente os dedos pela lâmina — Entretanto qual o motivo de ter escolhido esse caminho ? Honra ? Fortuna ? Tudo isso você já tem. — Perguntou Maximus com um ar inquietante.

– Eu não tenho lembranças da minha infância. A única coisa que me lembro é de uma mulher usando um manto negro, ela disse suavemente "Entre para a Societas Draconistrarum".

– Ora... ora — Maximus estava rindo friamente, como se achasse toda a situação conflitante . Porém a resposta soara verdadeira. Maximus conseguia ler almas , auras , pensamentos . Logo , percebera que aquela criança falara a verdade- Entraste apenas por essa lembrança ? Bom, se é isso eu não posso perguntar mais nada . Vamos começar. Olhe para o céu , concentre-se no infinito.

Ricardo concentrou-se , estava adentrando no infinito. O céu estava incrivelmente belo naquela manhã , isso contribuia muito para sua concentração. Obviamente não sabia o que seu superior tramava , entretanto estava preparado para tudo. Nada de bom poderia vir . Era o Terrível que estava presente.

Maximus parou de passar a mão sob a lâmina afiada e olhou de forma distante para Ricardo. Estava na hora. Iria fazer algo exaustivo. As mulheres Necromantes iriam transferir parte alma do rapaz para outro plano, lá ele lutaria interminavelmente durante dois mil anos , se sobrevivesse dentro de duas horas no mundo mundano então passara os dois mil anos em treinamento nessa dimensão e sobrevivera . Porém esse era o plano secundário que Maximus havia preparado para o rapaz , havia um primeiro . E era essd que Maximus mais queria realizar.

O General não sabia somente as técnicas de lutas normal e mortal. Ele dominava a aerocinese , capacidade de manipular correntes de ar com a força da mente . A hidrocinese , que já controlava as águas com o poder da mente. A umbrocinese , que manipula as sombras e a psicocinese , o poder de dominar a mente. Era considerado um prodígio e ao mesmo temo um monstro. Ninguém nunca chegara aos seus pés, pois ninguém conseguiu desenvolver perfeitamente tantas cineses igual a ele . Seus piores inimigos portavam o demônio Salamandras , que era ígneo, porém apenas uma pessoa demonstrou tê-lo em si. Era Lúzia , seu alvo. Matar a garota era questão de honra, desmembrá-la era questão satisfação.

"Hei de levar tua alma até os confins do inferno, criança que porta a peste." Pensou. Estava alimento um ódio fatal, faria tudo que tivesse a seu alcance para eliminá-la. E exatamente tudo o que queria era eliminá-la. Voltou sua atenção a Ricardo que encontrava-se olhando fixamente para o céu. Maximus fechou os olhos e concentrou-se firmemente .

– Vão! — Ordenou para as mulheres , em seguida , uma das duas segurou a cabeça de Ricardo e a outra jogou seu corpo por cima do dele , em um beijo silencioso e mortal tiraram-lhe a alma . A enviaram para outra dimensão. Fora tão rápido , tão inesperado . Ele nem conseguiu se mover. Em questão de segundos o corpo ficou parecendo vazio e frio . Começara sua luta , sua interminável luta. As Necromantes desmaiaram após o ritual , gastaram muita energia. Mas isso não importava para Maximus, elas já haviam feito seu trabalho. Agora era a vez dele. As ordens foram "não enviar por completo a alma dele a outra dimensão" pois Maximus queria vasculhar em suas lembranças e tendo sobrado um pouco da alma do rapaz , ele iria conseguir efetuar a missão.

Achar um ponto fraco na barreira do Império onde Lúzia vivia. Usando a psicocinese em Ricardo , Maximus começou a adentrar em suas lembranças .Estava deitado ao lado dele , os dois pareciam estar em um sono profundo. Um bailando em outra dimensão enquanto o outro vasculhava pontos fracos em suas memórias.

Seu nível de pscicocinese estava altamente perfeito, conseguira facilmente entrar nas lembranças do rapaz . A primeira cena que fora lhe mostrada era um tanto curiosa. Uma silhueta feminina estava olhando para um lago imenso e esverdeado , as árvores ao redor dela estavam ao dispor do vento forte. A cada rajada de vento forte, milhares de folhas se desprendiam das árvores e voavam em pleno ar. E o som que o vento produzia lembrava uma doce orquestra. A menina a frente do lago nem notara sua presença . Ele encontrava-se diante as árvores , atrás da silhueta dela . Subitamente seu corpo começou a se mover , provavelmente fora isso que Ricardo fez já que era suas lembranças . Maximus sentia o que ele sentiu , fazia o que ele tinha feito pois aquele era o seu corpo naquele momento , e aquelas eram lembranças daquele corpo, daquela mente . O corpo de Ricardo chegou sorrateiramente atrás da garota , a segurou pelos braços e a abraçou . Maximus sentiu o corpo ser preenchido por uma sensação calorosa , algo que ele jamais sentira em toda sua vida. Eram os sentimentos do rapaz.

"Você não deveria fugir toda manhã para este lago , Lúzia . Uma hora vão descobrir"

"Por favor , não se preocupe comigo . Eu estou bem e esse lago de alguma forma me deixa feliz e ele me faz lembrar de algo que sei que não vivi , porém parece que o vivi"– Era Lúzia , seu alvo. Havia sido mandado para a lembrança ideal. Havia descoberto o ponto fraco daquele lugar.

Em seguida , foi soltando a menina . Era estranho para ele não comandar aquele corpo , e sentir coisas jamais sentidas por si. Ficou cara a cara com Lúzia e ela o olhou profundamente nos seus olhos . Aquele olhar tempestuoso, aquele corpo indefeso a sua frente o fez pensar se ela realmente portava um demônio tão poderoso dentro de si.

"Sabe irmão, um dia eu serei livre. Não terei de me preocupar com essas pessoas que não gostam de mim . Você está certo, eu sou forte! "– Lúzia demonstrava um sorriso tão doce que fazia com que o corpo de Ricardo a quisesse abraçar eternamente.

"E um dia nós seremos , minha querida" — Maximus sentiu o corpo sendo puxado , arrastado para fora daquele corpo . Sucumbiu a pressão e deixou-se ser puxado.O tempo havia se esgotado. Ela apenas tinha o reflexo do rosto sorridente e incrivelmente belo a sua frente. Ao abrir os olhos estava de volta ao seu corpo, de volta a armadura pesada e negra que usava. De volta ao Făgăraș .

De uma coisa o General tinha certeza , ele já sabia como sequestrá-la e matá-la. E teve a leve impressão que aquela delicada garota era semelhante a ele . Olhar para qualquer lago o fazia lembrar de algo que ele não tinha vivido, a questão era ... o quê ?

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Aquela resposta positiva de Lúzia , fez com que Amalia soltasse um imenso sorriso. Nem imaginava Lúzia que estava sendo usada pela audaciosa Necromante. E Amalia não conseguia conter a felicidade do seu futuro e muito possível reencontro com o Grande General. Estava disposta a tudo, sacrificar Lúzia era o ato mais fácil para ela. Afinal era somente um criança tola mesmo.

As duas pela manhã saíram para caminhar , logicamente o Imperador permitiu já que sua filha estava reagindo muito bem ao tratamento. Amalia informou a Lúzia que iriam até uma parte escura da floresta , iam canalizar energia dela e ir até o vilarejo a procura de uma criança infectada pelas entidade. Com muita cautela , chegaram até a parte escura da floresta. Lúzia tentava observar tudo. Era algo novo para ela , um universo jamais imaginado. Amalia fez um círculo no chão com sal grosso e atirou no chão algumas ervas.

– Para quê essas ervas , Amalia ? — Lúzia mantinha-se curiosa dentro do círculo mediano.

– Servem para o enfraquecimento do outro plano. Enfraquecido, podemos contatar mais rápido e de forma mais eficiente os espíritos.

– Entendi... mas não íamos tirar a energia da floresta ?

– Não da floresta e sim o que habita na floresta. Eu uso os mortos Lúzia e você o fogo — Amalia estava tentando sentir as vibrações do local, estava com os olhos fechados.

– Desculpe-me a pergunta mas por que você não pode extrair energia do fogo também ?

– Porque uma mulher misteriosa tem mais artimanhas do que você pode imaginar!

– Essa é sua resposta ? — Lúzia mantinha uma expressão de desaprovação, não conseguia entender porque a Necromante a sua frente não explicava muito o assunto.

– Tudo bem Lúzia... — Por fim cedeu, era apenas uma explicação que a garota pedia — Cada um nasce com um dom especial, o meu foi a arte de lidar com os mortos . O seu é usar a energia do fogo. Pirocinese, como chamam. É algo muito especial , então não guarde seu talento. Estamos prontas.- Amalia respirou fundo.

"Vinde a mim ó alma pedante . Esbravejes a tua ira. Dê-me tua energia."

Lúzia sentiu o ambiente mudar completamente, as folhas das árvores caíam de forma lenta , o céu encontrava-se em um tom avermelhado . A pressão havia mudado e agora ela sentia um imenso peso , uma fraqueza.

"Apareça. Mostre tua face Dominante das sombras! "– Amalia continuava a falar ferozmente.

As duas sentiram um imenso frio as cercando. Da terra, perto das árvores quase mortas , algo foi emergindo do solo . Não tinha um formato correto, era apenas uma entidade em forma oval de cor verde musgo. Como Lúzia não estava acostumada , achou aquilo terrivelmente assustador e pedante.

"Por que não me deixas dormir ,Necromante ? "– Uma voz estridente ecoou nos ouvidos de Lúzia e algo que lhe indicava que Amalia também havia ouvido.

"Forneça-me um pouco de tua energia. Tenho um trabalho importante a fazer. "

"O que me ofereces em troca , Necramente? "

"Um pouco do sangue dela"– Amalia empurrou Lúzia um pouco para frente, vendo-a perder o equilíbrio por causa do plano em que estavam. A entidade começou a se mover e a ir em direção a Lúzia a qual estava petrificada , era realmente assustador.

"Isso é delicioso" Foi o que a Entidade falou . Assim que o som cessou , o ambiente voltou ao normal . Amalia havia recebido a energia e Lúzia estava ainda paralisada no chão .

– Ele.... me cortou... eu nem notei.... como dói — Lúzia mostrou o imenso corte em seu pulso que sangrava de forma desenfreada.

– Ora menina! Se cure de uma vez- Amalia ascendeu uma vela grossa, as chamas estavam a consumindo de forma ligeira — Pode canalizar energia dessa chama.

– Por que o meu SANGUE , Amalia ? — Lúzia demonstrava sua ira enquanto tentava curar o machucado. Estava puxando toda a energia da chama para seu ele .

– Por que você é mais especial . Já falei. Eles amam fogo Lúzia! É um verdadeira banquete para essas entidades. Mas não se preocupe , isso não te afeta em nada — Nessa altura , Lúzia já tinha curado o terrível corte em seu pulso e novamente nem sombra de que realmente havia um corte ali. — Anda, vamos fazer o seu primeiro trabalho. Se concluir bem ele lhe ensino técnicas de defesa.

–Sua resposta não me contentou. Entretanto, está bem. Vamos.