One More Chance

17 Capítulo 17- O objetivo


Notas iniciais
Como estão vocês? *-* E esse frio? huehuheuhe. Gente, ganhei três presentinhos divosos da minha querida TStagni, essa fofuxa não sabe o quanto me alegra! Obrigada!!! E espero que gostem desse capítulo intrigante, obrigada pelo carinho! Amalia, nós te amamos u-u

Eram crianças do infortúnio...
Só iriam trazer trevas, e ela a trouxe.

Noite da fuga.

Não era a noite mais fria do ano, todavia a temperatura estava baixa. A primavera aquele ano castigaria algumas plantações devido ao frio fora do normal. Alguns diziam que Deus estava castigando os humanos por seus pecados abomináveis, as pragas estavam por toda parte e milhares de pessoas já haviam morrido por esse fator. Mulheres eram julgadas e mandadas ao fogo, gritavam, agonizavam e finalmente não sentiam mais nada, morriam queimadas sendo purificadas. Não havia luz, não havia paz, havia apenas as trevas e o caos.

Na parte clara de uma floresta na Romênia, Lúzia dormia em seu sono profundo. As mazelas ocasionadas em dias anteriores faziam com que a princesa estivesse em um estado deplorável, era como se estivesse inconsciente. O vento frio castigava a maculada criança naquela noite, algumas vezes seu corpo tremia demonstrando que ela estava com frio mas ninguém manifestava-se para ajudá-la. Lúzia estava ali para um propósito, ser levada à Ordem viva. Se ela estivesse viva, não fazia diferença sua situação. E aqueles homens a queriam morta.

Maximus, o tirano, encontrava-se encostado a uma árvore. Volta e meia dava umas goladas em uma garrafa de vinho, contudo sua atenção estava completamente voltada para a princesa. Observava-a de longe com frieza no olhar. Seus soldados festejavam e cantavam em volta a fogueira, era incrível como o alarido não acordara Lúzia. Todos estavam bêbados e contentes. O motivo era que finalmente capturaram o Salamandras.

Algo naquela noite fazia Maximus tomar um cuidado redobrado. Talvez fosse por finalmente ter conseguido um demônio tão forte, talvez fosse também pelos estranhos pesadelos que andava tendo frequentemente desde que encontrara a jovem Princesa, ou simplesmente pelo fato de ser uma noite um tanto sombria.Ali, sentado no relento, sentiu uma presença aproximando-se, era ligeira contudo discreta, tênue. Uma pessoa de alma leve estava vindo pela floresta.

Soltou um pequeno sorriso lateral assim que identificou de quem era a energia e deixou que tal pessoa viesse a ele. Era ela, ele a conhecia muito bem.

– Isabele. — Sua voz soou mais branda do que de costume.

– Olá, chefe! — Por trás da árvore em que Maximus estava encostado, soou uma voz feminina. Logo, uma figura delicada foi aparecendo. Não aparentava ter idade avançada, deveria ser uns dois ou quatros anos mais velha que Lúzia. Trajava uma túnica branca e possuía longos cabelos negros, seu olhar era doce todavia sábio demais para sua idade. Sentou-se ao lado do General em gestos simples.

– Samuel a mandou até aqui?

– O nosso líder, Samuel, não está envolvido. Eu sou uma erudita, uma Necromante, achas mesmo que eu ia ficar parada enquanto nosso General captura nosso maior trunfo?

– Você somente saí da Ordem quando é algo muito importante, o que desejas?- Falou em um tom extremamente rude. Maximus entretanto ainda não desviara o olhar da Princesa, como um leão fitando sua presa. Sabia que Isabele tramava algo.

– Ela não aparenta ser perigosa, parece apenas uma garota assustada- Isabele apontou com o olhar para a jovem Lúzia — Você poderia ter mandado alguns soldados resolverem isso para você, não consigo compreender o que estás fazendo aqui.

– Algo nela faz suscitar um estranho interesse em mim. É uma pena que não vivera muito- Não havia dissidência em sua voz, a afirmação soara verdadeira aos olhos da erudita.- Tenho pena dessa menina, Isabele — A voz de Maximus soou um pouco abalada, aquilo era uma confissão.

– Nunca o vi ter misericórdia — Espantou-se a erudita.

– Nunca a vi se envolver em meus assuntos- Retrucou o General Leão.

– Apenas espero que isso não interfira na sua missão- Isabele tentou alertar o superior. Sua expressão foi de espanto para desconfiança e prosseguiu- Mas sabe, alguns espíritos me contaram o que houve aquela noite, a noite do incêndio, não é típico do nosso grande General.

Isabele o encarou, esperando que por fim ele desviasse o olhar da Princesa.

– Ela me conhecia, aquela Necromante ainda se lembrava de mim. Qualquer pessoa que é capaz disso merece um tratamento especial.

– Não achas que foi cruel com aquele garoto?- Maximus não se importava com o fato da Necromante saber muito sobre o que houve. Isabele era assim, sabia de tudo, via tudo. Os espíritos sempre a informavam.

– Traição é traição.

– O que ela te disse? A Necromante Amalia?

–Se seus espíritos lhe informam de tudo, deveriam ter informado essa parte também. Não irei perder meu tempo com isso- Maximus por fim olhou nos olhos da erudita. A jovem viu um misto de raiva e inquietação nos olhos do homem.

– Antes de sucumbir, ela disse algo. E eu quero saber o que foi. Não vejo problema algum.

O General a ignorou, odiava que perguntassem mais do que deviam. Era intolerante com uma série de coisas, era prático e frio demais.

De repente, um soldado pedante aproximou-se do General e da mulher, derramou um pouco de sua bebida no chão e ficou diante a eles, a cena chegava a ser vergonhosa para o sujeito. Nem conseguia manter-se em pé de tão bêbado, algo que Maximus achava extremamente idiota. Teve dificuldades em emitir sons, mas finalmente conseguiu falar:

– Isa! Veio brincar conosco? — Dava para notar a malícia em seu tom de voz.

– De forma alguma! Apenas queria conversar com o General- Afirmou a menina com um certo tom de inocência.

– Saia, verme- Decretou Maximus, encarando o homem enorme a sua frente. Virou para Isabele e continuou- Saia também, voltaremos a conversar mais sobre isso depois. Trate de informar a Samuel que estamos com a garota.

– Seu desejo é uma ordem — Respondeu Isabele. Ao término da frase, o homem pedante piscou os olhos e a garota que antes encontrava-se ao lado de Maximus havia desaparecido, fora tão rápida que os olhos do homem não conseguiram acompanhá-la. Começou a esfregar os olhos para ver se não estava vendo coisas. Ao terminar sua patética cena, não acatou as ordens do General e continuou parado diante a ele como se esperasse uma explicação.

– Minhas ordens foram, SAIA- Reprimiu Maximus sem paciência.

– A menina é tão suculenta, deixe-nos brincar com ela. O nosso líder nos pediu uma garota portadora de um demônio forte, disse que ela tinha que estar viva mas não disse nada sobre estar pura. Não vamos machucá-la muito — Novamente o homem derramou sua bebida no chão de terra, naquela altura ele nem sabia mais o que estava bebendo e nem comendo.

Se fosse qualquer outra garota o General não se importaria, ele mesmo já havia aproveitado e saboreado o corpo de várias outras portadoras de demônios. Mas havia algo em Lúzia que o fazia querer ter distância, e principalmente fazer com que todos mantivessem distância dela. Não entendia ele muito bem ,mas as palavras "não vamos machucá-la muito" o afetaram, o irritaram. Ela não era diferente das outras garotas, apenas tinha um demônio mais forte. Ele não entendia de maneira alguma o motivo do ódio que penetrou sua mente ao ouvir aquelas palavras. A menina dormia tão silenciosamente, como se pedisse ajuda de forma branda a alguém.

Ainda taciturno e pensativo, não deixara de notar outros quatro homens começando a tirar as vestes de Lúzia. Maximus levantou-se em ira, estavam fazendo algo que ele não havia mandado. E algo que de alguma forma estava o irritando muito.

–Por acaso estão me desafiando?- Gritou, seu olhar oscilava do ódio para a repugnância. Desobediência também era algo que ele não tolerava.

Não vamos machucá-la muito...

Soava em sua mente repentinamente. De modo que não conseguia pensar de forma normal, estava com adrenalina no corpo.

Ela vai te trazer o que procuras, ela é o que...

Outra voz soou em sua mente, era a voz da Necromante, voz de Amalia. Misturou-se com milhares de outras vozes e todas diziam a mesma coisa.

Proteja-a.

Viu os homens começaram a retirar suas roupas também, a menina ainda estava em sono profundo por causa do veneno. Um homem segurou a perna dela e a puxou, enquanto o outros seguraram seus braços, um ficou frente a frente com ela.

Instintivamente Maximus sacou a espada, e correu em direção ao homem que estava diante a menina. Ele não pensava, somente agia em ódio e adrenalina. O homem nem teve tempo de se defender, Maximus cravou a lâmina no intestino do soldado e a puxou até a garganta do mesmo de forma rápida. Puxou a espada e empurrou o corpo morto no chão.

Em seguida arrancou a cabeça de mais dois com apenas um movimento. Outros homens sacaram suas espadas e começaram o atacar, mas era em vão. Maximus era muito superior em seus ataques.

Mutilava seus próprios soldados livre de qualquer sentimento de culpa.

Se fosse por qualquer outra garota... mas não era. Ela era diferente, nenhuma outra garota entregara a própria vida para salvar umas desconhecidas, nenhuma outra garota lutara contra ele. E havia algo a mais, algo que ele queria mais do que tudo. A resposta que ele tanto procurava.

O último soldado correu em direção a ele, e disse:

– Está se tornando um pérfido.

Maximus investiu contra ele , perfurou-lhe o coração e viu o homem cair tão rapidamente quanto a sua respiração.

– Meus objetivos são os mesmos, desde que eu não traia os meus princípios então não serei um pérfido. Eu sou Maximus, o tirano — Decretou por fim, olhou mais uma vez para o homem perfurado -Se você ao menos estivesse usando uma roupa, eu poderia limpar a minha espada. Mas preferiu tocar em uma criança.

Cuspiu no chão. Odiava o fato de terem o desafiado, odiava o fato de ter perdido 20 homens , odiava o fato de todos terem perdido de forma tão fraca, odiava mais ainda ter salvado a garota. Um demônio forte dentro de uma garota fraca, era tudo o que ela representava. Mas a Necromante havia falado de fato algo para nele na noite do incêndio, "as respostas estão com ela" . E Maximus visava isso e matar alguns homens era o de menos, como se aquilo importasse em algo.

Após o massacre, o General não perdeu tempo e começou a atear fogo na floresta. Juntou os corpos dos soldados empilhando-os. E ateou fogo na pilha. Soltou os cavalos, amarrou o cavalo de Lúzia ao dele, colocou uma capa preta na menina, a puxou para si e deixou que ela deitasse em si enquanto seu cavalo começava a correr.

De alguma forma, ele sentia-se bem.

Estava feito. Ele não poderia voltar atrás, não mais. Ele não entendia o porque chegou a tal ponto, foi dominado por algo que ele mesmo desconhece. Havia matado seus soldados por uma criança e a resposta que ela poderia trazer a ele. Tal resposta essa, era o que ele mais almejava. E mataria qualquer soldado, rei, princesa e demônio para isso. Esse era Maximus, não podia ser domado. Era como um predador sedento.

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Tinha rastros de fogo, cinzas para todos os lados. O que costumava ser um mosteiro agora convertera-se em apenas ruínas. Era muito cedo, os pássaros cantavam em disposição, a noite fria havia passado e o sol brilhava de forma frágil. Seria um lugar muito pálido se não estivessem na primavera. Uma mulher vestida com um belo vestido azul, caminhava suavamente por onde noites atrás havia tido uma luta entre Lacaios e os servos da Ordem.

A mulher parecia uma divindade, e não demonstrava felicidade alguma em seu olhar. Estava sedenta e não havia ninguém no mundo que controlasse sua ira.

O vento batia em seus cabelos dourados, e seu rosto angelical estava mais pálido do que de costume.

Um fazendeiro puxando uma charrete passou pelo lado de fora e avistou a mulher de vestido azul. Julgou que talvez ela estivesse perdida.

Doamnă? Senhora?- Gritou o homem do lado de fora do mosteiro em ruínas.
A mulher por si apenas o olhou friamente. Ele era um incomodo mais bem-vindo que ela poderia ter.

– Com licença senhor, o que houve aqui? — Perguntou ela docilmente.

– Um monge perdeu o controle da mente, ficou maluco! E matou todos, depois queimou o lugar e ainda saiu vivo!- Narrava de uma forma muito entusiasmada.

– Compreendo, então foi isso.

– Se a Doamnă quiser, eu a levo para sua casa. Parece perdida — Falou o homem em tom curioso. Todavia não demonstrava gentileza na voz.

– Não, obrigada. Você vai me ajudar de outra forma.E... meu nome é Amalia, sou apenas uma jovem Necromante efetuando uma vingança.

A Necromante respirou fundo, o homem ainda a fitava sem entender o que estava ocorrendo. Um forte vento cercou o local, as cinzas que antes estavam no chão começaram a subir em redemoinhos, foi limpando-se o solo de cinzas. O homem notou que a mulher estava pisando em algo, e de fato tinha algo em volta dela. Um círculo, uma estrela, ele não conseguiu compreender.

"Dos trevas vides, ó alma maculada. Manifesta-se nesta oferenda e sirva-me"

O homem vendo que o ambiente havia mudado completamente, tentou correr mas seus pés pesaram no chão. Ele não conseguia se mover.

"Canalize em mim a energia viva aqui"

Amalia sabia bem o que tramava, aquele homem não estava passando simplesmente ali por nada. Viera vigiá-la e ela sabia disso. Ele era um dos monges do massacre e qualquer pessoa que chegasse perto dali ele iria interrogar para saber se a pessoa sabia muito do caso. Os espíritos informaram a ela que ele havia fugido naquela noite com medo do tirano e ficava vigiando o local para ninguém estranho entrar. Para Amalia ele era um homem idiota, mais fácil seria esquecer o mosteiro e seguir em frente.

Centenas de pessoas morreram naquele terreno, todavia a energia delas ainda residia ali. Suas almas não formam libertas. Amalia visava essa energia, queria canalizá-la o mais rápido possível e necessitava de uma oferenda a altura. Uma vida. Nada mais justo que o homem que fugiu descansar com seus amigos. Sob todo o solo ela fez círculos e onde o homem estava havia um círculo também, o que facilitava muito as coisas.

"Necromante, trouxeste a garota?"- A entidade começou a perguntar. Imediatamente após o clima do local cair e a pressão atmosférica ficar em um nível quase insuportável.

–Ainda não. Mas trouxe-lhe uma vida, aceita a troca?

De repente, o clima piorou pro completo e Amalia não conseguia abrir os olhos. Rapidamente tudo voltou ao normal, era como dar um salto de um penhasco e sobreviver a queda.

Havia uma charrete mas não havia condutor. Sangue por todo o lado.

Amalia sentiu toda a energia que ali residia entrar por completo em seu corpo. O poder era tremendo, ela conseguia sentir tudo a seu redor com uma ampliação se limites. Estava carregada de poder. E estava enfurecida. Preparava-se para a batalha.

Notas finais
Hey pessoal! Eu sei que ficou um tanto confuso a escolha do Maximus, mas pra ele também ficou né hueheuheue D: .. ok, essa foi péssima ç.ç . Enfim, eu tratarei de explicar mais no capítulo 18 e depois tudo vai fazer sentido, ou quase :D