One More Chance

18 Capítulo 18 - O anjo contra o demônio


Notas iniciais
Nhon ~3~ . Então gente, obrigada pelo carinho. Isso é muito legal *-* Vamos ao capítulo, eu sei que demorei um pouco mas estou aqui o/ . Esse capítulo fará alguns revelações em um ponto e em outro colocará um grande ponto de interrogação, mistério é o que há. Segunda imagem que a Anny deu


Ele fez a escolha que julgou ser certo...
Ou será que agiu por impulso?

2014 — Atual Romênia.

Ricardo observava a garota quase morta dormir a sua frente, a aparência dela havia melhorado nas duas horas que se passaram. Tudo porque o corpo dela estava canalizando a energia de outro, a energia de Lorenzo. Este, encontrava-se deitado em uma poltrona, dormia pesadamente e em seus braços haviam runas marcadas a sangue. Faziam parte do ritual.

Ouvia-se cada pingo da chuva colidindo-se contra o chão, ouvia-se o tic-tac repentino do relógio. O tempo não parava, e era isso o que o jovem Ricardo mais queria, que o tempo voasse.

Anna iria voltar, Lorenzo entraria no mesmo estado que a menina enquanto ela se recuperava e logo a verdade seria exposta, jogada na cara dos pecadores.

Para ele quase nada importava, só tinha uma coisa em mente. Um nome. Lúzia.

As horas seguintes seriam valiosas, se Anna sobrevivesse o plano começaria a andar. Faltava pouco tempo. 24 horas.

Aquilo estava se transformando no palco de uma tragédia maníaca.

2014- Machu Picchu

O mundo todo ainda sofria com as fortes tempestades, cidades haviam sido inundadas. Uma verdadeira calamidade, realmente parecia o fim do mundo.

Eram poucas as informações sobre o desaparecimento de Annabelle, parecia que ela simplesmente havia sumido do mapa. Diane e Alexander Bingham estavam com os nervos incandescentes. Sua filha havia desaparecido há mais de 48 horas.

Trajando roupas excêntricas, Diane não conseguia parar de chorar. Aquele era o lugar que sua filha mais amava, a menina amava tudo relacionado a antiga civilização que vivera ali. Era muita pressão para a honrada senhora Bingham. Sua única filha fora raptada assim, de forma tão injusta. Ela sabia que milhares de casos assim ocorriam pelo mundo a fora, apenas não conseguia imaginar que isso havia ocorrido com a filha dela, sua princesa.

Benjamin Willis apareceu ao lado de uns cinco oficiais. Portava pastas amarelas de arquivos nas mãos, sua expressão não era muito tranquila. Alexander infelizmente esperando uma noticia ruim, tratou em abraçar forte sua esposa e deposita-lhe um beijo delicado no rosto rosado. Ele podia ver nos olhos do oficial que as noticias não era boas.

– Achamos uma pick-up um pouco longe daqui, nela havia cordas, marcas de sangue, pedaços de um tecido vermelho e essa pulseira — Benjamin entregou aos pais de Annabelle uma pulseira de Lápislazúli belíssima. Ao colocar os olhos na joia, a senhora Diane virou o rosto depositando-o sobre o peito do marido, desesperada. Ele por sua vez perdera a fala, incrédulo, sem alma- Quero que me digam se pertence a sua filha.

– Sim... — A voz do senhor Bingham soou rouca.

– A pericia irá verificar se o sangue é dela. Temo que as noticias não sejam boas.

Rapidamente os oficiais deixaram o local deixando para trás o casal Bingham e a incerteza de que Anna estivesse viva e um imenso vazio nos corações daqueles dois.

O jeito que tinha era acompanhar mais a fundo as investigações. Diane estava aos prantos mas sabia que não podia desistir da filha, da pequena Annabelle.

1411 — Romênia , Idade das Trevas.

"As pragas irão até você..."

"Lealdade, compaixão, fidelidade, amor, honestidade, humildade, fé, justiça, fortaleza e temperança. Dez passos até chegar a um anjo"

"Salamandras..."

"Aceite seu destino, demônio. "

"O anjo... procurar.."

Um turbilhão de palavras iam se formando na mente da portadora do Salamandras. Imagens explodiam como flashes por trás de suas pálpebras cansadas e uma forte dor castigava seu corpo. Lúzia via cenas de sua rápida estadia na casa dos monges, via Ricardo pedindo para ela fugir que ele daria um jeito de acompanhá-la, viu várias cenas onde Amalia brigava com ela ao executar um contato errado com as entidades. A imagem de Maximus fora a mais nítida, ele sorria de forma sarcástica e limpava a lâmina negra da espada, trajava a couraça negra como e costume. Repentinamente a imagem se misturou com outras milhares e deu origem a outra. Nesta, um homem de vestes negras beijava a face de uma criatura pálida, era um mulher belissíma. Ele puxou o tecido creme que cobria o corpo dela, despindo-a. A mulher olhava com tênura para o homem, Lúzia não conseguiu acreditar na cena que sucedeu, das costas da mulher, plumas brancas subiram e formavam algo quase inimaginável. Eram asas.

Lúzia notou que era uma entidade celestial, só não conseguia entender como ela estava naquele plano terrestre. Mais flashes, lampejos incandescentes. Agora a entidade celestial trajava uma couraça dourada pesada, o que não combinava com o rosto angelical. Ela sangrava, e as asas estavam quebradas. Arrancou uma flecha do peito e cambaleou um pouco, ela caminhou até um lago e lá atirou-se nas águas. O anjo chorava como se fosse humano, mergulhou e em questões de segundos o corpo castigado emergiu, todavia morto. As penas que formavam as asas se desprenderam e o anjo e cabelos negros agora não passava de um corpo morto. Havia morrido.

– Um anjo... — Sussurrou Lúzia enquanto tentava abrir os olhos. As pálpebras pesavam e aos poucos, ela foi abrindo os olhos deixando a claridade penetrar suas pupilas, ardeu.

Ao abrir os olhos, deparou-se com uma criatura parada a sua frente. Ela não conseguia ver muito bem mas tinha certeza de quem se tratava.

– O que aconteceu... Ricardo?- Perguntou sem hesitar.

– Sobre que anjo falavas?- Questionou uma voz seca.

Um choque penetrou o cérebro da garota, aquilo não podia ser real. Tinha que ser brincadeira. O destino não seria tão malvado. Aquela voz ela conhecia bem, era dele, do Tirano.

– Deixe-me em paz! — Gritou ela, tentou levantar mas a visão ainda estava turva. Ela tropeçou na primeira pedra.

– Chega a ser deprimente- Comentou o General enquanto a menina tentava levantar- Espere uns minutos que sua visão vai voltar ao normal, criança.

– Onde estamos? Cadê meu irmão, Ricardo? E os soldados?- Questionou a Princesa enquanto levantava.

– Todos estão mortos — Soltou uma risada que ecoou pela floresta- Seu irmão? Não o vejo tem muito tempo, deve estar planejando o próximo assassinato.

– Não fale assim do meu irmão! Ele não é como você!- Lúzia foi em direção ao tirano mesmo sem conseguir ver direito- Como ousa?

Ela estava diante dele.

–Obviamente ele não é igual a mim. Sou melhor- Ironizou.

– Não passa de um assassino. Você a matou, você o matou...

– Eu matei muitas pessoas, criança. Diga nomes, por favor — Nessa altura Maximus se divertia com aquela situação. A menina a sua frente era tão adorável mesmo chorando.

– Amalia e o meu pai- Dava pra notar a tristeza no olhar de Lúzia ao falar aqueles nomes. Sua visão aos poucos estava recuperando-se.

– A Necromante? E se eu tiver matado-os, o que você faria?

– Se você tivesse matado? Você os matou!

– Não me recordo- Olhou fixamente para a garota.

– Na noite do incêndio no palácio, você segurava o corpo da Amalia e disse que eu seria a próxima. Quando cheguei na sala do trono o meu pai... o meu pai havia sido assassinado- Lúzia não conseguia conter os soluços.

– Princesa... se eu a queria viva, porque eu tentaria te matar? Eu não mato ninguém que não esteja envolvido com a Ordem- Afirmou o General com uma grande firmeza, se não fosse pelo fato que Lúzia o odiava, talvez ela acreditasse nele.

– Por que justo eles dois?- A menina virou os olhos, não conseguia encará-lo.

– Presta atenção Lúzia, meu alvo era você e cuidar da sua segurança até chegar na Ordem era o meu dever. Capturar e proteger. Eu estava te protegendo naquela noite.

– Como assim? Matando meu pai e a Amalia?

– Seu pai e outra pessoa haviam me chamado naquela noite para conversar, ele sabia ao que eu pertencia e queria a todo custo tentar me fazer recuar. Eu não iria recuar, era um prêmio valioso. Todavia fui ver o que ele tinha a me dizer enquanto seu irmão ainda era aclamado pelo povo- O tom de Maximus demonstrava irritação e ânsia de vômito- Quando cheguei na sala do trono, seu pai estava morto. Havia muito sangue, rapidamente fui até onde a segunda pessoa havia me chamado, o quarto da Necromante. Chegando lá, eu a vi segurando uma faca contra o próprio peito. Alguém havia entrado no quarto dela e a atacado de surpresa, ela ainda não estava morta... teve tempo de me falar umas frases e foi quando você entrou. Seguindo a linha de raciocínio, se as pessoas que tentaram de alguma forma te salvar foram assassinadas, você logicamente era o alvo dessa pessoa. Eu estava te protegendo. Inclusive matei os monges que tentarem lhe matar.

– Você mandou eles me sequestrarem!

–Pra depois matar eles? Não seja tola, eu apenas te segui.

Lúzia estremeceu, não entendia o que estava ocorrendo ali. O Tirano dizia ser inocente, mas as provas indicavam o contrário. Ela estava confusa, perdida e com uma infeliz dor de cabeça.

Tentou recuperar o fôlego de alguma forma, não admitia que aquilo fosse verdade. Não podia ser.

– Estás mentindo...

– Ora! Calada- Maximus deu passos ligeiros na direção da menina e encostou a mão sobre a cabeça dela. Subitamente imagens foram novamente se formando na mente dela, um borrão de cores foram se juntando e ela estava de volta aquela noite. Viu Maximus entrando na sala do trono e viu a reação dele após ver o Rei morto, rapidamente ele recuou e subiu as escadas, correu para o corredor dos quartos e entrou no quarto de Amalia, ele a pegou no ar. Ela sussurrou algo no ouvido dele e nessa hora Lúzia se viu chegando. Um empurrão fez com que ela voltasse a realidade, os olhos preencheram-se com lágrimas novamente. Ela olhou firmemente para o General. Fora tudo tão rápido quando um trovão.

Maximus por sua vez não deixou de sentir uma forte pontada atrás da nuca, aquela garota chorando o incomodava demais. Ele não era o tipo de pessoa que sabia lidar com isso. Pensou até em matá-la se ela continuasse, aquilo realmente o deixava furioso. Maximus tinha sérios problemas com a paciência.

– Eu vi. Maldição... não foi você e agora tenho certeza- Falou Lúzia por fim. Colocando os braços sobre os olhos. Ela sabia que aquilo que ele tinha mostrado a ela era verdade. Amalia uma vez falara de manipulação de memórias em outras pessoas. Ele mostrou a ela o que viu ele naquele noite. Isso deixava Lúzia aflita, nem mesmo Amalia conseguia fazer isso.

– Aquela Necromante, eu não a mataria nem se quisesse. Ela era muito poderosa. Me seria útil — Afirmou Maximus.

– Você não precisa de ninguém, tem um exército- Lúzia tentou sentar no chão encostando o corpo em uma árvore — Ainda sou sua refém.

– Matei os 20 homens que vieram comigo,meus exércitos estão na Hungria agora. Como planejava fugir ontem? Você não tem forças nem para me enfrentar- Fuzilou a Princesa com um olhar.

– Por que me ajudaste então? Quer me levar sozinha para lá e ganhar o mérito?- Lúzia aos poucos ia se acalmando.

– Eu te capturei sozinho, criança- Hesitou enquanto deitava no chão e depositava a cabeça nos joelhos da menina- Eu não vou te levar para a Hungria, mudamos de rumo. Preciso de sua ajuda para outra coisa, quem sabe lhe deixo viva se cooperar.

– Do que estás falando? E por favor, retire-se daí. Abomino sua presença- Lúzia puxou as pernas deixando que o tirano deposita-se a cabeça no chão.

– Nunca se perguntou o que realmente planejemos? — Perguntou friamente para a menina, ele não tirava os olhos do céu- Queremos mais do que o poder destrutivo de demônios, não estamos apenas salvando o mundo matando garotas indefesas.

– E estuprando elas...

– Isso é o de menos, elas iam morrer mesmo.

– Você é um monstro- Retrucou Lúzia com nojo do homem deitado a sua frente.

– Eu não sou um santo mas também não sou um monstro. Isso é muito relativo. Ao menos não deixei que encostassem em você — Maximus colocou os braços embaixo da cabeça.

Um tremendo folgado.

Pensou Lúzia.

– Eu não quero saber disso, continue antes que meu ódio só evolua. Então o que estão fazendo?

– Ritual de evocação celestial.

Antes que ele continuasse a menina o interrompeu

– Mas que diabos...

– Queremos evocar um anjo. E para isso precisamos canalizar muita energia, o ponto alvo são os demônios que tentam se alimentar das meninas. Eles ficam vulneráveis quando sobem a nosso plano e aproveitamos a chance.

– Para quê querem um anjo? — Questionou a menina sem entender.

– Isso é um segredo absoluto mas creio que posso lhe contar, você morreria ao sequer pensar em contar para alguém.- Fez uma pausa enquanto mantinha um malicioso no rosto com cicatrizes leves — Diz a lenda que a cada 500 anos devemos evocar uma criatura celestial, ela irá absorver toda a podridão do mundo. Se não fosse por isso, já estaríamos mergulhados nas mais diversas pragas existentes até mesmo em outros planos. Demônios teriam mais liberdades entre os humanos e seria o nosso fim. E você não vai desconfiar de mim. Sabe exatamente que isso é possível.

– Acredito que nada é impossível- Disse Lúzia incrédula.

– Estamos quase no limite do tempo. O poder ainda não está completo para o ritual — Maximus voltou a sentar-se.

– Matando-me iam conseguir, exato?

– Afirmativo.

– Por que não concluiu o trabalho?

– Eu tenho meus próprios objetivos, eles podem caçar mais umas 100 crianças nesse meio tempo para te substituírem. Eu preciso de você, e eu tenho certeza que somente você pode me ajudar- Maximus levantou rapidamente.

– Por que somente eu? — Franziu o cenho.

– Por que eu vejo você. Todos os dias, desde que voltei do meu treinamento. Uma parte de você está em todos os meus pesadelos, e eu quero saber o porquê. Esse é o meu desejo egoísta.

– Isso não é toda a verdade, eu vejo isso saindo dos seus olhos... — Lúzia ainda permanecia com um ceticismo.

– Quando você estiver preparada eu conto toda a verdade, mas para isso eu preciso confirmar ela. Você vai me ajudar nisso.- Jogou para ela uma muda de roupas — Agora... tome um banho do lago e vista-se.

– Eu não vou te ajudar, sabe que logo posso ficar mais forte e te destruir.

– Primeiro, você não pode fugir. Segundo, sempre serei mais forte. E terceiro, o caminho vai te levar até seu irmão. Se for sozinha nunca vai achá-lo, é o meu pedido de paz — Ironizou mais ainda o tirano.

– Espero que não seja uma flecha atirada no nada.

Ali, estava se criando um grande elo. Ele mataria por ela e ela iria para qualquer onde Ricardo estivesse.

Notas finais
Então? Quem matou Amalia e o Rei? Deixo bailando esse mistério para vocês
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.