One More Chance

5 Capítulo 5 - A Ordem


Notas iniciais
Primeiramente quero agradecer imensamente pela recomendação mais doce e fofa do mundo que a TStagni fez para a fic (Anny diva *-* ) , sério... isso me alegrou de uma forma que eu nem consigo explicar! Bom... tentei explicar um pouco sobre a Ordem nesse capítulo , pode parecer meio confuso mas faz parte do mistério

Era como se algo tivesse tomado o corpo dela
Era como o fogo consumindo tudo a sua frente...

– Meu senhor! Essa mulher insiste em falar com vossa alteza — O guarda empurrou a jovem e intrigante Amalia para frente da sala do trono , como se incitasse a mulher a se curvar. Entretanto ela não o fez. Amalia não temia o Imperador , era audaciosa demais para isso. Ela apenas encarava o homem a sua frente, como quem encara um caça . O tão temido e tirano Imperador Luíz.

– Pois deixe que a senhorita fale. E por favor , retire-se — Ordenou o Imperador em um tom seco e desagradável. Em seguida o guarda deixou o Imperador a sós com a mulher.

Parece um demônio , pensou Amalia . Tinha um olhar tão penetrante que faria qualquer inimigo cair aos seus pés , porém Amalia não era qualquer inimigo . Era uma verdadeira Necromante. Aquela que selou a filha mais nova dele. Uma permutação intensa de olhares fez com que o rei se manifestasse primeiro.

– Amalia. Fizeste teu trabalho célebre? — Ele ainda mantinha o mesmo tom seco , e a mesma posição em seu trono. Amalia estava um pouco longe dele . Em pé. Intrigada.

– Como sabia das minhas práticas , Vossa Alteza ? — Seu olhar demonstrava uma astuta curiosidade.

– Sua mãe era uma grande Necromante, assim como você é — O Imperador pela primeira vez mostrou recear ao ter dito a frase , como se aquilo de alguma forma o tivesse feito sentir dor — Creio que já saiba sobre Lúzia .

– Que ela é uma criança amaldiçoada portadora do Salamandras ? — Agora o som seco viera de Amalia. Ela deu uns três passos a frente , encarando o Luíz.

– Lúzia é um ser extremamente raro. O Demônio Ígneo está dentro dela desde que ela veio ao mundo. Diferente das outras crianças amaldiçoadas — Seu olhar era indiferente, levantou-se do trono e desceu alguns degraus , olhando direto para a janela — Sua mãe deve ter lhe informado sobre a Ordem . A Ordem não sabe sobre Lúzia , Necromante .

– Se você tem uma criança desse porte porque não entregou a Societas Draconistrarum ? A Ordem cuidaria dessa criança. Não é o trabalho secreto deles , cuidar de todas as crianças amaldiçoadas ? — A mulher começou a andar pela sala , enquanto o Imperador mantinha-se parado. De repente a mulher parou e estendeu um imenso sorriso no rosto rosado — Aposto que eles pagariam uma imensa fortuna pela cabeça dela.

– Basta, menina insolente! — Luíz estava perdendo a calma — O Grande General da Ordem não mediria esforços para levá-la ao Império deles. Eles não cuidariam dela , eles a matariam. Eu sei que há outro jeito de livrá-la do Salamandras. TEM que haver.

– Você conhece muito do mundo oculto , Vossa Majestade. Mas saiba que eles saberão mais cedo ou mais tarde da existência dela. A Societas Draconistrarum é a sombra que ronda o universo , são os representantes do lado negro. Não esconderá sua filha por muito tempo nesse reino de luz- Ao dizer isso, rumou até a saída , até a imensa porta de carvalho.

– Eu quero seus serviços- Declarou o Imperador ainda receoso- Cuide de Lúzia até que eu descubra um jeito de tirar a peste dela. — Era tudo o que Amalia mais desejava ouvir. Cuidar da garota era o passaporte para trazer a Ordem até ela . Era o passaporte perfeito para atrair o temido General.

– Onde posso me instalar ? Quero um quarto ao lado dela , minha preciosa criança. Lúzia — Não escondia o imenso sorriso , era vitoriosa. Não hesitara em aceitar a oferta de Luíz , não havia nem como deixar de lado tal importante pedido . Todavia, a mulher loira tinha seus próprios e sombrios planos para Lúzia.

– Vá. Escolha qual quiser — O Imperador deu as costas e voltou-se ao trono.

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Em seu novo quarto , Amalia deitou na imensa cama confortável em seu mais novo quarto ao lado do quarto de Lúzia . Queria clarear seus pensamentos . Teria que agir sigilosamente a partir de agora , e gastaria mais energia do que nunca. Fechou os olhos e não conseguiu evitar que antigos e nebulosos pensamentos invadissem sua mente. Fora há 10 anos , havia ido com sua mãe passar um verão na poderosa Hungria . Não era uma espécie de férias , sua mãe Cătălina , fora convocada por outro grupo de necromantes. Queriam tirar mais informações dos espíritos sobre "as crianças amaldiçoadas" . Esse grupo de necromantes trabalhava para uma Ordem chamada Societas Draconistrarum , a Ordem do Dragão . Esses , eram soldados das trevas que lutavam contra as trevas do lado oculto. Tencionavam expulsar os demônios das crianças que os portavam. Esses demônios só entravam em crianças que possuíam uma luz imensa, a clareza de suas almas os deixavam com fome . Então, quando uma criança do sexo feminino mostrava sua aura marcada para a luz de forma intensa , alguns demônios simplesmente se alojavam no interior de suas almas para alimentar-se e futuramente dominar a jovem .

Quando as jovens estavam dominadas pelo demônio e perdiam totalmente a consciência , muitos católicos não sabiam interpretar isso por falta de conhecimento do lado oculto e acabavam cremando jovens portadoras de demônios, achando que eram Bruxas. Todavia isso não matava o demônio, só os fortalecia por causa do desespero em que as mulheres se viam e os faziam ir em busca de outra portadora. A Ordem deveria evitar isso até onde Amalia sabia.

Evocar espíritos de mulheres que foram cremadas portadoras de demônios era algo extremamente demorado e difícil . Por isso os Necromantes chamaram Cătălina a qual era possuidora de um poder fenomenal. Era uma excelente ajuda.

Sua mãe estava em um ritual onde ela por ser muito nova não poderia participar , pois poderia correr risco de vida . Ficou vagando distraída pelo território marcado pela vegetação de estepe , pegando um pouco da energia dela e meditando quando se deparou com um garoto parado um pouco mais adiante, ele não tirava os olhos do pequeno e fino rio , aparentava ter quatro anos a frente de Amalia . Tinha a postura de um príncipe , olhou de forma lenta e despreocupada para ela quando ela fez menção de ir em sua direção, ela notou que seu olhar azul era feroz e seus cabelos negros batiam nos ombros. Amalia estava na outra ponta do rio , a sua frente . Contudo resolveu se aproximar mais dele , algo naquele garoto fazia suscitar na jovem Necromante uma sensação de hipnotize , uma sensação que ela jamais teve . Ela não teve medo de se aproximar, pelo contrário, ela queria isso . O garoto por sua vez não se moveu , não demonstrou interesse. Após alguns passos , Amalia ficou frente a frente com ele. Todo aquele território pertencia a Ordem , logo , aquele garoto por não parecer um fugitivo deveria pertencer a Ordem ,era o que Amalia pensava.

– Você é da Ordem ? — Perguntou ela inocentemente com uma voz incrivelmente doce.

Após longos minutos , o garoto notou que ela não iria embora tão cedo. O olhar da garota demonstrava firmeza e admiração.

– Sou o futuro General da Ordem. E você é ... ? — Perguntou ele ainda indiferente, como se aquilo tudo fosse uma perda de tempo.

– Sou uma futura grande Necromante . A minha mãe está ajudando a Ordem com os assuntos das crianças portadoras de demônios. — Ela ainda estava entorpecida pela energia colossal do garoto , o qual apenas deu um suspiro como resposta. — Se você é o futuro General quer dizer que você tem muito poder.

– Mais do que você pode imaginar — Respondeu friamente.

– Meu nome é Amalia e o seu ? E o que faz aqui ? Não deveria estar em treinamento igual a todos os futuros soldados ? — Amalia supôs que os soldados sempre estavam em treinamento , pois além de serem soldados místicos , ainda lutavam como soldados normais. Aquele território vivia em constante guerra.

– Maximus — O garoto ainda mostrava-se aéreo demais , como se ele nem estivesse presente naquele momento — Estou relaxando um pouco, eu já passei pelo meu treinamento. Não precisarei treinar nunca mais. São coisas da Ordem.

Amalia entendeu o que ele quis dizer , aquilo soou como "não me pergunte nada relacionado" .

– Ficar parado olhando para um rio te agrada? — Tentou brincar um pouco com ele , saindo da borda molhada do rio e ficando lado a lado com o garoto. Ainda sorria de forma abobalhada.

– Olhar a água me lembra algo , é o único momento onde não me sinto tão vazio. — Disse Maximus com um olhar forte sem hesitação.

– O que a água te faz lembrar ?

– Uma pessoa.

– Quem ? — Amalia era astuta demais.

– Isso não importa. Eu não lembro — Era a primeira frase que Amalia ouvira dele que soava triste. Ele realmente sentia algo.

Ele virou-se instantaneamente e saiu caminhando por dentro da vegetação baixa de estepe sem dizer ao menos onde ia , ou se despedir . A jovem Necromante o seguiu, sem dizer mais nada pelo resto do caminho. Era melhor que ficar sozinha.

Ele estava indo para o castelo. Tentou supor mais uma vez , já que ele não lhe parecia uma pessoa normal. Se ela não fosse uma necromante , ia acreditar profundamente que aquele garoto frio era uma divindade , um ser místico que não pertencia a esse mundo.

Aquele encontro inesperado foi algo que marcou a vida da garota de forma intensa. Ela o amou e ainda ama assim que o viu pela primeira vez .

Quando chegaram a frente do castelo , a mãe de Amalia disse que já haviam terminado o trabalho e que as duas estavam de partida , iriam embora dentro de uma hora . Amalia ainda conseguiu ver Maximus entrando em um quarto sem nem ao menos olhar para trás, desaparecendo como fumaça. E assim ela foi embora da Hungria sem nem ao menos conhecer um pouco mais daquele intrigante garoto . Embora dois anos depois ele tenha se tornado de fato o General , ela jamais deixou de amá-lo. Seu amor chegava a parecer doentio e provavelmente o homem que agora deveria estar com 23 anos nem lembraria mais dela, chegava a ser algo irônico.

Amalia nunca mais viu Maximus , nem sabia onde encontrá-lo. Porém sabia que ele ainda estava vivo, os espíritos sempre tentavam informar a ela sobre a situação do jovem e temido General. E agora ela tinha uma imensa carta na manga , a garota. Lúzia. O General jamais viria atrás de um simples demônio, entretanto o Salamandras de longe não era um simples demônio . Era um demônio do fogo . Se Lúzia aprendesse a controlar a energia do Salamandras , ela teria poder suficiente para fazer a Ordem inteira sucumbir . Quando Maximus viesse atrás da garota, ela iria dizer o plano. E ia de vez dar um fim no que prendia ele. Ia libertar ele para amá-la. Não havia como ele recusar o poder que teria. Mantendo esse pensamento, adormeceu . Ver o amado novamente era como realizar um sonho, mesmo que fosse um sonho que ainda estava um pouco distante . Nem imaginava ela que Maximus era um perigo tanto para ela quanto para a menina. Era aquele que devoraria suas almas.

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Fora pela manhã que Lúzia finalmente abrira os olhos , estava fatigada. A luz do sol penetrava em seu rosto de uma maneira tão prazerosa que ela nem se dera conta que sua mão estava com um corte imenso , que por sinal ninguém tinha tratado dele. Não lembrava ao certo do que havia ocorrido no dia anterior , tudo o que lembrava era que seu médico estava desesperado sem saber o que fazer . Após cogitar o que havia ocorrido no outro dia , chegou a conclusão que seu médico realmente tinha resolvido o problema pois ela estava se sentido extremamente melhor naquela manhã . Depois iria até ele perguntar o que realmente houve . As janelas de seu quarto permitiam que uma brisa fria deixasse o local agradavelmente confortável. Foi um choque , porém , quando notou que no chão havia um imenso círculo de sal . E uma vela negra bem no meio dele . Levantou rapidamente e foi em direção ao círculo, chegando lá , entretanto , sentiu uma presença por trás de si . Um vulto . Uma pessoa desconhecida. Era uma mulher tão linda quanto uma deusa. E olhava para Lúzia de forma interesseira e com uma fatuidade estampada no rosto. Como ela entrou no quarto sem que Lúzia percebesse era um mistério. Quando Lúzia fez menção de começar a falar , a mulher bela falou primeiro.

–Desculpe-me. Acabei sujando todo o seu quarto — Seu olhar não demonstrava perigo e sua voz era tão doce que deixou Lúzia um pouco mais aliviada.

– Não há problemas . Apenas achei estranho esse círculo. — A mais nova apontou para o círculo de sal — E para quê uma vela negra ?

– Me chamo Amalia . E fui designa para cuidar de você por um longo tempo. — Amalia curvou-se diante da Princesa em um sinal de redenção.

– O...o que houve aqui ? — Lúzia demonstrava um olhar um tanto assustado. Mil pensamentos dominaram sua mente . Pensava que estava terrivelmente doente e que poderia vir a morrer em breve.

– Você não corre mais perigo Lúzia . Acalme-se- Respondeu como se lesse a mente da garota. Amalia indicou uma poltrona para que a menina sentasse e tentasse se acalmar mais . Lúzia sentou , com um olhar confuso e uma expressão espantada .

– Sabe o que houve aqui no dia anterior , Lúzia ? Consegue lembrar ? — A mulher disparou as perguntas de forma seca e com dissidência de tom , do agudo para um mais um mais grave.

– Não — Lúzia ergueu a cabeça ,toda a expressão espantada e assustada veio a desaparecer. Finalmente notou o que estava havendo — Mas tenho certeza que você sabe. Peço-lhe humildemente que me conte.

– Você estava morrendo -Amalia parou de falar como se o mistério fosse algo prazeroso para ela.

– E... ?

– E eu te ajudei — Amalia olhou para Lúzia a qual possuía um sorriso com um ceticismo extremo . O próximo passo a ser dado era perigoso e ousado , chegava a ser delicioso para a jovem Necromante — Você sabe quem é , Lúzia ?

– A filha mais nova do Imperador da Romênia . Noiva de Ricardo , o filho adotivo do soberano . Meu irmão. — A resposta de Lúzia parecia algo gravado . Amalia não estava gostando muito da jovem Princesa , lhe parecia uma criança insolente e mimada.

– Isso é superficial demais minha cara Lúzia. Aliás , seu nome... seu lindo nome , significa luz não é mesmo ?

– Sim , é exatamente isso.

– Conhece a Lenda da Societas Draconistrarum ?

A pergunta bailou no ar , parte de Lúzia queria afirmar que sim mas a outra parte sabia exatamente que ela nunca ouvira tal nome . A inquietação de seu coração a fez temer a definição que provavelmente viria . Aquele nome ,Ordem do Dragão fazia o sangue de seu rosto sumir , e um dragão nada mais era que um demônio para Lúzia. A menina tinha um instinto feroz quando se tratava de algo perigoso e sabia que tal nome lhe traria uma imensa balbúrdia. Porém o que mais comoveu Lúzia era que esse nome fazia ela sentir uma nostalgia amargurada. Uma ferida estava surgindo em seu coração sem ela nem ao menos saber do que de tratava.