One More Chance
14 Capítulo 14 - O General Leão
Notas iniciais
"Depois de tantos milênios
Você ainda se parece com a luz ..."
Não era sensato da parte de Lúzia ir contra o inimigo agora, mesmo que sua vontade fosse matá-lo ali mesmo . no templo de Deus. Enquanto Lúzia tentava canalizar a energia do fogo para se curar , milhares de pensamentos lhe invadiram. Maximus estava fazendo guarda bem a frente dela. Limpando o fio da espada , retirando o sangue dela. Logo , a garota pensou que ele havia contratado os monges para mantê-la segura para depois capturá-la, sentia-se uma completa idiota. Ele novamente a enganara. Ela sabia que não tinha forças para fazê-lo queimar ou algo do tipo, e era isso o que a mais deixava frustrada.
– Por que contratou esses monges? — A pergunta saiu de forma inesperada , mas era uma intensa curiosidade.
– Já terminou de curar o ferimento? Eu não tenho tempo para idiotices , o local está sendo invadido — Maximus falou em um tom seco.
– Estou sendo levada contra a minha vontade por crimes que nem sequer cometi, ainda estou me curando então não é perda de tempo, assassino — Lúzia cuspiu as palavras , tentando não parecer mais nervosa do que estava.
–Não contratei ninguém, demônio — Respondeu friamente enquanto virava para fitá-la — Um general deve manter a sua honra.
– Que honra? Eu sou inocente... — Lúzia abaixou a cabeça para que o tirano a sua frente não a visse chorar.
– Todas são. Aprenda, eu não estou aqui para julgar os pecados de ninguém .Sirvo ao meu rei e o desejo dele é uma ordem — Maximus apontou a espada para a garota , e a fitou intensamente nos olhos.
Por uma das janelas de vidro , uma flecha flamejante invadiu o local quebrando-a e ficando cravada em uma cortina . Em instantes o fogo começou a subir. Maximus guardou a espada da bainha e foi em direção a janela , viu que os lacaios estavam ainda mais perto, aquilo era um verdadeira incômodo.
– São os lacaios? Por que eles estão fazendo isso? — A garota perguntou enquanto tentava se levantar.
– Eles querem o Salamandras.
– Pra quê?
–Para nos deter — Ao falar isso , o General puxou a garota pelo braço de forma brutal — Vamos sair daqui imediatamente.
Maximus arrastava a garota ainda ferida pelos corredores onde ela passara antes quando fugia de Henrique . Eram silenciosos e largos , dando um aspecto assustador. Nas paredes , havia vários quadros os quais Lúzia não havia visto quando passou correndo por lá. Julgou que talvez a adrenalina não tivesse ajudado muito sua visão.
Um dos soldados de vestes negras e com uma espada completamente ensanguenta apareceu ao final do último corredor, vendo Maximus e a garota ele se curvou.
– Ordens, meu senhor -Pediu o soldado.
– Matem todos , não deixe que um lacaio sequer sobreviva. E matem todos os monges traidores — Ao receber a ordem, o soldado de armadura negra saiu imediatamente do corredor.
–Você é louco! — Exclamou Lúzia , ela se debatia mas o General nem sequer se movia. Ele ainda mantinha uma calma assustadora.
– Princesa... você vai morrer de qualquer jeito — Deu um sorriso de lado e voltou ao que estava fazendo anteriormente , apertou mais ainda o braço dela a arrastando por toda a extensão do mosteiro. Só parou quando passou pelos portões e contemplou a cena , viu apenas uns vinte soldados de armadura negra destruírem completamente a formação dos lacaios. Aqueles eram os soldados dele , a elite. Os mais fortes. Maximus tinha orgulho do que fizera e dessa vez sem um jovem Príncipe para queimar a verdade.
Ainda parada em frente ao portão principal , naquela imensa balbúrdia , Lúzia ouvia os gritos , ouvia inclusive gritos de mulheres. O terreno baixo de gramado logo foi sendo substituído por fileiras grossas de sangue. Era um massacre com os lacaios e certamente dentro do mosteiro estava pior ainda . Os monges eram traidores segundo Maximus , Lúzia só não entendia o motivo. Ainda não conseguia aceitar o fato de que algo estivesse dentro dela , não um demônio.
"Matem todos "
Aquelas palavras ainda ecoavam na mente da Princesa, mais um motivo para querê-lo morto. A cada segundo, ela nutria seu ódio por aquela tirano.
Pessoas morrendo aos montes, e das piores formas possíveis. Como uma dança perene e macabra , os soldados iam matando sem piedade . Maximus parado em frente aos portões mantinha um rosto rigido, inexpressivo. Apenas esperava o término da luta. Sem deixar a vista de novo a incrível lâmina de sua espada, a mantinha guardada.
Em meio a gritaria e correria , uma cabeça decapitada de um jovem que aparentava ter quinze anos passou diante os olhos de Lúzia. Os olhos abertos , a expressão de horror. Lúzia conseguiu acompanhar tudo, como se a cena passasse em câmera lenta. Viu o sangue suspenso no ar saindo da cabeça do pobre garoto . Jurou que ouviu algum sussurro , alguém gritando em seu ouvido, uma súplica .
Tentou perscrutar um modo de fugir daquela cena , virou o rosto rapidamente para perto de Maximus , o depositando no peitoral do tirano. Ela não conseguia ver aquela cena, era pesado demais . Uma criança decapitada e um rio de sangue. O homem por sua vez a olhou com uma frieza sem tamanho , não deixaria tal criatura demoníaca se aproximar dele . Mesmo que ela parecesse apenas uma menina indefesa , ela possuía em si o demônio capaz de trazer a verdade ao mundo mesmo que fosse pelas trevas.
–Se quiser não veja , mas não volte a encostar em mim- Maximus advertiu a menina a empurrando contra o chão .
Ao colidir contra o chão , Lúzia ouviu um sussurro ainda distante. Era a voz de uma mulher e ecoava como se viesse da própria mente da garota, uma permutação de vozes soavam como um coro demoníaco e parecia que era somente ela que ouvia .
De joelhos ao chão ela sentiu o corpo estremecer por completo. Agora mesmo o sussurro estava mais claro.
"Não deixe que ele a toque "
Subitamente , ela sentiu o corpo ser aquecido suavemente , sentiu o movimento de cada chama ao seu redor. Sentia o movimento das árvores , conseguia ouvir cada som que a floresta emitia . Parecia um espetáculo de horror ao seu redor , a intensidade do ambiente foi diminuindo cada vez mais como se ela fosse parte daquela natureza, como se fossem um . Chegou ao ponto que as vozes das pessoas agonizantes de antes agora convertiam-se em zumbidos lentos e irritantes, a visão da jovem foi ficando turva . Ela ainda conseguia ouvir o sussurro todavia cada vez mais distante.
O General notando que a energia da garota ajoelhada que antes parecia como um mar agitado agora convertera-se em uma tempestade ígnea. Sentia o próprio coração queimar ameaçando parar a qualquer momento. Algo estava errado, ela estava errada.
Ele sabia o que estava ocorrendo , de alguma forma o Salamandras estava manifestando-se , Lúzia estava fora de controle. Sem pensar muito, puxou-a pelos braços mesmo sentindo as mãos queimarem , olhando fixamente para os olhos dela. Com uma expressão de fúria , a respiração acelerado . Ele tinha que ter cuidado, um passo errado e tudo daria errado.
– Lúzia... — Ele balançava ela , sabia que se uma vez manifestado o Salamandras , nem todo o poder que ele tinha poderia evitar o pior. E ele não iria perder tudo agora, justo quando tinha em mãos a chave do pecado.
Ela não parecia residir mais em seu próprio corpo, olhou vagarosamente para cima enquanto Maximus ainda a sacudia com força , instantaneamente gotículas de fogo foram decaindo do céu , a imensidão azul agora possuía vários pontos de luz. Pontos esses que eram fagulhas , e aos poucos foram ficando cada vez mais intensos. Era ela , Lúzia , que estava perdendo o controle e evocando o próprio Salamandras.
Todos os soldados olharam para o céu quase flamejante , se não fosse em gotas pequenas aqueles homens já teriam morrido.
–É a vadia portadora do demônio . Perdeu o equilíbrio — Gritou um soldado enquanto retirava a espada da garganta de uma mulher.
A menina parecia entorpecida , sem vida no olhar e com uma expressão de morta. O General podia jurar que aquele corpo já não tinha mais alma , e ela estava diante a ele com uma energia colossal saindo e entrando dentro dela. O tirano tinha que arrumar um jeito de parar aquela criança , não poderia matá-la agora e muito menos machucá-la . Quando pensou em usar um pouco de seu poder , a menina foi mais rápida. Estendeu a mão e fez setas flamejantes perfurarem a armadura do General o qual ficou imóvel.
–Infelizmente isso não vai te matar General , essa garota me pertence. Não deixarei que toque nela novamente. — Era uma voz mais firme , não parecia a voz gentil de Lúzia. E não era a garota , era o Salamandras.
– Ela é MINHA! Demônio! — Maximus gritou.
–Você leva várias flechas flamejantes em si e não morre, apenas fica imóvel . Tem certeza que a minha prole é o demônio aqui? — Salamandras ria de forma descontrolada no corpo de Lúzia. De repente , Salamandras deu um passo para trás com uma expressão de terror nos olhos , como se algo realmente perturbador estivesse diante a ele . Provavelmente era Lúzia tomando o controle do corpo — Eu voltarei.
Em um piscar de olhos , os olhos que outra vez eram sem vida voltaram a expressão tempestuosa. Lúzia estava de volta. Não sabia ela o que havia ocorrido e pouco se importava , notou que Maximus de alguma forma parecia atordoado, estava imóvel e nenhum soldado olhava para ela. Como um choque a resposta veio ligeiramente em sua mente . Era correr ou morrer.
–Lúzia... fique onde está... — Maximus mantinha a calma enquanto começava a mover vagarosamente o corpo, ele sabia o que ela planejava . Se ela o fizesse , ele não teria mais piedade — Fique calma garota.
– Você é louco? Adeus idiota. Eu tratarei de fazer com que você nunca me capture — Lúzia puxou a barra do vestido e começou a correr em direção aposta a que estava, correu até que entrou dentro da floresta. Lá, ela não parou de correr nem por um segundo sequer. E nem tinha a intenção de parar tão cedo. Não prestou atenção se alguém tinha a seguido. Apenas correu.
Algo na mente daquela criança não a deixava em paz enquanto ela corria por dentro da mata alta. Por que ela não havia matado aquele homem enquanto podia ? Vingar a morte da amiga e do pai era o que ela mais queria e no entanto ela não o fez.
2014 — Atual Romênia
Sentado em uma cadeira nada confortável , algemado e com os tornozelos amarrados nas pernas da cadeira , ele ameaçava acordar . Sentiu o corpo inteiro doer ao tentar se movimentar . Suas costas ardiam como se houvesse lhe tirado uma costela sem anestesia. Sentiu a garganta queimar , aos poucos foi abrindo os olhos . As luzes claras do local faziam seus olhos queimarem , Lorenzo amaldiçoou o dia em que Ricardo veio ao mundo.
Quando conseguiu enxergar mais nitidamente , notou que Anna estava na cama a frente da cadeira onde ele estava preso. Ela dormia e dessa vez parecia não sentir tanta dor. Um suspiro saiu sem que Lorenzo notasse. Aquela que dormia a sua frente trazia a ele uma calmaria sem tamanho. Só de estar perto dela Lorenzo sentia-se feliz.
Todavia aquilo não era um mar de rosas. E o caçador de recompensas não sabia ao certo qual era a situação.
–Ora, vejo que está acordado — Uma mão bateu no ombro esquerdo de Lorenzo o qual sentiu a dor piorar. Aquela voz ele conhecia , não tinha como esquecer. Era de Ricardo.
–Rick, é assim que você trata um convidado? — Lorenzo riu em sarcasmo.
–Não tenho tempo para suas idiotices. Sua energia fez com que essa garota se curasse. — Falou rápido e apontou para Annabelle — É por isso que está vivo até agora. Pois eu permiti.
– E você esteve vivo até agora porque eu não sabia onde essa garota estava, agora que sei onde e como ela está — Novamente Ricardo soltou um suspiro — É bom que esteja preparado.
– Você é um tolo se acredita nisso, Pérfido — Rosnou o homem em roupas de conde.
– Como tirou a minha energia?
– Você sabe. Afinal você sabe muito mais que eu e essa garota juntos — De fato Lorenzo sabia. Crescera tendo lembranças de alguém o ensinando algo, outras coisas como tomar a energia de alguém brotara em sua mente como algo que ele sempre soube , apenas estava escondido dentro de si. Sabia retirar a energia, dar a própria energia. Entretanto ele lembrava-se de muito mais , só não sabia como usar isso.
Ricardo retirou-se da sala deixando Lorenzo pensativo e ainda olhando para a jovem Annabelle, o que estivesse passando pela mente daquele ex-sargento não poderia ser entendido , apenas observado.
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