One More Chance
15 Capítulo 15 - O cordeiro na pele de lobo
Notas iniciais
Rutilava algo que não podia ser descrito ...
Era a luz e a escuridão ao mesmo tempo...
Um pássaro preso.
1411 — Idade das Trevas , Romênia.
Trivial. Era sempre as mesmas árvores, o mesmo solo , a mesma vegetação. Ela corria por horas , volta e meia escorregava e caia, estava extremamente assustada . O corpo estava completamente fatigado, repleto de cortes e lama. Parecia que mesmo estando correndo por várias horas ela não saia do lugar , o que deixava Lúzia furiosa. Ainda não conseguia entender bem o que havia ocorrido na noite anterior , fora tão rápido. Uma hora o assassino estava em sua frente e na outra ela estava no meio da floresta correndo em direção ao desconhecido . Ela não sabia ao certo o que levara a não completar o ato e matá-lo , ele estava a frente dela , imóvel , um movimento dela e ele morreria todavia não foi isso o que ocorreu. Ela fugiu. Estaria marcada para sempre com tal ato vergonhoso.
O sol estava começando a emergir das montanhas , Lúzia conseguia ver com perfeição os raios de sol encontrando-se com a neblina alta e dando um efeito quase surreal . Se não estivesse tão assustada e confusa , aquela cena seria tão bem-vinda. Uma lembrança que ela guardaria até o fim se sua vida , no entanto a angústia era predominante.
Lúzia acreditava firmemente que Maximus era um sujeito pacóvio. Quando matara Amalia e seu pai, ela acreditou que talvez ele só quisesse poder. Ser o rei. Mas , ele não ficou com a coroa e veio atrás dela o que mudou completamente o pensamento da jovem. Seu objetivo inicial era capturá-la e agora ela entendia o porquê, ela definitivamente não era normal, portava em si, um demônio. Talvez isso não fosse verdade , mas ela preferia acreditar em algo do que não acreditar em nada. O ceticismo em coisas inimagináveis a tornaria mais fraca.
Amalia havia ensinado à ela a ser forte, e tudo o que ela estava fazendo era fugir e temer ao leão enfurecido. Sabia que teria de se vingar , mas como? Lacaios misteriosos a estavam perseguindo por alguma razão e Maximus pertencia a Ordem do Dragão, ele iria atrás dela sem hesitar. Mas se ele era o Grande General, o que o fizera ir pessoalmente atrás dela? A garota sabia que havia algo mais sombrio por trás disso tudo.
Agora já não corria, andava lentamente quase cambaleando pela fraqueza. Estava fatigada, extremamente exausta. Todavia sabia que ainda corria perigo. E ficar parada não era uma opção.
Enquanto andava vagarosamente pela exaustão, ouviu algo vindo a sua frente, numa parte mais clara da floresta. Escondeu-se atrás de uma árvore instintivamente.
Nessa altura o sol já havia se deslocado das montanhas.
O som não parecia se aproximar, estava apenas vindo de um único lugar , sem aumentar ou diminuir , tudo dava a entender que alguém mais a frente na parte clara da floresta instalara-se em meio a floresta.
Lúzia sentiu o cheiro de fogo assando provavelmente algum animal, certamente era um acampamento improvisado. Tal situação deixava Lúzia aflita, ela sabia que agora estava correndo um perigo ainda maior .
Julgou que talvez o pequeno lago a sua esquerda favorecera aquela pessoa a acampar ali , porém Lúzia não tinha certeza. E não sabia de quantas pessoas de tratavam.
Cogitou infinitas saídas para a situação , sabia que não poderia recuar pois os soldados estariam próximos, o jeito era ir mais adiante e ver a situação com os próprios olhos. Decidida a tirar a dúvida, começou a se aproximar do local, escondendo-se atrás das árvores e andando de forma bem lenta. Notou um conjunto de várias vozes juntas , vozes de homens . Eles riam e falavam muito alto. Lúzia andou mais um pouco , escondeu-se atrás de uma árvore os avistou. A cena em si fora tão arrepiadora quanto a da noite anterior.
Uns vinte homens com vestes negras e armaduras reluzentes incrivelmente negras encontravam-se ali. Mas não era somente isso, cinco garotas estavam amarradas em volta de uma árvore grossa, todas choravam . Ao meio, amparado em outra árvore estava ele, Maximus. Ao vê-lo, Lúzia quase soltou um grunhido de ódio mas conteve-se antes que fosse descoberta.
Ela olhou para o General, o qual estava parado e limpando a sua espada de fio negro, como se toda aquela movimentação de seus companheiros não significasse nada. Parecia perdido em meio a suas próprias cogitações. Por um momento, algo invadiu os pensamentos dela, era como se aquela figura de vestes negras e olhar sombrio pertencesse a uma lembrança antiga dela. Fosse parte dela.
De repente, Lúzia ouviu o grito de uma mulher. Era assustador e desesperador . Notou que um outro soldado se aproximou do acampamento e ele estava segurando uma mulher pelos braços, a jogou no chão e olhou para o General.
– Meu presente para você, meu senhor- Ajoelhou-se diante a Maximus , o General no entanto ainda mantinha-se inexpressivo — Aceite.
– Sabemos que o senhor é o que mais gosta de brincar com essas garotas puras — Um outro homem falou rindo.
Subitamente como um raio, o General leão olhou para onde Lúzia estava ignorando totalmente os outros homens. O fôlego da menina se rompeu. O coração começou a descompassar, estava com a adrenalina correndo em suas veias.
"Ele me viu"
Pensou enquanto seu corpo mantinha-se paralisado. Todavia ele desviou o olhar do canto onde ela estava dando um sorriso de lado belíssimo. Levantou-se e foi até onde a mulher caída estava. Ele se aproximou.
– Levantem-na — Ordenou friamente. Uns dois homens a segurou pelos braços e a levantou — Sabe, eu gosto muito de garotas puras... — Deu um beijo no pescoço da mulher , ele ainda mantinha um sorriso sinico — Mas não existe mulheres puras de alma nesse mundo.
Maximus mordeu de forma lenta e prazerosa o pescoço da jovem. Depois a soltou limpando os lábios como um felino.
– Aproveitem ela vocês e por favor, longe daqui — Maximus empurrou a mulher para outro soldado, todos os outros homens de vestes negras o encararam surpreendidos. Não era uma atitude normal do General, ele sempre aceitava os presentes que seus companheiros lhe davam, amava o prazer de forma intensa — Crianças não podem ver essas coisas, sabia disso Princesa? — Gritou.
– Princesa, meu senhor? — Um soldado rufino e sem expressão perguntou com a cabeça baixa.
– Não sentiram a presença dela? É como não notar o próprio sol. Dois mil anos de merda pelo visto. — O general cuspiu as palavras . Odiava trabalhar com pessoas , principalmente pessoas fracas e incompetentes — Lúzia, saia imediatamente ou essas garotas serão estupradas e mortas pelos meus soldados. É um aviso criança, não abuse da minha boa vontade.
O General voltou a olhar para onde ela estava.
Lúzia sabia que ele não estava mentindo, tampouco gostaria de se entregar. Mas eram garotas inocentes, choravam e provavelmente gostariam de voltar para suas famílias, não havia muito o que pensar. Apenas cogitaria uma forma de matá-lo sem haver imprevistos.
Maximus fez um movimento simples com a cabeça e os vinte homens saíram do lugar, uns foram para a esquerda e outros para a direita.
A garota pensou rapidamente que talvez fossem dar a volta pela outra extremidade para capturá-la. Não havia mais volta se isso fosse verdade, estava encurralada novamente por ele.
Havia um General insano, umas garotas presas em uma árvore e uma fogueira no lugar.
"Uma fogueira!"
Pensou alto. De fato aquilo era animador, o fogo iria dar forças a ela. Forças para matá-lo de uma vez.
Desceu uma pequena rampa tomando o máximo de cuidado possível, uma queda a deixaria mais fraca e ela não queria isso. Tinha que estar no melhor estado possível para enfrentá-lo. Respirou fundo, viu algumas folhas que estavam no chão rolarem a medida que ela descia. Maximus estava em pé e parado frente a árvore onde as garotas se encontravam. Mantinha os braços cruzados com uma expressão sinica.
Lúzia alcançou o terreno onde estava o acampamento do General. Ele a fitou com uma expressão apática e desanimada quando ela surgiu de dentro das árvores.
– O que faz aqui? — Perguntou em um tom irônico.
– Vim para matá-lo. — Lúzia respondeu em um tom de voz altamente feroz, o vestido creme estava em farrapos.
– Palavras de uma criança — Retrucou o General.
– Eu posso matá-lo aqui e agora!
– E por que não fez isso quando tinha chances? Está fraca garota, o que acha que pode fazer comigo? Me matar? Cresça de uma vez.
– Isso é que vamos ver! — Lúzia respirou fundo e fez as chamas da fogueira ampliarem de forma que o fogo começou a se alastrar pelo solo , como serpentes flamejantes. As chamas chegaram até onde Maximus estava e um círculo fez-se em volta dele o qual mantinha-se ereto e ainda com uma expressão sem vida sobre a face.
Maximus ainda muito calmo começou a se mover, deu um passo para frente sem hesitação , ele encarava a Princesa de formas que os olhos nem piscavam. Deu mais um passo e no terceiro as chamas simplesmente extinguiram-se diante a ele. Como se algo invisível apagasse completamente o fogo que antes ardia. Algo que liberava a passagem para o tirano. Algo que Lúzia não estava preparada para enfrentar. A menina ficou sem reações, incrédula. Estava diante de algo ainda mais perigoso.
Ele continuou andando em passos leves, indo em direção a Lúzia. Sem pensar direito, ela manipulou mais um pouco da fogueira e criou uma bola de fogo a qual lançou em direção ao tirano. Lúzia estava desesperada, aquele ato não foi bem cogitado.
Assim que o fogo chegou perto do General, uma barreira invisível o fez desviar indo em direção a árvore onde as garotas encontravam-se. Rapidamente o fogo começou a se espalhar , o calor as faziam gritar de pânico. Estavam desesperadas , iam queimar vivas se Lúzia não pensasse rápido. Ela sabia não podia apagar o fogo ou ele iria aproveitar a chance e a capturar sem pensar duas vezes. De repente, Maximus parou com a caminhada leve, olhou para árvore onde as garotas estavam e emitiu uma risada intensa direcionada a Lúzia.
– Princesa, me passou algo bastante divertido em mente. Seu olhar demonstra que você vai me matar a qualquer instante. Tens duas escolhas , ou salva as meninas abaixando o fogo ou pode me atacar , prometo que dessa vez somente usarei a minha espada.
As garotas gritavam, Maximus mantinha seu sorriso perverso como se soubesse o que iria ocorrer. Como se tivesse previsto isso tudo desde o momento em que sentira a presença dela.
Lúzia sabia o que fazer , sabia os riscos que teria de correr mas não havia escolhas. Aquele homem era semelhante ao diabo, não havia piedade em seus olhos . De alguma forma, aquilo assustava intensamente a garota ,mas não era apenas isso , aqueles olhos transmitiam um sentimento triste para a valente Princesa.
Tentou se concentrar, havia impulsos em sua escolha. Uma gota de suor decaiu de sua sobrancelha. Rapidamente correu em uma única direção.
Correu para a direção da árvore.
Ficou a frente da árvore, concentrou-se e fez o fogo cessar em questão de segundos. Soltou as cordas que prendiam as garotas com facilidade.
–Saiam! — Gritou ela para as jovens enquanto virava-se para Maximus.
As garotas não hesitaram e correr, cambalearam um pouco mas rapidamente suas sombras formas acolhidas e escondidas pela floresta. Nem ousaram olhar para trás, o temor as dominou.
Algo inesperado estava para ocorrer naquele local, algo que mudaria completamente o rumo que a fuga da Princesa estava tomando. Talvez fosse a arte do inevitável agindo.
Lúzia sentiu o corpo pesar, mal conseguia manter-se equilibrada naquele momento. Olhou para o General, viu a expressão de desentendimento pairar sobre aquela face severa.
Tudo ao seu redor foi ficando em uma intensidade reduzida , subitamente tudo começou a girar. Lúzia sentiu seu corpo arder. Uma intensa dor muscular a impediu de movimentar-se , fechou os olhos sucumbindo a dor. Foi em direção ao chão por perder a firmeza nos pés.
Sentiu algo caloroso a envolver impedindo que seu corpo colidisse contra o chão. Vagarosamente abriu os olhos pois não entendia o que estava ocorrendo, sentia a garganta arder. Tudo o que conseguiu ver foi um rosto nostálgico a encarando com uma imensa preocupação. Fechou os olhos em seguida, não conseguia suportar a dor. Aceitou o apoio do General que também não estava entendendo o que estava ocorrendo.
– Ajude-me...
Fale com o autor