One Last Time
2 Killer Trance
Notas iniciais
“The war of our lives no one can win. The missing piece I yearn to find.”
❅
Eu queria ficar acordada para ter certeza de que ele não iria entrar em meu quarto a noite e me matar enquanto eu dormia, mas de alguma forma consegui pegar no sono. A caneca de café vazia jazia no chão onde eu tinha deixado cair quando o sono estava demorando. Fui acordada por um grito de agonia, certa de que vinha da sala.
Dei um pulo na cama, esfregando os olhos, ainda sentia a sensação de peso do sono puxando-me para o travesseiro. Rapidamente levantei, quase tropeçando na caneca de café. Corri para fora do meu quarto ouvindo barulhos de tropeços.
— Hey! — gritei, adentrando a sala, vendo todos os meus móveis destruídos. — O que diabos você está fazendo?
Ele se virou, seus olhos estavam vermelhos sangue e uma carranca escura pairava sobre seu rosto. Ele segurou o meu pescoço com seu braço de metal, era desesperador sentir meus pulmões implorarem por ar, seu braço fez um movimento jogando-me contra a parede, derrubando um porta retrato em cima da minha cabeça. Como se já não bastasse! Ele caminhava ameaçadoramente em minha direção, meu coração começou a bater violentamente dentro do meu peito, o olhei nos olhos e percebi que ele estava em uma espécie de transe assassina.
Esquivei-me na hora certa. Eu podia sentir a rajada de vento acima da minha cabeça onde seu punho tinha atingindo. Corri para o outro lado do apartamento e tentei chegar até ele lentamente, como se eu fosse me aproximar de um gato selvagem.
— Sem essa! — gritei. — Esse não é você.
— Ah, é? — ele zombou. — Como você sabe?
Ele tentou me atingir novamente. Os mecanismos em seu braço de metal estalaram, fazendo um som aterrorizante, o que provocou arrepios em minha espinha.
Nós estávamos em lados opostos da sala de estar. Corri em volta do mesmo, tentando escapar dele, quase chegando à cozinha, quando ele jogou uma moldura de foto em mim. Merda! Aquilo doía. Perdi o equilíbrio e cai no chão. Meu rosto esmagado contra o tapete, eu podia sentir o sabor de ferro do meu sangue em meu lábio.
Em passos rápidos ele já estava atrás de mim. Puxou-me, por minhas pernas até ele, enquanto eu gritava, tentando impedi-lo de chegar até mim. Ele virou-me de costas e ficou em cima de mim, prendendo-me no chão. Ele tentou empurrar minhas mãos para o chão, mas eu lutava contra, tentando esquivar-me debaixo dele.
— Me solta! — gritei, quando finalmente conseguiu me controlar. — Seja o que for... Não é real!
— Cale-se! — ele gritou, enforcando-me com seu braço de metal. Se eu sobrevivesse, aquilo deixaria hematomas terríveis. — Você é a minha missão...
— Missão? — engasguei, sentindo uma dor surda por todo o meu corpo, enquanto lágrimas corriam pelo meu rosto. — O que diabos você está falando? Você só precisava de um lugar para descansar, lembra? — consegui balbuciar sem forças.
Ele segurou o meu rosto, apertando minhas bochechas com força excessiva, eu poderia sentir minha vida lentamente se esvaindo. Ele era muito forte para eu lutar contra. Para ajudá-lo!
— Diga-me, quem você é? Por que você me conhece?
— Eu não... — sussurrei. — Você está tendo um sonho ruim. Não é real. Olhe para mim. — suspirei. — Não é real...
Eu pude ver sua expressão mudar assim que disse aquelas palavras. Logo antes de perder a consciência, a carranca escura em seu rosto desapareceu.
— Deus... — ele murmurou para si mesmo. — O que foi que eu fiz?
(...)
“Do you know where you go? You’re headed on the strings for the E-x-t-I-n-c-t.”
✩
Quando abri os olhos novamente, eu estava de volta em meu quarto, deitada em minha cama, as cobertas puxadas até meus ombros. A dor pungente em meu pescoço, assim que levei minha mão a ele, senti a pele inchada. Meu coração acelerou novamente com flashes do que aconteceu aparecendo em minha mente.
Levantei-me da cama, em silêncio, fazendo todo o caminho para fora do quarto. Eu pensava que ele já teria ido embora, mas ele estava sentado no sofá, olhando para a tela preta da TV, aparentemente pensando em tudo o que ele tinha feito durante a noite.
— Que horas são? — Perguntei, limpando a garganta.
Eu esperava que ele vacilasse nas palavras, mas não o fez. Ele só ficava olhando para a tela, engolindo em seco.
— Manhã... — ele respondeu depois de alguns segundos em silêncio.
— Eu pensei que você tinha dito que não iria ficar até de manhã.
— Eu precisava ter certeza de que estava tudo bem. — Ele respondeu, empurrando-se do sofá e caminhando até a porta da frente. — Agora que eu sei que você está, é melhor eu ir.
— Como você dormiu? — Perguntei, seguindo-o, ainda não querendo que ele fosse. Eu precisava saber o que estava acontecendo.
— Não dormi. Não depois do que aconteceu. Sinto muito, eu preciso ir.
Ele colocou o boné de baseball na cabeça e caminhou para a porta, deixando-me em pé na sala de estar com o pescoço inchado, cheio de hematomas, um corte no lábio, uma puta dor de cabeça, um corte na sobrancelha, e um monte de perguntas.
— Espera... — gritei, agarrando seu braço de metal.
Ele virou-se rapidamente, puxando-o ao seu alcance e empurrando-me contra a parede. O metal frio fechado em torno de meus pulsos, enquanto seus olhos azuis como gelo me encararam com raiva.
— Eu só queria... — Comecei, lágrimas ardendo em meus olhos, eu estava ofegante, temerosa.
— Não. — Ele me soltou, empurrando-me duramente. — Esqueça-se de mim. Eu não sou ninguém...
Concordei com a cabeça, afastando-me dele, rastejando de volta para o meu apartamento.
— Pelo menos me diga o seu nome.
— Bucky. — ele sussurrou incerto. — É Bucky.
Ele saiu pela porta da frente, batendo-a, fazendo-me pular de susto. Estreitei os olhos. Puxei minha jaqueta do suporte, abrindo a porta lentamente, o vi virar a esquina para a direita. Eu não o deixaria sair tão facilmente. Eu precisava saber quem ele era. Por alguma razão, eu queria ajudá-lo.
Não que eu tivesse muito o quê fazer. Eu trabalhava apenas duas vezes por semana, recebia uma quantia boa, mas não era nada feliz. Meus pais haviam morrido quando eu tinha dezesseis anos, comecei a cuidar da minha vida a partir dali. O único namoro sério que tive acabou de uma forma convencional. Ele me traiu com metade da população feminina de Washington.
E de repente, eu sou atacada pelo assassino mais perigoso do mundo, que tenta me matar e estou indo muito bem, obrigada. Deus nos testa das formas mais inimagináveis possíveis.
Sai silenciosamente do meu apartamento e segui Bucky enquanto caminhava pelas ruas.
Eu não sabia se ele estava indo para um lugar em particular, mas ele parecia saber para onde ir. Escondi-me em becos, cada vez que ele se virava para olhar para trás. Eu não fazia ideia se ele tinha me visto, mas se tivesse, ele realmente não parecia se importar. Ele só continuou o seu caminho no mesmo ritmo que de antes.
Com roupas normais agora, ele se misturou pela multidão e foi difícil encontra-lo ali. Afinal de contas, ele era um assassino habilidoso, se ele quisesse me despistar ele faria com maior sucesso.
Depois de uma hora seguindo-o, ele subiu as escadas do museu Smithsonian. Banners tinham sido pendurados por toda Washington, pensei que ele poderia ter reconhecido o Capitão América depois de sua luta com ele.
Rapidamente subi as escadas correndo e entrei no museu. Meu pescoço ainda estava um pouco vermelho e inchado, mas a caixa pareceu não notar quando ela entregou-me o ingresso para a exposição.
Andei por todo o cômodo, tentando avistar Bucky. Talvez ele tivesse me enganado e tenha saído pelo outro lado do museu. Eu estava para desistir quando olhei para as fotos dos Howling Commandos. Engasguei quando vi o homem de pé ao lado direito do Capitão. Seu cabelo estava mais curto, mas a mesma determinação estava em seus olhos. Não havia dúvida. Era, Bucky.
Tentando ser o mais discreta possível, caminhei para o grande quadro de informações sobre James Buchanan Barnes. Eu poderia enxergá-lo a vários metros de distância. Bucky estava em pé de frente à placa. Seus olhos estavam vermelhos, ele engoliu seco, aparentemente lendo o que estava no estande.
— Essa é uma imagem agradável de você. — suspirei, andando até ele. — Eu acho que o capitão não é o único que venceu a morte.
— Eu pensei ter dito para você se esquecer de mim. — Bucky falou com firmeza, mantendo os olhos na grande figura de James "Bucky" Barnes. O homem que ele costumava ser.
— Uma garota não pode simplesmente se esquecer do homem que fez seus joelhos fraquejarem...
Ele virou a cabeça em minha direção, franzindo a testa diante minhas palavras. Senti o sangue subir meu rosto.
— De medo... — acrescentei rapidamente. — De medo! Uau! Isso soou melhor na minha cabeça.
Um pequeno sorriso curvou seus lábios, me provocando arrepios.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntou-me em voz baixa, afastando-se da placa, caminhando em direção à saída.
— Eu vim para ajudá-lo. — Respondi seguindo-o, enquanto ele praticamente corria para fora do museu.
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