One Last Time
3 Dormant
Notas iniciais
“Could I breathe, please, one last time? You're in my lungs before I curl up”
✪
— Eu não pedi sua ajuda. E não a quero.
— Olha Bucky... — a garota começou, agarrando-o pelo braço a caminho das grandes escadas. Ele a olhou com raiva, mas não se movimentou. — Você pode não querer a minha ajuda, mas você vai precisar dela, quer você goste ou não. Todos de Washington estão a sua procura e enquanto você não sabe de que lado você está, você precisa se esconder.
— Por que você está fazendo isso? — Ele franziu a testa. — Eu tentei te matar. Você deveria estar fugindo para longe de mim, não para a minha direção. Você não deve querer me ajudar... Eu não entendo. Quem diabos é você?
— O que eu posso dizer? Eu tenho uma queda pelos garotos maus... — ela riu nervosamente, mas quando Bucky não respondeu, ela continuou a falar. — Eu sei que você tentou me matar, mas sei também que não foi sua culpa, tanto que você está arrependido. Eu sei que você está tentando ser um homem melhor.
— Mas você não me conhece. Inferno, nem eu sei quem sou! — Ele gritou, puxando o braço e fugindo da morena, mas sendo seguido novamente.
Quando ele estava nos últimos degraus, carros da S.W.A.T. pararam em frente ao museu. Homens armados saltaram dos carros e apontaram suas armas para suas cabeças.
— Mãos pra cima! — Um deles gritou. — Todo o lugar está cercado. Você não pode correr, Soldado Invernal. Não desta vez!
Bucky virou-se para a menina, seus olhos cuspiam fogo.
— Você...
— Não... — ela sussurrou, olhando para todos os carros abertos e todas as armas que estavam apontadas para Bucky. — Não fui eu, você tem que acreditar em mim.
— Fique onde está, ou nós vamos ter que atirar em você! — O homem voltou a falar.
Outro carro parou. Um SUV todo preto com as janelas fechadas. Imediatamente a garota reconheceu todos que saíram do carro. Sam Wilson e Steve Rogers, também conhecidos como Falcão e Capitão América.
— Nós assumimos daqui. — Ela ouviu Steve dizer para o homem com o megafone. — Somos velhos amigos.
O homem acenou com a cabeça, apertando a mão de Steve e gesticulando para seus homens abaixarem suas armas.
— A palavra é sua, capitão.
— Para o inferno! — Um dos membros da S.W.A.T. gritou. — Basta atirar no desgraçado!
Sons concordando vieram dos outros homens e suas armas foram apontadas, novamente, para a cabeça de Bucky.
— Não! — Steve gritou. — Abaixem as armas. Deixem-me falar com ele.
Bucky rapidamente se virou, olhando nos olhos da garota. Ele sabia, assim como ela, que ao abrir fogo sobre ele significaria abrir fogo contra ela também. A raiva em seus olhos desapareceu e deu lugar para o medo. Algo que ela não tinha visto em seus olhos antes. Isso significava que ele se importava? Importava-se com ela?
Ele correu várias escadas para tentar alcançá-la a tempo. A primeira rajada de balas, ele desviou com o braço de metal. Ela estava estática sobre a probabilidade dele se importar, aquilo a atingiu como um impacto. Aquele não era o melhor momento, mas... Ela sentiu-se bem, como nunca antes, ela poderia cair e deixar aquela sensação, de ser importante o bastante para ele arriscar-se por ela, dominá-la. Ele tirou sua própria arma da parte de trás da calça e derrubou vários dos agentes, até que a arma estava vazia.
— Cessar fogo! — Steve gritou, saltando na frente de Bucky e da garota, seu escudo ricocheteando as balas.
— Isso é uma ordem! — O homem que havia apertado à mão de Steve, gritou para a sua equipe. — Isso vai ter consequências, vocês estão me ouvindo?
As armas foram reduzidas novamente e os sons que ecoavam tiros finalmente cessaram.
— Acabou, Bucky... — Steve sussurrou. — Sem mais fugas.
Bucky assentiu, largando lentamente a cintura da garota.
— Sem mais fugas...
— Bucky... — ela sussurrou, engolindo em seco, sentindo a propagação de uma dor aguda tomar seu peito e um gosto de ferro invadir sua boca. — Eu acho que algo está errado.
Ela removeu as mãos do seu estômago, sangue estava escorrendo de seus dedos. Bucky se virou, os olhos cheios de dor e tristeza. Ela sentiu uma grande pontada no coração ao vê-lo daquele jeito.
— Não. — ele sussurrou, pegando-a em seus braços antes que ela caísse ao chão. — O que vocês fizeram! — Ele rugiu para os homens que estavam na parte debaixo da escada.
— Sint-Sinto muito... — ela começou, gaguejando um pouco, tentando olhar em seus olhos. — Eu sinto muito.
— Pelo quê? — Bucky franziu a testa, tentando parar o sangramento, colocando pressão sobre a ferida em seu estômago, mas ele sabia que não faria qualquer diferença. Era um tiro fatal.
— Por nã-não ser mais capaz de ajudá-lo. — Ela sentiu seus ossos pesarem, seu toque era frio, ela sentia muito frio, mas não a incomodava.
— Não diga isso. Você vai ficar bem. — Ele mentiu, acariciando os cabelos castanhos que ela possuía.
— Para um assassino, você não é um bom mentiroso, Bucky.
Um pequeno sorriso curvou-se em seus lábios novamente, provocando arrepios na espinha da pobre garota. Ela não tinha certeza, no entanto, mas ela gostou da maneira como ele sorriu a ela. Seu corpo estava ficando dormente, ela conseguiu focar apenas o rosto dele.
— Você deve perdoar a si mesmo... — murmurou, sentindo-se abandonar o corpo. Algo pesado estava puxando-a para longe e ela teve que lutar muito para se manter acordada. Ela não queria ceder à morte. Ainda não. — Eu não sei o que aconteceu com você, mas não foi sua culpa.
— Eu não...
— Prometa-me. — ela o interrompeu, chorando pela última vez. — Você me deve isso.
— Eu...
Ela puxou-o para mais perto de si e deu um beijo suave em seus lábios, apenas para fazê-lo parar de falar. Ou porque apenas quis. Ela já não poderia dizer ao certo.
— Prometa-me...
Ele engoliu seco, olhando nas orbes azuis da garota com um olhar confuso. Ele balançou a cabeça lentamente e limpou a garganta.
— Eu prometo, mas... Eu nem sei o seu nome. — ele falou baixinho, seus lábios demorando nos dela.
— Olívia. — Ela sorriu, com seu último suspiro. — Meu nome é Olívia.
Sua mão lentamente caiu no chão enquanto o vento varreu suas últimas palavras, levando-os consigo. Uma lágrima correu pelo rosto de Bucky, enquanto esperava para a garota tagarelar novamente, mas ela nunca mais faria isso. A última luz tinha deixado seus olhos e ela estava olhando para o céu, um sorriso curvando seus lábios e uma lágrima escorrendo pela bochecha. Ela esperava que Bucky realizasse sua promessa por ela.
Ela se afastou na escuridão, nunca tinha se sentido tão pacífica.
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