One Fics

2 A Nossa Sorveteria


Você se levantou e saiu correndo, daquela que costumava ser nossa sorveteria favorita, na qual passávamos horas rindo e conversando sobre qualquer coisa. A mesma em que nos conhecemos.

De longe, vi as lagrimas escorrerem por seu rosto e pingarem, uma após a outra. Não posso negar, aquela cena me era extremamente familiar, a mesma de poucos meses atrás,mudando você me deixou pela loira que continua sentada na mesinha, tomando seu sorvete calmamente.

Ela se levantou calmamente, pagou a parte dela, entrou no próprio carro e foi embora. Para o lado oposto ao seu. Aquilo me partiu o coração, novamente. Eu precisava saber se você estava bem. Eu admito que demorei, mas enfim me levantei e segui pela rua a qual você correu. Te encontrei sentado em uma das mesinhas de um bar. Mas não qualquer bar. Era o mesmo para o qual eu ia quando tínhamos uma das nossas freqüentes discussões.

Seu rosto estava vermelho, como ficava sempre que chorava. A sua frente, um copo de alguma bebida que não pude identificar, intocado. Você odiava a ideia de beber. Eu me aproximei, morrendo de medo por dentro, e me sentei ao seu lado. Passaram-se alguns minutos, que mais pareceram horas, e nenhum de nós pronunciou uma única palavra.

E eu te abracei, como a muito não fazia. Continuamos no profundo silencio. Cada vez que você respirava, eu sentia aquela dor, a mesma dos últimos meses, como pontadas. E, finalmente, você quebrou o silencio:

- O que está fazendo aqui?

Eu admito que estava me perguntando exatamente a mesma coisa, afinal, você deixara bem claro que não queria mais absolutamente mais nada comigo, mas eu não suportava a ideia de te ver mal e não fazer nada.

- Você adora abraços. Achei que um te faria bem agora, mas se não me quer aqui, tudo bem.

E tentei me levantar, apenas tentei, porque você me puxou de volta no exato momento.

- Quer tomar um sorvete? — Você praticamente suplicou.

- Adoraria.

Andamos por aquela calçada, tão familiar. Sentamos-nos na mesa de sempre, e ficamos novamente em silencio.

- Sério, o que esta fazendo aqui?

- Eu te disse que nunca iria te abandonar, e é verdade. Eu vou estar sempre aqui, não importa quanto tempo passe, não importa o que aconteça. Eu te prometi que você sempre poderia contar comigo, e que eu sempre seria sua melhor amiga. Estou cumprindo a promessa.

- Obrigado.

- Pelo que?

- Por não me abandonar como todo o resto.

- Eu gosto de saber que você está bem. Agora coma, a bola de chocolate já derreteu quase por inteira.

- Não estou com fome.

- Eu sei, e lamento te dizer, vai continuar assim. Sem fome, sem sono, sem vontade de se mover ou fazer qualquer coisa.

- Eu sinto a sua falta.

Eu fiquei em choque. Era a ultima coisa que eu esperava ouvir.

- Também sinto a sua.

- Você ainda me ama?

Não pensei antes de responder desta vez.

- Que pergunta idiota.

- Isso é um não?

- É claro que eu ainda te amo. Eu nunca deixei de te amar, mesmo depois de todo esse tempo. Você sabe disso, eu sei disso, todos que nos conhecem sabem disso.

- Eu te amo.

- Se amasse não teria ido embora.

Eu estava olhando para o sorvete, fixamente.

- Todo esse tempo, eu senti a sua falta. Como nunca tinha sentido de mais ninguém. Toda vez que eu via alguém dizer meu nome, eu queria que fosse você. Toda vez que eu ia ligar para alguém, eu acidentalmente digitava o seu número. Eu me lembrava da forma que você sempre adorou as Amazonas, sempre que vi cavalos. O seu cheiro, a sua voz, o seu olhar, seu sorriso, seu jeito desastrado, a forma como você era toda certinha. Sinto falta de tudo isso. Sinto falta de você.

- Eu perdi as contas de quantas vezes eu chorei durante a noite ouvindo a nossa música. De quantas vezes eu passei na frente da sua casa, na esperança de te ver. Quantas mensagens eu escrevi e apaguei logo depois. Quantas vezes eu mudei de canal, apenas porque estava passando um programa que você gostava. Quantos históricos de conversa eu já li, e quantas vezes eu te liguei apenas para ouvir a sua voz na caixa postal.

- Volta pra mim, Sophia?

- Depois de tudo o que aconteceu, de todo esse tempo que passou, você realmente espera que eu esqueça tudo e volte com você?

- Tem razão. Foi uma ideia idiota. Mas eu vou estar sempre te esperando, caso mude de ideia.

Eu não respondi, apenas te beijei. Se as coisas dariam certo agora? Eu não sabia. Se você me trocaria novamente? Eu não fazia ideia. Se tudo aquilo que você disse era real? Não sabia também. A única certeza que eu tinha naquele momento era que eu te amava, e faria o que fosse preciso para te fazer feliz.

Fim.