One Fics
3 Era uma vez...
Era uma vez, há pouco tempo atras, em um lugar não tão distante, uma garota. Ela não tinha longos cabelos dourados, nem os melhores vestidos, ou quem sabe as unhas mais belas. Não tinha boas maneiras, o mais belo sorriso ou até os olhos mais brilhantes. Não era nem de longe perfeita, quem dirá especial. Ela era apenas mais uma no meio de uma multidão. Se ela tinha bom coração?? Alguns dirão que sim, outro que não. Ela gostava do seu cantinho confortável e silencioso. Ela gostava da solidão e de ouvir apenas os próprios pensamentos. Ela não sonhava com um príncipe encantado, muito menos um vampiro em Volvo. Longe disso. Ela queria apenas ser independente, viajar pelo mundo e viver suas aventuras, aquelas que sua mãe jamais vivera por sua culpa.
Ela era completamente livre, e gostava de ser assim. Ela não falsificava sorrisos nem sentimentos. Era completamente honesta, consigo mesma, pelo menos. Tinha o terrível hábito de mentir para não magoar as pessoas, e isso as afastava. Tinha plena consciência de tudo e todos que a cercavam, e era feliz. Apenas e simplesmente feliz. Até aquele dia. Matar, torturar, atormentar, nada se compara com o que fizeram com ela. Era do tipo que acreditava. Acreditava nas pessoas e no que elas diziam. Foram até ela, caçaram-na, aprisionaram-na e depois abandonaram-na. Sabe o que acontece quando se domestica um animal selvagem, e depois o abandona? Ele luta e erra, se debate inutilmente, não consegue a principio. E guarda rancor. Muito rancor. Ele se readapta novamente a seu antigo ambiente, mas agora torna-se praticamente impossível domestica-lo. Como um gato arisco. Não importa o quanto tente, ele não se aproximará mais. Por puro medo. Medo de ter que se debater novamente, medo de, na próxima, ser pior. Ele sabe que é melhor ser domesticado, afinal, pode conseguir abrigo, carinho, comida, sem o mínimo esforço. Ela era assim agora. Nem nos próprios pais conseguia confiar. Em ninguém. Até que veio aquela mesma pessoa, e conquistou novamente sua confiança. No entanto, o ser humano é cruel, egoísta e, ironicamente, desumano. Aconteceu. Novamente. Abandonaram-na. Por que faziam isso com ela? Porque se aproximavam se já sabiam que iriam embora? Ela jamais entendera o que os levava a fazer isso. Ela própria jamais se distanciara de ninguém. Provavelmente porque todos iam embora antes dela ter qualquer chance, mas ainda sim, ela continuava a acreditar que um dia alguém permaneceria a seu lado, até nos momentos mais difíceis. Quando vai perceber, minha pequena menina? Quando vai aprender a desconfiar até da própria sombra? Afinal, cometer um erro é humano, insistir no mesmo é teimosia, mas repeti-lo três vezes é burrice. Nunca vai entender? Que as pessoas pensam apenas nelas mesmas. O mundo é cruel e não tem piedade. De ninguém. Aprenda a manter aquela distancia confortável. E não estou me referindo apenas aos garotos. Aquelas suas amigas, que dizem te amar, que falam que você sempre poderá contar com elas... Serão as primeiras a tentar te derrubar. Então vamos. Levante do chão desse banheiro e mostre ao mundo do que você é capaz. Refaça essa maquiagem forte da qual tanto gosta. Passe por aquele corredor com a cabeça erguida. Prove para aqueles que desacreditaram na sua capacidade, que você não apenas consegue, mas também é melhor do que eles. Prove para si mesma, que quanto mais calos se formam, mais resistente você se torna. Quanto mais vezes se cai, mais se presta atenção na estrada da vida. Vai lá minha pequena. Eu acredito em você.
Fale com o autor