One And Only

5 Primavera em Dezembro



Chegamos naquela parte do amor em que somos uns totais idiotas. Aquele momento em que você pensa que está livre de qualquer mau que possa atormentá-lo. Quando pensa que é completamente invencível. Mas, quer ouvir a dura verdade? Você não é invencível meu caro. Se fosse, certamente não se deixaria ser pego pela mais complexa e fatal armadilha de Deus e já testada pelos homens: o amor.

Capítulo 5 – Primavera em Dezembro

As bocas se moviam em um movimento leve e sincronizado. Pareciam se encaixar perfeitamente. A mão que estava no queixo da morena sutilmente escorregou para sua nunca, onde se embrenhou nos cabelos. Quase como em um movimento premeditado Rose deixou que as mãos subissem pelos braços de Dimitri, até que chegassem aos ombros onde ela os circundou e puxou o homem para mais perto de si.

O coração retumbava no meio de Rose enquanto ela correspondia ao beijo sem saber ao certo o que a levara a fazer aquilo.

– Eu realmente gosto do seu perfume. – ele murmurou roçando seus lábios nos dela. Ambos permaneciam de olhos fechados até aquele momento, onde Rose abriu os olhos alarmada e o olhou dando-se conta do que acabara de fazer pouco antes de empurrá-lo para sair de cima dela.

Dimitri caiu praticamente sentado no chão e olhou para Rose incrédulo.

– Você enlouqueceu, é isso? – ela perguntou se levantando do sofá e apontando o dedo para ele que permanecia sentado com o semblante divertido – Você não pode fazer isso comigo, Dimitri! – gritou e passou por ele, indo até a cozinha com o intuito de tomar um copo com água gelada. Ele a seguiu.

– Eu não fiz nada com você. – respondeu calmamente.

– Não? – perguntou sarcástica – E o que acha que é isso? Eu tinha uma boa vida e nunca corri o risco de perder o emprego até agora.

– A culpa disso não é minha, você é quem- Esse é o seu peixe? – perguntou apontando para o aquário ao seu lado e parecendo distraído enquanto observava o que o peixe fazia de melhor: nadar.

Rose suspirou. Não era culpa dele que ela tivesse gostado do beijo.

– O nome dele é Percy, aquele de quem te falei noite passada.


Ele se lembrava de cada palavra que Rose havia dito. Dimitri olhou brevemente para ela antes de voltar seus olhos para o peixe.

– Olha, vamos fazer um acordo? – Rose perguntou ciente de que suas palavras poderiam não ser a atitude mais correta a ser tomada – Você fica por aqui hoje e amanhã voltamos ao hospital. Eu posso falar com Alberta para que você ao menos tenha liberdade para poder ficar na área hospitalar e dar algumas voltas pelo jardim, mas eu não posso fazer nada mais do que isso. – alertou.

Dimitri se ergueu da posição que estava avaliando o peixe com um olhar curioso e olhou para ela.

– Você não sabe como eu me sinto lá, Rose. – falou. Dor carregando suas palavras até os ouvidos dela que evitou encará-lo nos olhos.

– Realmente não sei, – falou engolindo o caroço que se formara em sua garganta. Não era justo que Dimitri tivesse que passar por aquilo – mas isso não é motivo para...

– Fugir? – perguntou a interrompendo – Eu queria ver se fosse você em meu lugar! – falou se exaltando em um tom rude e respirou fundo como que tentando se acalmar. Rose permanecia imóvel entre a mesa e a pia. Nem se quer ousava interromper Dimitri – Você já deve ter ouvido por aí que eu vou morrer, não é mesmo? – ele perguntou, mas quando viu que Rose não iria responder prosseguiu com uma leve risada no meio – Pois é. Eu vou. Eu sei disso. Sei que tudo o que eles fazem agora é desnecessário. Ninguém sabe como me salvar Rose.

Sua voz na ultima frase fez com que a mulher erguesse a cabeça e o olhasse nos olhos. Ela sentia como se naquela pequena frase ele estivesse praticamente implorando por sua ajuda, mas ela nada podia fazer, ele sabia disso.

– Acho que o jogo já começou. – falou com a voz saindo estranha pela garganta arranhada. Não queria chorar na frente dele, embora estivesse bem perto disso.

Infelizmente, quando ela deixou escapar uma lágrima e esta rolou pela sua bochecha, não conseguiu mais conter as outras que começaram a cair e molhar seu rosto. Sentiu braços ao seu redor e se deixou ser envolvida por aquele cheiro que parecia ser natural de Dimitri.

– Desculpe, não devia ter sido tão rude.

Ela não chorava pelas palavras ásperas de Dimitri. Chorava pelo verdade que tinha nelas. Sentia-se incompetente por saber que nada podia fazer para aliviar a angustia de Dimitri.

Percebendo que as lágrimas não cessavam, ele a segurou com um pouco mais de força e a levou em direção ao sofá, enquanto a mesma tinha os pés suspensos no ar. Sentou-se de forma que Rose pudesse praticamente ficar em seu colo, a posição muito parecida com a de uma mãe que acalenta seu filho.

– Desculpe-me por isso. Sua camisa está toda manchada de rímel. – falou em meio algumas lágrimas que insistiam em cair mesmo com as palavras de Dimitri para que ela se acalmasse e parasse de chorar. Sua voz abafada.

– Não se importe com isso, Rose. – falou ainda mantendo seus braços firmes ao redor dela.

Rose tirou a cabeça do peito de Dimitri, onde a mantivera escondida por um tempo.

– Por que me beijou? – perguntou com a voz baixinha e o fitando. Ele sorriu de forma linda e exuberante.

– Além dos motivos evidentes como você ser linda, engraçada e muito atraente?– ele perguntou ainda sorrindo e tirou alguns fios de cabelo que haviam grudado em seu rosto pelas lágrimas – Acho que apenas era algo que eu queria tentar com você. E não é como se nunca tivesse passado pela minha cabeça te beijar, principalmente depois da noite passada.

A mulher franziu o cenho o encarando confusa, enquanto um leve rubor coloria as maças de seu rosto. Ele estava a surpreendendo cada vez mais nos últimos dias em que estavam juntos. Essa surpresa só aumentou quando ele novamente se inclinou e selou seus lábios nos dela em um curto e rápido beijo. Tinha gosto de sal por causa das lágrimas, mas nenhum deles se importou com aquilo.

Ela se ergueu um pouco no sofá e Dimitri a puxou ligeiramente para cima, para que ela ficasse com as costas apoiadas e com a cabeça virada para ele. Uma de suas mãos foi para o cabelo dele e o soltaram. Sentiu um ligeiro aperto na cintura e então foi virada completamente para Dimitri, ficando com uma perna de cada lado de sua cintura.

– Você poderia ser processada por seduzir um paciente. – Dimitri falou afastando-a por um momento de si. Um sorriso maroto em seu rosto.

Rose não respondeu e pensou brevemente em suas palavras e que mesmo sendo para provocá-la tinham um fundo de verdade. Começava a se perguntar quando começou a se portar daquela maneira, apenas agindo por impulso e seguindo suas vontades. No entanto, antes que encontrasse a resposta daquela pergunta, sentiu novamente a pressão em seus lábios e os entreabriu. Decidiu pensar que o que acontecesse daquele momento em diante poderia valer a pena. Somente quando sentiu os dedos quentes e longos passeando por debaixo de sua blusa se perguntou porque estava cedendo ao seu desejo tão facilmente, mas ignorou aquela pergunta tão rapidamente como se fosse uma mosca a atrapalhando.

A mente de Dimitri estava tão confusa quanto à da morena. Pensava em Rose e em como tudo parecia melhorar quando ela estava ao seu lado. Achava que finalmente tivesse encontrado uma amiga para poderem conversar sobre o que quer que fosse, mas quando a beijou pela primeira vez, tomado por uma urgência quase arrebatadora, viu que o sentimento nutrido por ela estava só no início. Amizade não descrevia completamente aquilo.

As mãos de Rose começaram a passear livremente pelo peito de Dimitri por cima da blusa e logo que sentiu que ansiava por mais contato, levou suas mãos até a barra da mesma e a ergueu. Dimitri a ajudou naquela tarefa e logo era ele quem livrava a mulher da blusa que os deixava impossibilitados de terem mais contato e sentirem a pele um do outro.

Mais peças foram saindo e à medida que isso acontecia, beijos eram distribuídos pelos lugares descobertos e nos pontos mais sensíveis. Suspiros e gemidos ficavam cada vez mais nítidos à medida que as peças iam saindo. Não demorou muito para que os corpos se movessem em uma delirante e satisfeita sincronia. Alguns gemidos eram contidos por beijos ansiosos e carregados de luxúria. Outro sentimento também estava envolto aqueles beijos, mas este ainda não havia sido completamente definido pelas mentes enevoadas de prazer.

Rose, mesmo no começo pensando na saúde de Dimitri, não conseguiu manter o controle por muito tempo. Ele tampouco se lembrava das consequências que aquilo poderia acarretar. Ambos pareciam completamente alheios a respeito daquele momento poder nunca mais se repetir quando voltassem ao hospital.

As mais intensas íntimas e resolutas carícias eram trocadas enquanto os dois mergulhavam em um imenso prazer.

Quando terminaram ambos estavam suados e com as lembranças vividas do momento que haviam compartilhado. Rose estava deitada sobre o corpo de Dimitri ainda respirando fundo, tentando acalmar o coração ressoando forte em seu peito. Ele beijou o topo de sua cabeça com delicadeza e afagou a mesma. Ainda tentava entender como aquilo fora acontecer de maneira tão... Natural, sem que nenhum dos dois tivesse que forçar algo. Antes, se sentia vontade de viver, enquanto estava ali, com a morena em seus braços que quase se entregava ao sono que a acometeu, aquela vontade de viver se tornou um dos seus maiores desejos. Somente com Rose, naquele momento tão precioso, ele havia encontrado a paz que procurara durante tanto tempo. Um sentimento começava a se firmar. Olhou para o lado vendo a sala sendo tingida por uma coloração alaranjada e se lembrou da conversa que tiveram no hospital. Na segunda porta aberta do curto corredor Dimitri julgou ser onde ficava seu quarto devido a coloração mais forte que era possível ver dali.

Na janela, passando do parapeito, pode ver um pé de laranja com pequenas florzinhas, o que era praticamente impossível acontecer no inverno. Provavelmente nem chegasse a dar frutos devido à estação do ano em que estavam. Era quase uma primavera em dezembro. Era uma árvore lutando contra todas as possibilidades. Era Dimitri tentando sobreviver por Rose.


Não sabemos por que de fato nos sentimos seguros perto de quem amamos. Talvez pelas constantes e imensas promessas que os casais fazem quando olham um no olho do outro, mesmo sendo essas promessas o menos crível possível. Ou ainda, talvez seja pelo sentimento de que quer passar a vida toda ao lado de quem se ama e por isso pensa-se que seja invencível e esteja livre de qualquer coisa que possa machucá-lo. De qualquer forma, promessas são quebradas a todo e a qualquer momento; sentimentos de segurança são testados a cada novo pensamento sobre uma nova perspectiva. Seja lá o que for você está inteiramente errado. Quando você amar nunca vai estar seguro. Afinal, o que é o amor sem aqueles sentimentos que nos deixam confusos, com ciúmes e desconfiados? E estas não são as piores sensações quando se ama? Definitivamente, você não está seguro.