One And Only
8 Epílogo
Notas iniciais
Eis aqui a última forma, a mais válida e indiferente, de definir o amor:
O sentimento mais nobre e imperfeito já conhecido pelo mundo.
Ela observava, fascinada o filho deitado no berço. Fazia isso como se ele fosse sua tábua de salvação. Um dedo era segurado firmemente pela pequena mãozinha enquanto Dimitri se mexia inquieto no berço.
Ele olhava atento para a pintura azul clara do teto e erguia mão livre como se pudesse alcançar as estrelinhas presas a cima de sua cabeça. Olhou para sua mãe que tinha um sorriso nos lábios e deu um sorriso sem dentes, enquanto soltava um pequeno gritinho de animação
— Você se parece com seu pai – falou pegando o filho e o abraçando contra seu corpo. O pouco cabelo que tinha na cabeça era castanho escuro, do mesmo tom que os da mãe. O formato da boca também se parecia com a dela. De resto, sabia que poderia olhar o quanto quisesse que não conseguiria encontrar mais nada que se parecesse com ela. Os olhos marrons chocolate, o nariz, as bochechas, o formato do rosto... Todo o resto lembrava incontestavelmente ao pai. Até mesmo o jeito como sorria ou a expressão que fazia quando chorava de madrugada e Rose ia pegá-lo.
— Que tal um banho, bebê? – perguntou beijando o topo da cabeça do filho.
Rose andou até sua cama e colocou o menino sobre a cama tirando o grosso macacãozinho verde e branco que ele usava enquanto o mesmo já dava indícios de que fosse chorar. Os banhos nunca pareciam ser bons momentos para ele que esperneava com todas as suas forças tentando se livrar daquele momento. Assim que colocou o filho dentro da banheira, os gritos começaram e ele se debatia contra a água.
Os vizinhos já estavam acostumados àquela dose diária de choro. Sempre era a mesma coisa durante os banhos, exceto quando era uma de suas avós que o faziam. Aí, Dimitri permanecia tão quieto como se nem ao menos se importasse com aquilo.
Ele se acalmou apenas quando Rose terminou de pentear os cabelos ralos com uma escovinha macia. Pegou o filho no colo enquanto o balançava lentamente e saia do quarto.
— Pronto, meu amor. Já acabou, você viu? – perguntou a ele, que a olhava como se estivesse a acusando de algo.
Aos poucos o choro acabou e Rose passou uma mão pelo seu rosto, secando as lágrimas que haviam ficado ali.
Após amamentar o filho, Rose foi com ele até a varanda da casa onde se sentou em uma cadeira e o aninhou em seus braços. Ainda estava cedo, quase sete da manhã, e as pessoas começavam a sair de suas casas para irem ao trabalho. Ela estava em Cleveland, para onde havia sido transferida depois de tudo o que havia acontecido. Não reclamou. Cleveland era calmo e as pessoas dali não a conheciam, de modo que não tinha de aguentar todos os dias olhares de comiseração.
Dimitri ficou olhando curioso para o azul do céu. Aquilo sempre o acalmava. Yeva, a sua bisavó, disse que era porque ele ficava olhando para o pai que estava no céu. Rose não acredita naquela coisa toda, já que também não acreditava em milagres. Mas sabia que naquele momento, desde o nascimento de Dimitri, ele estava olhando para eles.
Ela queria sair de sua casa e ir para outro lugar, mas de nada adiantaria. Olena já havia ligado naquela manhã, perguntando se tudo estava bem e ela disse que sim. Não queria deixar a família de Dimitri e a dela ainda mais preocupadas pensando que ela estava sofrendo de uma profunda depressão. Ibrahim, seu pai, também ligara, mas ele não insistiu muito para que fosse visitar a filha quando ela disse que iria sair um pouco para pensar.
Naquele mesmo dia, há um ano, ela havia estado com Dimitri. E agora estava com seu filho nos braços. Mesmo um ano depois não havia se acostumado com aquela sensação de vazio. Nunca se acostumaria. Dizer que seu filho havia ajudado naquilo seria mentira. Mesmo com o filho ali, tão perto dela, ainda sentia como se faltasse algo.
O telefone tocou de dentro da casa, mas Rose não se mexeu. Sabia que deveria ser Olena novamente, provavelmente teria outra proposta para que Rose fosse vê-los e levasse Dimitri consigo. Eles não haviam voltado à Rússia e de vez em quando, iam visitá-la para ver o neto.
Em seu colo, o menino já dormia novamente, com uma mão segurando uma mecha do cabelo de Rose. Ela sorriu quando sentiu uma leve brisa passar por entre seus cabelos e acariciar seu rosto. Uma sensação de paz a tomou quando ela fechou os olhos.
Lembrou-se do que Yeva lhe dissera. Ela, agora, era facilmente capaz de imaginar Dimitri olhando para ela e seu filho, dizendo que cuidaria deles. E que permaneceria ali. Estava em um momento de puro devaneio, tanto que era capaz de sentir Dimitri, o homem que sempre amaria, tocar seu rosto com as pontas dos dedos. E então, sussurrou para si mesma, em um tom quase inaudível: — Eu sei que você vai.
Quando Dimitri morreu, Rose pensou que a única coisa que sobraram dele foram as lembranças, mas depois, quando descobriu sobre o filho que crescia dentro dela, percebeu que além das lembranças sempre teria um pedaço de Dimitri com ela. Uma lembrança para que ela nunca se esquece do que havia aprendido com ele. Uma lembrança para que não se esquecesse do homem que mais amou durante toda a sua vida.
Afinal, o amor deles seria para sempre como o vento. Não se podia vê-lo ou tocá-la, mas podia senti-lo assim como seus efeitos. O amor que ela sentia por ele, nunca mudaria.
Não se ama apenas aquilo que está vivo. Ama-se aquilo que por um motivo bom te faz lembrar os melhores momentos da sua vida.
Não há passos a seguir para ser totalmente feliz no amor. Não há um cronograma que você deve olhar rigorosamente todos os dias para que nenhuma falha aconteça. Quem ama sempre erra. Quem ama tenta concertar. Entenda! Afinal, se buscássemos perfeição, bastaria nos olharmos nos espelhos que nossas mentes nos diriam: "você não precisa de ninguém!"
Para se amar, há apenas uma única regra que deve ser seguida sem exceção: você tem que se deixar sentir.
Depois disso... Bem, depois disso é com você.
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