One And Only
9 FINAL ALTERNATIVO
Quantas vezes uma pessoa pode morrer? Digo não me referindo exclusivamente ao seu coração parar de bater ou seu cérebro não comandar mais seu corpo. Ninguém sabe, afinal, há varias formas de isso acontecer. Uma delas é quando você simplesmente morre. Independente de religião ou crença, você meramente morre. Deixa de existir nesse mundo.
A outra morte é aquela em que você deixa de existir para o mundo, não tendo necessariamente a ver com seu corpo. É mais psicológico do que qualquer outra coisa
E é aí que falamos do terceiro tipo de morte: você continua vivo! Toda aquela história de "eu vivo por você!" é verdade. Você continua lá, deixando o mundo te ver vivo. Assim como você permanece morto para qualquer coisa do mundo. Tudo porque, você não existe em um mundo que não haja ar. Isso porque ele é seu ar.
- Dimitri – Rose falou baixo, afastando-se dele e sacudindo o corpo inerte. Seu peito não fazia o menor movimento – Hey, Dimitri! – quanto mais se dava conta do que havia acontecido, mas desesperado era o som do nome saindo de sua boca – Não faça isso comigo!
Ela continuou sacudindo-o, esperando que abrisse os olhos. Ansiando por se perder naqueles olhos marrons chocolate novamente...
- Alguém? – gritou, esperando que a equipe médica entrasse no quarto. – Pelo amor de Deus, me ajudem! Ele está morrendo!
Ela se levantou, debruçando-se sobre o corpo de Dimitri. Como em consequência do desespero, todas as aulas sobre paradas cardíacas que tivera na faculdade vieram a sua mente.
Ela devia massagear o que? Erguer o quê? Qual era mesmo o intervalo de tempo?
Havia uma esperança? Havia uma mínima chance de que seu coração batesse novamente? Havia uma única esperança de que eles ficassem juntos? Se havia, então, ela tentaria.
Nunca havia tido que testar massagem cardíaca em uma pessoa real, mas era Dimitri que estava cada vez mais longe dela. Se afastando cada vez mais de Rose. Ela tinha que tentar!
- Você tem que acordar! – ela gritou. As lágrimas estavam deixando sua visão turva enquanto golpeava seu peito. A máquina não mostrava nem ao menos a menor onda de movimento. Nada!
Foi quando a equipe entrou no quarto. August segurou Rose pelos ombros, encontrando resistência enquanto tentava tirá-la do quarto e ela gritava.
Eles não podiam afastá-la dele! Não podiam deixar que ele morresse como se fosse apenas mais uma perda para o mundo. Ele era Dimitri Belikov! Ele não podia morrer e deixá-la. Não podia!
- Ele não pode morrer! Façam alguma coisa, não fiquem apenas olhando! – ela tentou livrar suas mãos para que pudesse acertar August enquanto ele a puxava cada vez mais para longe do homem que amava – Não! Você não entende! Ele não pode morrer. Não pode!
August não sabia o que fazer. Não sabia que tudo havia ido tão longe. Ele fez a única coisa que estava ao seu alcance naquele momento e a abraçou enquanto Rose se debatia, tentando se livrar dele. Acabou levando alguns socos e tapas, até que eles foram cessando pouco a pouco e só restaram as lágrimas e pedidos sussurrados.
- Eu sei que não, Rose. Eu sei que não. – August disse, deixando que Rose chorasse copiosamente.
***
- Aí esta você! – Beth falou, encostando-se contra a porta do quarto de Dimitri. – Sabia que o seu sobretudo seria a primeira coisa que você colocaria na mala – soltou uma risada nasalada enquanto cruzava os braços por sobre o peito.
Durante todo o tempo em que Dimitri esteve ali havia aprendido coisas sobre ele. Coisas estas, que morreram com o passar do tempo, mas que agora, renasciam em Dimitri. Assim como a vida que um dia ele estivera próximo de perder.
- Soaria muito ruim se eu te dissesse que não vou sentir saudades daqui? – ele perguntou a ela, com um sorriso em seu rosto.
- Não... — Beth balançou uma mão no ar – Eu vou sentir saudades de você, mas será um alivio te encontrar nas ruas e, olhe só, caminhando com suas próprias pernas.
Ele sorriu para ela, olhando em seu relógio pela décima vez, checando à hora. Ao canto, as duas malas estavam todas arrumadas com os pertences de Dimitri. Alberta já havia se despedido dele e dito que qualquer coisa ele poderia voltar no mesmo instante, mas ninguém esperava isso.
Desde o ocorrido há sete meses que Dimitri não havia tido nenhuma complicação em seu quadro. Nenhuma parada cardíaca ou dificuldade para respirar, enjôos, febres, nada! Tão saudável como ele realmente deveria ser. Sendo assim, eles haviam o mantido em observação por algum tempo, apenas para terem certeza quanto a sua decisão de dar alta a ele.
- Ela está lá fora, te esperando – Beth falou, desvendando seus pensamentos – Acho que ela está esperando a mais tempo do que você por isso, Dimitri.
Ela abriu a porta e Dimitri pegou suas malas. Nem ao menos olhou para o quarto uma última vez. Não iria sentir falta dali, então, não seria necessário uma despedida.
Ele se despediu de alguns médicos no caminho. Pessoas que havia conhecido durante o longo tempo em que esteve ali e que, mesmo não gostando do que o fizeram passar no começo e ainda os achando cientistas loucos e ávidos por fama, ainda se sentia agradecido pelo fato de estar saindo do hospital.
Quando chegou ao estacionamento, parou, lançando um olhar para a estátua de Santa Lucy, admirado com a perfeição dela. Nunca havia parado realmente para olhá-la... O que era irônico já que implorava dia e noite por um milagre...
A poucos metros dali, encostada contra seu carro recém-adquirido, estava Rose. Ironicamente, olhando para a mesma estátua e se perguntando se ela realmente fazia milagres... Ela viu Dimitri, quase no mesmo instante em que ele também a viu.
Com passos lentos e torturantes para ambos, Dimitri caminhou até ela enquanto esta fazia o mesmo. Andavam com lentidão, com medo de que aquilo fosse um sonho doce e que poderiam despertar a qualquer momento, voltando a uma realidade que mais parecia um pesadelo...
Mas, quando ele largou as malas no chão e colocou ambas as mãos na face de Rose, sabia que não era um sonho. Era real! Ele estava tocando a mulher que amava sem nenhum ressentimento ou limitação.
Olhando no fundo de seus olhos castanhos, ele soube. Nunca a deixaria. Um sorriso dançou em seus lábios. Havia tanto o que queria dizer. Havia tantas coisas em sua mente. Não sabia ao certo por onde começar. Dizer-lhe que a amava parecia ser um bom começo. Mas seria pouco para ela. Já havia recebido tantas provas de amor, tinha tanto a agradecer que simplesmente dizer eu te amo, enquanto estavam no meio de um estacionamento não parecia ser o certo.
- Você está bem. – ela disse, tocando seu rosto delicadamente. Ele nunca havia parecido tão vivo para ela.
Dimitri sorriu, levando uma mão em direção ao seu queixo e erguendo sutilmente o rosto de Rose.
Eu te amo. Eu te amo! Eu te amo! – era o que sua mente gritava incessantemente.
- Eu nunca vou te deixar, Roza. – prometeu. Agora, não haveria dificuldade alguma em cumprir o que foi antes uma promessa ousada.
Os lábios se juntaram no que viria a ser o primeiro beijo de uma nova vida e uma nova família.
Tudo estava, enfim, dando certo para eles.
Talvez fosse apenas ilusão, Rose não soube ao certo o que significava aquilo, mas pode jurar que perto dali, a Santa Lucy, olhava diretamente para eles, mesmo com o manto cobrindo seus olhos. Talvez, querendo dizer: tudo enfim está como deveria estar.
Lembram-se da seguinte frase que iniciamos esta história? "O amor se baseia em vários grandes fatos..." Bem, creio eu que minha forma de começar estava puramente equivocada. Eis aqui a correta e extraordinária definição do amor:
O amor para nós é...
...
...
...Desculpem-me, os homens ainda não podem defini-lo, apenas sentir.
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