One And Only

4 Conhecendo o Pecado



Oito em cada dez homens apaixonados dizem que o que mais atraiu sua atenção na amada foi o olhar. Mas eu pergunto: o que você viu naquele olhar que fez com que desse uma chance a ela? Ninguém ama uma pessoa apenas porque ela tem olhos bonitos, expressivos, intensos e gentis. Você ama uma pessoa a partir do momento em que a vê fazendo algo que lhe agrada, mas não necessariamente que esse algo seja bom e correto.


Capítulo 4 – Conhecendo o Pecado


– Como conhecia Paul? – Dimitri perguntou aos sussurros quando apenas uma luz fraca iluminava o quarto.

– Eu o encontrei quando cheguei à cidade. — Rose respondeu se encolhendo um pouco de frio. Ali ainda era quente, mas ela sempre parecia estar com frio. Pensava que era seu psicológico que sempre esteve acostumado a dormir com uma grossa camada de edredons. O tempo já estava dando os primeiros sinais da neve, mas Rose e Dimitri pareciam não se lembrar disso já que passavam a maior parte de seu tempo lá dentro. – Vocês dois se parecem. – comentou abraçando seus joelhos tentando aquecer o próprio corpo.

– Ele pareceu venerar você. – falou, após fazer um pouco de silêncio.

– Eu não consigo entender o motivo disso. – respondeu. Os dedos dos pés pareciam dormentes. Rose olhou para Dimitri quando escutou um ruído diferente e o encontrou mexendo no soro conectado ao seu braço – Não faça isso!

– Eu estou há horas horas com isso no braço. – protestou.

– Até parece! É importante, Dimitri. Está repondo alguns nutrientes. E agora deixe de parecer um velho rabugento. – brigou, satisfeita quando viu ele recuar o movimento.

– Eu não pareço um velho rabugento. – falou um tempo depois, parecendo ofendido.

– "Eu não vou tomar essa sopa. Está fria e sem gosto!" "Eu não gosto de você, americana". – Rose falou, tentando imitar sua voz, mas indo para um timbre tão fino que lembrava o de uma criança irritada.

– Já te disseram que você é péssima nisso? – perguntou rindo no meio de sua frase e não demorou muito para que um acesso de tosses começasse.

Rose se levantou em um pulo da poltrona e ligou a luz do quarto. Dimitri se dobrou em cima da cama tentando controlar as tosses, mas nada parecia funcionar. Ela passou um braço pelas suas costas.

– Tente respirar Dimitri. – Rose falou dando ligeiros tapas em suas costas, mas ele não estava engasgado.Ela viu uma jarra de água na mesinha ao lado e despejou o liquido em um copo, fazendo com que Dimitri bebesse.

Enquanto o corpo tremia e ele tentava tomar a água ,metade do líquido caia para fora do copo, Rose o segurava. Dimitri conseguiu beber apenas metade do liquido quando o corpo parou de tremer. Ela novamente encheu o copo e fez com que ele bebesse com calma para que não se engasgasse.

– Desculpe-me por isso. — disse tentando recuperar o fôlego e respirando devagar.

– Não há pelo que se desculpar . – arrumou de volta seu lençol que havia saído do lugar durante a agitação e cobriu Dimitri.

– Não precisa me tratar como se fosse um bebê! – falou irritado.

– E você não precisa descontar sua frustração em mim! – devolveu notando sua hostilidade com ela.

Dimitri se calou e Rose resolveu deixar a luz ligada caso acontecesse alguma eventualidade. Ela voltou para a poltrona e se sentou, passando as mãos nos braços tentando se aquecer.

– Com frio?

–Não. – respondeu rápido e então olhou para ele – Um pouco. Eu não consigo ficar em um lugar assim. Ainda não sei por que você pode se cobrir e eu não. – ela mordeu a língua ao final de sua resposta. Não deveria ter dito algo como aquilo. Ela sabia por que não podia, afinal.

Um silêncio quase que constrangedor se seguiu no quarto, até que Rose viu Dimitri se mexer na cama. Ele pegou um dos cobertores que estava sobre ele e estendeu uma ponta para ela.

– Aqui, pegue este. Não estou com frio e eles sempre colocam cobertores demais para mim.

– Melhor não. Você já estava tossindo e...

Dimitri se ergueu um pouco na cama e jogou a coberta sobre Rose, logo em seguida se deitando novamente.

– Boa noite, Rose. – falou virando-se para o lado para não deixar aberturas para novos protestos de mulher. – Você pode desligar as luzes agora. – murmurou com a voz abafada pelo travesseiro em que ele mantinha a cabeça afundada.

Com um suspiro, Rose esticou a mão até o interruptor e desligou a luz.

– Eu ouvi você falando com a Beth hoje mais cedo – ele começou falando – amanhã é sua folga?

Ela reprimiu um bocejo tentando ficar acordada por mais um tempo. Assentiu com a cabeça e só depois se lembrando que o quarto estava escuro exceto pela luz fraca e pelas luzes coloridas dos aparelhos.

– Sim, acho que vou fazer umas compras. Minha geladeira está completamente vazia. – mordeu o lábio inferior pensado no quê exatamente iria comprar já que durante toda a sua vida quem cuidou disso foi sua mãe.

– Mora sozinha? – perguntou e Rose murmurou um 'Uhum.' – Eu pensei que você fosse do tipo que não sai de perto dos pais.

Ela riu fracamente. Lembrava-se de que seus pais, sobretudo seu pai Abe, não haviam poupado esforços para que ela permanecesse com eles.

– Eles bem que tentaram – falou ainda rindo – mas acho que já estava na hora de decidir o que eu iria fazer da minha vida por conta própria. – respondeu, embora sentisse muita saudade do pai que dava belos conselhos a ela e da mãe, cujo olhar às vezes duro sempre mostrava que queria o melhor para a filha. – Às vezes sinto falta deles – comentou em um tom saudoso antes que pudesse morder a língua novamente.

Dimitri viu comparando aquela fala com ele mesmo. Ao menos via a família com certa frequencia, mas Rose? Dificilmente. Quando notou que aquele não era um assunto muito aceito por Rose, ele se viu querendo trocá-lo por um mais leve. Voltou ao tópico anterior.

– Como é sua casa?

–Ah, na verdade é um apartamento – Rose contou, ligeiramente surpresa pela mudança na conversa – Eu tenho um peixe chamado Percy, ganhei de presente da minha amiga Lissa há alguns meses quando terminei a faculdade. Ela o alimenta e cuida dele sempre que pode já que somos vizinhas. – parou pensando em algo mais que pudesse contar – O meu quarto tem uma vista incrível para a feira livre. Costumava acordar todos os sábados com algumas pessoas negociando peixes. – ela riu lembrando-se de como aquilo costumava dar brigas – Eu moro na Lexinghton, bem em cima de uma floricultura, então nos outros dias da semana eu só sentia o cheiro das flores. Na hora do pôr-do-sol de verão, meu quarto fica meio alaranjado já que as paredes são brancas. O apartamento não é grande coisa, apenas um quarto, banheiro, sala e cozinha, mas é o suficiente para mim e Percy. Não é nenhum pouco como o apartamento que meus pais queriam me dar de presente, mas é ótimo mesmo assim. Ah!, E eu não posso me esquecer do cano da pia que sempre estraga aos domingos.

– Só aos domingos? – Dimitri perguntou curioso.

– Sim! – Rose riu novamente de uma coisa que já havia lhe passado muita raiva antes – Eu nunca entendo porque isso acontece. – a risada foi parando aos poucos, e Dimitri se viu quase que obrigado a dizer algo engraçado só para escutar a risada outra vez, mas, ao invés, ele caminhou para um terreno perigoso, mas que ele desejava muito saber a resposta.

– O seu namorado poderia facilmente resolver esse problema.

– Ah, eu não tenho namorado – ela agradeceu por já ter desligado as luzes, assim Dimitri não poderia ver o rubor que tingiu sua face. Quase sempre sua vida romântica era posta a prova quando ela pensava em sua carreira – Mas eu conheço bons encanadores, embora eles nunca resolvam completamente o problema.

– Eu não consigo imaginar você sem um namorado. – ele continuou, tentando manter a conversa ali – Você é realmente linda e tem senso de humor. Um pouco fora de hora em alguns momentos, mas ainda sim, definitivamente encantadora.

Rose afastou a coberta, se inclinando em sua poltrona e apalpou a cama de Dimitri até encontrar seu rosto.

– Hm, não parece com febre nem nada. – disse pensativamente, ainda com a mão em sua bochecha. Dimitri gostou do calor da sua mão e colocou a dele por cima da sua – Isso significa que não está delirando e realmente me acha encantadora. – ela puxou sua mão de volta, cedo demais para Dimitri.

– E linda. – lembrou.

– Sim. – segurou uma risada e se sentando de volta. – E você também é lindo. – falou. Na verdade, para ela, lindo não era uma palavra que descrevia corretamente a beleza de Dimitri.

Ela segurou suas mãos em seu colo, lembrando-se que ele havia segurando uma delas segundos antes. Rose pensou que talvez finalmente estivessem começando a manter uma relação de amizade.

A conversa terminou por ali, Dimitri não sentia a mínima vontade de dormir, já Rose se entregou ao sono minutos depois de checar nos aparelhos se estava realmente tudo bem. Acordava em curtos intervalos quando algum barulho na cama a deixava alerta, mas via que tudo estava na mais perfeita ordem e dormia novamente.

Não teve sonhos bons e nem ruins e quando acordou na manhã seguinte, viu que Dimitri ainda dormia tranquilamente. Ela se espreguiçou na poltrona e retirou a coberta que a cobria para logo em seguida jogar sobre Dimitri. Antes de sair de perto dele, tocou rapidamente sua testa que estava um pouco suada. Franziu a testa e saiu do quarto.

Beth já estava lá, pronta para entrar e quase esbarrou em Rose.

– Hey, bom dia. Como passou a noite? – Beth perguntou prendendo o cabelo em um coque, o que teve alguma dificuldade em fazer usando aquelas luvas de látex.

– Bem. – falou ocultando a dor que sentia nas costas – Escuta, Dimitri está um pouco suado então se importa de regular o ar condicionado? – perguntou e Beth assentiu – Ótimo. Ah, e não se esqueça que ele precisa tomar os-

– Eu sei Rose. – Beth a interrompeu, olhando para ela intrigada com sua atitude.

– Tudo bem. Bom, vou indo. – ela se afastou de Beth que a fitou por mais um tempo antes de entrar no quarto onde Dimitri começava a despertar.

Rose foi até onde ficava seu armário e trocou de roupa, deixando tudo do hospital ali e pegou sua pequena mala que tinham algumas roupas. Só voltaria no dia seguinte e queria poder aproveitar o tempo livre.

Não teve dificuldade em pegar o ônibus certo e chegar a seu apartamento, o que atrapalhou foi um pouco da neve que já começava a cobrir a rua. Dezembro sempre fazia isso com New York.

Assim que chegou ao seu apartamento e abriu a porta, a fechou delicadamente atrás dela e se encostou a parede. Respirou fundo e expirou lentamente.

– Como senti falta desse cheiro... – falou aos sussurros para si mesma. O cheiro citrico se sobrepunha ao floral, na verdade completamente o oposto do cheiro de álcool e sangue que tinha no hospital. Era uma mistura de rosas e laranjas. Da janela da sala dava para ver um enorme pé da fruta que crescia no fundo do terreno.

Foi até o balcão e viu Percy que nadava parecendo feliz pelo pequeno aquário. Ele parecia bem e Rose fez uma nota mental para agradecer a Lissa depois.

Deixou seu corpo cair sobre o sofá vermelho e fechou os olhos, tentando relaxar. Tornou-se impossível quando o estomago roncou. Respirou fundo como se tentasse tomar coragem e levantou. Tomou um banho demorado para lavar os cabelos que deixou soltos, para que secassem enquanto se arrumava. Vestiu calça jeans e blusa vermelha de gola alta no pescoço. Calçou suas botas pretas e pegou a bolsa, depois de fazer uma lista com as coisas que precisaria comprar no mercado.

Nunca pensou que fazer compras pudesse ser tão cansativo. Na verdade não era, mas a aproximação eminente do natal fazia com que até mesmo uma loja que só vendia vasilhas plásticas ficasse lotada de pessoas.

A lista não era muito extensa, resumia-se a itens de limpeza e para alimentação. Sentou-se perto da praça dos pombos, que não ficavam muito por ali naquela época do ano, e apenas observou o tempo enquanto comia tranquilamente um croissant de chocolate.

Quando finalmente retornou para seu apartamento, viu Lissa encostada contra a porta dele, quase que bloqueando a passagem.

– Lissa, eu ia te visitar – Rose a saudou, dando um abraço na amiga – Como está?

– Bem, e você? – perguntou passando os dedos entre seus cabelos louros platinados. Ela tinha um sorriso sapeca nos lábios que Rose ainda não tinha notado.

Ela e Rose eram amigas desde sempre, e quando uma havia decido ir para New York conseguir um emprego, a outra havia aceitado quase que instantaneamente.

– Um pouco cansada, mas estou bem. Aliás, obrigada por ter cuidado de Percy. – Rose enfiou a chave na fechadura da porta quando Lissa se afastou. – Tem planos para o almoço? Eu comprei algumas coisas e acho que posso produzir um prato decente dessa vez. – ela piscou para Lissa que sorriu.

Lissa declinou o convite.

– Melhor não, você já tem companhia o suficiente por um dia todo. – ela se despediu de Rose e foi até seu apartamento, entrando nele e fechando a porta suavemente.

Rose observou a porta se fechando, ligeiramente confusa pelo tom sugestivo da amiga, mas não a chamou de volta. Entrou e foi até a cozinha, onde deixou as compras sobre a mesa enquanto guardava tudo.

– Gostei da vista do seu quarto.

Ela pulou, assustada, ao ouvir a voz com aquele mesmo sotaque leve como tinha se acostumado a ouvir nas ultimas semanas

– O que você faz aqui?! Aliás, como você chegou aqui?

Dimitri tinha as mãos nas costas, o cabelo que Rose havia se acostumado a ver sempre solto e caindo nos olhos estava preso em um rabo-de-cavalo curto, mas ainda sim alguns fios caíam-lhe no rosto. Usava uma blusa branca pólo com um blazer preto por cima e uma calça jeans escura. Ele deu de ombros enquanto ia até onde Rose estava e se sentava em uma das cadeiras do balcão da cozinha.

– Vim te visitar. – falou tentando se ajustar na cadeira — Você não foi muito detalhada em sua descrição, além de ter três floriculturas nessa rua. Se não fosse por sua amiga eu nunca teria encontrado seu apartamento, Rose. Aliás, ela foi muito gentil me dizendo onde ficava sua chave extra.

Ela ainda o olhava confusa quando seu celular tocou dentro da sua bolsa e atendeu logo que reconheceu o numero do ramal de Alberta.

– Hath-

– Dimitri fugiu! – Alberta falou parecendo alterada no telefone – Ele distraiu Beth e então saiu do hospital sem ser notado. Isso já faz algumas horas, mas perdemos um tempo considerável o procurando dentro do hospital, tem alguma ideia de para onde ele possa ter ido?

Rose olhou para Dimitri que já parecia saber com quem ela falava. Ele deu um sorriso pequeno e se levantou indo até Rose. Enquanto caminhava movimentou os lábios dizendo: não faça isso.

– Senhorita Hathaway? – Alberta chamou – Ainda está aí?

– Sim, senhora. – respondeu baixo.

– A senhorita compreende o risco? Ele parecia muito bem hoje e...

Rose parou de prestar atenção em Alberta quando Dimitri tocou-lhe o rosto levemente e em seguida seu cabelo que continuava um pouco úmido.

– Não faça isso, Rose. – ele sussurrou as palavras ao seu ouvido, para que só ela ouvisse

Rose se viu presa entre um dilema: Dizer a Alberta que ele estava ali era o certo, mas ela entendia porque ele havia fugido. Se dissesse a todos que ele estava ali um circo seria armado. Quem sabe até mesmo ela não perdesse o emprego. Mas essa não era a questão e ela sabia. Engoliu em seco.

– Não faço ideia Alberta, talvez ele tenha ido visitar sua família. – Rose falou como se ela tivesse certeza disso. Viu Dimitri respirar, parecendo aliviado. Tinha um olhar de agradecimento. – Quer que eu volte para o hospital?

– Não, não. Você não será muito útil aqui. Pode trazer muito alarde para o resto da equipe. Isso ainda está sendo mantido em sigilo e peço que não conte a ninguém.

– Claro, pode contar comigo.

Rose desligou o telefone assim que Alberta lhe disse para ligar se tivesse notícias.

– Está com fome? – perguntou abrindo a geladeira – Eu tenho pão integral e presunto de peru e sei fazer um ótimo sanduíche natural, você vai adorar. – Dimitri sorriu a vendo trabalhar na cozinha quando pediu que se sentasse de volta

Pegou duas latas de coca-cola e colocou sobre a mesa a frente de Dimitri junto com três sanduíches que havia feito. Ele ergueu uma sobrancelha perfeita para ela, mas Rose deu de ombros. Ele começou a comer em silêncio enquanto ela o observava.

– Como conseguiu sair de lá? – perguntou o vendo dar mais uma mordida em seu sanduíche. – Devia estar cercado de seguranças e isso sem falar nas portas bloqueadas que só se abrem com crachás.

– Beth não é muito observadora e foi fácil pegar seu crachá assim como minhas roupas. – respondeu simplesmente voltando a comer.

Ele parecia um pouco diferente, ela notou o admirando. Não parecia mais tão pálido quanto ela se lembrava da ultima vez que o havia visto. Parecia até mesmo mais relaxado.

– Você tem TV a cabo? Eu soube que vai passar o jogo dos Lakers hoje. – falou olhando para a sala de Rose.

– Não sabia que você gostava de basquete americano. – falou se levantando e indo até a sala, onde Dimitri foi atrás dela. Ela ligou a TV e colocou no canal dos esportes, entregando o controle remoto para ele. – Venha, sente-se. Temos que conversar. – falou se sentando no sofá.

– Você não vai contar a eles, não é? – Dimitri perguntou se sentando próximo a Rose.

– Não me olhe assim, Dimitri, como se eu estivesse acabando com seus sonhos. Você sabe que é perigoso ficar aqui. Olhe só a sua volta. Isso aqui está carregando de coisas que você não poderia nem ao menos por a mão. Nada de poeira, lembra? Isso sem contar com os remédios que você deveria estar tomando e todo o resto. – falou exasperada daquilo tudo. Desde quando havia perdido o controle de sua própria vida?

– Então porque não liga para Petrova e diz onde estou? – Dimitri perguntou fixando seus olhos nos de Rose.

– Porque isso traria problemas para nós dois. E é por isso que eu vou te levar de volta. Eu digo a eles que te encontrei por aí.

– Não vai precisar. – falou seriamente – Vou voltar amanhã, mas me deixe ficar aqui mais um pouco. Faz ideia de há quanto tempo não vejo pessoas que vistam outra cor sem ser branco? E estou só falando sobre as cores...

Rose suspirou. Não estava sendo justa com Dimitri, mas era a sua saúde em risco. Finalmente, ela decidiu o que fazer. Era a primeira vez que escutava a voz da sua mãe a mandando ser razoavel e ela não franzia o rosto em careta. Esticou-se no sofá, pronta para pegar o telefone que estava na mesinha ao lado perto de Dimitri, onde também ficava o abajur.

Antes que seus dedos tocassem nele, sentiu uma mão quente em seu queixo e sua cabeça foi virada para ele que a fitava parecendo aflito.

– Eu só queria falar com você. – disse ele — Beth não é tão legal.

– Dimitri, tente entender. É a sua saúde. Você ainda pode melhorar... – praticamente disse isso às súplicas. Ela estendeu a mão para o telefone novamente e Dimitri a segurou, desta vez ele entrelaçou seus dedos juntos. Uma das mãos ainda segurava-lhe o queixo.

Devagar, lentamente, ele foi se aproximando sem tirar os olhos de Rose por um só momento. Ela se permitiu mergulhar naquele mar negro que eram seus olhos. Faziam-na se sentir bem consigo mesma, como se ele fosse sua paz e seu conforto. Dimitri subiu um pouco a mão, acariciando o belo rosto da mulher a sua frente e então desceu novamente para o queixo o segurando com firmeza. Nenhum dos dois se permitiu afastar, nem ao menos desviar o olhar.

– Você sabe que eu não tenho cura, Roza. – sussurrou, pouco antes de pressionar gentilmente seus lábios nos dela. Era uma leve carícia, um roçar de lábios. Um simples toque de seus lábios foi o suficiente para que desejassem que aquilo durasse um pouco mais.


E então acontece. Se antes você era completamente imaculado ao que o homem é capaz de fazer por amor você nunca mais saberá o que é ser inocente quando se ama. Você não teme. Você não odeia. Você simplesmente ama. Aquele discernimento entre certo e errado nunca mais existirá. Você estará cometendo o mais delicioso e eterno dos pecados, mas quem se importa? Afinal, qual o maior pecado: mentir para si mesma dizendo que não quer algo; ou simplesmente se entregar de fato ao pecado? Não há escapatórias. Você está no estágio quatro do amor: você está definitivamente amando. Isso quer dizer, você agora pode dizer alto e claro: "Sou capaz de tudo por você!" e entenderá o significado desta frase.