Onde Tem Ódio Tem Amor
26 \"Obrigada\"
Notas iniciais
Faz quase duas semanas que eu postei o capítulo anterior. Dessa vez demorei um pouco mais por causa das aulas, que infelizmente retornaram T-T
Pessoal, muito obrigada a todos pelos parabéns no capítulo anterior!!! Ainda não respondi os reviews, mas logo respondo.
Esse capítulo ficou um pouco curto, eu postei ele mais porque precisava falar com vocês. Sobre o que? Bem, chegamos a 203 leitores *_* E lembram-se de que eu disse que escreveria um especial quando chegasse a 200? Então. Detalhes nas notas finais.
Boa leitura!
Um... Dois... Três segundos. O tempo em que os dois permaneceram ainda com os olhos fechados após o término do beijo. As testas coladas, sentindo perfeitamente a respiração quente e acelerada um do outro batendo em seus rostos.
Natsu continuava com a mão no rosto de Lucy, não conseguindo afastá-la. Quando ele abriu os olhos, ela o olhava. Mil pensamentos passavam por suas mentes. Estas se encontravam em um perfeito estado de confusão. Por que aquilo havia acontecido? O que os levara àquilo? Eram as perguntas mais persistentes dentre as milhares que os rodeavam naquele momento.
Natsu evitava a todo custo olhar diretamente nos olhos de Lucy; e quando o fez, olhou-a como se pedisse perdão pelo recente ato. Afinal, fora ele quem se aproximara, possibilitando a união de seus lábios, que levou ao primeiro beijo entre ambos. Mesmo assim, não conseguia se afastar. Havia algo que o impedia de fazê-lo, apesar de não saber exatamente o que era.
Abriu a boca, pensando em talvez dizer algo, porém sua voz não saía, e nem ao menos sabia o que poderia falar.
Lucy, por outro lado, não expressava nenhuma reação, apenas um olhar espantado, dificultando ao rosado saber o que se passava em sua mente, o que ela pensava sobre aquilo tudo. Estava tão confusa quanto ele. Sua confusão interior a impedia de esboçar qualquer tipo de reação.
Não muito longe dali, uma espécie de sirene soava. O som ficava mais forte a cada segundo, se aproximando cada vez mais dali, os salvando da constrangedora situação. Natsu acordara do transe graças ao barulho. Conseguiu finalmente se afastar de Lucy, olhando para trás, a procura de qualquer coisa que pudesse mostrar de onde vinha aquele som. Não encontrou nada, porém. Estava longe demais ainda.
― Isso... Isso é a polícia? ― Lucy tomou coragem para falar e perguntou. Sua voz praticamente sumira após aquele beijo. Natsu a calara totalmente, tanto que fora extremamente difícil conseguir pronunciar aquela pergunta.
― Eu não sei, pode ser. ― O rosado respondeu e, instintivamente, agarrou a mão de Lucy, puxando-a e correndo em direção ao barulho. Qualquer coisa que fosse aquilo seria melhor do que ficar ali, próximo ao lugar onde antes mantinham Lucy presa. Só queria tirá-la dali e mantê-la o mais longe possível ― Vem.
Ela não resistiu. Apenas deixou que Natsu a guiasse. O toque dele... era tão bom. Sua mão era quente, de certa forma transmitia proteção, assim como o seu abraço. Lucy ainda podia sentir perfeitamente a sensação que o recente beijo entre ela e Natsu lhe provocara. Diferente, assim que poderia descrevê-la. Uma sensação muito diferente de tudo o que já sentira em sua vida. Menta, esse era o sabor que os lábios do rosado possuíam. E por mais que odiasse admitir, adorava sentir aquele sabor daquela forma.
Conforme se aproximavam, o barulho se intensificava. Eram realmente sirenes de carros de polícia. Logo conseguiram ver também luzes vermelhas e azuis, vindas dos carros recém-estacionados em frente à entrada principal daquele armazém.
Desses carros, vários policiais armados desceram, observando minuciosamente cada ponto do armazém. Porém, não apenas policiais apareceram. Havia um homem entre eles. Homem este que carregava em seu rosto uma feição extremamente preocupada. Seus cabelos estavam totalmente bagunçados, culpa do nervosismo. Ele permanecia inquieto, olhando para todos os lados a procura de algo que pudesse ajudá-lo, não conseguindo manter a calma. Também, como poderia? Era sua filha que estava lá dentro. Ou ao menos pensava que estava.
― Papai... ?
No instante em que o viu, Lucy soltou-se de Natsu e correu em direção ao seu pai. O garoto tentou acompanhá-la, porém não conseguiu. Ela corria rápido demais. O rosto de Jude ao vê-la se encheu de surpresa, mas que logo após se transformou em alívio, ainda mais quando sentiu a filha o abraçando fortemente, tendo certeza de que ela estava bem.
Ela não queria chorar, mas algumas lágrimas eram incontroláveis. Estava sensível demais após tudo o que ocorrera, ferida por dentro.
― Lucy, você está bem... ― Suspirou, apertando ainda mais a filha contra si, como se ela pudesse escapar de seus braços caso ele a soltasse.
Natsu apenas observava a cena de perto, não querendo interromper o momento entre pai e filha. Imaginava o quanto Jude deveria estar preocupado, afinal, ele mesmo momentos atrás estava morrendo de preocupação.
― Senhor, essa é sua filha? ― Um dos policiais perguntou.
― Sim. É sim. ― afastou Lucy um pouco de si, olhando para o rosto da filha. ― Mas, como... ?
― Como ela conseguiu sair de lá? Digamos que a Lucy tem um bom anjo da guarda. ― Natsu disse, se aproximando ainda mais dos dois, carregando um tímido sorriso no rosto. Não mentiu. Lucy tinha mesmo um bom anjo da guarda, mais conhecido como “Natsu”.
― Natsu? Eu nem havia notado sua presença. ― Jude comentou. ― Você... Você salvou a minha filha novamente?
Natsu riu. Realmente a salvara muitas vezes.
― Sim. Eu tive sorte em conseguir encontrá-la.
― Garoto, eu nem sei como te agradecer. Muito obrigado!
― Não precisa agradecer por isso. Eu não poderia deixar que algo acontecesse à Lucy.
Após poucos minutos e toda a história ter sido esclarecida aos policiais, os dois sequestradores foram levados algemados, ainda desacordados. Natsu havia dado um jeito neles para que pudesse tirar Lucy dali, nocauteando-os.
Mesmo que estivessem cansados, os três tiveram que acompanhar os oficiais da lei até a delegacia para prestar depoimento, o que ocupou todo o resto de suas tardes. Lucy mencionou a existência de um terceiro sequestrador, Sting. Este se tornaria um procurado e, assim que encontrado, seria preso como seus comparsas.
Realmente, a família Heartfilia não teria dinheiro suficiente para pagar o resgate de Lucy, por isso a única opção que Jude encontrara fora acionar a polícia. Sabia muito bem que em uma situação como aquela isso poderia ser prejudicial à vítima, mas o que mais poderia fazer? Saíra do meio de uma reunião importante com sócios que poderiam alavancar os negócios da empresa novamente para ir ao socorro da filha. Negócios não importavam mais para ele do que a vida dela. Porém, precisaria voltar para Nagoya o mais breve possível. Ainda assim, fez questão de acompanhar Natsu e Lucy até o apartamento em que ambos viviam.
― Eu gostaria muito de ficar aqui por mais tempo.
― Tem certeza de que não pode? ― Lucy perguntou.
― Me perdoe, Lucy. Abandonei coisas importantes em Nagoya. Não me arrependo nem um pouco de ter feito isso, mas preciso voltar. A empresa anda passando por uma situação crítica, e se eu não estiver lá para comandar tudo, não sei o que pode acontecer. ― Lucy soltou um suspiro. Entendia a posição de seu pai e sua preocupação com os negócios, ele sempre fora assim, e sempre seria, mesmo que tivesse se tornado muito mais presente após os acontecimentos do passado; mas queria ficar um pouco mais com ele. ― Posso contar com você para cuidar dela, não posso, Natsu?
― Claro. ― O rosado respondeu. ― Não vou tirar os olhos da Lucy.
― Eu sei que não. ― Jude disse rindo e puxando Natsu para um abraço. ― Obrigado mesmo, Natsu. Lucy é a coisa mais valiosa que eu tenho, não sei o que faria se algo tivesse acontecido a ela.
O rosado se afastou. Jude se despediu da filha e partiu. Eram apenas Natsu e ela. E depois do que acontecera, ficar sozinha com ele se tornou extremamente constrangedor.
***
― Levy, não precisa se preocupar, está tudo bem agora... Sim, foi isso mesmo que você ouviu, foi o Sting. Eu sempre disse que aquele cara era um canalha, e se certas pessoas tivessem me ouvido, nada disso teria acontecido... ok, eu sei que não aparentava tanto, mas será que minhas palavras não tinham nem um pouco de credibilidade?!... Certo... Eu sei!... Não vou fazer isso... Eu juro! Está bom assim?!... Não acho que seja uma boa ideia você vir aqui agora, está tarde e todos estamos cansados. Venha amanhã, é melhor... Tudo bem, até amanhã então.
O rosado encerrou a ligação, deixando o celular sobre a mesa da cozinha e pegando uma xícara com chá que ele próprio havia preparado. Ligara para Levy para informar a ela o que acontecera com Lucy, afinal, a garota também sabia do sumiço de sua amiga, também estava preocupada.
Ouvir a conversa, mesmo que apenas o que Natsu falara, não ajudara em nada a melhorar o estado de Lucy. A loira estava sentada no sofá da sala, com as pernas cruzadas sobre o estofado. Havia tomado um banho e tentado descansar, porém não conseguia, as lembranças daquele dia invadiam sua mente sem permissão e impediam seu repouso.
― Pegue. É seu favorito, não é? Hortelã e Erva Doce. ― O rosado entregou a xícara a Lucy, se posicionando em frente a ela, de braços cruzados e uma expressão fechada.
Ela aceitou a bebida, mesmo que sem vontade. Pouco importava se era seu sabor favorito ou não, estava sem ânimo para nada. Ainda mais sabendo o que estava por vir...
― Francamente, Lucy. Faz ideia do quanto eu fiquei preocupado?! Você foi extremamente inconsequente, sabia?!
― Eu sei. Me perdoe.
― Não é a mim que você deve perdão. Já imaginou o que poderia ter acontecido com você?! Poderia nem estar viva! Ouviu o que seu pai disse. Foi sorte eu ter te encontrado, ele não teria dinheiro para pagar o resgate. E eu tenho medo de pensar no que aqueles caras poderiam ter feito se soubessem disso.
Lucy virou o rosto, evitando encarar o rosado, tentando impedir que novamente chorasse.
Ele estava descumprindo o que prometera a Levy. Dissera à garota que não iria brigar com Lucy por causa do que acontecera, mas precisava dizer aquelas coisas. Não conseguiria simplesmente ficar calado.
― Eu sei que fui muito ingênua, novamente, e me arrependo disso. Não é necessário que você diga.
― Me desculpe. ― Ele suspirou e disse, se sentando ao lado de Lucy e chamando a atenção da loira. ― É só que... você quase me matou de preocupação. Pensei que algo ainda mais grave pudesse ter acontecido. Não faça isso novamente, entendeu? Ou da próxima vez vou ser obrigado a te trancar em um quarto para que não se meta em mais problemas.
Lucy assentiu. Olhou para o chá de cor verde, sem vontade alguma de tomá-lo. Lembrou-se então de algo que queria saber desde que Natsu a salvara.
― Natsu, como me encontrou?
― Foi só sorte. E intuição. Sting entregou o jogo. Pensou que eu estivesse desacordado e contou que aquilo era um sequestro. Eu conheço Magnólia bem, o primeiro lugar em que pensei que eles poderiam ter te levado era aquele armazém, e estava certo.
Sting. Somente se lembrar do nome do garoto causava arrepios em Lucy.
― E se a policia não conseguir encontrar o Sting, Natsu? E se ele-
― Ei, não pense nisso. Eles vão encontrá-lo e prendê-lo. E se desistirem eu mesmo faço isso. Não vou deixar que nada aconteça com você.
Ele pegou a xícara da mão de Lucy, colocou-a sobre a pequena mesa em frente ao sofá e puxou a garota contra o seu peito, recostando-se no sofá com Lucy deitada sobre si, apertando-a em seus braços.
― Natsu...
― Só para constar: Eu ainda estou muito bravo com você. ― Disse, olhando para a televisão, não para Lucy.
Ela segurou a camisa branca que o rosado usava, relaxando os músculos e apoiando sua cabeça no ombro do garoto.
― Obrigada. ― Ele não respondeu. ― Posso... te pedir um favor?
― Que favor? ― O rosado perguntou.
― Poderia... dormir comigo hoje? Eu... estou com medo.
Natsu demorou alguns segundos para responder àquela pergunta. Não sabia ao certo o que dizer.
― Tudo bem. ― Disse por fim.
― Obrigada.
― Você está me agradecendo demais hoje.
Novamente, Lucy desabou nos braços dele. Um choro silencioso. As lágrimas molhavam a camisa do garoto e machucavam seu coração, pois odiava vê-la naquele estado. Não disse nada, entretanto. Sabia que havia sido um dia difícil para Lucy, e se aquela era a melhor forma que ela encontrara para aliviar a tensão causada por aqueles acontecimentos, então que fosse. A única coisa que fez foi apertar ainda mais seus braços ao redor de Lucy.
Notas finais
Então, sobre o especial. Se lembram do especial anterior? Eu pensei em fazer algo parecido com o que fiz naquele: Ter a participação de vocês. Esse especial em comemoração aos 200 leitores irá se passar no futuro, como eu já disse alguns capítulos atrás, então o Natsu e a Lucy já estão juntos, e irá acontecer durante o inverno. Então, me digam o que querem que aconteça nesse especial. Vale tudo, menos hentai (sim, dessa vez vale beijo : ) ). Posso contar com a ajuda de vocês? Da última vez eu achei que foi bem legal, por isso resolvi repetir.
É isso. Digam o que acharam do capítulo no review e também o que querem que aconteça no especial, ok?
Até o próximo o/
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