Onde Tem Ódio Tem Amor

64 A verdade revelada


Notas iniciais
Hey! Ahn... sempre tenho a impressão de que há algo que preciso dizer aqui e na hora de escrever acabo esquecendo. Enfim, gente, oi, kkkkkk. Capítulo dedicado a Yume! Muuuuuuito obrigada pela recomendação!!! Espero que ele seja bastante esclarecedor para vocês ;) Boa leitura!

Como já era de se esperar, a primeira noite sem Lucy fora terrível. Natsu não pregara os olhos um minuto sequer, o que por um lado era bom, já que quando sua energia estava abaixo do normal a dor de cabeça e a voz costumavam afetá-lo menos. Passara todo o tempo imaginando onde ela estaria, se estava bem, esperando que a resposta fosse sim; sentindo falta do calor de seu corpo do outro lado do colchão e torturando a si mesmo tentando lembrar o que acontecera naquela noite, há alguns meses. Não conseguia encontrar uma resposta concreta, entretanto, por mais que pensasse.

Pela manhã, logo que acordou, decidiu tomar um banho gelado para quem sabe espantar um pouco do sono e despertar, esperando que a água fria também ajudasse a clarear seus pensamentos. Estava chovendo e o barulho da chuva confundia-se com o das gotas que caíam do chuveiro. Os sons, porém, não ajudavam em nada exceto tirar sua concentração. Em um acesso de raiva, uma espécie de ódio de si mesmo por ter sido tão estúpido, socou a parede e machucou a falange dos dedos da mão direita.

Enquanto preparava um curativo improvisado, já que considerava besteira ir até o hospital por causa de um ferimento tão pequeno, a campainha tocou. Seu coração disparou em ansiedade, torcendo para que fosse Lucy atrás daquela porta, por mais que sua razão lhe dissesse para parar de ser estúpido, assim como a realidade.

— Hey.

— Oi, Levy — cumprimentou a amiga de forma desanimada. Tentar esconder sua decepção pela expectativa de algo que tinha mínimas chances de acontecer era quase impossível. Já até imaginava o motivo de sua visita, afinal, era ela a quem Lucy sempre recorria quando algo acontecia.

— Lucy me pediu para vir buscar algumas coisas aqui — quieto, Natsu abriu espaço para que Levy entrasse, indicando a porta do quarto. Apoiando-se no balcão da cozinha, tomou-se de curiosidade e preocupação.

— Como ela está? — perguntou.

— Como deveria estar depois de brigar com você? — Levy respondeu do quarto, enquanto pegava algumas coisas como roupas, utensílios pessoais, o notebook e o celular de Lucy, reunindo-os em uma bolsa. — Mal o suficiente. Não sei o que foi que gerou a briga, Lucy não me contou, e eu também não me preocupei muito com isso quando ela bateu na porta de casa tão tarde, mas espero que vocês se acertem. Independente disso, ela te ama e eu sei que você também gosta bastante dela.

— Eu não sei se ela vai conseguir me perdoar dessa vez, Levy. Fiz uma besteira grande demais.

— Então dê um jeito de consertar — aconselhou, retornando à sala com a bolsa nas costas. — Mas não agora. Espere um tempo, Natsu. Até as coisas se acalmarem um pouco. Se foi mesmo algo tão grave, acho que é o melhor a se fazer.

— E se ela pensar que eu desisti? Me conformei com a situação?

— Conhecendo o histórico de vocês dois, eu duvido. Você invadiu a sala de comando de um aeroporto por ela, acho muito improvável que ela ache que você desistiu tão facilmente.

Natsu sorriu fracamente, aliviado e revivendo aquele dia em sua mente. Esperava que Levy estivesse mesmo certa.

— Tomara que sim.

— Existe alguém no mundo que conheça vocês melhor do que eu, Natsu? — a pequena perguntou sorrindo.

— Obrigado, Levy. E cuide bem da Lucy, ok?

— Tudo bem. Só vê se dá um jeito nisso, tá? Não gosto de ver vocês dois desse jeito — aconselhou-o, se despedindo.

Após Levy ter ido embora, a chuva acalmou-se um pouco, deixando-o sozinho com seus pensamentos. Natsu ainda passou o resto da manhã no apartamento. Contudo, conforme o tempo passava, permanecer naquele local tornava-se quase insuportável. O cheiro de Lucy estava impregnado em cada canto do lugar, e senti-lo sem poder senti-la consigo era simplesmente inviável. Precisava sair, ou acabaria enlouquecendo.

Tomou um táxi, sem coragem para usar o carro, afinal, ele pertencia a ela, não sentia-se no direito de utilizá-lo. Deu ao motorista o endereço do primeiro lugar que lhe veio à mente: o parque abandonado que costumava frequentar quando era criança.

Olhar para as águas claras, para os peixes que nadavam de forma tranquila no pequeno riacho que corria pelo parque ajudava a clarear sua mente quando estava estressado demais ou com coisas na mente das quais não conseguia se livrar. Se o ajudava na infância, após a morte dos pais, com certeza ajudaria com sua atual situação, que, por mais desesperadora que fosse, não se comparava com a experiência de ver duas das pessoas que mais amava morrendo.

O lugar estava como sempre costumava ficar. A grama aparada, os matos formando uma espécie de semicírculo em volta do riacho, as árvores obedecendo aos limites da vegetação rasteira. Era estranho que fosse tão bem cuidado quando as únicas pessoas a visitá-lo eram Natsu e Lucy, mas era essa uma das coisas que o tornavam especial para o garoto. O lugar não precisava de ninguém que o mantivesse para continuar firme, assim como ele virou-se muito bem sozinho e cresceu dessa maneira, até conhecer Gray.

Imediatamente quando chegou, sentou-se na grama e pôs-se a observar os finos pingos de chuva que caíam na água. Nem se importava com aqueles que o molhavam, estava concentrado demais em olhar os pequenos peixes que nadavam por aquelas águas. Distraidamente, pegou uma pequena pedra na grama e a jogou no riacho, vendo as ondas que se formaram ao contato com a água.

Lembrava-se do dia em que apresentou seu lugar secreto a Lucy. Nunca trouxera ninguém ali, exceto ela. Com a lembrança, deitou-se na grama, observando o céu nublado. Algo incomodava-o em seu bolso, e, quando checou o que era, deparou-se com o endereço que o estranho o qual o abordara na rua há algumas semanas lhe dera. Voltou a se sentar, enrugando a testa. Talvez seu afastamento de Lucy fosse um bom momento para tirar aquela história toda a limpo. Não correria o risco de envolvê-la com aquele assunto.

Assim, com uma inquietação em seu estômago e o papel em mãos, chamou outro táxi e pediu que ele o levasse até o local indicado.

Chegou a pensar que o motorista havia errado de endereço, pois o levara até uma região muito afastada da cidade, quase deserta. O carro parou em frente a um estabelecimento de fachada pequena, inteiro fechado, até mesmo suas janelas. Natsu pagou o motorista e conferiu o lugar mais atentamente. Imaginou se o homem o havia enganado, ou lhe pregado uma peça. Sentir-se-ia muito idiota por ter caído com tanta facilidade. O desespero faz coisas engraçadas e trágicas com as pessoas.

O lugar lhe proporcionava uma sensação estranha, como se fosse atraído até ele. Hesitante, abriu a porta sem bater. Por dentro parecia-se com um bar comum. Havia um balcão, uma estante com bebidas logo atrás, pessoas conversando em mesas e jogando jogos como bilhar e dardos, em torno de dez, no máximo, das mais variadas idades. E sentado atrás do balcão, lá estava, o tal homem que dizia conhecer os segredos mais profundos de Dragneel.

Repleto de confiança, agora que parecia ter certeza de que não era uma mentira, o rapaz caminhou até o bar, sentando-se ao lado do homem, que bebia algo de um copo. Assim que notou a presença de Natsu, sorriu de canto.

— Olhe só quem apareceu.

— Você me prometeu respostas. Vim buscá-las — disse, seu tom de voz firme sugeria que não estava ali para brincadeiras.

— Podem demorar ou ser breves, vocês sempre vêm. E no seu caso nem demorou tanto assim — o homem respondeu, repousando o copo no balcão. Com o polegar, apontou para um homem loiro que jogava dardos. — Henry ali levou quase um ano até me procurar. A curiosidade é uma desgraça.

— O que quer dizer? — Natsu perguntou.

— Todos aqui são como você, garoto. Não se ache muito especial.

Definitivamente não era aquilo que ele se achava. Estranho, anormal, talvez se encaixassem melhor. E, de certa forma, era um alívio descobrir que existiam outros como ele.

— Você?

— Eu. Ela — indicou a moça atrás do balcão. — Todos eles.

— Como pode ter certeza de que sou como vocês? — sequer sabia o que era aquele “como vocês”, mas perguntava. Qualquer informação que pudesse conseguir era bem-vinda.

— Porque podemos sentir uns aos outros. Assim eu sei que você é um dos nossos. Diga que não sente algo estranho nesse ambiente e estará mentindo — de fato, sentia. Só não sabia o que era, aquela sensação que teve antes de entrar no bar, de algo impulsionando-o a entrar. — Mas, vamos às apresentações. Alexei Ivanov. E você é?

— Se esteve me observando, deveria saber meu nome — a desconfiança que Natsu sentia ainda continuava sendo grande demais para simplesmente fornecer informações.

Alexei riu.

— Eu não te observei. Só senti sua presença e fui atrás de você. É o que eu faço. Encontro pessoas como nós. Mas claro que a primeira versão seria muito mais fácil de ser acreditada do que se eu dissesse que “senti” você.

Como se a primeira versão também fosse extremamente natural. Contudo, Natsu relevou.

— Natsu Dragneel.

— Natsu, ahn? — Alexei confirmou, esvaziando o copo. — Suponho que tenha descoberto algo, se veio atrás de mim. Conte-me suas descobertas. E, antes que diga que eu deveria saber, porque ainda tenho a impressão de que você deve me achar um “stalker” ou coisa do tipo, não, eu não sei e nem teria como saber do seu passado. Aceita uma bebida?

Natsu pensou por alguns segundos e por fim acabou aceitando. Alexei acenou para a jovem atrás do balcão e ela lhes trouxe duas latas de cerveja.

— Não tenho certeza se confio em você.

Alexei se levantou.

— Quando estive na sua situação, também não confiei. Às vezes é melhor manter a cautela. Não te culpo. Venha, está muito barulhento aqui. Melhor conversarmos em outro lugar, Dragneel.

Imaginando-se capaz o suficiente em seu estado de alerta de se defender de qualquer coisa que aquele cara pudesse estar armando, Natsu o seguiu até uma pequena sala atrás do bar. Nela, havia apenas estantes com muitos, muitos livros. A maior parte de aparência antiga, como se tivessem sido escritos há muito tempo. No centro, uma mesa e duas cadeiras. Alexei o convidou a sentar-se de frente para ele.

— Por que não conta você primeiro o que tem a me dizer? — Natsu sugeriu.

— Tenho que admitir. Há tempos não encontrava um hospedeiro tão desconfiado quanto você, Natsu Dragneel — Alexei comentou, muito mais para si mesmo do que para Natsu, que sequer entendia o contexto de “hospedeiro” naquela frase. — Tudo bem, se quer fazer as coisas desse jeito, não vou me opor. Você conhece sua própria história, acredito que conseguirá perceber onde ela se encaixa. A mim não faz a menor diferença.

— Ótimo. Então, comece.

— Você é bastante apressado, não é? Claro que todos são, desesperados por respostas, mas talvez devesse ser um pouco mais educado, garoto. Posso te ajudar. Se eu quiser. E sua atitude não está ajudando em muita coisa.

O jeito como Alexei o tratava, como se fosse uma criança que precisa ser educada, estava começando a irritá-lo.

— Como quer que eu aja se só fica enrolando ao invés de me dizer de uma vez o que interessa?

Após tomar um gole de cerveja e fitando a mesa, Alexei perguntou:

— Conhece a lenda russa do Koschei, o imortal?

Natsu franziu a testa.

— O que uma lenda tem a ver com tudo isso?

— Tem tudo a ver. E se quer respostas, pare de me questionar tanto. Apenas diga: conhece ou não?

— Não — o garoto respondeu. Ficava cada vez mais irritado com aquele jeito autoritário com que o outro lhe dirigia.

— Então, bem, deixe-me lhe contar uma história — Natsu cruzou os braços, recostando-se ainda mais na cadeira. — Koschei, como o próprio nome já sugere, era um homem imortal. Sua alma não residia em seu corpo. Para que não pudesse morrer, ele a escondeu em uma agulha, que colocou dentro de um ovo, dentro de um pato, e o pato dentro de uma lebre, trancada em uma caixa de ferro enterrada debaixo de um carvalho verde. Bastante esperto, não é? Só me pergunto até hoje como ele conseguiu colocar o pato dentro da lebre...

— Continue — Natsu ordenou, esperando ansiosamente ver aonde aquilo iria levá-los.

— Como quiser — Alexei limpou a garganta e retornou à história. — Koschei gostava de enganar jovens mulheres. Contudo, uma delas foi esperta o bastante para não se deixar enganar e, ainda mais, enganou o próprio enganador. Seu nome era Marya Morevna, uma princesa guerreira. Essa mulher conseguiu aprisionar o Koschei em um porão. Deixando-o sem água ou comida, possibilitou também enfraquecê-lo. Por muito tempo a existência do imortal fora esquecida, causando, obviamente, alívio.

“Marya Morevna era casada com um homem chamado Ivan Tsarevitch. Um dia, ela parte para a guerra, deixando um aviso ao marido: jamais, em hipótese alguma, abrir a porta do porão da casa em que viviam. Apesar dos avisos, Ivan aparentemente não era um cara muito obediente, que gostava de seguir regras, e, movido pela curiosidade, desobedeceu sua esposa.

Lá dentro, acorrentado, fraco e magro, ele encontra o Koschei, que lhe pede para trazer um pouco de água, pois estava sedento. Ivan ingenuamente obedece, e, assim que saciado, o Koschei recupera sua força, rompe as correntes que o prendiam e desaparece. Poético, se não fosse trágico.

Em busca de vingança, ele vai atrás de Marya Morevna e a sequestra. Ivan o persegue, até conseguir encontrá-lo. Koschei pede para que ele parta, porém Ivan não desiste e o enfrenta. Acaba morto. Seus restos mortais colocados em um barril e este jogado no mar. O cara pelo menos tinha sorte, é ressuscitado pelos maridos das irmãs quando elas o encontram, magos poderosos. Eles dizem a Ivan que Koschei possui um cavalo mágico. Ele, então, parte em busca de Baba Yaga, uma maga, para conseguir um cavalo semelhante e assim conseguir derrotar o Koschei. Ela atende seus pedidos, ele encontra-o, o mata e queima seu corpo.”

Após Alexei terminar a narração, Dragneel esperou por alguns segundos, aguardando para que ele concluísse seus pensamentos, porém nada disse ou fez.

— E? — questionou, continuando na estaca zero do entendimento.

— E isso não é apenas uma lenda. É uma história real. Essa é a parte conhecida. A parte que não é contada é que, enquanto mantinha Marya Morevna presa consigo, o Koschei previu o que lhe aconteceria no futuro. Ele a seduziu e persuadiu, colocando seu filho no útero daquela mulher, tendo em mente renascer naquela criança. Quando ela retornou à aldeia em que viviam e descobriu estar grávida, todos sabiam que o filho não poderia ser de Ivan e deduziram que era a criança do Koschei. Quiseram matá-la, contudo Ivan não permitiu. O amor que sentia por aquela mulher a salvou da morte.

“Tentaram então matar o filho que ela carregava, amaldiçoando-o ainda no útero. Todas as tentativas falharam, e a criança nasceu. Se é que poderia ser chamado de criança. Era um monstro, completamente deformado e irreconhecível como humano. Imagina-se que devido as diversas maldições que lhe lançaram quando ainda não havia nascido. Tentaram outra vez matá-lo, mas não conseguiam, parecia ser imortal como o pai. E a criatura crescia rápido demais. Atearam-lhe fogo, o que foi uma péssima ideia, pois assim descobriram que as chamas o fortaleciam ainda mais.

Somente uma pessoa conseguiu pôr fim ao monstro: Baba Yaga. A maga criou uma adaga especial, repleta de runas por toda a lamina, feita de um metal encontrado apenas nas profundezas de um vulcão. Chama contra chama. Era aquela a única coisa que surtira efeito contra o Koscheivich, nome dado à criatura, filho de Koschei. Quando morto, o povo da aldeia o cortou em pedaços minúsculos, jogando seus restos no rio.

Contudo, a correnteza levou aqueles pedaços de Koscheivich até o riacho que abastecia a aldeia. Não vou mentir, essa parte da história é nojenta. As pessoas da vila, sem ter conhecimento, ingeriram aquela água, incluindo o próprio Ivan. Consequentemente ingeriram os pedaços do monstro junto. Apenas não imaginaram que a criatura imortal se desenvolveria dentro deles, a partir daqueles pedaços. Se tornaram os primeiros hospedeiros do Koscheivich. E é isso que somos, Natsu. Hospedeiros.”

— O que quer dizer com isso? — Natsu perguntou, confuso, assumindo uma pose mais séria.

— O Koscheivich renasceu dentro daquelas pessoas. Elas, sem saber, dividiram seus corpos com ele. Podemos sentir uns aos outros porque o monstro está dividido entre muitas pessoas. Cada parte dele dentro de alguém. E, ao longo do tempo, ele começou a enlouquecer essas pessoas, buscando assumir controle total. Ele não tinha como ter controle sobre o corpo, mas exercia poder completo sobre a mente. Fazia-as ter seus piores pesadelos, ver seus entes queridos sendo mortos em seus sonhos, conseguia fazê-los voltar a sentir dor por ferimentos causados anos antes. Eram coisas horríveis. Não era de se admirar que muitos não aguentavam. O Koscheivich literalmente os enlouquecia para que aceitassem entregar seus corpos a ele. Sendo imortal, e não querendo ficar preso em um recipiente inútil, ele lhes emprestava algumas de suas habilidades, como conseguir se curar em muito menos tempo, força superior, imunidade ao fogo, todas essas coisas que imagino que você deve ter conhecimento.

“Ivan, que ao lutar contra o Koschei criou com ele uma espécie de ligação, foi o único que percebeu o que acontecia com os moradores da aldeia. Ele avisou aos anciões e essas pessoas formaram o conselho, exceto o próprio Ivan, que sentia-se culpado por aquele desastre, já que fora ele quem não permitira que sua esposa fosse morta antes que a criança nascesse. O conselho perdura até os dias atuais. Tem por objetivo matar aqueles que sucumbem ao poder do Koscheivich e cedem seu corpo. E por isso eu busco pessoas como nós. Para evitar que sejamos mortos. A ignorância pode fazê-lo ceder de forma muito mais fácil ao poder mental do Koscheivich. Eu posso ajudá-lo a se tornar mais forte perante ele, posso ajudá-lo a tornar o Koscheivich um ser inofensivo, Natsu, se me deixar ajudar.

Dragneel rapidamente se levantou, conturbado e sentindo-se idiota por ter procurado aquele lugar, negando-se a aceitar que aquela história inteira era real. Era uma lenda, e lendas eram apenas lendas. Preferia aceitar que tinha algum problema mental à possibilidade de dividir seu corpo com um monstro.

— Isso é loucura. Você é louco! Acha que pode brincar com os outros inventando histórias assim? — Alexei estreitou os olhos. Natsu era, no mínimo, interessante. — Faça o favor de procurar outro trouxa para enganar, porque eu vou é sair daqui.

— Faça o que quiser. Não estou te obrigando a nada — era uma pena, pois tinha ainda muita coisa a dizer.

Dragneel tentou. Realmente tentou ir embora e deixar aquele lugar. Entretanto, quando pisou na saída daquela sala, diversas imagens invadiram sua mente. E fora tudo tão rápido e de forma tão confusa que não conseguia localizar-se ou entender o que ocorria. Uma pressão muito grande formou-se em sua cabeça, que latejava de forma extremamente forte. Parecia que algo também pressionava seus pulmões, pois mal conseguia respirar. Tentou se apoiar no batente da porta, mas acabou caindo no chão de uma forma ou de outra, gemendo de dor.

Enfim, ainda que sem saber como, conseguiu identificar o que eram aquelas imagens. Viu-se séculos atrás, nos olhos de outra pessoa, sentindo seu sofrimento e sua dor quando tentaram matá-lo. Viu-se nos olhos do próprio monstro, do próprio Koscheivich. E então tudo tornou-se escuro.

Notas finais
Confuso? Ainda tem bastante coisa para esclarecer nos próximos capítulos e, bem, deixem aí suas dúvidas a respeito dessa história porque daí posso respondê-las nos capítulos, ok? Duas tristes (a segunda talvez nem tanto, kkkkk) curiosidades sobre OTOTA: 1) Em média, menos de 3% dos leitores que visualizam o capítulo deixam um comentário. É, bastante desanimador... 2) Estamos praticamente na metade da segunda temporada, yey o/ Pela satisfação demonstrada com a história pela maior parte dos leitores verificada através do número de comentários em relação às visualizações, imagino que essa deve ser uma boa noticia, kkkkkk. Mas sério, gente, as coisas meio que vão acontecer de forma rápida agora, então, quando vocês menos esperarem, estaremos no último capítulo :/