Onde Tem Ódio Tem Amor

65 "All you had to do was stay"


Notas iniciais
Heeeeey, gente o/ Bom, em primeiro lugar, quero agradecer a Lu Dragneel e a AmberGreen pelas recomendações. Muito obrigada a vocês! :D Em segundo lugar, antes do capítulo, queria destacar um trecho da recomendação da Amber que me chamou a atenção e que queria dividir com todos, então: "Mesmo estando na segunda temporada, parece que a fanfic não perdeu seu foco. E na minha opinião o principal foco é contar sobre os personagens, sua história, e como isso se aplica a suas ações. Mostra bem como a realidade é, e que nem sempre pode haver um final feliz, e do mesmo jeito... Faz-nos sonhar! E tentar criar nossa própria historia, e ter um final feliz." ♥ Espero que gostem do capítulo :3 Boa leitura!

O Sol já brilhava através das cortinas fechadas àquela hora do dia. A luz não a incomodava, contudo. Não a havia acordado. Também, não poderia, considerando que a loira sequer dormira durante aquela madrugada, muito menos quando a manhã chegou. Mal conseguia ver a iluminação, estava escondida debaixo do confortável edredon, por mais que o dia já tivesse amanhecido quente. Assemelhava-se a uma criança que se cobria com os cobertores após um pesadelo, tentando se proteger. Mas, no caso de Lucy, de que se escondia? Edredons não poderiam protegê-la da dor que sentia, nada poderia. A dor não residia no exterior. Estava em seu interior, em seu coração, e superfície nenhuma poderia amenizá-la.

Apesar disso, sentia-se doente. Sabia que não deveria deixar-se abalar tanto por culpa de outra pessoa, já havia aprendido a lição em épocas passadas. Contudo, não conseguia evitar. Doía, e muito, e extinguia também sua vontade de fazer qualquer coisa que não fosse torcer para que tudo fosse apenas um pesadelo. Logo acordaria e encontraria Natsu ao seu lado, dormindo, talvez. Só que sabia muito bem que não era fruto da sua imaginação o que ouvira e vira.

Sua mente também tentava nutrir uma infame esperança de que tudo fosse apenas uma mentira. Quem sabe uma pegadinha de mau gosto. Natsu a irritara para depois provar que fizera tudo por causa de uma festa surpresa, poderia ser algo do tipo. É claro que a situação era muito diferente, e em seu interior sabia muito bem que tudo no que tentava se agarrar eram apenas tentativas de confortar sua mente e seu coração, porque a verdade era dolorosa demais para ser aceita.

Lembrava-se de um animalzinho de estimação que tivera na infância, um gato. Devia ter cinco ou seis anos, talvez menos. Havia ficado doente e tivera que ser internado em uma clínica veterinária, encaminhado para a cirurgia. O processo correra bem e ele se recuperava melhor do que os veterinários esperavam. Até que, em uma tarde, seu pai ligou e sua mãe atendeu ao telefonema. Depois a olhou, com seus olhos marejados, e anunciou que o pequeno Fluffy havia falecido naquela tarde. A pequena garota passou o resto do dia chorando, mas tudo dentro de si lhe dizia que aquilo era somente uma preparação para quando o gato voltasse para casa, vivo, no colo de seu pai. Para que a surpresa e a alegria fossem maiores. Ele voltou, contudo sem vida, para ter seu funeral no quintal de casa.

A situação atual parecia-se com aquela. Os dias em que o gato passou internado correspondiam ao período em que ela vivera em Nagoya, cheios de tensão e preocupação se as coisas iriam ou não dar certo; depois, veio a noticia de que ele estava melhorando, trazendo alegria, como quando retornou à Magnólia e reencontrou Natsu; e finalmente a grande queda, a morte do gato e seu momento atual. Estranha analogia, mas que representava muito bem seu estado.

Havia pedido a Levy que buscasse suas coisas em seu possivelmente antigo apartamento, já devia estar voltando. Talvez o trabalho a ajudasse a esquecer um pouco as coisas, porém para isso precisava do computador. Levy estava sendo um anjo. Não questionara quando ela não quisera contar os motivos de ter aparecido tarde da noite em sua casa pedindo abrigo e cedera o quarto de hóspedes pelo tempo que fosse preciso.

Moveu apenas um pouco a coberta quando a porta do quarto se abriu e relevou Levy, trazendo uma bolsa nas costas e uma bandeja nas mãos. A pequena sorriu desajeitadamente, pensava que Lucy tivesse conseguido dormir e a havia acordado, então adentrou o quarto, deixou a bandeja com sanduíches sobre o criado-mudo, a mochila ao lado da cama, sentou-se na beirada do colchão e entregou uma xícara de chá para Lucy.

— Obrigada, Levy — contudo, sequer encostou seus lábios na xícara, apenas deixou-a apoiada no colchão. Não sentia vontade de colocar nada na boca. Tinha a impressão de que qualquer coisa pareceria amarga demais para que conseguisse engolir.

— Como está se sentindo?

— Como se um caminhão tivesse passado pela minha cabeça — Levy solidariamente afagou os cabelos da loira, tentando confortá-la. Impulsivamente, Lucy perguntou: — Como ele está?

— Tão mal quanto você — não tinha certeza se era aquilo bom ou ruim. — Parecia que tinha machucado a mão, estava enfaixada.

— Estranho. Não havia nada quando eu saí.

Levy mostrou um fraco sorriso.

— Me desculpe insistir, Lu-chan, eu sei que você não deve estar querendo tocar nesse assunto agora, mas o que foi que aconteceu entre vocês? Quer dizer, não consigo pensar em nenhum motivo que te faria querer ficar longe do Natsu. Ele me disse que fez uma grande besteira, mas, ainda assim, não consigo pensar em algo que possa ser tão grande.

Lucy se ajeitou na cama, ainda deitada, para poder ter uma visão melhor de Levy. Estava sendo tão boa e, além disso, era sua melhor amiga. Se não conseguisse desabafar com ela, com quem conseguiria?

— Quer mesmo saber, Levy? — perguntou sinceramente.

— Se você quiser me contar.

— Algumas semanas antes de eu retornar para cá, Natsu e eu tivemos uma briga séria. Não lembro bem o que a iniciou, mas tinha a ver com a distância e o fato de que não nos víamos há quase um ano. Ele havia começado, dizendo que eu nunca conseguia tempo para vir vê-lo e discutindo por causa disso, porém ficou em silêncio quando eu disse que queria terminar. Ele tentou argumentar, só que então fui eu que comecei a discutir, disse que aquilo estava sendo desgastante demais, entre outras coisas. Eu me lembro de ter desligado enquanto ele falava e dele ter tentado me ligar durante vários dias antes de eu decidir que estava bem o suficiente para ter uma conversa adequada. Esse intervalo demorou mais ou menos uma semana e meia.

— E qual a relação dessa briga com a atual? — Levy questionou, tentando ligar os pontos.

— Bem, parece que ele arranjou outro meio de lidar com essa briga na época; correndo atrás da ex-namorada, Lisanna. E agora ela está grávida, Levy — falou, erguendo as sobrancelhas, como se fosse apenas um fato qualquer. A história dita em voz alta parecia ainda mais inacreditável.

A reação de Levy foi esperada. Ficou atônita, sem qualquer ideia do que dizer frente àquela situação. Agora entendia o que Natsu quis dizer com “não sei se ela irá me perdoar dessa vez”. Se ela mesma estivesse passando por aquilo, não tinha certeza se seria capaz de perdoá-lo.

— Lu-chan... como assim?

— Pois é — reafirmou, pressionando os lábios, sem conseguir encarar Levy. — Ele disse que não se lembra de nada exceto de estar muito bêbado e ter encontrado Lisanna no bar, mas também não negou. Agora ela está esperando um filho do meu namorado. Ou ex-namorado, eu nem sei mais.

O silêncio de Levy perdurou por vários segundos depois de ter ouvido. Seu cérebro tentava processar a informação. Simplesmente não conseguia. Imaginava como a loira devia estar, se ela própria encontrava-se tão incrédula.

— Uau — disse, como a única coisa que veio à sua mente. — Não faz sentido. Eu sei que Natsu não é o cara mais santo do mundo, mas, ainda assim. Não é do feitio dele trair alguém, ainda mais sendo você.

— Eu sei, Levy. A vida tem dessas coisas, não é? — a loira afundou o rosto no travesseiro. Até o momento, não tinha derramado uma lágrima sequer. Guardara todas e sempre as continha quando tentavam escapar. Contudo, sua força de vontade não foi suficiente naquele momento. O nó em sua garganta nunca pareceu tão grande. — Você pensa que confiaria sua vida a alguém, para no instante seguinte descobrir que a proteção que a outra pessoa lhe oferecia era feita de papel. E o que sobra é a decepção.

Cortava seu coração ver Lucy daquela maneira. Era sua melhor amiga, odiava vê-la sofrer. Tentando oferecer conforto, devolveu a xícara à bandeja, e abriu os braços, chamando-a para esconder-se em seu abraço, devidamente aceito pela loira.

— Não fique assim, Lu-chan — a consolou, enquanto sentia as lágrimas de Lucy tocando seu ombro.

— No momento, só quero não pensar nele. Só que toda vez que fecho os olhos eu o enxergo e lembro do seu jeito, dos seus beijos, de tudo. Eu não quero chorar ou sofrer por causa dele, Levy. Prometi que não iria mais me deixar abalar por amor nenhum. Só que... dói tanto.

— Eu sei. Não tem problema nenhum em chorar. Você não se torna menos forte por isso. E é impossível não sofrer, porque você o ama e toda a confusão que isso trouxe, as mágoas e todo o resto, isso te assusta.

Era exatamente daquele modo que se sentia. Com medo. Também confusa. Sua mente parecia uma pista de fórmula 1, com seus pensamentos como carros que competiam uns contra os outros.

— Não sei o que pensar. Está tudo muito confuso — comentou, afastando-se e enxugando as lágrimas com as costas das mãos. — Penso que a culpa pode ter sido minha, porque fui eu quem não o procurei e o ignorei quando nós brigamos, então o que eu podia esperar? Natsu está longe de ser perfeito e não cometer erros. Só que, por outro lado, eu penso que ele jamais deveria ter feito isso, mesmo que tivéssemos terminado. Se realmente me ama, não deveria ter corrido atrás de outra mulher quando nós sequer havíamos conversado direito. E eu não sei para que lado ir, em que acreditar. A culpa foi dele e eu estou certa por estar magoada? Ou fui eu que dei a brecha para que isso acontecesse e estou sendo injusta?

— Acho que não há como escolher um lado, Lucy. A vida não é uma ciência exata com resultados precisos. Existem várias possibilidades de interpretações e verdades. Não dá para dizer que um dos lados está cem por cento certo e o outro cem por cento errado. Ambos tem sua cota de razão.

— Então o que eu faço, Levy? — perguntou, cobrindo o rosto com as mãos. — E se decidir por algo que possa ser o maior erro da minha vida? Se escolher ficar longe dele e jamais conseguir esquecê-lo? Ou esquecer essa história, voltar para ele e viver sempre com a mágoa de saber que tem um filho com outra pessoa?

— Não dá para saber, Lu-chan — Levy respondeu, tomando as mãos de Lucy entre as suas. — Você tem que decidir o que acha que será melhor para você, mesmo que acabe cometendo um erro. É claro que há riscos. Sempre haverá. Mas só de sair na rua você já está se arriscando, pode sofrer um acidente a qualquer instante, não dá para fugir deles. Tome esse tempo longe do Natsu para pensar. O que é mais forte? O amor que sente por ele e que ele sente por você ou a tristeza que lhe causou? O vai valer mais a pena no fim das contas? E a partir disso você pode escolher o que fazer.

— Eu também não consigo parar de me questionar sobre o amor que ele sente — comentou, sentindo-se mal apenas por pensar daquela maneira, duvidar do que ele sentia. Mas seus pensamentos eram uma máquina desenfreada. — Será que ele me ama mesmo? Desde minha última experiência eu não consigo ter certeza dos sentimentos dos outros. Tenho medo de acabar descobrindo outra vez que tudo não passou de uma farsa.

— Novamente, é impossível ter certeza e se abster dos riscos. Nós não podemos entrar na mente do Natsu para descobrir isso. Só sei que, se ele não te ama, mente extremamente bem — a pequena conseguiu arrancar um fraco sorriso de Lucy. Quase desapercebido, mas já era algo. — Nós duas aparentemente temos uma má sorte nada invejável com homens, não é?

— É, acho que sim.

Levy se levantou. Gostaria de passar o resto do dia conversando com Lucy e tentando animá-la, mas precisava resolver algumas coisas que não podia adiar.

— Não se preocupe, Lu-chan. Tome o tempo que for preciso para pensar no que vale a pena, sem pressa. E se não der mesmo certo com Natsu, pode achar outro cara. Você é linda e inteligente, isso não seria difícil.

Lucy suspirou. Entre aquela confusão toda, ao menos de uma coisa tinha certeza:

— Acho que se as coisas não derem certo com Natsu, não quero mais ninguém, Levy. Não porque necessariamente precisa ser ele, mas não quero mais problemas desse tipo, envolvendo relacionamentos.

— Tem certeza? Há muitos outros caras legais por aí.

— É, mas a dor de cabeça que gera não compensa. Além do mais, eu não quero pensar nisso nesse instante. Não consigo me imaginar com outra pessoa. Ainda é tudo muito recente. Mal consigo acreditar no que aconteceu de ontem para hoje. Parece que eu vou acordar desse pesadelo a qualquer instante.

Levy sorriu em consolo. Em seu interior, estava começando a sentir um pouco de ódio de Natsu por ter deixado sua amiga naquele estado. Mas ele também era seu amigo, e conseguia ver em seus olhos naquela manhã que também estava sofrendo.

— Tudo bem — disse.

— Às vezes penso que seria melhor se ele tivesse simplesmente me traído. Pelo menos eu não ficaria com essa dúvida na minha mente.

— Não pense assim, Lu-chan. Pode ser que assim fosse mais fácil, porém, bem mais doloroso.

— Mais doloroso do que saber que ele vai ter um filho com outra mulher? Não tenho certeza disso — Lucy respondeu.

— Desculpe por dizer isso, mas, acho que eu definitivamente não gostaria de estar na sua pele agora, Lu-chan.

— Eu não te culpo.

— Eu preciso sair, acha que vai ficar bem sozinha? — Lucy assentiu. Como uma mãe que cuida de um filho, a pequena fez com que ela se deitasse e a cobriu outra vez, dando um leve beijo em sua testa depois. — E veja se come alguma coisa. Não quer ficar doente fisicamente também.

— Obrigada, Levy — Lucy agradeceu. Com tudo o que a amiga estava fazendo, não custava nada demonstrar um pouco de gratidão, mesmo que apenas com um sorriso.

— Não precisa agradecer — pouco antes de deixar o quarto, falou: — Te vejo mais tarde.

Chegava a ser quase injusto e motivo de pensamentos dolorosos às vezes para Lucy. Considerava-se uma péssima amiga, e em alguns momentos sentia até mesmo vontade de se afastar de Levy. Eram sempre os seus problemas, sem quase nunca ouvir os de Levy, e ela nunca reclamava. Fazia a loira sentir-se mal.

Dentro da bolsa que Levy trouxera, encontrou seu computador. O pegou e tentou trabalhar um pouco, mas sua mente encontrava-se distante demais e a atividade requeria atenção. Sua vida amorosa já não ia bem, não iria gostar de estragar sua vida profissional também cometendo algum erro por culpa de seu estado. Melhor não arriscar, portanto guardou o computador pouco depois.

Pegou um sanduíche e tentou comer. Apesar de Levy cozinhar muito bem e lanches serem praticamente sua especialidade, desistiu após poucas mordidas. Parecia que a comida não pararia em seu estômago, então era melhor não forçá-la. Tentou também dormir um pouco, só que suas pálpebras pareciam telas de cinema. Quando fechava os olhos, tudo o que via era Natsu. Seus momentos juntos era o filme que passava em sua mente. Odiava admitir que sentia tanta falta dele, mas sentia.

Perto do meio-dia ignorou a chuva fina que caía e decidiu andar um pouco pela rua, ver se conseguia espairecer. Ninguém aparentemente gostava muito de se molhar com a garoa fina, por mais que o dia estivesse quente, portanto a rua estava vazia.

Andou bastante, até parar em uma pequena praça à beira do rio que corria por Magnólia e sentar-se em um banco para descansar. As gotas geladas em contraste com sua pele quente pareciam provocar pequenos choques, era uma sensação engraçada e não conseguia decidir se gostava ou odiava. Parecia com o período em que conhecera Natsu melhor e ainda não sabia distinguir seus sentimentos. Odiou-se por assimilar até mesmo a chuva a ele.

E lá estava ela outra vez, pensando nele ao ponto de não conseguir distinguir se o que corria por sua pele era água acumulada das pequenas gotas que caíam no seu rosto ou lágrimas.

— Engraçado. Da primeira vez que eu te encontrei você também estava sozinha e chorando — Lucy desejou com todas as suas forças que fosse água da chuva em seu rosto, por mais que soubesse que não era. Sua má sorte não se limitava a homens, aparentemente.

— Eu poderia fazer uma queixa sobre você na polícia por perseguição, sabia? Primeiro no shopping, depois na farmácia, agora aqui — respondeu bruscamente.

— Você é tão cruel, Lucy. É verdade que vim para essa cidadezinha te procurando, mas não te segui. Em nenhuma das vezes. Prefiro acreditar que foi o destino que nos uniu.

— Então o destino é bem cruel comigo — e sua cota de azar apenas aumentava.

— Por que está chorando? — Ryan perguntou, sentando-se confortavelmente no banco.

— Por que isso interessa a você mesmo?

— Porque eu gosto de você, ainda que teime em não acreditar em mim, Lucy. Eu me preocupo. Te ver assim me lembra do dia em que te encontrei, uma garotinha frágil. Você não é mais uma garotinha, mas ainda parece ser frágil.

Lucy virou o rosto para encará-lo, os olhos azuis de Ryan lembraram-na dos tempos em que costumava se perder neles, como uma boa tola apaixonada. Aquilo a irritou, pois, por muito tempo ela tentou mudar aquela imagem que possuía e tornar-se forte. Ouvi-lo dizer que ela continuava sendo frágil era, de certa forma, doloroso.

— Isso é o que você pensa.

— É o que eu vejo.

— Talvez devesse enxergar melhor então.

— É o que eu estou tentando fazer, mas você não me dá muitas aberturas, sabe? — a loira ficou em silêncio. E definitivamente não planejava dar-lhe nenhuma. — Então, onde está aquele seu namorado? Não deveria deixar uma dama na rua assim.

— Não é do seu interesse.

— Talvez não seja, mas, se fosse minha namorada eu não faria uma coisa dessas.

Lucy riu. Talvez Ryan devesse tentar a carreira de humorista, tinha talento.

— Tem razão. Faria pior, não é?

O homem se endireitou no banco, tomando uma pose mais séria.

— Nunca vai esquecer essa história? Faz um bom tempo já. Eu era um idiota imaturo na época e fiz coisas das quais não me orgulho, ok?

— Eu quase morri por sua causa. É, acho que não é tão fácil de se esquecer. E não se chame de “idiota” — ainda que tivesse brigado com Natsu, continuava sendo apenas ele dono daquele adjetivo para ela.

— Por que? Não acha que eu seja?

— Pelo contrário. Acho que é pouco perto do que você é.

Ryan respirou profundamente, olhando para Lucy, com uma expressão angelical em sua face que quase, quase, levava a crer que estava sendo sincero.

— Todos cometemos erros, certo? Talvez o que eu fiz tenha sido muito grave e eu sei que você tem todos os motivos do mundo para me odiar. Só estou pedindo uma chance para te provar que eu realmente passei todos esses anos me arrependendo do passado. Uma chance para provar que eu mudei. Por que é tão difícil me dar essa chance?

— Há alguns anos você era tudo o que eu queria — respondeu. — Só que o tempo passou, e felizmente não é mais. Naquela época você me tinha na palma das suas mãos e tudo o que deveria ter feito era ficar. Mas escolheu outro caminho, e agora é tarde demais.

— Talvez não seja.

— Para nós, é sim. Ouvi uma coisa uma vez que acho que se encaixa perfeitamente na nossa situação.

— O que? — perguntou, curioso.

— “Pessoas como você sempre querem de volta o amor que jogaram fora” — Lucy se levantou para ir embora, já tinha ficado tempo suficiente naquele lugar e, naquele momento, só queria ir embora. Enquanto caminhava, terminou: —, “mas pessoas como eu vão embora para sempre quando você diz adeus.”.

— Só que eu nunca disse “adeus”, Lucy.

Notas finais
Então, gostaram do capítulo? Lembrem-se de deixar suas opiniões aí, porque são muito importantes para mim :D E digam, se quiserem: no lugar da Lucy, o que fariam? Uma última coisa: o fim do capítulo foi baseado nessa música aqui - http://letras.mus.br/taylor-swift/all-you-had-to-do-was-stay/ - Acredito que resume muito bem a relação LucyxRyan : ) Até o próximo, gente o/