Onde Tem Ódio Tem Amor

41 Você só sabe que a ama quando a deixa ir. E você a deixou ir


Notas iniciais
Oi, gente! Então, eu pensei que eu não fosse terminar esse capítulo hoje, mas eu quis terminá-lo porque ele é dedicado a uma pessoa muito especial, uma amiga que está ficando mais velha hoje, a Mei. Então, eu disse que ia me esforçar para te dar um presente, e esse é meu presente : ) Eu sei que já disse, mas... Parabéns!!!!! Espero que esse dia tenha sido muito bom pra você e que venham muitos outros aniversários pela frente ainda. Tudo de bom pra você! Espero que tenha gostado do presente, kkk. Tem música nesse capítulo, ok, gente? Cliquem no link : ) Ah, o próximo capítulo com toda certeza será postado no dia 22, por um motivo muito especial ; ) E, bem, não, o capítulo não está betado, então me avisem sobre os erros, ok? ^^' Última coisa: Eu sei que eu tô MUITO atrasada com as respostas de reviews, me perdoem. É que anda realmente difícil responder. Escrever pelo celular até vai, porque senão eu não escrevo, rs, mas responder os reviews pelo cel é muito ruim, gente, porque meu celular é horrível pra isso. Então, peço paciência pra vocês, eu vou responder a todos, não sei quando, mas vou. Agora sim: Boa leitura!

Via-se em um aposento escuro, iluminado apenas pela luz do luar que o invadia através da janela aberta. O ambiente lhe parecia familiar, como se estivesse em casa. Mas não era sua casa. Nunca estivera ali antes. Não que se lembrasse, ao menos. Porém, sentia como se conhecesse cada canto daquele lugar, sabia o que havia em cada gaveta dos armários e que, mesmo sem poder enxergar, a fronha que cobria o colchão naquela noite era de cor verde. Apenas não sabia como, mas sabia.

À sua frente havia uma porta. Sentiu repentinamente a necessidade de abri-la. Não era apenas uma vontade, precisava fazer aquilo. Seu corpo moveu-se sem sua permissão. Ele era apenas o observador, não conseguia controlar seus movimentos, como se estivesse assistindo a um filme. Então, com o estômago inquietante e uma terrível sensação, a abriu.

A cena que presenciou não era nem de longe agradável. Era surreal, assustadora, fez com que seu coração disparasse e um medo crescente surgisse em seu peito. Estava na sala daquele apartamento. De um lado do aposento estava Lucy, caída no chão, claramente sem forças, mas ainda consciente. Do outro lado, ele próprio, pálido, deitado com um ferimento na região do abdômen que não parava de sangrar e beirando a morte.

"Chegará o dia em que terá de escolher. Sua vida, ou a dela. Qual é mais preciosa para você, Dragneel? Você sabe a resposta tão bem quanto eu. E quando o momento chegar, não terá escolha senão recorrer a mim."

Natsu acordou de sobressalto. Olhou assustado para todos os cantos do quarto, procurando pela voz que ouvira em seu sonho. Porém tudo estava normal, exatamente como quando caíra no sono. Não havia ninguém ali, exceto Lucy, que dormia tranquilamente ao seu lado. Sua respiração estava extremamente acelerada e seu peito de suor. Bagunçou o cabelo com a mão, tentando colocar seus pensamentos no lugar, por mais que aquela parecesse uma tarefa impossível, e se levantou da cama. Ficar sentado ali só o fazia pensar mais e mais, e definitivamente preferia evitar isso no momento.

Foi até o banheiro, para jogar o preservativo usado no lixo. Depois caminhou até o seu quarto, vestindo uma cueca limpa. Voltou ao banheiro e parou em frente à pia, com a respiração já controlada. A cena que vira em seu pesadelo não saía de sua mente de forma alguma. Abriu a torneira e, usando a mão em concha como recipiente para a água, molhou o rosto. Seu olhar subiu até o espelho, encarando a própria imagem fixamente. Estava confuso. Muito confuso. Não era a primeira vez que tivera pesadelos estranhos, mas o daquela noite fora diferente, mais vívido do que os outros. Aquela voz... lhe soava familiar, mesmo sem nunca tê-la ouvido, assim como lhe causava arrepios por todo o corpo. Era como se estivesse recebendo um pequeno vislumbre do futuro. E aquilo o assustava.

Voltou ao quarto, observando Lucy dormindo. A loira dormia próxima demais da beirada da cama, quase caindo dali. Natsu sorriu, empurrando-a para o meio do colchão, tomando cuidado para não acabar por acordá-la. Mesmo enquanto estava adormecida continuava sendo a mesma garota desastrada que necessitava da ajuda do rosado. Ele sentou-se na beirada da cama, tendo certeza absoluta de uma coisa naquele momento, enquanto a olhava dormindo. Não sabia se era loucura sua, ou se era realmente verdade, mas se a previsão da voz se concretizasse, sabia qual seria sua resposta: A vida de Lucy. A vida dela era muito mais preciosa para ele do que a sua própria. Faria de tudo pra vê-la segura, independente do que isso significasse.

Mesmo sabendo que não conseguiria voltar a dormir, deitou-se novamente na cama, abraçando a garota. Lucy se remexeu em seus braços, nem totalmente acordada e nem totalmente sonolenta.

― Já é de manhã? ― Perguntou sem abrir os olhos.

― Não. Ainda é cedo, volte a dormir.

― Por que está acordado?

― Tive um pesadelo. Nada de mais.

― Um pesadelo? De que tipo?

― Do tipo que te faz perder o sono e ficar pensando. ― Ele a apertou com mais força, lembrando-se da cena.

― Quer falar sobre isso?

― Não. Acho que não. Durma mais um pouco, Lucy, não se preocupe comigo. Senão vai estar cansada amanhã.

― Tudo bem. Tente dormir um pouco você também. ― Respondeu, aninhando-se de modo mais confortável no peito de Natsu. Ele lhe deu um beijo na testa e a observou caindo no sono novamente.

Atendeu ao pedido de Lucy. Mas sua mente não. Ela não lhe dera descanso pelo resto da noite, fazendo-o tentar de alguma forma decifrar aquele mistério. Não entendia, porém, que alguns mistérios simplesmente não têm solução. Ou, às vezes, a resolução não é algo que pode ser alcançado apenas relacionando fatos. Haveria ali uma peça faltando, cuja sem a qual não adiantaria o quanto ele pensasse, as peças restantes nunca se ligariam.

Ficou acordado pelo resto da madrugada e, quando o relógio marcou nove horas da manhã, acordou a loira do modo mais carinhoso que conseguiu pensar, marcando seu rosto com inúmeros beijos lentos.

― Bom dia ― Lucy murmurou sorrindo quando Natsu se dera por satisfeito. Esfregou os olhos para expulsar o sono e os abriu, ficando estranhamente feliz ao vê-lo ali.

― Bom dia. ― Respondeu animado, esquecendo-se de seu pesadelo. Lucy sentou-se na cama, olhando para o relógio no criado mudo, ao lado da cama.

― Conseguiu dormir?

― Um pouco. ― O rosado mentiu, sem querer preocupá-la com problemas seus. A loira o encarou, desconfiando de sua resposta.

― Bem, já está tarde. Disse para Levy que estaria no colégio às dez horas. Vou tomar um banho e me arrumar.

― Acho que Levy não se importará se você se atrasar um pouco. ― Disse o rosado galanteadoramente, tentando prendê-la ali com um beijo. Sua tentativa, porém, fora em vão. Lucy afastou-se, cobriu-se com um lençol e se levantou. Tinham um relacionamento de apenas algumas horas, deixá-lo vê-la sem roupas ainda a deixava constrangida.

― Melhor não arriscar. ― Respondeu, rindo ao ver a expressão emburrada no rosto de Natsu. Parecia uma criança quando não conseguia o que queria. ― Eu já volto.

― Tudo bem.

Ele não pensara em o quão tedioso era ficar sozinho naquele quarto. Pensou em explorá-lo um pouco, mas sabia que a loira ficaria furiosa se o pegasse mexendo em suas coisas, portanto apenas esperou deitado na cama, com os braços cruzados atrás da cabeça.

Por sorte, Lucy não demorou tanto quanto costumava demorar em seus banhos. E a primeira coisa que passara em sua cabeça ao ver Natsu daquela forma, pela primeira vez sem remorsos, fora em como ele era sexy com aqueles músculos definidos e o cabelo bagunçado. Bem, ele era seu namorado a partir daquele dia, não precisava sentir vergonha de pensar nele daquela forma.

― Eu gosto dessa visão. Mas prefiro ainda mais sem esse negócio branco aí. ― O rosado comentou, referindo-se à toalha que cobria o corpo de Lucy. Deixou-a corada, mesmo que já a tivesse visto daquela outra forma.

― Você não irá se arrumar? ― Perguntou, na verdade mais com o objetivo de fazê-lo sair do quarto para que pudesse se vestir do que interessada na resposta.

― Estou com preguiça de me levantar daqui. Quem sabe com um incentivo...

― Anda, Natsu. ― Ordenou. ― Preciso me vestir.

― Ah, eu não me importo. Na verdade, não me importo nem um pouco.

― Mas eu sim!

― Por que tanta implicância? ― Perguntou, finalmente obedecendo a loira. ― Já te vi de modo muito mais constrangedor ontem.

― M-Mas era em outra situação!

― Não vejo diferença. ― antes de sair do quarto, deu um simples selinho nos lábios de Lucy e sorriu. ― Você tem dez minutos.

Bem, para ela fazia MUITA diferença. Demoraria até que se acostumasse àquela nova situação dos dois. Era realmente estranho ver Natsu de outra forma senão como o cara irritante que costumava irritá-la. Se bem que isso não fora algo que mudara... Mas ainda era estranho.

E ele definitivamente falara sério quando dissera que a loira tinha apenas dez minutos. Entrou no quarto no tempo exato, apenas com uma toalha cobrindo-o da cintura para baixo e o cabelo pingando, enquanto a garota vestia a camisa.

― Que pontualidade. ― Lucy comentou.

― Eu disse, não disse? E cheguei em um bom momento. ― o rosado caminhou lentamente até ela e a abraçou. ― Apesar de achar que poderia ter chego um pouco antes.

― Natsu, você está todo molhado. Está molhando minha camisa. ― Reclamou, deixando suas mãos apoiadas nos ombros do rosado, sem realmente se importar com aquele fato.

― Então se afaste de mim. ― A provocou. A loira ficou em silêncio por alguns segundos, e então respondeu lentamente:

― Talvez eu não queira me afastar.

― E talvez eu não queira deixar você se afastar.

Ele a abraçou ainda mais forte, aproximando seu rosto do dela a cada palavra dita. E então, um novo silêncio, e após ele uma nova resposta de Lucy, dita em tom baixo:

― Talvez você devesse me beijar agora.

― É, talvez eu devesse.

― Só talvez? ― A loira perguntou, olhando-o nos olhos, provocando-o com o olhar e vendo-o responder àquela provocação. Seus lábios a poucos centímetros dos dele e implorando para que a distância fosse quebrada imediatamente.

― Não. Com certeza eu deveria te beijar agora. E é exatamente isso que farei.

Ele aproximou seu rosto lentamente, ansiando sentir o doce sabor dos lábios da loira novamente. Porém, quando estavam prestes a se tocar, ela os separou colocando seu dedo indicador entre os lábios dos dois.

― Mas, nós estamos atrasados. ― Sorriu satisfeita. Provocá-lo era exatamente o que queria. E havia o feito muito bem.

― Atrasados? Sério? Não, não, senhorita Heartfilia ― ele a segurou e ergueu-a do chão, levando-a até a cama e deitando-a no colchão. ―, você não pode provocar seu namorado dessa maneira e sair impune.

Lucy sorriu, ainda segurando-se nos ombros de Natsu. “Namorado”, como demoraria a se acostumar com aquela palavra. Ainda mais com ela se referindo ao rosado.

― E o que pretende fazer a respeito, namorado? ― Perguntou, sorrindo ainda mais ao chamá-lo daquela maneira.

― Ah, você verá. Irei tomar o que é meu por direito.

E cumpriu com o prometido. Imediatamente tomou os lábios de Lucy para si com volúpia. Definitivamente não havia melhor sensação no mundo do que tê-la daquela forma. Poderia passar o resto de sua vida daquela maneira, apenas aos beijos com aquela garota. Seu alimento seria o amor que sentia, e pronto, não precisaria de mais nada. Quando estava com ela, sua mente se esquecia de todos os problemas que o envolviam, como se nada mais existisse além dos dois. Esqueceram-se do tempo enquanto trocavam beijos. Como se ele realmente importasse naquele momento.

Bem, para Lucy importava. Por mais que adiasse separar-se dele, teve que fazê-lo, apesar de ainda ter-lhe dado três ou quatro selinhos carinhosos após isso. Mordeu o lábio inferior e o olhou nos olhos, ainda com as mãos imóveis, e comentou:

― Isso é estranho.

― O que? ― O rosado perguntou, curioso.

― Sabe, normalmente eu ficaria brava por você me beijar desse jeito.

Natsu sorriu, entendendo o que ela queria dizer com aquilo.

― Sinceramente, acho que gosto muito mais do agora.

― Acho que eu também. ― Ela respondeu sorrindo. Conferiu novamente o relógio e o empurrou. ― E temos cinco minutos para chegar ao colégio, então apresse-se e se vista.

***

O lugar não estava cheio como costumava ficar. Foram poucos os alunos que se propuseram a ajudar na limpeza do local. Claro, afinal quem iria preferir estar em um colégio a ficar em casa, aproveitando o clima frio? Apenas alguns poucos loucos, como Lucy, Natsu, mesmo que ele tivesse se disposto ao trabalho apenas para ficar perto de Lucy, Levy e Gray.

― Vou procurar a Levy-chan ― Lucy se despediu com um beijo que, por Natsu, poderia ter durado mais tempo. Bem que tentou prendê-la ali um pouco mais, porém não conseguiu.

― Tudo bem.

A loira não precisou procurar por muito tempo. Levy dissera que a esperaria próxima ao refeitório, e era bem ali que estava, como prometido. Caminhou até a pequena amiga a passos apressados, sabendo que ela já deveria estar impaciente.

― Lu-chan, pensei que não vinha mais. ― Disse assim que viu Lucy se aproximando.

― Desculpe, Levy-chan.

― Por que demorou tanto?

Lucy corou. Como explicar que seu atraso se devia a Natsu e o que ocorrera entre os dois?

― Bem, foi uma longa noite. ― Respondeu finalmente. Devia estar passando tempo demais com Natsu, pois sua mão se moveu automaticamente até a cabeça, mesmo ato do rosado quando este ficava nervoso.

― Longa noite? Lu-chan, oque foi que aconteceu? ― O olhar sugestivo de Levy parecia estar lendo a mente da amiga, como se soubesse muito bem o que havia acontecido.

A loira tentava responder, mas simplesmente não fazia ideia de como explicar sem que seu rosto parecesse um tomate. Repentinamente então sentiu um braço rodeando seu pescoço e lábios molhados encostando-se aos seus. Ali estava sua resposta. De qualquer forma, falhara na missão de evitar que seu rosto queimasse de vergonha.

― Hey, você por acaso não viu o Gray enquanto vinha pra cá, viu? ― Natsu perguntou, parecendo não se importar com a presença de Levy.

― Agora entendi... ― murmurou a baixinha maliciosamente. ― Oi para você também, Natsu.

― Ah, oi, Levy. ― Ele respondeu, olhando para a garota, porém deixando seu braço no mesmo lugar.

― Se quer uma dica, o corredor B está sempre totalmente vazio. ― Lucy comentou, movendo o olhar para o rosto de Natsu. ― É um bom lugar para você e Gray se encontrarem. Mas devia assumir logo esse romance entre vocês, Natsu. Todo mundo já notou que você está sempre procurando por ele e que há algo mais aí.

― Viu, Levy? É por isso que eu amo essa garota! ― Natsu exclamou, dando um beijo estalado na bochecha de Lucy. ― Além de me aceitar como eu sou, ainda me ajuda com os meus romances. Mas não fique com ciúmes, loirinha, tenho carinho suficiente para distribuir entre vocês dois.

― E o romance entre vocês? Não irão assumir? ― Levy perguntou enquanto sorria. Aqueles dois nunca mudariam em suas provocações. ― E, Natsu, acho que vi o Gray no campo.

― Ah, mas já assumimos, não é, Lucy? ― A loira apenas sorriu, corada, sentindo Natsu abraçá-la ainda mais forte. Não pensava que podia ficar mais estranho, mas dizer aos outros que os dois agora eram um casal, isso superava todas as outras coisas. Levy, por outro lado, não ficara nem um pouco surpresa com a afirmação. Já esperava que aquilo acontecesse. ― Obrigado, Levy. Vou procurá-lo por lá, então.

― E o que está esperando, Natsu? ― Disse Lucy.

― Ei, está me expulsando, é? Tudo bem, então eu fico.

― Ok, então fique.

Novamente, o rosado a beijou na bochecha.

― Estou indo, não precisa pedir duas vezes.

E então se afastou, deixando as duas novamente a sós.

― Idiota. ― Lucy murmurou enquanto o observava caminhar para longe dali.

― Então, longa noite, não é? ― Levy insistiu na pergunta.

― Você entendeu, Levy-chan. Não me faça explicar.

― Tudo bem, eu não farei. Mas, me diga, o Natsu é bom de cama?

― Levy-chan! ― exclamou, enquanto Levy apenas ria do constrangimento da amiga.

***

Levy estava certa. O moreno se encontrava no campo, pegando os copos plásticos jogados pelo chão e os jogando devidamente no lixo. Resmungava dizendo que seus colegas poderiam ter sido um pouco mais educados na noite anterior e ter depositado o lixo em seu lugar correto e assim o poupariam daquele trabalho. Mesmo que a maior parte dos jovens estivesse completamente embriagada para lembrar-se dos bons modos.

― Veja se faz seu serviço direito, olhos caídos. ― Natsu o provocou.

― Não enche, Natsu. Você também não deveria estar ajudando?

― Deveria, não é? ― O rosado respondeu, sorrindo de modo estranho. Fato que não passou despercebido por Gray.

― O que foi? Está fazendo propaganda de alguma marca de pasta de dente? Porque se for isso, contrataram um péssimo garoto propaganda. Vão perder dinheiro.

― Não. O que aconteceu é que eu sou agora oficialmente um homem compromissado. ― Respondeu em tom orgulhoso.

― O que? A Lucy foi louca de te aceitar? ― Disse o moreno, parando imediatamente o que estava fazendo para ouvir.

― Muito engraçado, mas enquanto eu tenho a minha loirinha, a sua garota foge de você.

― Juvia não vem ao caso. Mas, me conte os detalhes. Como foi isso?

― Como foi? Bem... nós transamos, eu confessei o que eu estava sentindo, ela resolveu me dar uma chance e agora estou me sentindo o cara mais sortudo do mundo.

― Certo, senhor sortudo. Então suponho que aquela nossa velha aposta está cancelada, não é?

― Aposta? Que aposta? ― Natsu perguntou com o olhar confuso. Não se recordava do que Gray estava falando.

― A aposta que fizemos no primeiro dia de aula, sobre você dormir com a Lucy. Se lembra?

A mente do garoto clareou. Aquilo havia sido há tanto tempo que nem se lembrava com precisão.

― Ah, aquela aposta. Não mesmo, não irá escapar, Fuulbuster. Aposta é aposta, não importa se o que eu fiz estava ou não relacionado a ela, você perdeu, terá de pagar.

― Vamos, Natsu. Reconsidere isso, cara. Pense, se a sua garota descobrir irá ficar furiosa.

― Não tem como ela descobrir. Só nós dois sabemos disso. E a aposta não tem nada a ver com o que eu sinto por ela. ― Insistiu.

― Mas, cara...

― Pare de choramingar e seja homem suficiente para pagar a aposta. Só me diga onde você estará para eu passar bem longe. Prefiro outro tipo de visão, se é que me entende.

Gray bufou. Torcia para que o bom senso do amigo falasse mais alto, mas Natsu era Natsu, afinal. Ainda era e sempre seria o idiota de cabelos rosados cujo cérebro possuía sérios problemas para funcionar bem. Não haveria escapatória, teria de cumprir com o prometido.

***

No pátio do colégio uma multidão de alunos se aglomerava em um semicírculo enquanto riam. Lucy ficara curiosa sobre o que deveria estar a ocorrer para que tantas pessoas observassem com atenção e diversão. Sua curiosidade falara mais alto e chegara mais perto do aglomerado. O motivo de toda aquela confusão? Um Gray completamente desnudo tentando de toda forma esconder suas partes íntimas.

― Mas o que esse idiota está... ?

― Lucy, Lucy ― Loke, parado em pé ao lado da loira, de braços cruzados, a chamou. ― Não consigo acreditar que você foi mais uma a cair na conversa do Dragneel. Pensava que você seria mais inteligente, mas, assim como todas, se rendeu a ele, não foi?

― Como você sabe que eu e Natsu...? ― A loira perguntou, arqueando a sobrancelha. Mal conversava com o ruivo, como ele poderia saber? Loke então moveu seu olhar para ela.

― Gray. Isso que está vendo faz parte de uma aposta entre ele e o Natsu. Envolvendo você. Não sabia? ― pela expressão da garota ele deduziu que a resposta era negativa. ― Ah, você não sabia. Claro que ele não iria lhe contar.

― Do que está falando?

― Estou falando que o idiota capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o que quer para o qual você se rendeu fez uma aposta com esse outro idiota. A aposta era de que se ele conseguisse transar com você até o fim do ano Gray teria que... bem, você está vendo.

Ele não podia estar falando sério. Natsu nunca faria algo tão baixo assim. Ou faria? Ele apenas a usara por todo o tempo para vencer uma aposta idiota? Não seria capaz disso, seria? As dúvidas pairavam sobre sua mente, e precisava esclarecê-las. Correu até Gray o mais rápido que pode, deixando para trás um ruivo sorridente.

― Gray! ― O chamou, atraindo sua atenção.

― Lucy? Que bom, será que poderia me ajudar...

― É verdade? ― O interrompeu.

― O que?

― É verdade que isso tudo aqui não passa de uma aposta entre você e o Natsu?

― D-Do que está falando? ― o moreno era péssimo em mentir, por mais que quisesse ajudar seu amigo. Apenas não fazia ideia de como aquilo chegara aos ouvidos da loira, mas sabia que Natsu estava muito encrencado. ― C-Claro que não. Aposta? C-Como assim?

― Está mentindo... Então é verdade. ― Ela encarou os lados, sem saber que reação ter. Não queria acreditar naquilo. ― Como eu fui idiota...

E então saiu correndo. Não queria ver Natsu, não queria que ninguém explicasse a ela mais nada. A única coisa que sabia era que havia cometido o mesmo erro duas vezes. Dado uma chance a um idiota que não merecia nada.

― Ei, Lucy! Espera! ― Gray a chamou, um pouco tarde demais. Precisava de alguma forma avisar seu amigo. ― Droga!

***

“But you only need the light when it’s burning low; Only miss the sun, when it’s starts to snow; Only know you love her when you’ve let her go; Only know you’ve been high when you’re feeling low; Only hate the road when you’re missin’ home; Only know you love her when you’ve let her go.”

Ela não queria chorar novamente por algo que já sabia muito bem que daria errado. Mas não queria de forma alguma continuar em um lugar que apenas trazia lembranças deles. Correu até o apartamento, até seu quarto; pegou uma mochila qualquer e começou a jogar suas roupas dentro dela enquanto pegava seu celular e ligava para a única pessoa com quem sabia que podia contar a qualquer momento.

― Levy-chan, pode ir até sua casa imediatamente?

― O que aconteceu, Lucy?

― Eu te explico depois.

Quando havia acabado de arrumar as coisas na mochila, o rosado invadiu seu quarto, ofegante. Correra o máximo que pode para chegar ali, e assim que viu a mochila soube exatamente o que Lucy pretendia fazer.

― Lucy, espera. ― Pediu de forma desesperada. ― Escuta, me perdoe.

― Um pouco tarde para pedir desculpas, não acha?

― Q-Quem foi que te contou? ― Perguntou. O desespero era tamanho que ele chegava a se atrapalhar com as palavras. ― Me deixe explicar tudo.

― Não interessa como eu soube. ― A garota colocou a mochila nas costas e foi barrada por Natsu na porta. ― Me deixe passar, Natsu.

― Aquela aposta, não tinha nada a ver com você, com o que eu sinto. Foi algo besta, eu sei, mas não foi com a intenção de te machucar, eu juro! Se fosse, então por que eu diria que te amo após o que aconteceu? Por que não simplesmente te daria um fora ou coisa do tipo?

― Eu não sei, apenas me deixe. Eu te dei uma chance, Natsu, apenas uma. Só não consigo acreditar que essa chance durou tão pouco tempo. ― Conseguira de alguma forma passar pelo rosado e caminhava em direção à porta quando ele a segurou pelo braço.

― É porque eu realmente te amo! Eu sei, ok? Eu sei que eu sou um completo imbecil, mas, por favor, Lucy, me perdoe.

― E o que é isso? Outra aposta com o Gray? O que você ganha se eu te perdoar? Eu não vou ceder! Não quero! Não quero ser feita de idiota mais uma vez. ― Em um movimento rápido, ela se livrara do garoto.

― Eu não estou te fazendo de idiota, eu juro! Eu nunca faria algo assim.

― Ah, é mesmo? Pois acho que foi o que fez por todo esse tempo. Não venha atrás de mim! ― Exclamou enquanto batia a porta.

Vê-la atravessar aquela porta provocou em Natsu uma das piores coisas que o garoto poderia sentir. Sua vontade era prendê-la a si e não deixá-la sair de forma alguma, mas Lucy estava magoada naquele momento. O melhor era dar a ela tempo para pensar, era a única coisa que podia fazer naquele momento.

Estava completamente perdido. Colocara as mãos sobre a cabeça e logo em seguida socara a parede, com raiva de si mesmo, pelo que fez e por não ter pensado no que poderia acontecer, por ter pensado que tudo ficaria bem para si, que ela nunca descobriria nada.

― Idiota!

“…And you let her go”

Notas finais
A pergunta é: Considerando o quão FDP eu sou, quanto tempo vocês pensaram que eles iam ficar juntos? :D kkk, não me matem, gente, podem me xingar nos comentários, eu deixo, eu sei que foi muita sacanagem isso, kkk, mas confiem em mim ;) Bem, o que acharam da decisão da Lucy? Exagerada, correta, podia ter pego mais leve, etc. Digam aí : ) Deixem suas opiniões nos comentários e vejo vocês dia 22 o/