Onde Tem Ódio Tem Amor
66 O abrigo
Notas iniciais
Quando abriu os olhos, tudo começou a girar. Não reconhecia aquele quarto, aquelas paredes, muito menos a cama em que estava deitado. Contudo, reconhecia a moça que olhava através da janela, a menina ruiva que estava cuidando do bar quando chegou. Devia indicar que continuava no mesmo estabelecimento. Se lembrava de algumas coisas, de ter desmaiado, das memórias que vira, as quais o levaram a crer que a história contada por Alexei era real. Viu-se na pele do Koscheivich, sentiu em si as torturas que a criatura sofrera, e não conseguiu mais negar a si mesmo que tudo aquilo era verídico. Porém, quando tentava forçar sua mente a se lembrar de mais, ela voltava a latejar, portanto parou de tentar.
Estava vestido apenas pelas roupas íntimas, fazia-o sentir-se um pouco constrangido, mesmo com um fino lençol cobrindo seu corpo. O barulho de quando tentou se mexer despertou a moça de seus devaneios.
— Você acordou — comentou, com um sorriso no rosto. Só então ele prestara mais atenção em sua face. Era jovem, apesar de não muito mais que ele, e seus olhos eram verdes. A moça caminhou até a cama, sentando-se em uma cadeira disposta logo ao lado. — Como está se sentindo?
— Eu não sei... Bem, eu acho. O que aconteceu? — Apesar de suas memórias não estarem tão confusas assim, gostaria de receber uma explicação.
— Depois que Alexei lhe contou sobre tudo você desmaiou. Então te trouxemos para cá. É um quarto que usamos para situações como essa, como se fosse uma enfermaria.
— Então isso é muito comum?
— Na verdade, não. Não acontece com muitos — a jovem ruiva respondeu. — Acho que Alexei pode explicar melhor. A propósito, meu nome é Leslie. Você é o Natsu, não é?
— É, sou — seu corpo parecia pesar toneladas quando tentou se mover. A sensação era desconfortável. — Há quanto tempo eu estou aqui?
— Quatro dias.
Havia chegado no domingo, o que significava que já era quinta-feira e que faltara ao trabalho quatro dias seguidos. Definitivamente, algo péssimo.
— Como é?! — exclamou, tentando se sentar. Rápido demais, aliás.
— Ei, vá com calma — as mãos de Leslie estavam próximas do peito do garoto, prontas para impedi-lo de se levantar, contudo, sequer precisou encostá-las nele. A dor fez um ótimo trabalho sozinha.
— Eu preciso ir. Tenho coisas a fazer.
— Não precisa ir agora. Não nesse estado. Duvido que Alexei sequer te deixaria passar por essa porta.
— Não acho que ele possa me impedir.
— Você não deveria subestimá-lo — Leslie comentou, sorrindo. — Ainda mais do modo que está.
— Então eu deveria apenas esperar aqui sentado?
— É o que eu recomendaria. Como eu disse, o que aconteceu com você não é comum, então não podemos saber muito bem o que acontecerá a seguir. É melhor ter cautela.
— Deixe-me adivinhar: Alexei pode me explicar melhor sobre isso?
Leslie riu.
— É, ele pode sim. Parece que você não gostou muito dele.
— Ele não me deu muitos motivos para gostar — Natsu respondeu, ajeitando-se na cama.
— Pode parecer um cara duro demais, mas é um bom homem. Acredite. Sempre fez de tudo para proteger a todos aqui — se aquele homem era realmente alguém em quem se podia confiar, Natsu apenas acreditaria vendo com os próprios olhos. — Aliás, seu celular tocou algumas vezes enquanto esteve desacordado.
Leslie comentou, buscando o aparelho em uma escrivaninha do outro lado do quarto, onde, Natsu notou, também estavam suas roupas. Havia quatro ligações. A primeira, do seu chefe, já previa que lhe renderia uma boa dor de cabeça; a segunda pertencia a Gray; a terceira era de Chris, que também havia lhe deixado um recado na caixa postal. Contudo, foi a última que fez seu coração disparar e se arrepender imediatamente por ter estado desmaiado por tanto tempo: Lucy.
Sequer pensou antes de retornar a ligação. Tudo o que queria era poder ouvir sua voz, torcendo para que pudessem conversar sobre o que havia acontecido e resolver a situação de modo positivo. Tentou uma, duas, três vezes, porém ninguém atendeu. Sentiu vontade de jogar o celular na parede, mas não o fez. Ter desmaiado foi a pior coisa que poderia ter lhe acontecido e no momento mais inoportuno.
— Namorada? — Leslie perguntou, apontando para o papel de parede do celular, uma foto dos dois.
— É, mais ou menos.
— É um cara de sorte. Ela é muito bonita.
— Sim, eu sei — o elogio, contudo, não colaborou em nada para aliviar seu arrependimento e raiva.
— Deve estar preocupada com você.
Infelizmente, não tinha tanta certeza disso. Já que não conseguia falar com Lucy, decidiu ouvir o recado de Chris, que era basicamente: “Ei, o que aconteceu com você? Não apareceu essa semana ainda por aqui. Está me deixando preocupada. Me ligue, ok?”.
— O que aconteceu com você? — Leslie perguntou, apontando para a cicatriz no peito do rapaz, causada quando acompanhava Lucy a Nagoya. Trazia-lhe lembranças...
— Ah, foi... só uma confusão — olhando para o local percebeu ter surgido um tipo de ponto vermelho no lado esquerdo de seu peito, mais como um asterisco. Talvez fosse uma picada de inseto. Quando tocou o ponto sentiu uma leve ardência.
— Está assim desde que você desmaiou. Alexei tem algo parecido — comentou, corando em seguida, talvez por lembrar-se de já tê-lo visto sem camisa.
— Estranho — Natsu respondeu. — Aliás, por que eu estou sem roupa? — Era uma questão que martelava em sua mente.
— Quando você começou a passar mal sua temperatura corporal aumentou muito. É algo comum em pessoas como nós. Então achamos que se sentiria mais confortável assim e que ajudaria — definitivamente, não o estava deixando nada confortável naquele momento. — É meio ruim, não é? A sensação depois que se descobre a respeito disso tudo.
— É — respondeu apenas. Sua mente ainda encontrava-se muito confusa.
— Desculpe por estar fazendo tantas perguntas — Leslie disse, notando o desconforto de Natsu. — Alexei me pediu para te manter focado em algo quando acordasse. Achei que uma conversa seria uma boa opção.
— Por que? — perguntou, franzindo as sobrancelhas.
A voz que respondeu à pergunta não pertencia a Leslie, mas sim a um homem. Precisamente, a Alexei.
— Porque quando estive nessa situação quase enlouqueci ao acordar e pensar sobre tudo o que havia visto. Quis garantir que não passasse pelo mesmo. Obrigado, Leslie.
A garota ruiva se levantou, suas bochechas tornaram-se tão vermelhas quanto o seu cabelo. Seu modo de olhar para Alexei revelava sentimentos mais intensos do que apenas uma boa amizade. Natsu percebeu facilmente, porque lembrava-lhe o modo como Lucy costumava lhe olhar. Para azar da menina, seus sentimentos não pareciam ser retribuídos.
— Vou descer para cuidar do bar. Se precisar de algo me chame.
Alexei sorriu disfarçadamente, tomando o antigo lugar de Leslie na cadeira. Vestia um sobretudo, camisa social, sapatos e uma calça larga. Como sempre, parecia sério demais.
— Então, como está se sentindo? — o homem perguntou.
— Como um doente em um hospital. Exceto que não estou doente — estava irritado, principalmente por ter passado tanto tempo desacordado. E quando encontrava-se daquele modo acabava por ter seu humor bastante afetado. Somando isso a quanto Alexei o desagradava, tornava-se perfeito para um conflito.
— Não, tem algo bem pior do que uma doença. Mas talvez devesse pensar em tratar essa sua arrogância. Estamos tentando te ajudar aqui.
— Mesmo? Porque ainda não vi como.
— Chegaremos lá. Agora, por que não tentamos ser um pouco amigáveis, ahn?
Natsu concordou, ainda que não prometesse nada.
— Leslie me contou que o que aconteceu comigo não acontece com frequência.
— Está certo. Para falar a verdade, só soube de dois casos até hoje: o meu e o seu.
— Por que só nós dois? — Natsu o questionou, curioso. Não gostaria de imaginar que havia alguma ligação entre Alexei e ele.
— Eu não faço a menor ideia. É algo que também está me deixando intrigado. Quem sabe um dia descubramos. Você tinha uma história para me contar, não tinha, Dragneel?
O garoto lembrou-se então. O acordo que tinham feito anteriormente. Alexei contaria sua história, e depois Natsu lhe contaria a dele.
— Você me disse para procurar algo de estranho na minha infância, e eu procurei.
— E o que descobriu? — Alexei incentivou-o a continuar, ajeitando-se na cadeira.
— Fiquei doente uma vez, quando era muito novo. Os médicos não viam muita chance de recuperação. Meu pai, enquanto estava em um bar, encontrou um homem que disse poder me curar e lhe entregou um frasco com um conteúdo líquido, vermelho. Meu pai aceitou e, estando sem esperança, me fez beber aquilo. Dias depois eu estava melhor.
Alexei pareceu compreender, pela expressão em seu rosto.
— O que você tomou, caro novato, era sangue de Koscheivich. O sangue da criatura contém propriedades curativas, por isso te curou. Mas, claro, não sem um preço.
— O que quer dizer? — Natsu questionou, sentindo seu estômago revirar.
— É assim que o Koscheivich troca de hospedeiro. Quando se cansa do atual, quando o corpo já está velho demais para ser usado, ele o troca. Através do seu sangue, se “muda” para um novo hospedeiro. Geralmente escolhem uma criança ou bebê, pois levam um tempo até decidirem se mudar para o novo corpo. Alguns mais, outros menos. O homem que seu pai encontrou era um koscheivich procurando por um novo hospedeiro. São criaturas espertas, farejam o potencial de “novas casas”. Deve ter visto o desespero em seu pai e tomado aquela como uma boa circunstância. E, se quer saber, a sua história foi bastante fácil comparada a de muitos outros.
— Qual é a sua? — o rapaz quis saber.
— A minha? — Alexei riu, tomado pelas antigas memórias. — Meu pai era um hospedeiro, só que ele não aguentou a pressão. Quando cedeu ao koscheivich, a criatura se divertiu o bastante com minha família. Primeiro, ele assassinou minha mãe, bem na minha frente; depois me fez beber seu sangue, garantindo seu futuro hospedeiro.
— Uau — foi tudo o que o rapaz conseguiu dizer. Talvez realmente tivesse tido sorte pelo modo como foi “contaminado”. — Sinto muito.
— É. Como eu disse, carregamos uma maldição conosco.
— Não tem nenhum familiar? — Natsu indagou.
— Tinha uma pequena irmãzinha, mas quando ela nasceu éramos pobres demais. Minha mãe a deixou com uma família rica, numa cidade um pouco distante daqui, para que talvez pudesse crescer em melhores condições. Não faço ideia de como está nos dias atuais, porém acredito que teve bastante sorte — Natsu ficou em silêncio, esperando pelas próximas palavras de Alexei, que vieram logo. — Bem, continuando. Sobre os Koscheivich: nunca são boa coisa. Eles guardam ressentimentos da época em que foram torturados e caçados. Alguns chegam a alimentar-se de carne humana. Outros apenas matam por prazer. São extremamente espertos, além de temíveis e, no passado, nós, os hospedeiros, fomos caçados para que se pudesse ter certeza de que não nos tornaríamos esses monstros. Alguns dos maiores assassinos que o mundo já conheceu eram Koscheivich’s. Tenho certeza de que já deve ter ouvido falar sobre Jack, o estripador.
— Já — Natsu confirmou. O famoso assassino de Londres cuja identidade nunca fora descoberta.
— Ele era um Koscheivich. Se olhar a sala de arquivos, aquela em que estávamos antes, encontrará vários outros casos do tipo. Alguns são arquivos originais, outros cópias mandadas pelo conselho. Exigem que todos os locais possuam cópias dos registros.
Natsu ajeitou-se na cama. Era informação demais para a sua cabeça. Sentia-se em um filme de terror.
— Então, basicamente, você procura por pessoas como nós e as trás para cá? — confirmou.
— Exato. É meu trabalho, sou o escolhido pelo conselho para cuidar dessa região. Tenho que garantir que vocês não cedam à persuasão do Koscheivich. E, caso cedam, devo reportar ao conselho para que eles enviem um representante para cuidar do problema.
— Por cuidar, você quer dizer matar.
— Antes que vire um problema maior, sim. Eles possuem a posse da adaga criada por Baba Yaga, a única forma de matar um Koscheivich.
— Quanto tempo leva, quando você cede a um Koscheivich, até que ele assuma o controle do seu corpo? Acontece imediatamente? — O garoto perguntou.
— Exatos 30 dias. Não mais, não menos. Algo mais que queira saber?
— Sim. Duas coisas. Leslie me disse que você tem essa mesma marca — apontou para o local em seu peito onde estava o pequeno asterisco vermelho. — O que é?
— Eu não sei, talvez o lugar em que o Koscheivich tenha sido atingido por um feitiço, mas, sinceramente, é apenas um palpite. Qual a segunda coisa?
— Alexei Ivanov. Seu sobrenome. É apenas uma coincidência?
Alexei riu.
— Você é esperto. Não, não é apenas coincidência. Sou descendente do Ivan da história. Um ta tataraneto, ou algo assim.
— Por isso te escolheram para cuidar daqui?
— Acredito que deva ter influenciado a decisão sim, mas, como pode ver, não há muita necessidade de um parentesco com Ivan para lidar com essa região. Não é muito difícil. Até hoje, encontrei apenas você e Leslie, os outros estão aqui há mais tempo, quando a responsabilidade das coisas pertencia a outro cara.
— O que aconteceu com o outro cara?
— Suicidou-se. Preferiu morrer a continuar ouvindo a voz do Koscheivich e ter visões — a situação em que as pessoas daquele lugar se encaixavam era de fato uma maldição. Apenas dor e sofrimento podiam esperar aqueles que tinham dentro de si o filho do Koschei. — Lembro-me de quando encontrei Leslie. Faz seis anos, ela tinha treze na época e eu vinte e três. Não fazia muito tempo que havia sido promovido ao cargo. Leslie morava na rua, as pessoas tinham medo dela e a afastavam, pois ela dizia ouvir vozes que ninguém mais ouvia. Quando a encontrei, estava com fome, frio, sozinha e com medo de si mesma. A trouxe para cá e desde então está vivendo aqui. É a mais jovem e teve uma vida difícil desde pequena. Quanto à história de como se tornou uma hospedeira... é horrível. Ela era uma pequena criança na época. Um koscheivich a encontrou e tentou abusar dela. Como se não bastasse, a fez beber seu sangue. Mal se pode acreditar que alguém tão amável passou por coisas como as que ela passou.
— Ela parece uma ótima pessoa.
— E é. É a mais jovem aqui, todos se apegaram a ela — Alexei se levantou. — Bem, acho que é isso. Tome um banho, há um banheiro ali, imagino que deva estar querendo, depois desça, coma algo e me encontre nos fundos da casa. Vou te mostrar algumas coisas que o ajudarão.
Um banho com toda certeza iria muito bem naquele momento. Portanto, assim que Alexei deixou o quarto, Natsu se levantou, com certa dificuldade para andar após quatro dias deitado, e caminhou até o banheiro, para tomar uma ducha.
Os pensamentos voavam em sua mente enquanto a água fria batia em sua cabeça. Repassou toda a história, cada mínimo detalhe. Tivera aparentemente dois destinos possíveis em sua vida: o primeiro seria morrer, quando ainda era um bebê, o que inevitavelmente aconteceria; o segundo era o que estava vivendo. Questionou seriamente, após ouvir todas as palavras de Alexei, se o primeiro destino não teria sido melhor. Gostaria muito naquele momento de que a verdade sobre si fosse apenas de que estava ficando louco, e não de que tinha um monstro dividindo seu corpo.
Então lembrou-se de Lucy, e de todos os momentos que passaram juntos, e do quanto cada segundo ao lado dela fazia valer a pena o que quer que tivesse que passar. E os fatos voltaram à sua mente. Não a tinha mais. E se nunca conseguisse o perdão da loira? Viveria pelo quê? Aquele pensamento o deixava assustado. Seria possível que se torna-se como o homem que se suicidou, não aguentando mais a pressão psicológica? Era melhor não pensar sobre o assunto.
Vestiu-se, sentindo-se aliviado por estar usando roupas outra vez, e desceu novamente até o bar, notando que sua presença atraía os olhares de todos. Sentou-se em uma das banquetas do bar, cruzando os braços sobre o balcão.
Notou Leslie secando alguns copos e sorrindo para ele quando chegou. Sentiu-se um idiota por temer seu futuro. Se aquela garota sorridente conseguiu superar as coisas pelas quais passara, coisas muito piores do que as que ele vivera, ele também conseguiria.
— Vou arranjar algo para você comer — a ruiva falou.
— O que há com esses caras? — perguntou, apontando para trás, notando que as pessoas não paravam de fitá-lo.
— Você é novidade. Estão curiosos. E talvez um pouco enciumados por Alexei parecer estar curiosamente interessado em você. Eu não o culpo. Você se parece com ele, Natsu.
— Alexei é sempre tão sério?
— Na maior parte do tempo. Ele trata a nós como uma família, faz de tudo para nos proteger — a garota colocou em frente a ele um prato com dois sanduíches e um suco. Natsu não percebera o quanto estava faminto até dar a primeira mordida. — Então, Natsu, de onde você é?
— Cresci numa cidade perto daqui. Vim para Magnólia depois da morte dos meus pais. Moro em um apartamento em frente ao rio, próximo à avenida principal.
— Eu te faria uma visita se costumasse sair daqui — comentou, rindo.
— Você nunca sai?
— Não com muita frequência. Alexei é um pouco hiperprotetor, e eu também não gosto muito de sair.
Enquanto comia, continuava a conversar com Leslie. Entendia o motivo de todos gostarem da menina, ela era extremamente amável. Com certeza não seria difícil se dar bem com a ruiva.
Assim que terminou, dirigiu-se aos fundos do estabelecimento. Havia ali alguns instrumentos que pareciam ser utilizados em treinos de luta. Alexei o esperava em pé.
— Muito bem, vou lhe dizer como irei te ajudar a lidar com o Koscheivich. Algumas informações: pessoas como nós possuem duas reservas de energia, a sua própria e a do Koscheivich. Quando sua energia está baixa, ele não pode atormentá-lo, pois terá que usar o que resta para as funções principais do corpo. Então, basicamente, o segredo é gastar sua energia.
— Isso explica algumas coisas.
— Pegue uma luva — Alexei ordenou, apontando para um balcão ao lado de Natsu.
— Por que essa forma de gastar energia?
— Porque é mais eficiente do que qualquer outra. Tentar livrar sua mente de pensamentos também ajuda a controlar o Koscheivich. Quando está nervoso, ansioso ou qualquer coisa do tipo se torna mais vulnerável, o que é ótimo para ele, mas péssimo para você.
Natsu obedeceu a cada ordem dada por Alexei, e, ao final do dia, estava exausto. Esperava que ele estivesse certo sobre aquele método e que aquilo realmente o ajudasse. Foi convidado a aparecer por ali sempre que possível para treinar o controle de sua própria mente.
Quando saiu, havia duas coisas que precisava fazer. Primeiro, pegou seu celular e tentou outra vez ligar para Lucy. Como ninguém atendeu, preferiu deixar um recado.
— Me desculpe por não ter atendido a sua ligação. Tive alguns problemas esses dias. Eu sei que ainda deve estar muito chateada comigo, e não tiro sua razão por isso, estou me odiando por ter te feito sofrer, mas, por favor, Lucy, me dê uma chance para podermos conversar. Eu preciso de você. Muito.
A segunda ligação, ao menos, foi atendida:
— Olha só quem resolveu aparecer. Da próxima vez avise quando for desaparecer — Gray disse, aparentemente irritado. — O que aconteceu? Tentei falar com Lucy para ver se ela sabia onde você estava e ela me disse que vocês estavam meio que separados.
— É, é uma longa história. Escuta, pode ir até o meu apartamento hoje à noite? Tem algumas coisas que preciso te contar.
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