Onde Tem Ódio Tem Amor
67 Mistakes
Notas iniciais
“Após duas semanas você está me fazendo ficar sem saber o que dizer, Lucy. O que mais eu posso falar para te convencer a me perdoar e voltar para casa? Vou começar a ler um dicionário só para buscar por palavras que possam me ajudar a conseguir ao menos falar com você. E não duvide, você sabe que se eu prometer que farei algo, farei mesmo. Se tiver que ler um livro de duas mil páginas pra ter você de volta, eu lerei. Mas, sério, me liga de volta, por favor.”
Já estava virando um costume para Lucy ver aquele nome no visor do celular quando ele tocava, sempre por volta do meio dia, e esperar para ouvir o recado na caixa postal. Nunca atendia a ligação, mas sempre ouvia o recado, assim como nunca fazia o que lhe era pedido nele.
— Todos os dias, desde que terminamos, Natsu me liga. Já faz quase quinze dias — a loira comentou, sentada em frente à bancada da cozinha enquanto Levy preparava o almoço.
— Isso é mentira. Não foram todos os dias. Teve aqueles quatro em que ele não te ligou, quando disse que aconteceram algumas coisas.
“O Black-out dos quatro dias”, como as duas andavam chamando os primeiros quatro dias de Lucy longe de Natsu, quando não receberam nenhuma noticia do rapaz.
— Foi logo depois da nossa briga. Ele deve ter enchido a cara e apagado por todo esse tempo. Talvez até engravidado mais uma. Não é isso que ele sempre faz? — Lucy suspirou, debruçando-se sobre o balcão enquanto girava o celular nos dedos, observando a imagem da tela de bloqueio, uma foto dos dois, a qual odiava e amava ao mesmo tempo, pois Natsu tirara sem que ela percebesse, mas a espontaneidade que ela capturara não podia ser comparada a nenhuma outra foto que já haviam tirado. Era a perfeita demonstração dos seus olhares apaixonados imortalizados em uma imagem.
— Está exagerando — Levy rebateu, virando uma omelete na frigideira. — Ele não faz isso sempre. Talvez Natsu tenha um pequeno problema com a bebida, talvez ele acabe procurando a solução no álcool quando surge uma dificuldade, essa parte pode ser verdade, mas dormir com outra mulher que não seja você, isso eu aposto que foi um deslize que ele cometeu e cometeria apenas uma vez.
— Você fala como se fosse “só um pequeno deslize”, uma coisa sem importância — Lucy disse, ajeitando-se na cadeira.
— Ok, foi um erro grande, mas você entendeu o que eu quis dizer.
— O que você acha, Levy? Sobre essa situação.
— Sinceramente? — a pequena perguntou, migrando sua atenção das panelas para Lucy. — Eu não faço ideia. Só quero que vocês dois se acertem, sem que você fique evitando-o e ele tenha que implorar para você voltar. Quero que, de um jeito ou de outro se acertem. Se for para ficarem separados, que tenham uma conversa e resolvam, sem guardar ressentimentos. E se for para voltarem... bom, por mais difícil que seja, não consigo imaginá-los sem dar um jeito juntos.
Ela gostaria que tudo aquilo fosse fácil de ser resolvido. Contudo, se por um lado queria que aquela confusão acabasse e que sua decisão estivesse finalmente tomada, por outro não conseguia encarar Natsu. Não ainda. Então como iria colocar um ponto final naquela história?
— Levy?
— Hum?
— Ainda tem aquele vídeo que você gravou no dia do baile? — não sabia exatamente por quê havia se lembrado dele, mas pensava que talvez pudesse ajudar a clarear sua mente.
— Tenho, está no meu celular.
A loira buscou pelo aparelho próximo do seu. Sabia a senha, então sequer pedira a Levy. A amiga sequer se importou, não tinha nada a esconder em seu celular para que não deixasse que Lucy procurasse pelo vídeo. Logo o encontrou, aquela gravação de Natsu, vestindo um smooking e com o cabelo estranhamente arrumado, e ainda assim bagunçado, dizendo “Eu AMO a Lucy. Amo aquela garota problemática, atrapalhada e azarada. Amo quando ela sorri, ou quando cora com algo que eu digo. Amo sua voz, seu rosto, seu jeito. Simplesmente a amo, ok?! Satisfeita?! Agora posso ir até lá e tirá-la de perto daquele engomadinho?!”.
Seu sorriso bobo e nostálgico ao ouvir aquelas palavras traía seus ressentimentos. A grande questão que parecia martelar em sua mente era aquela, a pergunta que valia simbolicamente milhões: Ele a amava mesmo? Ou fazia tudo parte de um jogo apenas? Não tinha certeza se confiava nas pessoas o bastante para acreditar em palavras, que podiam carregar verdades tanto quanto carregar mentiras. Queria muito poder entrar no subconsciente de Natsu e descobrir de que seus sentimentos reais se tratavam.
— Saudades daquela época? — Levy perguntou.
— Eu não sei. As coisas não eram mais fáceis lá do que são agora. Se parar para pensar, meu relacionamento com Natsu parece uma montanha russa, sempre instável demais, com confusões demais.
— Montanhas-russas são divertidas.
— É, eu não tenho certeza se essa é.
O almoço estava quase pronto. O cheiro de comida, contudo, tinha efeitos contrários nas duas garotas. Enquanto agitava o estômago de Levy, para Lucy não fazia a menor diferença.
— Não fica curiosa para saber o que realmente aconteceu com o Natsu naqueles dias em que ele sumiu, Lucy?
— Um pouco, mas que diferença faz? Eu não vou conseguir descobrir sem ter que perguntar a ele.
— Talvez o Gray saiba de algo.
Gray. Claro. Se havia alguém que poderia lhe contar como andava a vida de Natsu esse alguém certamente era seu melhor amigo. Suas dúvidas seriam saciadas e não precisaria se encontrar com o problema em questão para isso.
Com a ideia em mente, Lucy se levantou, guardou o celular na bolsa e a colocou nos ombros.
— Te vejo mais tarde, Levy.
— Mas eu acabei de preparar o almoço.
— Eu sei, me perdoe — pediu, já afastando-se.
— Lucy, você não anda dormindo direito, não anda se alimentando, desse jeito vai acabar ficando doente.
— Entendo sua preocupação, Levy, mas eu realmente não estou com fome agora.
Levy não retrucou. Não podia fazer nada para obrigar a loira a ficar, então de que adiantava insistir? Deixou que ela fosse, se considerava aquilo mais importante que sua própria alimentação. Já era maior de idade e sabia cuidar de sua própria vida, mas um dia ainda a acabaria matando de preocupação.
Quanto a Lucy, lembrava-se de ter visitado a casa de Gray algumas vezes. Recordava-se vagamente do endereço, portanto esperava que sua memória fosse refrescada quando visse a residência. Lembrava-se claramente do nome da rua, a qual entregou ao motorista do táxi que chamara.
A sensação era estranha, pois fora Natsu que a apresentara a Gray praticamente, as chances do moreno tornar-se seu amigo sem Dragneel eram muito baixas. Além do mais sentia-se extremamente covarde tendo que ir até o melhor amigo de seu ex-namorado para conseguir informações a respeito dele, quando não tinha coragem de encarar Natsu cara a cara e esclarecer as coisas de uma vez por todas.
Quando passou pelo bairro, o que temia aconteceu. Não conseguia se lembrar qual era a casa. Arriscou perguntar ao motorista se ele sabia onde moravam os Fullbusters e, por sorte, ele sabia, levando-a ao local correto. Caminhou até a porta da grande casa receosa, tocou a campainha e não levou muito tempo para que fosse atendida.
— Lucy — cumprimentou-a o moreno, expressando surpresa. — Entre, por favor.
— Obrigada — respondeu, sorrindo de forma cortês. O lugar era tão luxuoso quanto a casa que a loira possuía em Nagoya. Sinceramente, preferia lugares pequenos, como o apartamento em que vivia antes de toda a confusão.
— Então, a que devo a honra da visita? — Gray questionou, fechando a porta. Não era um acontecimento muito comum, portanto sua curiosidade era compreensível.
— Queria conversar com você.
— Tudo bem — concordou, estranhando a visita ainda. Pediu para que Lucy o seguisse até a sala, onde poderiam conversar melhor. — Aceita alguma coisa?
— Não, obrigada.
— Ok — Gray sentou-se na beirada do sofá, com os braços cruzados, de frente para a loira. — Sobre o que quer conversar exatamente?
Não havia motivo para enrolações, portanto a loira seguiu direto ao assunto.
— Bom, você é o melhor amigo do Natsu. Imagino que saiba sobre as coisas que acontecem com ele melhor do que ninguém.
— Correto.
— Lembra quando me procurou, perguntando se eu sabia onde o Natsu estava? — Gray afirmou. — O que aconteceu com ele naqueles dias?
— Se ficou preocupada, por que não o procurou para saber? — o moreno rebateu, descruzando os braços. Parecia bastante óbvio para ele que aquela seria a melhor maneira de descobrir.
— Você sabe o que aconteceu entre nós, não sabe?
— É, ele me contou.
— Acho que isso por si só explica tudo.
— Se você veio até mim para saber, é porque ainda se importa, então tem certeza de que não prefere procurar a ele?
— Gray, por favor — a loira suspirou. — Só me conte o que foi que aconteceu?
— Tudo bem, eu digo. Mas antes, me diga, você ficou preocupada, não foi?
Lucy revirou a cabeça, evitando o olhar do moreno. Não havia pensado muito a respeito. Pensava que talvez pudesse ser apenas questão de curiosidade, mas no fundo sabia bem que não era verdade.
— Um pouco. Tenho culpa por isso? Independente do que ele fez, eu ainda me importo.
Gray sorriu de canto. Era aquilo que gostaria de ouvir, porque se Lucy se importava, era uma questão de tempo até que as coisas estivessem em seu lugar outra vez.
— Natsu ficou meio doente. Ele apagou por quatro dias, mas está bem agora.
— O que quer dizer com “apagou”? — a loira perguntou. Seu coração falhou uma batida.
— Apagou, sabe? Ele desmaiou e só acordou depois de um tempo.
— O que aconteceu com ele?
— Eu não sei. Ele também não, mas está bem agora e é isso que importa — obviamente ele sabia, porém não contaria o segredo de seu amigo assim. Era dele, e se alguém iria contá-lo a outra pessoa, seria ele.
— Natsu não procurou um médico para saber? — a loira perguntou, indignada.
— Não. Pra quê, se ele está bem?
Lucy bufou.
— Francamente, vocês dois...
— O quê? Se quer tanto que ele vá ligue e fale pra ele ir.
— Eu não vou ligar, Gray.
— Por que não? Por que precisa tanto ignorar o cara se você gosta dele?
— Porque eu não consigo encará-lo sem fraquejar, ok?! — exclamou. Por que era tão difícil para todos entenderem? Claro que ela sabia que ignorá-lo não era a melhor saída, mas não era forte o suficiente para conversar com Natsu sem que acabasse desabando.
— E qual é o problema em fraquejar, Lucy?! Tá, ele fez besteira, mas você gosta dele e ele gosta de você então por que não acabam de uma vez com isso e se acertam?!
— Não é tão simples.
— É sim, vocês é que não percebem.
— Você perdoaria a Juvia se ela tivesse feito algo do tipo com você?
Gray se calou. Não pensara na situação naquele modo e aquela era uma questão realmente difícil para ser respondida repentinamente, sem sequer pensar.
— Isso seria uma situação um pouco diferente da que vocês dois vivenciam agora.
— Por que? Por ser ela quem iria carregar o filho? Dá na mesma, Gray. Você a perdoaria? Conseguiria olhar para aquela criança sabendo que é o filho da sua namorada com outra pessoa?
— Quer saber mesmo? Se eu soubesse que a Juvia me ama assim como o Natsu ama você, é, eu perdoaria sim.
De certa forma, duvidava da resposta de Gray, mas relevou.
— Como tem tanta certeza de que ele me ama?
— Porque eu conheço aquele cara desde quando éramos crianças. Mesmo se ele estivesse tentando disfarçar eu saberia.
A loira estava pronta para rebater aquela resposta, dizendo que o tempo que ele conhecia Natsu não influenciava na veracidade dos sentimentos de Dragneel. Contudo, sentiu o celular vibrando em sua bolsa. Preferia não ter que atender, entretanto algumas vezes recebia ligações relacionadas ao trabalho, então precisava atender. Estranhamente, não reconheceu o número.
— Sim?
— Por favor, não desligue quando reconhecer minha voz.
Com certeza ela reconheceu. E provavelmente teria desligado sem pensar duas vezes, se não fosse a dúvida que pairou em sua mente.
— Ryan? Como conseguiu meu número?
— A internet facilita muitas coisas hoje em dia. Eu sei, você vai dizer que isso pode ser considerado perseguição e tudo o mais, só que eu precisava falar com você, e como não sei onde mora, não me restou alternativa.
— Isso é surpreendente considerando o quanto tem me seguido.
— Eu não te sigo, simplesmente te encontro por aí. Quantas vezes vou ter que dizer para que você acredite em mim?
— Não vou acreditar nessa história nunca. Por que precisava tanto falar comigo? — perguntou, sem paciência alguma.
— Uma última chance. Sabe onde fica um bar chamado “Dining bar”?
— Sei, por que?
— Me encontre lá em meia hora.
— O que te faz pensar que eu iria?
— Porque depois disso, se você disser que não quer me ver nunca mais eu prometo que sumo da sua vida.
Lucy refletiu por alguns instantes. Livrar-se de Ryan parecia uma proposta interessante demais para ser recusada.
— Tudo bem, te encontrarei nesse tal bar. E é bom que cumpra com sua palavra.
— Eu irei.
Assim que guardou o celular outra vez na bolsa a loira notou o olhar reprovador de Gray.
— Ryan não é o nome do seu ex-namorado? — o moreno questionou.
— É. Por que?
— Está saindo com seu ex, Lucy?
— É por uma boa causa.
O moreno riu.
— Você fala tanto a respeito do Natsu, mas talvez esteja cometendo um erro tanto quanto ele.
— Eu não estou grávida, pelo menos — Lucy rebateu, em tom sarcástico. — Preciso ir.
— Lucy — a loira transferiu sua atenção para Gray uma última vez antes de ir embora. — Eu só me importo com vocês dois, ok? Quero ver vocês bem. E do jeito que estão agora, estão bem distantes de estar “bem”.
Ela sabia disso melhor do que ninguém. E com um sorriso fraco, se despediu.
***
A rua estava deserta demais, odiava aquilo. Andar em lugares vazios a deixava em agonia tanto quanto andar por locais lotados. Além de tudo, fazia muito frio. Estava congelando, portanto ficou feliz ao chegar ao bar.
Ryan ainda não havia aparecido, então sentou-se no balcão e pediu uma bebida fraca para passar o tempo enquanto o esperava. Detestava esperar, assim como detestava a situação. Tentava apenas manter em mente o que dissera para Gray: era por uma boa causa.
— Por algum tempo, fiquei com medo de que você não fosse aparecer — gostaria de saber o motivo que o levava a sempre aparecer sem que ela percebesse, fazendo-se notar apenas pela sua voz, que, há alguns anos, deliciava seus ouvidos.
— E perder minha melhor chance de me livrar de você? — perguntou retoricamente, bebendo um gole de sua bebida.
— Talvez no fundo você não quisesse realmente se livrar tanto assim de mim.
— Você sonha acordado, Ryan.
O rapaz arqueou as sobrancelhas.
— Está usando meu nome. Acho que posso confirmar isso como um avanço.
— O que? Simplesmente por ter dito o seu nome? Não se iluda tanto.
— Quando tudo o que eu consegui até agora foram xingamentos, eu considero um avanço e tanto.
Ryan chamou o barman, pedindo para ele algo um pouco mais forte. Havia uma música baixa tocando no bar, e, sinceramente, atraía mais a atenção da loira do que o homem ao seu lado.
— Não vejo nada de mais nisso — a loira respondeu. Até o momento, mal havia olhado para Ryan.
— Hey, Lucy — a chamou, pegando o copo recém colocado à sua frente. — Lembra que quando te encontrei nós a um bar?
— Foi a primeira vez que experimentei uma bebida alcoólica na vida, é claro que eu lembro. Levou uma garota de quinze anos a um bar, que ótima influência.
— Eu era praticamente um adolescente naquela época também, não pensava muito a respeito das coisas que fazia. Mas, enfim, parece que fui muitos dos seus “primeiros”, não é?
— Nem sempre a primeira vez é a melhor — e com isso lembrou-se de Natsu. Só houve dois homens em sua vida. Não tinha dúvidas de que o segundo fora muito superior ao primeiro.
— Eu não fui tão ruim assim. Se não tivesse feito algumas coisas estúpidas teria dado um ótimo namorado.
Talvez tivesse, talvez não. Mas, àquela altura, Lucy não queria mesmo descobrir.
— Não sei sobre isso.
Durante um bom tempo, muito mais do que a loira teria preferido, ele a manteve dentro de suas palavras, construindo uma conversa. Em raros instantes conseguira até arrancar risos fracos de Lucy, relembrando-a de momentos engraçados. O caso era que ela o conhecia bem o suficiente, ou ao menos pensava que conhecia, para se deixar cair em suas armadilhas. Contudo, por mais que não quisesse admitir, fraquejava às vezes por culpa das lembranças, ainda que mantivesse-se firme em seus princípios.
Após praticamente uma hora, Ryan assumiu um tom sério.
— Eu sei que provavelmente não terei outra chance, mas se puder me deixar ao menos ser seu amigo já ficaria muito satisfeito, Lucy. Então, o que me diz?
A loira se levantou, refletindo a respeito daquelas palavras. Um lado de si dizia que tudo bem, enquanto o outro repugnava aquela ideia com todas as forças. Por fim, respondeu:
— Não sei.
Ryan também se levantou, pronto para ir embora.
— Ao menos pense a respeito, ok? — aqueles olhos extremamente azuis a encarando eram um verdadeiro mistério para Lucy. Gostaria de saber o que ele realmente queria. De qualquer forma, acenou positivamente. O rapaz a acompanhou até a saída, e, quando atravessaram a porta, a parou. — Eu sei sobre o que eu acabei de dizer, e provavelmente essa é uma péssima ideia, então me perdoe, mas preciso fazer isso.
Então, antes que ela pudesse sequer prever qualquer movimento por parte de Ryan, ele a pressionou contra a parede de tijolos e colou seus lábios aos de Lucy, bagunçando completamente a mente da loira.
A sensação era de ter sido jogada em uma piscina, na qual afundava cada vez mais. Era completamente confuso, porque o beijou de volta, contudo com um detalhe excepcional: em sua mente, não estava vendo Ryan; via Natsu. Aquele beijo foi tão confuso pelo fato de que estava beijando um homem fisicamente, enquanto mentalmente o beijo a lembrava de outro. Talvez fosse pela semelhança existente entre os dois e pela saudade que sentia de Dragneel. Não sabia explicar. Não conseguia.
Aos poucos se debatia naquela piscina de pensamentos, até chegar outra vez à superfície e assumir o controle de si mesma novamente, afastando Ryan de si o mais rápido que pôde. Foram poucos segundos que simplesmente não conseguia entender. Só sabia que queria sair dali. Sequer esperou qualquer explicação por parte do moreno. Apenas foi embora. Gray estava certo. Ter se encontrado com aquele homem fora uma péssima ideia.
Andava o mais rápido que podia, deixando que sua mente a levasse para o primeiro lugar que viesse à sua mente. O bar ficava na avenida principal da cidade, que por sua vez era próxima do apartamento em que morava com Natsu, e era para aquela rua que estava se encaminhando. De lá, poderia volta à casa de Levy.
Cometera um grande erro. Não podia ter correspondido àquele beijo. Ryan agora iria pensar que ela ainda nutria de alguma forma sentimentos por ele, quando a verdade não era bem essa. Estava odiando a si mesma naquele instante, odiando sua mente, e odiando Natsu por não sair de seus pensamentos. Se não fosse por ele, não teria beijado Ryan de volta.
Natsu... quando ergueu os olhos, de seus pés para a rua, jurou que estava vendo-o. Contudo, ainda estava longe o suficiente para ter certeza de qualquer coisa. Talvez estivesse ficando louca e vendo coisas. De qualquer forma, quando se aproximou mais ficou impossível não reconhecê-lo. Os cabelos de cor tão diferente o traíam.
A questão não era mais se se tratava de Dragneel ou não, mas sim o que ele fazia ali, e aparentemente nada bem, inclinado, com uma das mãos pressionando as têmporas enquanto a outra segurava o encosto do banco que parecia sustentá-lo em pé.
— Natsu? — o chamou, preocupada, porém não recebeu resposta. Seus passos aceleraram, até chegar a quase correr para alcançá-lo. — Natsu!
Perto o suficiente do rapaz, agachou-se, ficando cara a cara com ele. Sua expressão era de pura dor, seu rosto estava pálido demais.
— Está tudo bem? — a loira perguntou, mesmo que a resposta fosse clara.
Natsu ergueu a cabeça, olhando-a por um breve momento. Respondeu negando com a cabeça, antes de desmaiar, caindo nos ombros da loira. Naquele momento, toda a raiva que Lucy sentira sumira, cedendo lugar a um estado de total preocupação.
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