Onde Está Meu Coração
4 Capítulo 4 -entre pai e filha
Cap 4- Entre pai e filha.
Kikio não era de desistir fácil, iria encher o saco de Utena até ela lhe dar uma respostas que pudesse remoer até ter sua própria ideia dos fatos. Utena nunca se dava o trabalho de lhe dar nenhuma respostas mastigadamente concreta. Não era por maldade, longe disso. Mas as duas eram tão diferentes que as vezes pareciam não falar a mesma língua. Embora Kikio e Utena levassem os valores da tribo muito a serio, eram de ângulos diferentes. Utena era do tipo prático, calculista e pouco emotivo. Visava sempre o lado logístico e estrutural. Regras e ordem. Enquanto Kikio via tudo mais com o coração que com os olhos. Morreria por qualquer um naquele clã, porque todos eram sua família, seus tios e primos, tinham seu sangue, foram criados da mesma maneira que ela, com a mesma doutrina. Kikio entregava seu coração a tudo que fazia, Utena sua genialidade e destreza. No final uma completava a outra e sabiam disso.Entretanto algo se interpôs na provável discussão das duas. Uma figura alta e imponente, surgiu na porta da cabana onde os irmãos estavam. Maiko Kyouya, mais parecia um Sheik com a pele acastanhada pelo sol e vestindo aquelas roupas próprias para um deserto escaldante, destacando seu porte físico invejável, parecia dez anos mais jovem do que era. Ele usava tranças nagô até o alto da cabeça seguida por tranças soltas e longas que caiam abaixo dos ombros. Provavelmente fizera uma viajem sem paradas na volta da vila da Areia.—Me deixem as sós com sua irmã.A presença em se de Kyouya já era autoritária, e causaria submissão a qualquer um e isso não era diferente com os filhos. Embora eles fossem os responsáveis por suas facetas mais leves, bem humoradas e carinhosas, existia um respeito muito grande entre eles, portanto não havia razão pra nenhum deles ter medo de represarias do pai. Quando os três mais velhos saíram rapidamente, sem olhar pra nenhum dos dois, Kyouya, falou:—Venha cá.-estendeu um braço para Kikio. Devagar ela se pôs ao alcance dele, que pousou sua mão direita no alto da cabeça dela e ergueu o rosto de sua filha até que os olhos se encontrassem.—Onde você estáva? -perguntou com seus modos tranquilos de sempre.—Em Konoha.—Foi atras de Sasuke?—Ele não está lá papai...—Foi atras de pistas sobre ele?—... Sim... Eu fui... eu...— Kikio, nós já procuramos por ele, filha. Você sabe. Nós o encontramos depois que ele fugiu de Konoha e demos a ele a escolha de ficar conosco sem interferências. Integraríamos ele ao nosso clã assim como deveria ter sido. Capturaríamos Itachi e o entregaríamos à sua própria justiça. Ele não concordou e nos deu as costas.—Eu sei pai, acredito que o senhor tenha feito o melhor que pode quando ele fugiu, mas tudo isso veio tarde! — ela desviou da mão do pai e caminhou pela tenda- Ele nunca fez parte dessa família de verdade, não demos esse tempo a ele. Saímos em campanha dois meses depois da morte do clã dele e não o levamos. Voltamos um ano depois!—Não podíamos leva-lo. Ele não quis e o Hokage não permitiu.—Por quê?—É algo que nunca saberemos. Mas não vem ao caso. O que você pretende Kikio? Não quero surpresas ao chegarmos a Konoha.—Não se preocupe, não vou voltar atras, Sabe como eu levo isso a serio. Já estou ligada a Neji... Incondicionalmente.—Então por que esse interesse repentino em Sasuke?—Pelo mesmo motivo! Está me remoendo e não há uma só noite em que eu não sonhe com ele! Eu me sinto culpada por não está ao lado dele como prometi que estaria... você me entende?—Sim. Infelizmente eu entendo.-ele observou sua filha enxugar as lagrimas — Eu tinha esperança de que fazendo dele seu irmão você não se sentiria dessa forma. Mas não ocorreu do jeito que eu queria que fosse nem pra ele nem pra você. Sinto muito minha filha.Kikio, fitou-o e correu para abraça-lo não queria vê-lo martirizado por isso.Kyouya não suportava ver sua filha tão perdida, e não sabia mais o que fazer depois de tantos erros cometidos. Não queria nenhum mal a Sasuke. Sempre teve certa afeição pelo ex protegido, mas tinha que proteger sua filha de todos os perigos que vinham com ele. Sua vingança contra Itachi estava próxima e não precisava que Utena lhe dissesse pra saber que aquilo não acabaria por ali. Ele se voltaria contra os Maiko, por Kikio. Para toma-la como prometeu no dia em que se encontraram da ultima vez.—Confia em mim quando digo que não é seguro ir atras de Sasuke?—Papai eu sou uma ninja, nada do que eu faço é seguro.—Isso vai alem dos riscos normais.Ela o encarou com as sobrancelhas franzidas. —Está falando dos critérios diplomáticos com os Hyuuga? Está falando com a filha errada.—Estou falando de sentimentos humanos filha casula. -sorriu, acariciando o rosto dela- Você pode não ver mais essa obsessão por ele pode encadear sentimentos que não serão fáceis de lhe dar depois... incluído no sentido diplomático da coisa.—Não vou me desviar do meu caminho.Kyouya deu um beijo na testa da filha e se deu ao luxo de fitar aquele rostinho de anjo sapeca, com feições decididas. Passou o braço pelos ombros de Kikio e a levou para fora da cabana.
—Bem, já que você fez uma viajem antecipada à Konoha, espero que tenha visitado as acomodações e verificado em que condições estavam.—E que outra desculpa eu tinha? — lembrou de Neji imediatamente e seu coração disparou. "ah, para com isso..." era assim sempre que lembrava dele — Encontrei com Neji no gabinete de tsunade-sama.Kyouya acenou para duas mulheres que recolhiam roupas de um varal enquanto o encaravam espantadas. Provavelmente por causa das roupas, mas talvez fosse por admiração também. Depois que o pai enviuvara da terceira esposa, mãe de Kikio, virou o solteiro mais cobiçado da vila, ele não aparentava ter muito mais de trinta, mesmo tendo um filho de quase vinte e quatro anos. Porem os pais das moças da vila tinham medo sua fama de viúvo convicto, o que era um alivio para as três filhas ciumentas que ele tinha. É claro que se ele quisesse não teria quem se negasse ou se opusesse, mas em fim não era o caso. continuaram a caminhar até um local mais tranquilo.—Não vai me falar de nada romantico nesse encontro, vai?—Bem que eu queria, ía ser legal ver sua cara de sofrimento. — ela riu da carranca que ele fez—Ele foi rude com você?—Não. — "Foi frio" pensou. "mas o que eu queria o garoto nunca tinha falado comigo!"- Acho que ele ainda não se situou de alguns aspectos embutidos no acordo. Será algo a discutirmos. -disse com tom de seriedade.—Que tipo de detalhes? -pergunta Kyouya inocentemente.Ela lhe olhou e sorriu maquiavelicamente.—Pequenas coisas que levariam você a ter netos!—Eu não deveria está discutindo isso com você! — desviou o caminho de volta pra cabana—Mas eu preciso de ajuda! -disse suplicante, puxando de volta pro caminho anterior- Como eu faço pra quebrar o gelo com ele? Você já se casou com alguém fora do clã. Foi difícil se adaptar a mãe de Kyo e Utena?—Claro que foi! Aquela mulher era um demônio, seus irmãos não temo o gênio que tem a toa! — Kikio riu, a mãe de Kyo e Utena sempre rendeu as melhores histórias — Casamento não é uma mágica que une duas pessoas. Tivemos que nos adaptar sim, um ao outro, como todo mundo que casa. Não importa que você conheça e ame essa pessoa a vida inteira, vai existir sempre algo que não se encaixa, que incomode, então você terá que mudar e esperar que ela mude também.— E se ele não quiser mudar?—É sempre bom expressar o que sente, seja o que for, ninguém decide se unir a outra pessoa sem querer que dê certo. Ele vai querer se adaptar a você também.—Sei lá, acho meio estranho falar com ele. É assustador na verdade! Ele me tratou com aquela frieza tipicamente Hyuuga, sabe. Eu só consegui me esquivar e sair correndo!Eles ja estavam sentados conversando em uma pedra proxima ao riacho a um tempinho, era fresco e agradavel lá, ajudava a clarear a mente e por pra fora o que estáva errado.—Não pode se guiar apenas por isso filha, você não conhece os Hyuugas pra dizer que são frios.—Sou amiga da Hinata, esqueceu? Eu sei de muitas coisinha, e mesquinharias daquele clã. A maneira como ela é tratada lá me assusta.—Acontece que você só viu um lado da situação, as famílias lidam de formas diferentes com os problemas mas no final querem o mesmo, o bem de todos, isso é mesquinharia? Hinata tem uma tarefa muito pesada em suas mãos e eles tem medo que ela não seja capaz de arcar com tudo, então eles tendem a força-la um pouco mais para que ela torne-se mais forte ou desista de uma vez e deixem eles resolverem o melhor pro clã.—Isso é uma idiotice. Em vez de ajudar estão minando toda a confiança dela! Será que não percebem isso? Só a prejudicam.—Cada clã tem suas diretrizes Kikio. Tambem não somos perfeitos. Mesmo assim não vejo o que isso tenha haver com você e Neji.—Eles serão minha família também! E não é só isso! E aquele selo maldito? Meus filhos vão ser forçados a usar aquilo?—Isso é algo que você vai ter que discutir com seu marido quando chegar a hora. -Ele ficou visivelmente preocupado- Mas saiba que você terão todo meu apoio, filha. Nem que eu tenha que esconder meus netos de baixo das barbas de todo o clã, nunca permitiria que nada lhes acontecesse.Ela sorriu sabendo que seu pai batalharia com mil clãs de uma vez se fosse pra cumprir aquela promessa.—Mas alguma duvida pra jogar nesse riacho e afoga-la de uma vez?Kikio, demorou algum tempo analisando se deveria ou não fazer essa pergunta, era a mais perigosa de todas, tinha medo de magoar seu pai, mas aquilo estava lhe martelando a cabeça a algum tempo. Por fim olhou nos olhos de Kyouya buscando mais a resposta lá do que em suas palavras.—Por que tenho que me preocupar com tudo isso agora e não daqui a três anos, quando suishirou já estivesse casada?—Não são pelos motivos que pensa Kikio, -falou com tristeza- Não faria nada que magoasse sua irmã por muitos motivos, um deles é por ama-la profundamente.Kikio acentiu, sabia que era verdade.—Então qual é a razão?—Evitar dor e sofrimento a você. Dar-lhe uma chance de ser feliz e ter paz! Não sei se o que estou fazendo é certo. Mas um pai tem o direito de tentar.
Notas finais
QUATRO CAPS DIGITADOS E POSTADOS!! NOSSA É MEU RECORDE! ESTOU SUPER MOTIVADA! PROXIMO CAP EM BREVE!
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