Onde Está Minha Bagagem?
1 Capítulo 1
O sol estava exagerado e segurar um monte de malas só me fazia passar cada vez mais calor. Eu carregava pelo menos três malas de carrinho, usando para apoio mais duas de alças. Ok, eu parecia uma desengonçada.
- ônibus para embarque Miame-Canadá, plataforma nove.
Uma voz feminina irritantemente computadorizada chamou. O que significava que era minha deixa. Levantei-me, tentando erguer as malas, mas ao que me parecia, viajar de ônibus por alguns dias seguidos não era tão fácil quanto eu imaginava.
- ônibus para embarque Miame-Canadá, plataforma nove.
Comecei a correr, eu não podia perder o ônibus. Confesso que era algo que sempre acontecia, talvez, fosse meu carma. As arvores tropicais criavam um espectro bonito nas janelas próximas ao recinto que estava, talvez fosse esse o motivo de ter me distraído por tanto tempo. Não, eu sou muito fora de mim mesmo. Infelizmente uma voz me distraiu.
- Moça! – um velhinho gritava – ô, moça! Você esqueceu seu gato!
Deixei tudo que era meu no chão e corri para pegar minha mala.. um tanto quanto animal. Assim que peguei olhei para dentro da gaiola.
- Riccochet, me desculpe – falei feito uma criança, alguém já percebeu que sempre parecemos idiotas perante os animais?
- Você chamou seu gato com o nome de um rato?
- É um furão senhor – me senti superior – vencedor de três jogos para furão.
- Que seja.
- ultima chamada. Ônibus para embarque Miame-Canadá, plataforma nove.
Coloquei minha mala especial para furões no ombro e corri novamente até a plataforma de embarque. Não conseguia enxergar nada da metade para baixo da minha visão, já que as malas atrapalhavam tudo. Podia ver, no entanto, a placa de entrada da plataforma do ônibus, aonde eu corria desesperadamente para alcançar. Assim que olhei pela metade de cima a porta aonde daria o acesso a minha viajem de feriado, um santo abençoado de um homem simplesmente caiu em cima de mim. Deixando eu, as malas e meu Ricco caídos no chão.
Provavelmente demorei meia hora para lembrar que eu estava de saia e que todos que passavam olhavam minha calçinha “I ♥ Disney”
- Ual – o homem disse olhando para mim. Ok, ele era lindo
- ah, se queria dizer que eu sou bonita, não precisa empurrar no chão! – gritei áspera, tentando me levantar.
- Não, não é você – OQUE?! – Não sabia que existiam calcinhas tão pequenas.. – Fiquei roxa de vergonha quando vi que minha mala de roupas intimas havia aberto.
- Para de olhar! – gritei novamente e ele estendeu a mão, como ajuda, mas afastei levantando sozinha – Eu não preciso de ajuda.
- O que deu em você? Isso tudo é TPM.
Não deu tempo de responder. A porta da frente, aonde o ônibus sairia começou a fechar, então coloquei – lê-se joguei – todas as roupas dentro da mala, a fechando e corri para a entrada, feito uma idiota e me apressei a pegar os passaportes (meu e de Ricco) do bolso e entregar para.. Cadê meus passaportes?! Entrei em estado de choque. Eu sei que existe aquela tal de lei de Murphy, mas isso era exagero, eu realmente estou pensando em parar em uma igreja para ver se há espíritos malignos ao meu Redor.
Tirei meu blusão. O guarda estava começando a ficar nervoso comigo, eu estava atrasando o horário de embarque no ônibus. Mas eu não podia fazer nada. Essa era a primeira vez que iria viajar de ônibus a uma longa (e olha, longa mesmo) distância e claro que tudo daria errado.
Uma mão passou na minha frente, segurando dois passaportes que realmente, eu havia perdido. Virei-me para agradecer a pessoa, mas quando vi que era o Loiro que tinha me derrubado e olhado minhas peças de roupas intimas, então arranquei os passaportes e dei para o guarda, que furou-os e permitiu minha entrada.
Assento 4D. Comecei a caminhar por dentro do ônibus, onde as pessoas me xingavam. Todas as malas ficaram em um canto e somente a gaiola-bolsa de Ricco ficou comigo, de uma coisa era certa, eu nunca iria deixar meu furão sozinho. Passei pela fileira A, B e C, encontrando meu lugar vazio. O melhor de tudo era que o assento ao meu lado, o 3D também não tinha ninguém, graças a Deus, alguma coisa boa.
Ajeitei-me e coloquei os fones de ouvido que estavam instalados ligando em uma rádio de Glam Rock; Enquanto isso, uma de minhas mãos acariciavam meu Furão, que brincava com meus dedos. Até que a porta do ônibus fechou com a minha desgraça. O loiro entrou de novo. Não vou negar. Ele era bonito. Loiro, barba mal feira, roupa ajeitada, cabelos bagunçados com um topete mal feito, olhos azuis e sorriso cativante, mas nada disso me impressionava. Ele olhou para o passaporte dele. Me senti como o Harry Potter em seu primeiro ano de Hogwarts. “Soncerina não, Soncerina não”, só que no meu caso era “3D não, 3D não”.
Quero deixar bem claro que eu não sou azarada assim (a não ser para amor, que é algo que nem comento), mas ao contrario do pequeno Harry, que foi mandado para Griffinória, o menino se sentou – com um sorriso no rosto enorme, o que só poderia ser sarcasmo – ao meu lado.
- Olha que coincidência! – ele falou, um pouco alto vendo que eu estava com fones e estendeu a mão – Prazer Br... – aumentei o som, sem ouvir o nome dele.
Ele tentou falar algumas coisas, mas eu realmente não o ouvia. Estava falando na rádio uma piada idiota de loira.. algo assim “porque a loira toma banho de porta aberta?” mas eu não pude ouvir o final porque ele, o cara, arrancou os fones.
- Sou Bryan O’Connel. – e estendeu a mão novamente.
- Você cortou a Piada – olhei de cara feia.
- Não acredito que nunca ouviu. Ele ia dizer que é porque ela não quer que ninguém olhe pela fechadura.
- Essa piada é tão idiota quanto você;
- A senhora que estava ouvindo.. – ele sorriu, ainda com as mãos estendidas – a propósito, qual é seu nome?
- È Taylor Tipson, e não me chame de senhora. Posso voltar a ouvir minha música?
- São seus ouvidos.
- Mas foi suas mão que tiraram o fone.
Coloquei os fones novamente os olhos do homem passaram por todo o meu corpo, percorrendo até a alma e parando em minha mão dentro da gaiola. Olhei para ele com raiva, mas em seus lábios um sorriso no rosto e então falou algo que devia ser “é seu gato?”, mas fingi não entender e continuei ouvindo a nova piada de loira. Aos poucos, as piadas foram trocadas por músicas. Eu nunca entendi o porque em uma radio Glam poderia contar piadas tão idiotas, mas assim que aquela voz “locutor de rádio” foi substituída pela voz sedutora de Axl Rose, pude relaxar. O homem também parecia desistir de falar comigo, por mais que cada vez que eu o olhasse eu percebesse que estava tentando ver o que havia na gaiola.. ou talvez em baixo da minha roupa. Fechei os olhos por alguns segundos e dormi, um sono profundo e sem sonho. Por mais que meu cérebro tentasse o tempo todo colocar Bryan em minha mente.
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