Ondas
6 Moonlight – Under The Silver Moon.
Notas iniciais
Era o segundo dia mais feliz da minha vida, o primeiro foi quando eu consegui me libertar da casca que me prendia ao mundo masculino, eu Marion Anderson Brenner, nascida como Anderson Brenner, agora casada legalmente com Astrid Ludwig Araújo, agora assinando como a Sra. Marion Anderson Brenner – Araújo. — Amor pare de ficar aí parada, não foram gastos milhões de dólares em um casamento pra você ficar aí encarando a mesa. – Astrid falou e eu apenas sorri, levantei meu vestido e fui a encontro dele. — O que você tem? – Astrid perguntou-me. — Eu não sei, por um lado eu estou me sentindo muito bem, mas por outro eu estou me sentindo meio chateada. – Falei, Meus pais me olhavam, eu só pensava em meu irmão gêmeo, ele não pode vir, estamos brigados há meses, aliás, quase um ano definiria melhor. — Eu sei que você está chateada pelo fato de Abraham não estar aqui, ninguém tem notícias dele? Perguntei a seu pai e ele me falou que depois que ele chegou a Tailândia, não houve mais notícias. – Astrid falou e eu sorri, porque eu sei que Abraham sabe se cuidar, eu sempre fui protegida por ele, durante minha readequação sexual, o período de Bullying, ele me defendia disso tudo, era horrível quando os meninos vinham e zombavam de minha feminilidade, de meus cabelos grandes e negros, Dos meus seios que não existiam na época. — Menina, você tem que dançar comigo agora. – Chico falou pegando no meu braço, eu posso dizer que tenho os melhores sogros do mundo. Vincent e Chico são maravilhosos. — Pai, Marion está chateada. – Astrid falou. — Que nada, ela vai dançar essa música comigo. – Chico falou enquanto uma música do Abba estava sendo tocada. — Pai. – Foi á última coisa que eu ouvi Astrid falando, Chico me arrastou pra pista de dança e eu abri um sorriso. — Você sabe que eu te amo né menina? – Chico falou. — Claro que sei. – Respondi. — Eu não queria te ver triste essa noite, eu tive quatro filhos graças a uma amiga que me ajudou a adotar, dos quatro, eu amo tanto o Astrid que chega a doer! Não quero ver o casamento do meu filho com uma noiva tão linda banhada em prantos. – Chico falou, eu sorri, ele não sabia a dor que eu sentia nesse momento, eu sabia que esse casamento não era pra ser meu. Esse casamento seria de Alex, se ela não tivesse falecido tão cedo. — Eu sei que você teve vários problemas, sei que sua irmã faleceu e que seu irmão sumiu, mas acho que devemos permanecer firmes. – Chico falou, certeza que ele não sabe do meu sofrimento, ele acha que eu sempre fui a menina alegre que estava sempre pulando na casa dele, mas acho que essa pessoa morreu, a Marion antiga estava morta, eu não contei a Astrid que fui assediada por meu chefe Jack Chaisten, ele passou a mão em meu seio, falando que ele nunca acreditava que eu havia crescido como um menino. — Mas por que você parou de se mexer? – Chico perguntou e ao lembrar a cena eu deixei escapar mais uma lágrima, que rolou sobre meu rímel. — Você pode me contar o que aconteceu, senão eu chamo Astrid e seus pais, menina eu nunca vi você assim! – Chico falou. — Eu conto. Hoje no trabalho, meu chefe passou a mão em meu seio, Falou que eu não parecia ter crescido como um menino. – Falei para meu sogro que me olhava, mas isso saiu como uma navalha de dentro de minha garganta. — Mas querida, isso é muito sério! – Chico falou. — Vincent, venha aqui, preciso de sua ajuda. – Chico falou chamando meu sogro. Vincent foi formado fotógrafo, após alguns anos de casados ele de formou novamente, dessa vez advogado e eles estão juntos desde 1963, quando nem se pensava em ter um casamento de pessoas do mesmo sexo! Eles são o que me fazem seguir em frente, são meus exemplos de felicidade. Quando Chico contou a Vincent, Vincent correu em minha direção meio assustado, após tantos acontecimentos históricos que eles viram, como o caso Tate-Labianca, Aileen Wuornos, Apolo 11, Dennis Rader, Jeffrey Dahmer, foram milhares de coisas, assassinatos, crimes da natureza. — Vamos abrir uma denuncia amanhã, mas você sabe que terá de contar a Astrid né? – Vincent falou e eu fiquei com tanto medo, contar algo assim ao meu marido. — Eu não queria fazer o Astrid mostrar seu lado advogado, ainda mais para um rato como Jack. – Falei. — Mas ele vai ficar sabendo, eu vou entrar com a denuncia amanhã e você tem que falar para ele hoje ou amanhã, esse acontecimento não pode ser deixado de lado, temos de punir uma pessoa assim. – Vincent falou. — Eu vou contar amanhã antes da viagem, não posso incomodar dessa forma, contando isso pra Astrid ainda hoje. – Falei olhando nos olhos de Vincent, ele ainda tinha as feições da foto de Astrid criança que tinha dentro de sua carteira, mesmo tendo envelhecido um pouco. — Ei garotinha, você não vai dançar comigo? – Brad falou, Brad Presley era meu cunhado, além de Colby e Clair, os irmãos de Astrid me adoravam. — Claro que vou. – Falei me jogando em seus braços. Brad era bonito como Astrid e como Colby, a única diferença entre ele e Clair é que ela é totalmente mesclada parda, cabelos pretos e aparência indígena. — O que você acha de estar amarrada com o mais feio dos irmãos? – Brad Perguntou sorrindo, ele era tão bobo, conseguia arrancar risos de uma estátua. — Pena que você não estava disponível na época, pense só eu e você agora, dançando essa valsa como noivos? – Falei sorrindo. — Você pode esperar até eu me separar de Kali e fugirmos juntos que tal? – Brad falou sorrindo, ele ama Kali assim como eu amo Astrid, acho que isso nunca aconteceria. — Posso dançar com minha Noiva agora ou você vai querer roubar ela? – Astrid falou sorrindo, mas ainda com a face séria que ele possui, acho que ser advogado acabou dando a ele um ar de malvado. Mas definitivamente ele era meu malvado favorito.
— Filha, acho melhor você parar de beber. – Meu pai falou, eu realmente já estava ameio bêbada, mas queria continuar bebendo e tentando esquecer a vida. Da vida de Anderson que eu levei, porque minha vida como Marion foi tão mais fácil, sem precisar fugir de ninguém pelas merdas que meu pai fez, sem precisar fingir que eu era masculino, sem fingimento algum, apenas minha alma absolutamente limpa, sem barreira alguma, só mesmo eu olhando para o céu limpo, sem precisar fechar os olhos pra ver se tudo mudou... — Pai eu não sou o mesmo garotinho que eu era, sou uma menina crescida, posso beber como eu quiser e a quantidade que quiser. – Falei, tentando magoar ele, meu pai sempre viveu em uma nuvem, mesmo depois das coisas que ele fez, havia vezes que a gente precisava derrubar ele dessa nuvem com uma cutucada, seja um shade ou apenas um tapa, mas como minha mãe não estava próximo o bastante para um tapa, joguei o shade. — Você não deveria ser assim. – Meu pai falou. — Assim como? Revoltada? Transexual? Trouxa? – As farpas saiam de meus lábios, com uma metralhadora. — Não sabia que você pensava assim... – Meu pai falou olhando para o chão. — O que você achava que eu sentia sobre o fato de você e do vovô estarem metidos em seitas religiosas, vovô com cientologia, você com coisa pior, planejando até mesmo a gravidez de sua mulher, eu tenho pena de minha mãe que tem que viver com um monstro como você. – Falei, eu senti tanta raiva quando descobri que havia sido uma gravidez planejada, um filho homem para ser entregue a cientologia, depois ao Moonlight, onde meu sofrimento não teve fim, com doze anos, fui estuprada pra me tornar homem, segundo o Grande Líder.
Acabei ficando traumatizada, criando um transtorno de personalidade, que graças a um belo tratamento já ficou pra trás e eu assumi Marion, como meu único lado. — Saiba que sua mãe não é melhor que eu, ela se entregou ao Grande Líder durante os anos 80, caso você não saiba, sua mãe era a garota dos olhos dele, só mudou depois de terem matado Sharon Tate, depois disso ela abriu os olhos e viu que uma seita não seria uma boa opção, mesmo assim continuamos por vontade de ambos, vocês não são apenas experimentos meus... – Meu pai falou. — Como não? Você fez Alex se suicidar, você fez Abraham sumir, basicamente todos os seus filhos te odeiam, você é uma pessoa péssima, ninguém aguentou você a não ser a mamãe e seus pais, porque eram loucos como você, tivemos de nós mudar por conta da sua saída do Moonlight, da promessa que fizeram de te matar, pai o senhor tem de ficar calado a cada coisa ruim que ouvir, tudo é merecido. – Falei e sai andando, não sei se o atingi da forma que eu queria, mas isso me deixou saciada de certa forma, isso eu confesso, minha mãe dançava alguma música do Pussycat Dolls com Brad, Clair tentava se esconder, ela é meio o que eu fui, uma punk rock, meio gótica e Emo, tentando se esconder na multidão, pra se encontrar internamente, eu fui andando em sua direção, meio devagar ao ritmo da música que que a esse ponto, já era um bossa Brasileira, eu sorri levantando o braço, eu e Clair não éramos muito ligadas, mas eu queria mostrar a ela meu primo Jason. — Clair, eu quero que você venha comigo, meu primo esta curioso pra te conhecer, realmente Jason havia falado comigo após a cerimônia pra conhecer Clair, eles até fazem o mesmo estilo, mas ele já seria algo que ele definiu como um “Cyber Punk”. — Mas, Marion?! – Clair falou e relutou. — Você vai gostar, garanto que a solidão pode continuar, mas vamos fazer uma média só, nada mais. – Falei e sorri, ela continuou a andar, abrindo um pequeno e delicado sorriso. – Jason ficou todo vermelho ao ver Clair indo em sua direção, eu achei maravilhoso, isso mostra que nem uma mulher precisa esperar o príncipe encantado, ou sua princesa encantada também, estamos finalmente entrando em uma época onde o feminismo não é considerado um “nazismo” mas algo altamente necessário, por que não precisamos ser apenas donas de casa, aliás nunca precisamos, mas gente burra e sem cérebro acha que sim, então acabamos deixando essa pequena imagem rolar, mas definitivamente mandamos nessa porcaria sim! — Eu ainda fico pensando, no que se passa na sua mente. – Astrid falou. — Nesse momento? Um pensamento de como nós mulheres e minorias ainda somos movimentos intensos, corajosos e claro que ainda necessários. – Falei, uma música nova estava tocando, realmente não tivemos um casamento normal, era Tove Lo que tocava ao fundo. — Pois é por isso mesmo que eu espero que você não seja uma dona de casa. – Astrid falou me beijando. — E bom mesmo o senhor não pensar assim, porque eu vou continuar a escrever pra revista, não vou parar de ajudar no GLAAD. – Falei, Astrid era diferente, ele apoia minhas loucuras, até mesmo com casos pro-bono. — Acho que está tarde, temos de sair e ir embora. – Astrid falou, eu estava pronta pra sair, já era basicamente um novo dia, o sol estava quase raiando, pelas janelas do Salão de festas do prédio, papai estava bêbado como um gambá, mamãe estava sentada descalça, minha mãe nunca gostou de roupas de luxo, Tia Ada estava tentando caçar como uma boa loba que é. Jason e Clair estavam dando um beijo de despedida. — Vou pedir pra Brad levar sua família pra casa. – Astrid falou, eu já havia trocado meu vestido de casamento por uma roupinha normal, estava bem como um menino novamente, sem silhueta, cabelos presos no coque já sem véu.
— Claro que não amor, eu vou levar eles, sei como lidar com a peste que meu pai é. – Falei olhando para Astrid que tinha um rosto cansado, estávamos quase dormindo, mas eu acabei despertando, ficando preocupada com meus pais. — Tem certeza amor?! – Astrid perguntou. — Sim, sim claro. – Falei, Mamãe pegou no braço de meu pai, Jason foi pra casa de mamãe também, o resto que conseguia dirigir estava indo embora e meus sogros estavam oferecendo estadia a noite, aliás, o dia na verdade. — Vamos mamãe, vamos Jason, tá mais que na hora, quero minha lua de mel. – Falei. — Mas eu ainda nem dei seu presente. – Minha mãe falou. – Claro que deu, a senhora veio, a senhora me deu bastante das coisas que estão em minha casa. – Falei, minha mãe basicamente montou minha casa, ela começou a comprar coisas compulsivamente e a minha casa está em reforma, ou seja, está tudo por chegar e o que chegou esta enfiado no nosso apartamento, que era o apartamento de solteiro do Astrid, não sei de quem foi a ideia de comprar uma casa, lembrei, Astrid comprou uma casa só porque eu achei a área bonita, ele gostou e acabamos, aliás ele acabou comprando, depois a consumista desvairada sou eu... — Bem, seu pai está muito bêbado, eu preciso de ajuda pra levar ele pro carro.– Mamãe falou. — Eu ajudo Tia. – Jason falou e pegou meu pai pelo braço, levamos ele pro carro e saímos por sorte meus pais não moram longe, eu estava elétrica então estava pronta pra dirigir, após Jason ajudar a deitar papai no banco ele entrou e eu liguei o carro...
— Marion, eu estou tão feliz que agora você é oficialmente casada, você finalmente é você, eu sei o quanto eu te fiz sofrer filha, por isso acho que lhe devo algo bem maior que apenas um pedido de desculpas ou um presente de casamento. – Mamãe falou. — Mãe a senhora já me deu metade da minha casa, pelo amor de Deus, não me diz que a senhora comprou mais coisa!? – Falei. — Não, essa é algo que seu avô pai de seu pai, meu falecido sogro gostaria que você ficasse. – Mamãe falou e eu logo a interrompi. O mais engraçado é que eu nem percebi que já estávamos dentro de casa, Jason foi pra meu antigo quarto e papai foi pra o quarto dele — Não é a urna funerária da família não né?! – Perguntei. — Não, ele deixou um testamento com algumas restrições e uma delas era vocês saberem da existência dele, mas como sua irmã morreu e seu irmão está desaparecido eu irei dar sua parte. – Minha mãe falou saindo do sofá da sala em direção ao porão, voltando alguns minutos depois. — O que é? – Perguntei enquanto minha mãe escondia algo em suas costas, ela colocou a mão pra frente e dentro de uma caixinha de vidro eu vi uma chave. — Essa é a chave da casa de seus avós no Maine, ela é uma mansão da Guerra Civil, seus avós deixou pra você, junto com uma sala misteriosa que fica no porão que por lei eu e seu pai não podíamos abrir, além disso, ela deixou títulos de capital e algum dinheiro em um cofre numa agência em Salem, agora que você casou, você precisa ir até a casa, lá você vai encontrar tudo que é necessário e o advogado de seus avós estará lá também. – Minha mãe falou, porém eu e Astrid já havíamos comprado as passagens para irmos para a Indonésia, eu estava basicamente pronta para a viagem que seria dentro de dois dias e eu não iria para o meio do Maine a essa altura do por um casarão velho e um pouco de dinheiro, já que meu marido tinha bastante. — Mãe, Astrid e eu estamos com a lua de mel planejada vamos pra Indonésia, eu preciso necessariamente ir agora? – Perguntei. — Sim, você precisa ir, foi uma das exigências de sua avó se você não for, nós perderemos tudo, eu não ligo pra nada de dinheiro, mas seu pai não quer perder a casa do lago que ele ia com o vovô, alem do mais você sempre quis saber mais sobre nossa família, talvez lá você encontrará suas respostas... – Mamãe falou e eu fiquei olhando para ela que sentou na poltrona. — Mas mãe eu não posso pedir a Astrid que faça isso! Mesmo querendo as respostas. – Falei olhando para minha mãe que estava com um brilho no olhar. — Filha, não faça nada por ninguém, sempre por você. – Minha mãe falou. Eu apenas peguei a chave da mão dela. — Eu juro à senhora que eu vou pensar muito bem em tudo isso... – Falei, minha mãe sabia o tanto quanto eu, que eu sempre estive curiosa tá saber mais sobre nossa família, agora eu tenho a chance, mas não posso ficar, preciso viajar. — Agora acho melhor você ir, você precisa descansar você não pode viajar cansada. – Minha mãe falou. — Pois é então eu me vou, mãe eu agradeço à senhora por tudo, muito obrigado. – Falei, quando coloquei o pé pra fora da porta e olhei pra frente, o sol nascia e a luz batia no rosto de uma mulher, um pouco mais velha que eu, cabelo vermelho, algumas sardas e na hora eu fiquei pasma como se houvesse visto um fantasma, era Alex? Ou melhor, Alex Linn Anderson Brenner, minha irmã, a mulher começou a andar rápido e eu me despedi de minha mãe o mais rápido possível, poderia ser o sono, mas tinha quase certeza que aquela era minha irmã, entrei no carro e dirigindo depressa comecei a seguir ela, eu precisava ter certeza que não era ela, porque a aparência pode enganar, mas meus olhos não... Fui me aproximando e ela andava rápido, tão rápido que eu mesma não conseguiria seguir de salto a pé, ela andava tão rápido que num piscar de olhos a perdi, minha plena consciência dizia que era a Alex, mas eu podia estar errada, acho que ainda não descrevi minha família, somos basicamente ruivos, por conta de minha mãe que é quase uma viking, o único com cabelo preto foi Abraham, ele foi o único a nascer igual a meu pai, acho que por isso ele criou um pouco de aversão própria, meu irmão odiava seu corpo e eu nunca havia visto uma razão pra isso, mas eu também me odiava, então eu nem podia julgar ele, após entrar em seis ruas erradas consegui sair na Main Avenue, seguindo de carro, cansada e olhando as calçadas e as pessoas, olhando ao redor, não acredito que pela primeira vez em minha vida eu estava parecendo uma louca sem rumo. Chegar em casa foi um alívio, Astrid estava no sofá sentado, ele era tão bonito, o cabelo castanho que vivia cheio de gel, estava lavado e bagunçado, o corpo a mostra, como em uma exposição, olhei para ele que me viu com a caixinha de vidro e a chave do carro na mão. — O que é isso? – Astrid perguntou-me. — É um presente que meus avós deixaram pra mim, é tipo karma da família sabe? – Astrid melhor que eu entendia sobre essas coisas de testamento e sobre tudo que não deu para aprender na faculdade de Publicidade. — Mas espera, seus avós deixaram uma mansão pra você, no Maine, deixaram algum dinheiro e títulos em um banco em Salem, agora pra poder ter direito a isso e seus pais manterem o que já tem, você tem de viajar até a casa pra encontrar o advogado dos seus avós? Seria isso né? – Astrid falou com uma dúvida no olhar. — Isso, mesmo assim eu não estou nem aí, eu não quero nada deixado por ninguém, eu tenho o meu dinheiro, minha mãe mesmo disse para que eu fizesse o melhor pra mim. – Falei. — Amor, não pense no dinheiro, isso já temos de sobra, mas pense nos segredos que você queria a verdade, pense em tudo de um conjunto geral, se você não for, seus pais vão perder tudo. – Astrid falou. — Mas nossa lua de mel? – Perguntei. — Temos três dias e eu posso adiar mais dois, podemos ir lá e voltar o mais rápido possível, não podemos deixar seus pais na mão, além do mais sua mãe comprou várias coisas pra gente, mesmo que seu pai seja uma pessoa ruim, ela não é... – Astrid falou, mas eu iria odiar adiar nossa lua de mel, mas sabia que se isso acontecer seria apenas para ajudar a minha mãe, além do mais eu teria minhas respostas. – Arrume suas malas, durma um pouquinho e sairemos hoje à noite. – Astrid falou. — Ele me abraçou, dentro de mim eu sabia que estava fazendo a coisa certa, indo onde minhas raízes eram raízes. — Agora acho que é melhor descansarmos, pois à noite, vamos partir para a aventura. – Astrid falou, estávamos cancelando tudo pra ir em busca de uma aventura, muito mais que uma aventura, uma busca por algo que talvez não existia. — Vamos esposa. – Astrid falou me colocando no braço e me levando pro quarto, mas a única coisa que eu conseguia pensar era na mulher de cabelos ruivos que eu vi na rua, certeza que era minha irmã, não posso estar ficando louca assim... Meus pensamentos estávamos indo a mil por hora, em minha mente eu só conseguia pensar em músicas tristes, lembrando do velório dela que não pode ter seu corpo, já que Alex estava internada numa instituição para dependentes químicos e biológicos. Segundo as leis da clínica, eles poderiam fazer a incineração, mesmo sem nosso conhecimento. Astrid passava o dedo e minha barriga, após nossa primeira vez de casados, foi o melhor sexo de minha vida, sempre amei transar com meu marido, mas agora tá bem mais intenso, parecia que o casamento renovou nossas energias sexuais... — Está tudo pronto? – Astrid perguntou. Eu acenei com a cabeça, minha trança segurava meu cabelo no lugar, meu jeans empinava minha bunda e meu Spotify já estava com uma Playlist bem maravilhosa que eu fiz durante a destruição do planeta que Astrid chama de banho, ele é pior que uma mulher, eu basicamente casei com o homem mais feminino que eu poderia conhecer na vida, mas acho que foi isso que me fez gostar ainda mais dele, eram quase sete horas quando descemos pra garagem do edifício “Pale” o sol do fim de tarde batia no vidro dos edifícios enormes de New York, entramos no carro, eu conectava o Spotify no sistema de áudio do carro e quando “Into The Groove” saiu pelos alto-falantes, eu fiquei um pouco ansiosa e mais animada com essa viagem horrível que iria acontecer, na saída da garagem pra rua, vejo a mesma mulher ruiva , olhando em minha direção, agora de tênis seria tão fácil correr atrás dela, mas não posso deixar Astrid achar que eu estou surtando...
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