Ondas
8 53 - Parte II (Final)
Notas iniciais
Eu estava na maternidade a seis dias, o demônio finalmente foi expelido pelo meu corpo, eu estava magra, me olhei no espelho do banheiro e via meu rosto apenas como pele e osso, eu estava pálida como um papel, essa gravidez me destruiu de dentro pra fora, sem sombra de dúvidas, meu casamento foi destruído, Michael já nem vem me visitar a dois dias, ainda não entendi porque os médicos não me liberaram, eles estão fazendo testes no demônio, eu espero que eu consiga um lar para adotar ele, já que eu não comprei nada que uma criança precisa, Marci encontrou um berço em meu sótão, ela ficou bem mais apegada a mim agora, ela me ajudou muito durante a gestação e no parto, quando minha bolsa estourou ela estava na sala de casa, seu filho Jonah me visitou finalmente, além de me trazer pra maternidade enquanto Marci me ajudava no banco de trás, o demônio rasgava minhas entranhas tentando sair, eu estava quase puxando ele eu mesma, mas Marci não deixou que eu o arrancasse de minha vagina, com a mente envolta por pensamentos, eu saí do banheiro e fui me sentar em minha cama. Bateram na porta do meu quarto e logo uma enfermeira de uniforme branco entrou com a criança no colo. – Bom dia mamãe. – Ela falou olhando para mim. – Já tem um nome pro garotão? – Ela perguntou. – Não. – Respondi. – Ele tem uma luz tão natural. – A enfermeira falou. – Eu diria trevas naturais. – Falei e a enfermeira me olhou torto, eu não prestei atenção nela, ela deixou o demônio no berço e eu pensei no nome apropriado para o demônio... Acabado de completar uma semana que eu estava no hospital, eu havia ganhado alta, estava liberada para amamentar o demônio em meus próprios seios, já não estavam mais amamentando-o pela bomba de leite e eu precisaria colocá-lo em meus seios, Marci veio me buscar no hospital, Michael estava trabalhando. – Como está o bebê? – Ela perguntou. – Bem, só não sei se eu ficarei bem o amamentando pelos seios. – Respondi. – Qual o nome dele? – Ela perguntou. – Caius Lúcifer LaVey Boltton. – Falei. – Mas cadê o nome de casada? – Marci perguntou. – Cadê o “Abernathte”? – Ele não é filho de Michael. – Falei, Marci abriu a porta do carro pra mim, eu entrei e Jonah já estava no banco de trás e ele saiu e foi pro lado do motorista, Marci sentou ao meu lado. – Posso segurar? – Ela perguntou. – Claro que pode, amanhã mesmo eu já irei procurar um lar pra ele. – Falei, Marci me lançou um olhar de desaprovação, mas eu não estava ligando para a opinião dela. – Você sabe que nem um lar irá aceitar uma criança ainda amamentando né? Ela falou – Eu preciso me livrar dele, não quero que ele atrapalhe ainda mais minha vida. – Falei. – Mas Olívia ele é apenas uma criança. – Que não foi concebida com consentimento.– Falei – Você sabe quanto eu tentei abortar essa criança? Sabe que tudo que eu tomava não tinha efeito algum? Se eu não o tirar de perto de mim, eu o mato. – Falei demonstrando o sofrimento que eu havia passado nessa gestação. – Vá pra casa e pense melhor... – Marci falou. Chegando em casa, Michael não estava, as coisas pareciam calmas, organizadas, mas a geladeira estava vazia, parece que não havia ninguém na casa há alguns dias.... As horas passaram voando e eu fui tentar amamentar a criatura, tirei meu seio para fora do sutiã, posicionando na frete da boca da criança, quando sentiu o cheiro da minha pele, ele logo abocanhou meu seio sugando ele com tanta força que eu jurava que iria ficar sem meu mamilo, quando tirei meu seio da boca dele, havia sangue escorrendo por onde o leite deveria estar saindo, ele voltou a dormir e eu o coloquei na cama do quarto de hóspedes, esperei Michael chegar, mas ele não chegou, esperei mais e mais, as horas passaram rápido demais, como em um sopro, já eram quase meia noite e nada de Michael, procurei na casa inteira um bilhete, algo que me desse uma indicação de onde ele poderia estar, mas nada tinha, fui até o fundo da casa e nada, quando olhei em direção a casa de hóspedes ao fundo, lá enxerguei luzes acesas, luzes que se projetavam até longe na mata, deixei o pequeno demônio deitado sozinho na cama e segui pelo longo caminho de cascalho, as luzes estavam acesas, tudo estava iluminado, eu estava receosa de encontrar Michael e ser rejeitada novamente, já que ele não foi nem mesmo me visitar no hospital, cada passo mais próximo que eu dava minha barriga gelava mais e mais, borboletas lutavam contra o veneno da aproximação, Não poderia aguentar a dor de perder meu primeiro amor, estamos juntos a muito tempo para acabarmos na praia novamente...
Abri a porta e a luz quase me cegou, meus olhos se adaptaram a luz e eu gritei, meu marido estava amarrado em uma corda que se erguia do teto, sua blusa estava ensopada por sangue coalhado, sangue seco manchava o rosto. – Michael. – Gritei novamente, ele ergueu os olhos e eu percebi que ele ainda estava vivo. – Quem lhe fez isso? – Gritei correndo em sua direção. – B... – Foi o que saiu da boca dele. – Quem Michael? – Falei procurando uma faca pra poder cortar a corda, revirei as gavetas, todas estavam vazias, quem quer que passou ali havia roubado ou guardado em alguma caixa. – Não. – Michael falou. – Seu sofrimento era palpável, eu sentia a dor dele. – Eu vou precisar cortar essa corda. – Não. Saia. – Ele falou. – Tranque a porta. – Ele falava devagar e com uma dor na voz. – Preciso ir em casa buscar uma faca pra cortar essa corda. – Falei, enquanto ia em direção a porta, estava tão apressada que nem pensei direito, fui saindo pela porta quando dei de cara com Marci, ela segurava Caius. – Pra onde você vai sua vadia desnaturada. – Ela falou. – Marci o que você faz aqui? – Perguntei. – Estou aqui pra pegar meu filho. – Ela falou. – Já que a vadia que o pariu não está nem ai. – Ela falou. – Do que você está falando? Você está louca? – Perguntei. – Saia do meu caminho, preciso desamarrar meu marido. – Falei tentando me esquivar dela, senti um longo ardor em meu rosto, após Marci me dar um tapa em minha cara. – Você não vai pra lugar algum. – Ela falou. – Vou e não é você que vai me impedir. – Falei desviando dela, quando olhei para os lados duas pessoas, uma vinha pela esquerda, outra vinha pela direita. – Peguem ela. – Marci falou, logo estavam os dois homens me segurando, um era Jonah o outro eu não consegui ver nada do rosto. – Jonah, me solte. – Falei, mas ele apertou ainda mais sua mão em volta do meu braço. – Albert, libera as memórias da vadia. – Ela falou, o homem bateu duas vezes em minha cabeça, trazendo tudo que eu não lembrava de volta, a luz que eu havia visto fora de propósito pra me cegar, fui levada pela mata por Albert e Jonah, quando recuperei minha visão, acordei em um porão, um altar de ossos, velas negras como a noite, Albert continuava mascarado, pronunciando alguma língua que eu não fazia ideia do que seria, Marci rasgou minhas roupas, jogando seus restos em uma caldeira pra aquecer a casa, a imagem de Baphomet brilhava com o sangue que ela o banhava, Albert terminou de me amarrar e Jonah estava despido, vestindo uma roupa de látex preta que não mostrava nada do seu rosto, só deixava de fora seu pau. – O Deus do inferno, que caiu do paraíso, hoje lhe evocamos. – Marci falou e logo Jonah começou a tremer, segundos depois ele estava ereto e vinha em minha direção, fui penetrada várias e várias vezes, das mais dolorosas as menos dolorosas, logo estava sangrando, senti ele gozando dentro de mim, quente, espesso, rude. – Vocês fizeram isso comigo. – Falei depois de toda as lembranças invadiram minha mente, me debati tentando me soltar, mas não foi possível, eles eram mais fortes que eu, além da condição que eu me encontrava. – Levem ela pra dentro. – Ela falou enquanto seu filho e seu marido me levavam pra dentro da casa de hóspedes. – Você não pode fazer isso.... – Falei. – Claro que posso, não só posso, como vou, a polícia nunca vai procurar um casal de turistas que passaram alguns dias aqui. – Marci falou. – A polícia do condado é bem relaxada também. – Jonah falou. – Vocês são loucos. – Gritei, Albert puxou uma faca do bolso, Jonah estava me amarrando, a corta que estava prendendo Michael foi cortada, suas pernas foram amarradas com o restante dela. Porque você está fazendo isso? – Perguntei pra ela. – Porque a anos estamos tentando dar vida ao filho de Baphomet, a anos tentamos causar o apocalipse, tentamos destruir essa civilização que crê em um deus maior e toda essa bobagem, mas agora temo ter conseguido gerar finalmente o sacrilégio. –Marci falou. – Levem eles daqui. – Gritou despois, fomos levados para um quarto da casa, ele estava uma bagunça, lixo espalhado, pilhas de papel, câmeras e fotos jogadas... Em um dos cartazes se lia “Desaparecido, Astrid Ludwig Araújo 24 anos, visto pela última vez aos arredores do Maine” ao olhar a foto vi que era uma versão mais nova de Albert, então me veio a mente, a mulher que havia sido sequestrada pelos arredores do Maine, foi sequestrada por Marci, ela estava tentando fazer aquilo a muito tempo, eram muitos cartazes iguais...
— Aqui estamos com ela, uma das únicas sobreviventes da mansão vermelha, junto com seu marido, Olívia está lançando seu novo livro: “Cinquenta e três noites de pesadelo”. – O repórter falou. – Agora vamos entrevistar ela, para sabermos detalhes sobre os acontecimentos que marcaram sua vida. – O homem continuou. Eu estava finalmente ao vivo na televisão nacional pela CNN, eles estavam documentando a história de tudo que eu passei na casa, muitos produtores estavam me ligando para comprar os direitos da minha história e do que ocorreu na mansão. A criança que eu havia parido, foi levada a um orfanato. O juiz me julgou mentalmente incapaz de cuidar de uma criança que eu havia parido de um estupro.
—Olivia como aconteceu tudo isso com a sua vida? – O repórter perguntou. – Começou no dia que meu marido foi promovido, tivemos de nos mudar para essa mansão, onde compramos a propriedade por uma pechincha. – Falei. A entrevista durou quase 40 minutos, eu estava ansiosa em contar que eu havia sido estuprada por meus vizinhos, que tudo isso havia acontecido com um intuito de reproduzir a nova cria de Satã na terra. Não que eu realmente creia nessa historia maluca dos meus vizinhos satanistas.
O tempo havia se passado, os episódios ocorridos comigo e Michael ficaram cinco anos para trás, e eu acordei como de costume bem cedo, agora estávamos morando no Maine, mas ainda mais próximo a Castle Rock, perto da antiga Rota 19, a cidade era maravilhosa e pudemos esquecer tudo, infelizmente eu fiquei infértil, não sei o que pode ter acontecido, mas meu útero apodreceu de uma forma drástica, coloquei meu iPhone na ilha da cozinha e quando coloquei a chaleira no fogão para fazer o meu chá matinal, um número desconhecido estava me ligando. — Alô. – A voz falou, era uma voz masculina. – Alô? – Respondi. – Por favor a senhora Olivia se encontra? – Perguntou a voz. – Sou eu mesma. – Vou transferir a ligação. – O homem falou. – Olivia, eu sou o Ryan Murphy, estou escrevendo uma nova temporada de American Horror Story, precisava de um Crossover que juntasse duas temporadas minhas e gostaria de comprar os direitos de sua historia. – O homem falou com pressa.
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