Aquela típica Quarta-feira, onde nada de importante acontecia, talvez pelo simples fato de ser uma Quarta-feira e alguma regra criada pelo universo dizia que nada poderia sair proveitoso daquele dia. Mas eu nasci em uma Quarta-feira!. gritava um lado do meu cérebro. Nos sabemos, mesmo assim não vejo nenhum dedo se movendo para mudar a situação.
Eram 3 da tarde e faltavam alguns minutos para a aula acabar. eu e meus pensamentos discutíamos sobre a real utilidade da Quarta-feira, quanto tempo exato leva para um minuto se tornar um minuto e o que eu faria depois da aula. Era a primeira semana de Abril o começo da primavera, quando a neve acabava mas o tempo ainda tentava assustar a todos trazendo chuva e tempos nublados, mesmo assim ainda tinha aqueles dia onde o sol dava uma escapada e mostrava as caras por algumas hora durante a tarde, mas nada acima de 22° graus.
– Olha se cê continuar olhando assim ele vai perceber – ouvi uma voz vindo do meu lado direito. cochichando no pé do meu ouvido – o que foi? o garoto novo mal chegou e já se meteu com você? Ou ele esta te devendo dinheiro? – ela disse novamente com a mesma voz doce e calmamente rouca.
– Não. Olha, eu só estava pensando alto, cê sabe, nem notei que estava olhando pra ele – falei me jogando devagar para o lado dela para não ter que sussurrar tão alto porque isto não era um dos meus fortes.
A loira olhou pra mim com um leve sorriso no rosto apoiando a cabeça no meu ombro e com um ponta do lápis tocando o lábio superior ela sussurra. – O Freds ta olhando pra cá, fingi que esta me paquerando ou algo parecido. – e foi o que eu fiz. Coloquei minha cabeça por cima da dela, fiz carinho em seus cabelos loiros e apertei suas coxas magras ate segunda ordem.
– Carmen ate quando você vai ficar com essa de fazer ciúmes, esta na cara que ele não esta nem ai pra você mais. – falei olhando pra ela tentando me fazer de o mais sincero possível. O que obviamente ela acho um ato sarcástico, um desafio.
– Olha quem fala, o garoto ali não esta a três dias na escola e cê já olha para ele como se fosse seu amor platônico dês da 4’ serie. – disse ela um pouco alto demais, o que me assustou em proporções tão grandes que olhei para os lado me certificando que ninguém tinha ouvido.
– Desculpa – disse ela baixinho, sussurrando de verdade desta vez.
– Tudo bem, ninguém ouviu – disse apertando ela mais forte contra mim.


A aula tinha acabado mas mesmo assim ainda não tinha ido pra casa, esperava por Carmen, a garota tinha mais uma aula com a professora de Historia, ou como a própria loira costumava chamar : Politica de Guerra, a senhora Buchmann era uma alemã quase nazista que tinha um humor azedo como se fosse casada a anos com o próprio Hitler. Ela ensinava Historia sempre focando nos grandes Imperadores e Ditadores que ela abertamente era apaixonada.
Me sentei em um banco de madeira atrás da torre do sino da escola, talvez o único lugar onde os bancos não estavam molhados pelo tempo úmido da Primavera, não era proibido estar lá mas os professores faziam rondas a cada meia hora para impedir que este e outros lugares na escola se tornem encontro para droga. Me sentei puxando o iPhone da bolsa de Carmen para ver se nele teria algo mais interessante que o meu para passar o tempo, depois de alguns minutos sentado passaram duas garotas típicas de qualquer escola, blusas tão apertadas quanto os jeans e aquelas jaquetas bem curtinhas pretas que parecia couro, mas não eram.
– Oi Colin. – disse uma delas acenando para mim enquanto a outra a puxava de leve pois provavelmente estaria atrasadas para pegar o onibus para casa.
– Eh… Oi – disse acenando também meio sem graça e quase no ultimo segundo pois as duas já tinha passado alguns passos. Nada mal pra um ex Jogador de futebol e Rei do baile no fim do ano passado na qual eu nem era veterano.
Eu era o que todas as garotas definiriam como sexy. Alto, cabelos cor de ouro e olhos claros, me saia bem em qualquer esporte, eu era tudo. Ate meio galinha.
– Cê vai na festa na Emily hoje a noite né? Dizem que a festa vai ser porque ela vai perder virgindade! – Disse a outra garota se virando e tirando os fones de ouvido para falar mais alto.
- Vou estar la – disse um pouco mais alto, o que fez com que a garotas se entre olhassem como se eu tivesse as cantado ou algo.
Fechei o olhos por alguns segundos e juntei as pernas encima do banco colocando minha mochila do lado para apoiar o braço, era a posição mais estranha e confortável que qualquer adolescente preguiçoso e criativo já havia imaginado. Carmen demorava mais que o normal
– O que você faz aqui garoto! Eu te esperei na frente da escola do lado do seu carro a sei la, 20 minutos! – parece a loira me atacando. – eu tenho uma festa para ir ainda hoje, vamos garoto! –
– Carmen, o Freds vai estar la, cê tem certeza disto? –
– Nao, eu vou estar lá, o Frederick sera so mais um dos garotos babando por mim esta noite, agora corre e traz o carro aqui. –
Joguei a bolsa Burberry da loira em um ombro e minha mochila em outro. O chaveiro da chave do carro na boca e corri ate o carro preto. Único ainda estacionado na frente a escola.


– Você acha que ele vai me notar se eu for vestida assim?
– Seja otimista
– Tem razão, ele vai notar. Mas e se ele notar? E se ele me achar linda e pedir pra voltar?
– Nao viaja por favor....
Carmen saiu do banheiro com um vestido preto bem curto e saltos altíssimos, seus cabelos estava meio cacheados mas mesmo assim perfeitamente arrumados e sua maquiagem a deixava uns 5 anos mais experiente.
– Esquece o que eu falei, ele vai com certeza querer voltar com você – falei de uma só vez com medo que minha boca trava-se. Eu estava impressionado
– Olha, como garota fico feliz que consegui de deixar assim, tao animado – disse ela me dando um selinho rápido e indo ate a cama pegar a bolsa.
Eu estava com uma blusa branca e uma jaqueta de couro preta bem lisa e um pouco elegante, nada tao exagerado, ate porque a atenção hoje seria toda da garota mais vingativa da cidade, se não do pais.
Entramos no carro e mesmo com tudo pronto a loira ainda se olhava em todos os espelho que encontrava ou criava um usando a câmera do ipad que deixo no banco de trás caso precisar de GPS ou outra emergência fútil. Talvez ela só estava mesmo tentando se acostumar com a própria beleza para aparecer preparada para a festa.
– Aquele garoto vai esta la.
– Que garoto ?
– Cê sabe qual garoto, o que vc olha na aula de Biologia e fica desejando secretamente.
Fiquei em silencio por um momento e tentei me concentrar na estrada, dirigir ainda era novo pra mim, não fui um daqueles garotos perfeito que tirou carteira já com 16.
Enfim, aquele garoto. A única coisa que eu sei dele e que chegou na escola a 2 semanas expulso de um colégio qualquer na França, e que ele amava preto, ou qualquer cor mais escura que preto. Ele não era gótico ou nada assim. mas nunca o vi usando cores mais claras que cinza. Ele era diferente, não falava muito mas dava pra notar que tinha uma voz rouca, talvez também um pulmão fudido porque sempre acendia um cigarro segundos antes de sair dos muros da escola. Não era como os outros garotos da escola, ele poderia ate usar o uniforme de esporte, o que eu vi ele usando um vez, caia nele de forma tao sensual, como se tudo que ele usava fosse criado de medida pra ele. Ate parecia que finalmente Colin Bertonni apaixonado, mas não eu diria. Talvez somente curioso.


A casa de Emily podia ser facilmente reconhecida pois a única no quarteirão com todas as luzes acessar e por a musica alta vindo do jardim.
Carmen e eu saímos do carro estacionado quase no meio da rua pois: 1) não tinha espaço suficiente na rua para qualquer tipo de surto de organização. 2) Eu tive a ideia pois assim seria mais fácil sair dali sem bater em algo caso eu estivesse bêbado.
– Vou procurar o Frederick, pega uma bebida pra mim quando eu voltar. Saciada com a sede da vitória! – disse Eve sorrido e indo em direção a multidão de garotas de salto alto.
Esta era a hora que eu tentava me enturmar, não que seja difícil, só não estava fazendo muito isso no últimos meses então acho que perdi a pratica.
– Saudações caro nobre, um rei sempre volta para sua amada terra! – gritou um garoto usando uma coroa de copos vermelhos, Issac era o meu, quase melhor amigo reserva. O tipo que cara que eu costumava chamar pra sair quando Carmen namorava Freds.
– Cara quanto tempo – disse dando um aperto de mão. Issac era da minha equipe no time de natação, nutríamos uma rivalidade colossal dentro da piscina que vinha sempre seguida de filmes de comedia e batata frita depois da aula.
E assim a noite começou, virando copos e rindo dançando como se a noite fosse acabar a qualquer momento. Eu sentia falta disso, aos poucos fui me perdendo de Issac e ate que a própria Emily senta comigo em um circulo perto da escada.
Nos dois, em um circulo de cinco e uma garrafa vazia, não conseguia ver o que estava escrita nela, mas era azul.
O jogo funcionava assim, alguém contava uma historia, nosso papel no jogo era descobrir se a historia era verídica ou não, se não. A garrafa decidiria o resto.
– Posso Jogar também ? – foi uma voz rouca, ele se sentou do lado de emily dobrando a blusa preta um palmo acima do pulso.
Ems rodou a garrafa, parou em um garoto loiro que eu não conhecia. – eu ja beijei minha prima – disse ele levantando o copo. No mesmo momento outro garoto tentou conter um ataque de risos – e verdade, varias vezes – disse ele gritando.
Então a garrafa rodava novamente. Sempre alguém novo. Para minha surpresa a garrafa cai no tao misterioso garoto, eu finalmente descobriria algo sobre ele.
– Eu nunca beijei uma garota – disse ele olhando a todos antes de falar. Ate que Emily perguntou devagar. – não acredito, você e tao bonito, e verdade? – disse ela abrindo a garrafa no chão e tomando um gole. O que eu achava que era proibido, mas tanto a festa quanto as regras eram dela.
– Talvez – disse ele pegando a garrafa da ruiva e tomando uma gole também.
– Ótimo, vamos resolver isso agora – disse ela dando um beijo no garoto. Nao um beijo, mas um senhor beijo, eu não queria olhar para aquilo. Juro que não queria mesmo. Mas o garoto dançava na boca de emily que calou todos na roda.


Carmen sentou-se no bar a procura do ex-namorado. Você pode ate se perguntar o que ele fez para merecer tanto a atenção da loira, na verdade nada de mais. Mas para Carmen Westmann aquilo era suficiente para a garota novamente lembrar a escola que era ela que mandava.
Ela avistou o alvo, ele estava aos beijos com uma garota ruiva, aparentemente com os sobrancelhas castanhas, o que já mostra o baixo nível da vadia. ela se aproximou rápido e diretamente em sua direção. Poucos eram aqueles que sabiam que a loira e o moreno tinham terminado, outros acreditavam fielmente que eles já tinham voltado
– Meus Deus Car você esta… — foi calado com um beijo. Ela joga a bolsa no chão e segura seu pescoço, a multidão abre espaço chamando atenção de vários na festa. E do mesmo jeito sem avisar que ela começa, ela poem um fim. Jogando um copo de Whisky na blusa branca que ele usava
– Então, eu estava mais que certa em não aposta em você, voce e um banana, ah e olha, não me procura mais, você esta banido da minha lista de… seila, qualquer coisa que eu resolver organizar daqui pra frente.
E do mesmo jeito que ela veio, levou o furacão Westman com ela.


– Sua vez Coliiin!
Ouvi uma garota gritando.
– Eu acho q sou virgem, na verdade talvez eu não seja, mas a este ponto eu nem me lembro mais. – disse levando todo mundo a rir.
– Você já nos deu a resposta, então tem que beijar alguém – disse o mesmo loiro que começou o jogo. Rodei garrafa caindo em um garoto que pelo que eu me lembro era do time de futebol – nem fudendo que eu vou te beijar Bertonni – ele falou automaticamente
– Eu beijo –
Então o garoto simplesmente se levanta e vem a minha direção. Bem, mais ou menos. Ele beijou-me no rosto perto do nariz algo rápido mas intenso tipo uns 0.60 segundos


Depois do jogo sentei no bar, não tinha ideia onde estava Carmen ou muito menos Issac. Estava eu e uma bebida verde com um copo de energético do lado.
– Bebendo sozinho?
– Esperando alguém pra me acompanhar.
– Dia de sorte.
– Olha... qual o seu nome mesmo?
– Estamos so bebendo junto, não em um encontro, não seja tao intimo.
– Ok então… quero disser, por que você esta aqui?
– Meu pai acha que me mandando para o outro lado do atlântico iria me transformar em um homem diferente.
– Entendo, eu acho.
Depois eu de bebermos em silencio por alguns minutos ele veste o casaco e se levanta do bar.
– Eu já estou indo, meu telefone morreu, foi legal quase beijar você.
E nisso ele saiu.
Eu poderia ir procurar Carm, voltar a beber sozinho, dançar, vomitar em algum lugar, mas eu não queria deixar passar a suposta única chance que eu teria de chegar perto daquele garoto.
Eu sai correndo, tentei ao menos, ir atrás dele naquela noite.

No fim das contas, eu não estava assim tão bêbado. Colocava a mãos no bolso da calca tentando atrasar o inevitável, o congelamento. Tudo bem que eu não tinha saído exatamente atrás do garoto que eu agora carinhosamente apelidava assim. Garoto. Podia ver ele andando bem rápido virando as esquinas e pulando de um lado ao outro na rua.
Não se passou 10 minutos andando e ele para olhando para um beco, não conseguia saber exatamente se ele estava conversando ou observando algo ate que um cara bem mais alto que ele saiu dali com mais dois, ele não era assim tão forte mas sua altura junto ao jeito estranho que ele andava podia assustar qualquer um em uma noite fria e escura como hoje. Eles estavam conversando e percebo que aos pouco O Garoto dava pequenos passos para trás ate um dos amigos do maior o empurrar de leve falando algo mais alto, não tão alto que eu pudesse ouvir. O maior olha para o outro a sua direita como se não tivesse gostado daquele empurrão. O mais alto deles chega bem mais perto do Capanga talvez agora o ameaçando, enquanto isso o garoto só assistia a cena. ele conhecia o Grupinho? eu não tinha ideia.
Corri em direção ao dois empurrando um e ordenando o maior a deixar-lo em paz. Os dois acompanhantes pularam em mim com socos e ponta pês, acho que a maior estratégia em luta bêbado e não pensar muito. So bater, e foi o que eu fiz, bati ate derrubar os dois e indo em direção ao maior que já preparava um soco em minha direção. Nao tive muita chance, em um ou dois soco ele me derruba e não para e bater ate não conseguir mais respirar direito. O Garoto estava parado na minha frente, se ele estava paralisado de medo ou curtindo a briga, Era difícil dizer. Se eu era naquele momento o Herói dele, ou um idiota que levou uma surra e provavelmente ele nunca mais falaria comigo por vergonha. Também era difícil dizer.


Ja eram 3 da manha, demorei quase uma hora deitado no frio para ter coragem e forcas de ligar para minha mãe, ela me buscou com o carro dela e ao invés de me levar para o hospital, simplesmente me trouxe para casa e me mandou ir dormir. Nao temos uma relação muito animada, tomei um banho sentado na banheira com o chuveiro ligado no modo mais pesado para a água quente relaxar meus músculos. Deitei de toalha mesmo na cama e adormeci.
11 da manha, tinha perdido 4 aulas e provavelmente o resto de respeito que meus professores tinha por mim. Desci as escada de cueca em direção a cozinha. Annelizah estava preparando o almoço para meu pai que chegaria em algumas hora e me xingaria por não ter ido a escola. – Senhor Bertonni – disse ela como se fosse algum tipo de Bom Dia, mas era uma observação por eu ter entrado na cozinha de cuecas.
– Desculpa… eu vou me trocar.
– A senhora Betonni deixou um bilhete para o senhor na mesa do escritório dela.
Corri para o final do corredor a direta passando pela porta e pegando o bilhete correndo correndo de volta em direção ao meu quarto me arrumar para a escola a tarde, subi as escadas lendo o bilhete dobrado.
Vou ter uma reunião importante com o clube de Madames sobre nosso convite ao desfile de verão da Burberry. Não esteja em casa quando seu pai chegar, não quero ter que conversar com ele de novo sobre seu comportamento.
– Com amor, sua mãe.
‘‘ com amor, sua mãe’’ É, eu percebi
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– Nossa cara, você esta zuado mesmo – disse Carmen sentada do lado de Isaac. que como observação nem fazia parte dessa aula.
– Um corte acima do olho e uns hematomas aqui e ali nada tão serio, quer dizer, fui assaltado – menti para não ter que explicar o que eu fazia em um lugar como aquele tão tarde da noite.
– Mas ninguém viu? Chamou a policia? – disse Isaac meio revoltado.
Olhei cuidadosamente para o francês que com certeza ouvia a conversa, isso me levava a pensar que talvez ele tenha ouvido todas as minhas outras conversas que tive com Carmen esses últimos dias. – eu estava sozinho, ninguém viu – disse olhando pra ele que parou de escrever e jogou silenciosamente o corpo nas costas da cadeira. Eu tinha tantos motivos para odiá-lo nesse momento
As duas aulas ia se passando bem rápido e eu me via mas concentrado em ouvir Isaac contando em como bateu o recorde em viradas de latinha de cerveja e em como voltou pra casa depois disso. Carmen foi a que saiu mais cedo da festa acompanhada de dois caras, que nem era desta escola, e parece que ela guardou o telefone dos dois.
Sai da classe indo ao meu armário pegar qualquer livro para segurar durante as aulas, eu não tinha trago mochila ou nada. Abri meu armário e la dentro tinha mais uma carta. Ótimo, ninguém mais no mundo conhece o sistema de mensagem de texto. Será que durante a noite eu voltei para 1730?
Se você me seguir de novo vai acabar apanhando de mim e não de nenhum dos meus amigos, mas enfim, obrigado por ter tentado ser meu herói noite passada e desculpa por você ter se machucado, te devo uma.
– xx
Então e isso, não fui o herói mas também não completamente o idiota da noite, fiquei no meio entre as duas.



Notas finais
espero que tenham gostado, e a minha primeira fic então por favor entendam que não sou nenhum tipo de escritor com longa experiência.