Once you go black you never come back
2 Capitulo 2
Amassei a carta dentro do bolso do casaco e corri para o Refeitório com esperanças que Carmen estivesse la para ouvir-me confessar toda a historia do assalto. Precisava da ajuda dela pra entender se aquilo era uma carta de agradecimento ou uma ameaça de morte.
Passei voando pelos corredores jogando a mochila de um lado para o outro ajudando a manter o equilíbrio durante aquilo que eu esperava que as pessoa em q eu saia empurrando entendessem como o ator de correr.
– Ei pra onde você pensa que vai? — corre uma ruiva em minha direção, era Emily. Ela usava uma saia com pulôver e um chapéu cobrindo sua trancas ruivas. diminui o numero de passos por segundo e fechei o ziper do casaco colocando as maos no bolso.
– então sobre a festa de ontem... — disse ela me acompanhando o que me atrasaria mas eu nunca daria um fora na segunda garota mais popular da escola.
– nossa eu não me lembro muito bem, eu fiz alguma coisa? — disse fingindo que estava com ressaca e essa seria a raiz da mentira que inventaria para não ter me arrumado para a escola hoje.
– então sobre isso. eu to gravida e o filho e seu — disse ela jogando pra fora como se fosse um folego pesado saltando pra fora da garganta.
– como assim você o que? — grito bem algo chegando bem perto dela.
– ai nossa e brincadeira, nunca engravidaria de você Betonni — disse ela sarcástica revirando os olhos mas um pouco sem graça pela minha reação. — mas então, eu estava pensando e talvez a gente poderia sair um dia pra conversar e tal, o que vc acha — sua confiança estava de volta e eu percebi a onde ela queria chegar com aquilo, Emily não era ma pessoa, pelo contrario, foi oradora da segunda ate a quarta serie, fundadora do grupo de estudantes que se responsabilizou pelo jardim da escola na primavera. mas isso não significa que eu gostaria de algo a mais na nossa distante e quase amizade. estudo com ela des que me lembro mas nunca tivemos a intimidade de amigos próximos mesmo vendo o outro crescer por todos esses anos. então minha resposta seria com certeza não.
– ai claro, quero disser, vamos ver qualquer dia destes eu posso te levar em uma cafeteria que eu vou quando preciso estudar, la e bem legal.
Ela sorriu e agradeceu, estávamos preste a trocar números quando percebi que já tinha o numero dela na memoria do iphone, e ela também, o que tornou a cena ainda mais constrangedoras nos deixando ainda mais sem graça. Mas mesmo assim ela sorriso, aquele sorriso que faria Margaridas brotarem do chão e pássaros cantarem.
Acabo de sair do banheiro onde tento me arrumar no espelho e percebo que não estava tao ruim assim, ou talvez so tinha uma autoestima alta e otimista. empurro as duas portas que abre para o refeitório e rapidamente localizo Carmen sentada junto a algumas garotas no centro da enorme sala, colocando ordem no reino dela.
me aproximo e vejo que as bandejas esta organizada no canto da mesa enquanto o especo era usado para currículos, vários currículos de diversas cores. Depois de tentar adivinhar o que aquilo seria desisto e pergunto esperando uma resposta ao nível Carmen. — isso são os currículos dos garoto que eu irei namorar, alguns eu mesmo fiz e outros eu recebi no correio do meu armário hoje de manha — sim, isso era exatamente o que eu esperaria vindo a Rainha da escola. Sento na frente dela e começo a comer o resto da Batata frita das bandejas que estavam ali.
– ok meninas, eu estou entediada e sem esperanças. terminem o relatório para mim, e me tragam o mais rápido possível — disse ela fazendo com que as garotas se retirassem em fila — ah, antes que eu me esqueça. vocês estão todas convidadas para minha festa semana que vem e vocês tem o direito de trazer um, e apenas um acompanhante. escolham sabiamente.
Me levanto da mesa juntando as bandejas ao lixo para termos mais espaço, no meio de malabarismo onde eu tinha que me concentrar em não deixar nada cair e ao mesmo tempo ouvir Carmen falando eu esbarro em alguém. Era ele, elegante como sempre.
– fiquei sabendo do show que você deu ontem a noite Carmen, mandou bem — disse ele para a loira, me ignorando completamente.
– e eu vi você tirando o folego a pequena Emily — disse ele com uma voz cantarolando e sedutora como se insinuasse algo.
– a gente se ve por ai — disse ele saindo, ainda me ignorando.
Jogo as bandejas na mesa ao lado e me sento para tirar satisfação com a loira — Vocês se conhecem? dês de quando? por que nunca me disse? — digo colocando uma pergunta em cima de outra e esperando a resposta da primeira logo antes deu perguntar a terceira.
– todo mundo me conhece, além do mais nos dividimos não so biologia mas escultura e italiano juntos -
– tá mas... qual e o nome dele? — digo cochichando
– ai meu deus? como vc não sabe o nome dele? que tipo de pessoa apaixonada e voce?
– olha você pode sorrir o quanto quiser mas so me fala o nome dele. nos so conversamos uma vez.
– se você prestasse atenção na aula, você teria mais chances de ter ouvido o nome dele, não que ele converse muito mas já se apresentou algumas vezes.
– você com certeza tem um currículo dele com as suas damas de companhia, me mostra.
– hm não, não tenho, na verdade eu também não sei muito sobre ele mas sei bem mais que voce eu percebi.
Foi ai que o sinal tocou.
Aula de Historia, a professora estava devolvendo as 3 provas na qual o so tive chance de fazer duas pois a prova entre a primeira e a ultima eu adoeci, de verdade. mas como tinha notas altas em quase todas as matérias isso não era de fato algo que faria eu repetir de ano ou fazer alguma diferença durante o calculo final no boletim. Emily olhava para mi durante a aula enquanto fazia desenhos no caderno, nenhum de nos dois estávamos de fato prestando atenção na aula oq me fez lembrar que obviamente Carmen também não não estaria. Dai resolvi escrever pra ela. coloque a mão no casaco e procurei meu telefone, abri a mochila, controlei os bolsos da calca
– professora, eu perdi meu telefone — disse gritando e me levantando a cadeira já arrumando minhas coisas.
– voce pode procurar depois da aula — ela disse pouquíssimos segundos depois deu atravessar a porta tirando risadas da classe.
Fui para o Campo perto do jardim da escola, la tinha um telefone publico. disquei meu numero para ter certeza se meu telefone ainda estava ligado pois a bateria estava cheia se não estivesse ao menos chamando e porque ele foi desligado, que leva a conclusão que foi roubado. digito meu numero e espero um curto momento, ele chamou ate minha paciência acabar e eu deligar a chamada. coloquei a mochila nas costas e dei meia volta. o telefone tocou. olhei no visor e ela o meu numero.
– alo? — ninguém responde
– oi eu sou o dono do telefone, se você o achou a gente pode se encontrar — tentei de novo
– gostei da sua foto de capa, e bonitinha — ele respondeu, com uma voz rouca.
– sua voz me parece familiar — digo desconfiado
– olha pra tras, bem no alto — ele fala
Viro de costas e começo a procurar por algo e alguém, então avistei alguém sentado no telhado da escola, bem no alto.
– bingo. ele disse e pode notar que ele estava rindo.
– como você foi parar ai?
– vem você descobrir.
Sumo as escada pulado sempre dois degraus economizando tempo gastando energia o que faz com que eu chegue no ultimo andar já exausto, nunca estive tao algo nem mesmo quando procurava um lugar pra me esconder de alguém na escola, o telhado nunca me pareceu um lugar viável ou ate mesmo higiênico de se estar. passei a mão por todas as maçanetas no corredor a procura de uma que esteja aberta, ate que a terceira da esquerda abriu me levando a outro corredor, mais curto coberto por paredes de ferro e somente uma porta no final, que estava aberta.
Como eu imaginei, um lugar sujo e com chão de cimento com lodo. plantas clandestinas crescendo em lugares estratégicos, pequenas margaridas em todos os lugares cercados pelo chão verde. dei a volta ao redor do lugar a procura do garoto, e la estava ele. Me aproximei arrastando os pés no chão para não assusta-lo e causar uma tragédia derrubando-o de la. Ele notei meus sinais de aproximação e olhou para traz sorrindo de leve, levantando a mão e de entregando o telefone.
– não entendi, voce me roubou e agora esta me devolvendo? — disse sentando so seu lado evitando olhar para baixo. Estávamos a 6 andares do chão.
– te trouxe pra ca para filmar meu suicídio, eu vou pular — disse ele ficando de pe e abrindo os braços.
– cara que porra é essa esta louco? — disse gritando assustado. e ele riu, sentou-se de novo e riu do meu desespero.
– você tem um humor doentio — falo acendendo um cigarro, e ele faz o mesmo.
Ficamos la olhando para o nada por um tempo, ele não puxou conversa e eu estava cansado de tentar iniciar alguma coisa. Então eu tentei entender o que se passava na cabeça dele, para onde ele olhava, se ele tinha alguma mania em particular. Ele fumou 2/3 do cigarro e jogou precipício a baixo sem ao menos apaga-lo, e rapidamente acendeu outro. Me levantei deixando sozinho com seu pensamentos e decidi explorar o local. garrafas de cerveja pelos cantos, whisky, um tapete vermelho com estampa indianas enrolado no canto, livros dentro de sacolas plásticas transparentes e um arco e flecha.
– você fica aqui sozinho? a quanto tempo? — perguntei vendo que ele também tinha se levantando da beira do prédio.
– so as vezes, divido a ideia de ficara aqui com uma amiga, o pai dela comprou essa parte do prédio sem nem perceber, ele acho q estava comprando um quartinho de depósito para os quadros dela — explicou ele apontando para quadros e fotos dentro de uma salinha com a porta de ferro enferrujada e aberta.
– então vocês são donos dessa parte do colégio?
– e por isso que eu tenho a chave
Me viro para ele e pergunto não esperando uma resposta mas uma risadinha irônica. e foi o que ele fez.
– por que eu estou aqui? por que você roubou meu telefone? e por que eu não sei seu nome?
– porque eu achei que você fosse achar legal. porque eu sou criativo e porque voce não presta atenção na aula, nunca.
– Entao qual e o seu nome?
– Afrique
– Serio isso?
– Mais ou menos
– Pelo menos é em frances
– Isso não ajuda
Thomas Afrique Lagrange
Ficamos sentados no tapete por um tempo conversando, ele fazia varias perguntas sobre mim, mas sempre que eu perguntava de volta o moreno mudava de assunto de naturalmente que eu mal percebia que ele não tinha de fato respondido a pergunta. Mesmo assim eu não o via mais como um estranho, não sabia muito além do seu sobrenome " o que já era uma enorme evolução ate ontem" ele já tinha acendido seu quarto ou quinto cigarro nos últimos 90 minutos, uma coisa curiosa e que ele nunca fumava mais que 2/3 do cigarro. O chão era cheio de cigarros não completamente fumados e alguns fumados ate demais, talvez esses seriam os da tao garota que ele divide o telhado.
– e a sua amiga? eu a conheço? estuda aqui?
– não, mas um primo dela sim, e foi assim que ela acho esse lugar, encontrei o tapete e os quadros quando arrobei a bota uma vez, dai comecei a frequentar e um dia nos conhecemos.
– interessante, eu acho.
O seu começou a escurecer e eu não tinha ideia que horas eram naquele momento, uma linha laranja cortava o horizonte seguindo de roxo e cinza. Sinal que iria chover.
Thomas enrolou o tapete e levou de volta para o super estreito corredor com quadros um junto ao outro, chutou latinhas e entulhos para o canto e o segui ate a porta. já esperava na escada ate ele trancar a porta, a escola estava fechada, a luzes continuavam acessar e o barulho calmo de carrinhos de limpeza era o única coisa que se ouviria ali se você se concentrar bem.
– onde você mora? — perguntou ele, pegando da mochila um cachecol
– depois da ponte de Hardbrücke. — disse tirando a atenção dos meus pensamos e olhando paras as janelas enormes que o corredor da escola tinha.
– é do outro lado da cidade, eu pego um ônibus aqui perto e em 20 to no meu apartamento.
– voce mora com seu pai? — perguntei pois ele tinha mencionado na festa que o pai o trouxe da Franca.
– ainda bem que não, moro com meu irmão mais velho, ele e adotivo entao não se encaixa na minha filosofia de vida: odeio minha família — ele disse rindo de novo.
Ele já estava se preparando para ir embora quando ofereci carona, eu estava de carro como sempre o que me lembra que Carmen devia estar morrendo de raiva de mim por ter dado bolo nela o dia inteiro, sei que ela deve ter me ligado ou mandado mensagens de texto algumas milhoes de vezes mas optei por não pegar no telefone, não queria ter nenhum motivo para pensar no futuro, queria olhar para os olhos verdes de Thomas e ficar encantado, exatamente como eu estava agora. O francês aceitou minha carona e escreveu no meu iPad GPS de emergências fúteis onde ele e o irmão moravam. não foram mais que 20 minutos de viajem ate uma casa de dois andares me alta e estreita, feita de tijolos cinzas e um telhado reto com uma laje cheia de plantas la no alto, ele abre a porteira branca e passamos pelo canteiro morto que poderia ser o jardim ou um cemiterio. Paramos na porta e ele rodou a chave e se virou para mim.
– valeu pela carona, foi legal poder mostrar o telhado para alguem novo.
– valeu por me devolver meu telefone depois de ter roubado ele, foi muito gentil —
Ele não abriu a porta mesmo depois de ter destrancado ela, o que eu levei a entender que ele não queria me deixar entrar, o que não era o que eu queria eu so, ele queria que eu fosse embora. Mas eu não, queria ficar ali com ele, com a porta semi aberta, parado olhando pra ele. ate um de nos quebra-mos o silencio.
Mas alguem abriu a porta por dentro, de forma agressiva e deu pra ver a casa de sala pequena, com moveis de madeira e as paredes azuis. Mas estava em choque, a pessoa que abriu a porta era niguem menos que o mesmo cara que se encontrou com Thomas noite passada, o mesmo cara que me bateu ate eu perder o folego e a nocao.
– qui êtes-vous? — ele perguntou
– il est seulement un ami — Thomas respondeu ficando entre nos.
Entao Thomas conhecia o meu agressor, por que ele nao explicou noite passada o que aconteceu? Por que ele não impediu o irmao de me bater e humilhar?
– falo com voce amanha na escola... desculpa — ele disse puxando o Maior para dentro de casa, ele não parecia mais assim tao velho, eu diria ele tem não mais que 20 anos.
Voltei para o carro e fique observando a casa ate que uma luz se acendeu, era o quarto dele. dei partida no carro e fui direto para casa, agora mais que tudo eu tinha que conversar com Carmen.
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