Once Upon A Time
8 "Eu sou um monstro"
Notas iniciais
Eles estavam na porta da mansão dos Castilhos, Violetta não conseguia disfarçar seu nervosismo em rever sua não tão adorável avó. Logo se separam e a porta foi aberta. Violetta sentiu-se como se fosse uma boneca de porcelana que naquele momento fosse se quebrar ao reconhecer quem abriu a porta.
–Clement...-Murmurou fitando-o. Ele trajava uma blusa azul de manga comprida, era uma blusa de marca que Violetta foi que dera a ele no aniversário dele de vinte e cinco anos, o cabelo tinha uma quantidade excessiva de gel estava mais preto do que o comum, a calça jeans azul clara nova — nem um pouco desgastada como a de Leon — sapatos pretos muito bem engraxados, os olhos negros estão cintilantes e presunçosos e o sorriso nada admirável nos lábios.
–Sentiu minha falta querida ? -Perguntou ignorando a presença de Leon e arqueando uma das sobrancelhas negras muito mal feitas.
–Não sabia que havia voltado -Comentou ainda sem coragem de fitar Leon.
–Quis, te fazer uma surpresa. Eu voltei e é para ficar.
–Clement...-Violetta murmurou pasma com a visita de seu noivo que algumas vezes ela chegou a desconfiar se ele sabia mesmo seu nome completo, ou sua data de aniversário.
–Surpresa querida ? –Ele sorriu e em seguida beijou Violetta.
Por um instante ela sentiu náuseas, parecia que o beijo de Clement estava ficando cada vez mais tortuoso, claro que antes de provar o de Leon ela não sabia desse fato.
–Quem é seu colega ? –indagou Clement logo depois de passar seu braço direito a um pouco abaixo da cintura de Violetta – ele sempre costumou ser indecente com ela – a mesma ficou sem graça.
Leon fitou Violetta que fitou o chão em seguida.
–Sou Leon Mattins, trabalho com o pai da senhorita Castilho –afirmou.
–Terno bonito –caçoou ao notar que Leon trajava algo que parecia ter sido comprado em uma loja de 1.99, e realmente havia sido...
–Obrigada –agradeceu fitando Violetta de lado. Clement riu e fitou Violetta se dissesse “ria comigo meu bem, ou já sabe”.
Violetta queria desaparecer, como Clement pode voltar justo agora ? Ele sabia muito bem a que data o calendário estava se aproximando e certamente seria por isso que ele havia voltado, para torturá-la com seu segredo.
–Pai...-Violetta murmurou ao ver um senhor que conheceria de qualquer lugar, terno de seda pura, bem alisado, cabelo em perfeito estado e uma gravata borboleta cafona vermelha com listras azuis que nem mesmo seu avô um dia tivera a audácia de usar.
–Tudo bem, querida ? –cumprimentou-a sorrindo e praticamente a esmagando em seus braços.
–Também senti saudades –murmurou ao poder sentir o ar entrando em seus pulmões novamente.
–Leon ! –German exclamou atropelando Clement, ao menos seu pai não gostava daquele homem de quase dez anos mais velho que Violetta. Mesmo que ninguém, nem mesmo Francesca ou Ludmila tivessem consciência disto.
–Boa tarde senhor German –cumprimentou cordialmente. Céus ! ele estava mesmo bravo com ela. Afinal, não é todos os dias que você leva seu amante a uma festa e encontra seu noivo.
–Você trouxe a Violetta ? –German parecia contante.
–Sim, nos encontramos no Misty Epki.
– Misty Epki Violetta ? –German fitou-a surpreso e logo depois fitou Leon novamente, droga !
Misty Epki uma lanchonete que fica no subúrbio da cidade e onde vende-se apenas carnes e Violetta é vegetariana. E Leon sabia disto, e agora ela se indagava porque raios Leon havia aprontado aquilo.
–Na porta do Misty Epki eu estava atrás de uma seda para uma nova coleção –inventou a primeira coisa que veio a sua mente, logo após isso seus neurônios começavam a aperfeiçoar essa idéia. Coleção inverno verão, calças quentes e justas com blusas de estampas laranja, amarela ou vermelha de um tecido fino mas, acolhedor.
–Por que não me conta mais sobre ela em meu escritório ? –propôs German com um sorriso paternal dissimulado nos lábios, Violetta assentiu e o acompanhou para dentro da residência dos Castilhos.
***
–Ah, por mim tanto faz –afirmou para a senhora Castilho que o fitou estranhamente.
–Você não tem nem trinta anos Leon, tem que ter uma opinião sobre isso –advertiu inconformada.
–Prefiro nem pop nem rock, gosto de country –Leon respondeu querendo encerrar aquele assunto enquanto levava seu quarto copo de whisky até seu lábios e logo sentiu aquele líquido queimar sua tranqueia.
–Está falando sério ? –ela parecia muito surpresa, Leon assentiu –É o favorito de Violetta também –contou, ótimo, eles tinham mais coisas em comum...
Leon não queria pensar em Violetta que neste momento deveria estar se agarrando com Clement, e não ele não está com ciúmes ! Claro que não, até parece, ele ciúmes da mimadinha ? Não, nunca !
Leon começou a sentir os efeitos da bebida alcoólica sobre si, vagarosamente passou pela sala tentando manter o equilíbrio o que estava mostrando ser uma tarefa bem árdua.
***
–Oh ! Que incrível ! –exclamou a avó de Violetta enquanto escutava Gery contar sobre “como foi incrível ser parada por fãs no Alaska” que ficava ali pertinho, na América do Norte mas, parecia que só Violetta se dava conta disso –Você deveria ser genial como sua prima, Violetta –Tanto Gery quanto aquela senhora coberta por jóias deram um sorriso de cumplicidade e Violetta enfureceu-se:
–Quer saber ? Gery pode até ser uma das figuras mais conhecidas de Buenos Aires porém a única coisa que ela faz é sorrir para uma câmera a caber em um manequim 34 tá ? Eu sou conhecida na Europa, confecciono roupas, tenho minha própria marca, sou modelo, falo inglês, espanhol, francês e italiano e ainda uso manequim 36 –Violetta sentiu uma lágrima descer pela sua face logo após ver Gery e sua avó com sorrisos incrédulos e levantando-se dali. Mas, antes Gery ainda afirmou:
–Querida, eu faço o que eu faço e ainda por cima sou cega –Violetta pode sentir o pesar na voz da prima e o barulho da bengala ser mais estrondoso.
–Merda –Violetta murmurou sentindo um gosto amargo na boca e sentando-se para não desmaiar ali mesmo.
***
Leon tinha que admitir que os efeitos do álcool ao menos dessa vez não havia sido tão prejudicial, afinal ele ainda estava de pé enxergando perfeitamente quer dizer, ele achou isso até que por acidente abriu uma fresta da porta do quarto n°6 “Eles dão números aos quartos ?! Nem meus pais faziam isso !” onde presenciou uma cena que definitivamente não esperava sua ex-noiva Gery se agarrando com Clement, noivo de sua amante mimadinha. Só que ele não pode deixar de observar uma bengala no chão e Gery usava óculos escuros então, talvez...”Gery está cega ?!”.
Leon saiu do quarto n°6 completamente atordoado, Gery cega ? Clement tem uma amante ? Violetta sabe disso ? Onde será que ela está e...seus pensamentos foram interrompidos por um barulho, mais especificamente alguém chorando alto, bem alto.
Leon, identificou que aquele soado vinha da área da piscina, atrás de uma gigantesca porta de vidro, habilmente Leon girou os calcanhares e abriu a porta. Onde encontrou Violetta chorando como uma criança.
Leon sentou-se ao se lado e tirou o rosto de Violetta das pernas da mesma.
–Não entendo porque você está assim –Leon olhou dentro daqueles profundos olhos castanhos, ansiando por uma resposta.
–É a Gery, ela está aqui e eu só consigo pensar que a minha prima é tudo que eu jamais irei ser e ela me fez lembrar-me de algo também: eu sou um monstro –desgastada voltou a fitar a água azul cristalina a sua frente.
–Gery não é melhor do que você –Leon tentou segurar as mãos de Violetta porém, ela as reprimiu.
–Não Leon, Gery tem uma carreira em Buenos Aires, a minha é no exterior pelo simples fato que eu não era boa o bastante aqui, Gery é cega e tem qualquer homem a seus pés e eu estou presa a um noivado cujo o noivo nem ao menos importasse com algo alem do meu sobrenome –o nó que estava preso na garganta de Violetta, forçava que as lágrima escorressem pela sua face.
–Se sabe que ele não ama o porque segue com ele ? –Leon a olhou frustrado, toda aquela barbaridade que Leon presenciará naquela noite era do saber de Violetta e pior, da aceitação...
–Porque eu não acho que eu mereça o amor...
–Jamais diga isso de novo, jamais diga isso de novo...-Leon murmurou dando um selinho em Violetta e logo em seguida envolvendo-a em seus braços.
–Tenho medo -confessou Violetta.
–De que ? -Leon indagou.
–De que quando descubra o meu segredo me ache um mostro -Leu beijou o topo da cabeça de Violetta e ficou pensando "O que pode ser tão horrível para ela achar que eu a julgaria como um monstro ?".
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