Once Upon A Time
2 01 - Vigésima terceira (Pizza é legal)
Notas iniciais
Boa leitura >.
– Alice, a mamãe mandou você acordar, o café tá na mesa — senti Bruno pular em cima de mim.
O empurrei, fazendo-o cair deitado no chão de madeira.
– Pronto, já to acordada — me cobri novamente e virei para a parede.
– Tá bem, fica sem saber o resultado da prova do intercâmbio.
Pulei da cama, calçei o chinelo cor-de-rosa que estava próximo e saí correndo até a cozinha, pegando uma torrada e bebendo um gole do achocolatado do meu irmão.
– Sente e termine seu café, Alice — disse meu pai afastando o Blackberry da orelha por um instante.
– Tenho que tomar banho — coloquei a mão na boca, privando a visão da torrada triturada de todos na mesa.
Fui para meu banheiro e tomei um banho rápido, com medo de perder a hora. Troquei de roupa, peguei meu celular, meu casaco, saí do quarto apressando minha mãe e fomos para a garagem.
Em quinze minutos, estávamos no local marcado e sentadas nas cadeiras da sala de espera, que agora estava cheia de jovens aflitos.
Vi pessoas de todos os tipos, desde garotas com saltos altos e unhas vermelhas à garotos com calças no meio das canelas. Digamos que eu estava no meio disso tudo; com calças jeans, regata e sapatilhas.
Uma moça de mais ou menos vinte e cinco anos entrou na sala com uma prancheta nas mãos e colocou quatro papéis no quadro de avisos, um por um. Depois, se afastou rapidamente e saiu ajeitando a saia preta.
Como se aqueles papéis fossem os últimos pratos de comida da Terra, nos levantamos correndo na direção do quadro e fizemos um amontoado de curiosos.
Passei meus olhos rapidamente pelas folhas. Os nomes ali são das pessoas que ganharam um dos cem primeiros lugares, ou seja, o programa sairá totalmente grátis. O restante teria que ver se passou no site.
Vigésima terceira posição.
Vigésima terceira posição!
Tem noção do que é isso?!
Abri a boca em um perfeito "O" e saí do meio das pessoas ainda paralizada.
– E...? — incentivou minha mãe.
– Vigésimo terceiro lugar — disse baixo ainda olhando para o nada — Eu vou para os Estados Unidos.
Me abraçou fortemente e retribuí o abraço, sorrindo.
– Era isso que queria, não? Ir para lá? — assenti.
É verdade. Coloquei E.U.A, Inglaterra e Canadá no questionário. E conseguir a primeira opção é bem raro nesse tipo de programa, só os cem primeiros colocados podem escolher pra onde vão. Os outros vão para um dos lugares escolhidos, mas só se houver disponibilidade.
Nos separamos e saímos do prédio com pessoas chorando de felicidade — ou não.
Fomos novamente para casa e tive que conter minha felicidade quando vi que a expressão de minha mãe tinha mudado assim que percebeu que meu pai havia saído para trabalhar.
– Até no sábado — suspirou se jogando no sofá da sala de estar.
Me sentei ao lado de Bruno, que jogava PSP e sussurrei: — Vai se ver livre de mim por um ano.
Pausou o jogo e se virou rapidamente.
– Tá falando sério? — assenti — Ela tá falando sério? — perguntou à minha mãe, que assentiu — Essa é a melhor notícia que recebo desde quando disse que iríamos nos mudar pra essa casa! — se levantou e me abraçou — Ainda bem que você sabe falar inglês!
Até meus treze anos, nós morávamos em um apartamento muito menor que nossa casa atual. Antes cada um tinha um quarto pequeno, nossos pais tinham um banheiro e o outro era um cubículo; uma cozinha, uma sala e uma varandinha.
Agora, todos temos quartos grandes com banheiros e closets, duas salas, copa, cozinha, escritório, jardim, piscina, sauna e sala de jogos. Nada se compara a essa mudança. Nem mesmo ficar livre da irmã mais velha por um ano, eu vou voltar mesmo.
– O papai já sabe? — perguntou, ainda sorrindo.
– Podemos contar juntos quando ele chegar. Que tal irmos à uma pizzaria?
– Pizza é legal — riu.
Jogou o PSP no sofá e se levantou, indo até seu quarto no andar de cima e passando por nós novamente, de sunga e com uma toalha no ombro.
Dizer para um garoto de onze anos que seus pais estão em crise, e que nem sua mãe, que é uma psicóloga renomada, consegue lidar com os problemas, causaria muita confusão em sua cabeça. E ele não iria gostar da ideia.
– Eu vou... — começei a frase me levantei.
– Gritar? — minha mãe arqueou uma sobrancelha.
– É! — saí correndo pela casa, gritando e dando beijos nos empregados.
Notas finais
O segundo já está digitado, então não vamos demorar pra postar. Só depende dos leitores, porque escrever pra fantasmas é horrível, de verdade
:3
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