On The Top Of The World - JiLy
16 Capítulo 14
O aniversário de James foi perfeito no fim. De manhã fomos acordados pelas arrumadeiras. Quer dizer, eu, Lalita e Emme não conseguiríamos arrumar tudo sozinhas. E eu estou completamente exausta. Tão exausta que eu me senti estranha. Eu levei os pensamentos ruins para longe, e continuei a me levantar.
Eu chego em casa, e ouço o choro horroroso da minha mãe. Eu corro para sala, e ela está enrolada como uma bola no sofá.
—Mãe – eu a chamo, mas ela não se manifesta.
Eu sento do seu lado.
—Mãe, é a Lily, o que aconteceu?
Ela funga e suspira entre os soluços:
—Lily, nós vamos nos separar.
—Mãe, olha para mim.
Ela levanta a cabeça fazendo seu cabelo louro cair nos seus olhos azuis.
—O que aconteceu?
—Nós estamos cansados de brigar, Lily! Estamos cansados de controvérsias. Seu pai, ele... Ele vai sair de Londres por um tempo, para nós dois esfriarmos a cabeça. Está impossível!
Eu a abraço e acabamos ficando a tarde inteira chorando.
Eu percebo que mamãe não era tão fraca como eu pensava. Ela está estressada e triste todo esse tempo, e eu achava que tudo era birra.
À noite eu vejo meu pai chegando assim que minha mãe vai fazer compras. Ele me abraça.
—Vai dar tudo certo, Lily, eu sei que vai.
—Pai, nada está dando certo – eu suspiro.
—É por isso que eu vou sair de Londres, é por um curto período.
—Você está fugindo, pai. Isso é horrível – eu digo, e ele se afastou.
—Eu sei.
—E por que está fazendo isso?
—Eu não posso deixar o descontrole nessa casa.
—Pai, essa não é a melhor coisa a fazer!
—Foi a única solução que eu encontrei – ele balança a cabeça vencido.
—Eu... se houver algum problema eu não vou te ligar – eu digo.
Ele sorri fracamente.
—Eu sei, você vai querer tomar controle da situação. Bem a sua cara.
—Eu sou da Gryffindor, pai – eu digo num tom de brincadeira.
—Quando Petúnia chegar, diga para ela que eu tive que ir, certo?
—Eu vou dizer que a mãe te chutou – eu falo.
—Perfeito minha flor-de-lis – ele beija minha testa.
Depois de arrumar sua mala, ele sai. Ele sai e deixa-me beirando lágrimas. Eu não preciso chorar para entender que ele se foi por um tempo indeterminado. E que eu vou sentir muita falta dele. Eu e meu pai somos ou melhor, éramos muito próximos. Antes de haver qualquer briga em casa, nós éramos realmente felizes. Éramos daquele tipo de família perfeita, que janta contando as novidades, e depois assiste TV no mesmo sofá. Esse pensamento só me fez chorar ainda mais. Eu tenho que me lembrar que essa coisa de família perfeita não existe. Que éramos apenas contentes e satisfeitos com a nossa situação, seja em Londres ou na África.
E como tudo o que é bom dura pouco, nossa alegria acabou como um cigarro. Depois de tantas tragadas de felicidade ela foi se esvaindo, até que sobrou o toco, que nem tabaco tem, um toco que não serve para nada além de ir para o lixo.
O treino das cheerleaders faz eu e Emme ficarmos cansadas.
Nós duas sentamos na plateia, e não demora muito para James chegar e estranhar o fato de que eu estou sentada. Eu nunca paro no treino.
—O que aconteceu, baby? – Ele pergunta sentando no meu outro lado.
—Estamos cansadas – Emme responde para mim.
James faz aquela cara de protetor e diz:
—Vem, vocês têm que comer alguma coisa.
O que acontece é que desde que meu pai foi embora, eu não comi e nem bebi nada a não ser água. Isso, vem porque minha mãe está parecendo um zumbi e Petúnia está muda.
Assim que nós levantamos, Emme segura o meu braço e murmura:
—Eu estou vendo tudo girando – então ela desmaia nos meus braços.
—James – eu o chamo, porque eu não estou me aguentando, imagine aguentar a Emmeline.
Ele a carrega.
Eu pego a bolsa dela e falo com Alene:
—Nós vamos leva-la ao hospital.
Vamos para o mesmo hospital que eu fui quando cai da pirâmide.
Dr. Rock nos atente.
—O que aconteceu? – Ele pergunta quando nos sentamos.
—Parece que as alunas de Hogwarts estão para desmaiar no GYM – eu digo. – Só que ela estava do meu lado, e desmaiou.
—Ela tem algum problema psicológico?
—Ela está meio anoréxica – James fala.
—Ela é anoréxica – eu corrijo. – Ela não come nada por causa da mãe dela, que diz que ela é muito gorda.
—Esse é o diferencial de vocês duas – Dr. Rock diz. – Você não come porque não consegue, ela não come para emagrecer.
—Isso.
—Bem, eu vou mandar um psiquiatra para cá quando ela acordar – ele diz e olha para meu braço que está com machas roxas.
—Eu tenho mal dormir e acordo com isso – eu digo, fazendo James me abraçar como se Dr. Rock fosse uma ameaça.
—Você está mais magra – ele aponta.
Eu assinto. Mas, James explica:
—A mãe dela está meio depressiva, o pai dela teve que sair de Londres.
—Certo – Dr. Rock diz.
—Não é de mim que temos que falar é da Emmeline – eu digo. – Ela vai ficar bem não vai?
Dr. Rock, no entanto, coça seus cabelos pretos.
—Eu preciso conversar com sua responsável. Provavelmente ela vai ter que ser internada – ele diz. – Dá para ver os ossos da costela – ele fala olhando para ela. – Vocês têm o número da mãe dela?
—Da casa dela – eu digo.
—Serve.
—Eu fiz isso com você, não foi? – James me pergunta quando ficamos sozinhos andando pelo hospital.
—Não, Jay! Você mal segura meus braços quando transamos – eu falo fazendo minhas bochechas ficarem vermelhas.
—Mas, ele me olhou muito acusador – ele diz. – Ele estava achando que eu te batia – ele fala com raiva.
—Não, James – eu pego no seu rosto. – Dá para ver que você é muito louco por mim e nunca me machucaria, todo mundo vê isso – eu digo. – Ele é médico, ele deve estar querendo juntar sintomas para me dizer alguma doença.
—É, deve ser – James fala, mas eu sei que ele não está concordando comigo.
Emmeline está cheia de coisas, nos braços e no peito, como eu fiquei quando eu fui para o hospital.
—Lily, não deixa ele fazer isso comigo! – Ela fala quando ficamos a sós no quarto.
—O que, Emme?
—Isso – ela aponta para o soro. – Cheio de calorias!
—Emme, você precisa do soro!
—Mas, eu estou engordando com ele.
—Você precisa querida – eu digo e sento do seu lado. – Você precisa ficar aqui, até ficar no seu peso ideal. Entende?
—Lily! – Ela começa a chorar.
—Desculpe, Emme, mas eu só quero que fique bem – eu percebo que eu choro também.
—Eu vou ficar bem se tirar isso de mim!
—Emme – eu exclamo quando ela enrola o tubo do soro nas mãos. – Não faça isso!
Eu chamo Dr. Rock, e vem uma enfermeira e a deixa desacordada. Eles desenrolam o tudo da mão dela, e ela dorme.
—Aí que merda – eu digo e me enrolo nos braços de James.
—Ela vai ficar bem, Lily – ele me diz.
—James – eu digo, na cozinha da sua casa.
Meu nariz escorre muito sangue.
—O que foi? – Ele fala e entra na cozinha. – Merda, Lily, o que aconteceu?
Ele corre e pega muitos guardanapos, porque eu estou melando minha manga da blusa.
—É a terceira vez que acontece isso – eu digo com os guardanapos no nariz. – Quando eu sinto a enxaqueca chegando começa a escorrer.
O meu celular toca e eu vejo ser Lalita.
—O que aconteceu? – Eu pergunto.
—A Emme continua na mesma Lily – ela diz, e abranjo que ela estava chorando. – Já faz um mês, Lily!
Emmeline fora para livre para o aniversário da Lalita na semana passada, em 1º maio. Acontece que em apenas um dia ela fez um monte de exercício e tudo que dávamos para ela comer ela vomitava.
Lalita acabou bebendo demais – como sempre – e entrou em coma alcoólico. Eu passei a noite no hospital com Sirius, e James, por causa dela e da Emmeline.
Eu entendo que eu conheço todo mundo do hospital da área de Emmeline, que é para pacientes “especiais”, leva em casos como anorexia, bulimia, depressão e câncer.
Então, eu percebo que James e eu jogamos merda no ventilador.
Eu engravidei no meio de maio, e estamos em junho, no início dele, quer dizer.
Eu não conto para minha mãe. Na realidade, mamãe está um vegetal. Eu acabei tendo que colocar uma pessoa para cuidar dela o dia inteiro. E Petúnia tem fugido das situações.
Meu corpo dói inteiro. Eu tento comer para o feto. Mas, quando eu vou engolir boto tudo para fora.
Eu lavo a louça, e volto a subir as escadas para o quarto do James.
Depois de tudo, eu tenho ficado com ele mais tempo. Estávamos perdidos e sozinhos, nos agarrávamos um ao outro, como se isso dependesse de tudo.
A mãe do James chegou ontem de noite, eu faço de tudo para não me bater com ela.
Pensando no diabo...
Ela para na minha frente, com seu robe de seda rosa, e pantufas que devem ter custado um olho. Ela me olha com uma interrogação imensa.
—Quer dizer que eu vou ser avó?
—O James te contou.
—Não, o James não me contou que você quer dá o golpe da barriga.
—Eu não sou você, Dorea – eu digo soltando o corrimão.
—Não – ela concorda balançando a cabeça, ela assopra.
E pode parecer coincidência. Mas, eu tropeço. Ela até tenta me segurar com sua cara completamente apavorada, entretanto é tarde demais. Meu corpo quica nos degraus de mármore branco que pareciam infinitos agora. Quando eu sinto que parei no chão, eu ouço James me gritando e eu desmaio.
James segura minha mão, beijando-a com a cabeça encostada na minha coxa. Os soluços dele são de cortar meu coração.
—Jim – eu o chamo com minha voz rouca, ele levanta a cabeça.
—Liz – ele me beija.
—O que aconteceu, baby? – Eu pergunto. – Por que você está chorando?
—Nós perdemos, Lil – ele diz fracamente. – Nós perdemos o bebê.
O meu mundo caiu. Eu me senti fraca de novo. Eu sento na cama, e fico abraçada com James, por uma eternidade.
Eu paro de abraça-lo quando percebo meu nariz sangrar de novo.
Dr. Rock entra no quarto.
—Eu sinto muito Srta. Evans – ele fala e balança a cabeça. – Há algo que eu gostaria de falar com você.
—Tudo bem, o James pode ficar – eu digo, ainda mais que ele está sendo meu porto seguro e me ajudando com o sangue.
—Certo. Bom, vamos nos sentar. – Ele se senta e James senta na poltrona do lado da cama segurando minha mão.
—É a Emmeline? Ela está bem não está?
—Srta. Vance está progredindo gradativamente – ele responde.
E eu só penso: sim, ela está bem.
—Fizemos outro exame de sangue, e oferecido os dados a produção de glóbulos vermelhos, brancos e as plaquetas tem caído, e os blastos estão se produzindo de forma exagerada.
—Isso quer dizer que? – Eu pergunto, mas James responde:
—Leucemia.
—Exato – Dr. Rock assinala. – Mas, é claro que temos que tirar uma prova da sua medula óssea, o mielograma.
Eu balanço a cabeça, e falo incrédula:
—Você está me dizendo que eu estou com câncer?
—Após o mielograma, eu direi com precisão, você será levada para outra sala, mas precisamos de um responsável.
—Meu pai, ele não está aqui em Londres, e minha mãe, bem, está um vegetal – eu balanço a cabeça. – Me dá seu celular – eu peço a James.
Eu ligo para Petúnia quando Dr. Rock sai da sala.
—Petúnia, eu preciso que você venha com a identidade – eu digo.
—O que aconteceu?
—Eu preciso tirar um negócio da minha medula para ver se eu tenho ou não leucemia – eu falo e ela prende a respiração por um tempo.
—Leucemia? Mas, isso é câncer, Lily!
—Eu sei, eu sei – eu começo a entrar em desespero. – Eu preciso que venha aqui, e assine os papéis, mamãe não está em condições de sair de casa.
—Certo, certo, eu estou indo para aí.
—James – eu o chamo.
Ele ainda está chorando.
—Lily, você percebe que só acontece desgraça para nós? – Ele pergunta.
—James, nós não merecemos isso. No fim do arco-íris há sempre um pote de ouro.
Ele concorda, e beija minha testa.
—Eu te amo muito – ele sussurra no meu ouvido.
—Eu te amo muito mais – eu pego seu rosto. – Deve ter alguma razão para toda essa merda.
—Talvez, daqui a alguns anos quando estivermos velhinhos numa praça, lembraremos de como nossa vida fora difícil – ele diz, e me parece ser 20 anos mais velho.
—É, difícil é uma palavra muito fraca.
—Nossas vidas são abstrusas.
—Perfeita definição – eu assinalo.
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