Notas iniciais
Só me desculpem '-'

Capítulo 7:

"Nevasca atinge grande parte de Londres, incluindo toda a área central e localidades próximas (...)" A BBC notícia. "(...) permaneçam onde estão, é impossível se locomover (...)"

James e Sirius estão com grandes sorrisos. O que me fez hesitar. Muito legal ficar só nós quatro dentro de uma casarona, mas, por favor! Presos, por neve.

–Lalita, vamos fazer o jantar – eu digo a puxando para a cozinha sem esperar resposta.

–O que foi? – Ela coloca o cabelo escuro atrás da orelha.

–James foi lá pra casa depois do colégio... – eu digo procurando massa de macarrão.

–E ai?

–E ai que aconteceu – eu falo e me viro para ela. – Mas, agora estando presa – eu tento não rodar os olhos – eu não sei se quero transar de novo.

–Essa foi a maior bobagem que já ouvi – ela fala e segura meu olhar. – Pelo amor de Ganesha, Lily. Vocês já são maduros o suficiente, e estão namorando. Qual o problema?

–É isso, eu não sei. Acho que nem tem a ver com James, e sim com a situação dos meus pais.

–Sabe que o que seus pais estão passando é uma crise, todo casal passa. E a única coisa que você tem a fazer é não se meter. E a melhor forma, eu lhe garanto, é namorando.

–E você vai aguentar fica sozinha com o Sirius?

A face dela imediatamente muda.

–Eu me viro – ela suspira. – Era pra eu fazer o mesmo que ele – ela murmura. – Não criar expectativas em uma pessoa.

Nós servimos aquele macarrão instantâneo com queijo. Acabamos comendo em frente a TV.

Lalita percorre a estante e tira um grande álbum escrito "Álbum do James".

–Ah, não, não, põe de volta – James diz se levantando e tentando tirar o álbum da mão de Lalita.

–Qual o problema, James? – Ela pergunta pondo o álbum nas costas.

James olha para Sirius e eu, e depois volta a se sentar no sofá.

–Você não deve ser tão feio quando era pirralho – eu digo acariciando seu joelho.

–Lily, eu nunca fui feio. Só magro, mas bonito – ele diz me fazendo sorrir.

As fotos começam com James recém-nascido, com muito cabelo escuro e olhos grandes e o castanho quase não via por estar mais verde do que hoje em dia, a coisa mais fofa do mundo. Depois ele vai crescendo, na maioria das vezes aparece sozinho e outras com o pai ou a mãe. Mais tarde, talvez, com seus três anos aparece com os primos, e um ano mais tarde muitas fotos com Sirius bebê, grandes olhos azuis-cinzentos e cabelo preto.

–Deus, vocês se conheceram muito cedo – eu digo.

–Somos meio que primos, Lil – Sirius fala. – A mãe dele é uma Black.

–Você era um pouquinho alto pra essa idade. Tinha quantos anos? – Lalita pergunta quando eu paro numa foto especificamente.

–Cinco ou seis, eu não lembro... – Ele para quando percebe que eu tiro uma foto do álbum.

Na foto, James estava no parquinho, vendo por trás areia e brinquedos coloridos, sentado ao lado de uma garota ruiva com um laço azul grande no cabelo comprido.

–Espera, essa sou eu – eu digo fazendo Lalita pegar a foto.

–É você mesmo! Com James? – Lalita pergunta e olha para James, eu faço o mesmo.

–O quê? – Ele interroga quebrando o silêncio.

–Você pode me explicar – eu sugiro.

–Eu achei que você lembraria – ele fala.

–Isso foi antes de eu me mudar. Quer dizer, minha mãe enchia minha cabeça com tarefas extracurriculares e tinha que aprender línguas de ano em ano porque eu sempre tinha que ir para outro país. Eu não tinha o que pensar sobre Londres, a única coisa que eu queria era voltar para cá.

Eu suspiro. Eu nunca tinha dito isso para ninguém. Eu achava que ninguém precisaria saber disso.

–Desculpe – ele diz rápido. – Eu não sei como é se mudar constantemente, eu sempre estive por aqui. E não se sinta desmemoriada, Sirius também não lembra e íamos pro parquinho juntos – ele mostra uma foto de nós três.

Eu pego e leio atrás "Jim, Liz e Six".

Eu fecho os olhos por um momento Jim e Six era bastante familiar.

–Como eu ia adivinhar que Lily Evans era a Liz? – Sirius se manifesta. – Crianças e seus apelidos.

–Isso é bizarro – Lalita murmura. – Como assim vocês se conheciam e não se lembravam quem era quem?

–Eu sou o único quem se lembra da Lily – James diz.

–Depois de todos esses anos? – Eu pergunto.

–Todos os dias. Sabe o porquê? – Agora ele vira algumas páginas e tira outra foto.

Nessa estávamos com as mãos dadas e sorrindo.

–Porque nós casamos com anel da máquina de chiclete – eu digo e sinto meu corpo arrepiar.

–Sim. Sabe o que os adultos falam um para o outro quando se gostam bastante? – Ele pergunta e eu sinto outra onda de nostalgia.

–Eu te amo – nós falamos juntos.

Eu saio do chão e sento no colo de James o abraçando.

–Isso é tão fofo – Lalita diz depois que nos soltamos. – Tem outra foto.

Ela não me deixa ver e vai lendo o verso:

–Jim, eu vou me mudar, mas não se esqueça de mim. Eu te amo muito, e quando eu voltar para Londres nós vamos nos casar como nos filmes, da sua Liz, Lily Evans.

–Estou vendo que eu segurava bastante vela – Sirius murmura. – Até que não mudou tanto.

–Essa é a mais linda – Lalita me dá a foto.

Estou com os lábios curvados para um sorriso, e James está beijando minha bochecha enquanto segura minha mão.

Percebo que estou chorando quando James passa a mão na minha bochecha. Ele olha para Sirius e Lalita que levantam e simplesmente saem da sala.

–O quê? – Eu pergunto quando eles saem.

–Você sabe o verdadeiro motivo do seu pai ter escolhido sair de Londres?

–Era coisa de trabalho.

–Ele tinha opções, Lils – ele segura minha mão e suspira pesado. – Antes de tudo, eu quero que você ouça isso em mente aberta. E eu sinto muito não tem te contado antes...

–É muito ruim?

–Depende do ponto de vista – ele diz, e eu sento no sofá para poder olhá-lo melhor. – Muito antes da gente nascer, eu vou começar por ai.

–"Seu pai e minha mãe tinham um... Relacionamento" – Eu franzo o cenho, mas fico calada. – "Eles se amavam e tal, mas ai a família da minha mãe mandou eles pararem de se ver, porque, você sabe, família Black tem seu lema: amigos, amigos, negócios à parte. E aí, minha mãe casou com um cara de nome, família rica para satisfazer seus parentes. Nesse tempo minha mãe não ligava para dinheiro e boas condições, ela ainda achavam que um dia seu pai e ela ficariam bem. Mas, seu pai ele, bem, deu bola para frente, conheceu sua mãe e eles ficaram juntos. Eu não sei qual o sentimento deles três, então o que eu posso falar são fatos.

–"Minha mãe ficou furiosa. Ela não aceitava o fato de seu pai estar amando outra pessoa, construindo uma família, e ela havia casado apenas por ganância. Foi ai que minha mãe ficou assim, fria e cruel" – James faz uma pausa, acariciando minha mão. – "Meu pai e ela brigavam bastante. Meu pai sabia que ela não o amava, mas assim como os Black, os anciões da família Potter só concordava no casamento dos dois. E foi um casamento sem amor. Eles não se aguentavam mais, e minha mãe teve a brilhante ideia de ficar grávida, porque ia pelo menos receber dinheiro dos Potter. Dito feito.

–"Minha mãe não tinha ideia que você era uma Evans, na época em que brincávamos juntos. Até achava graça das promessas que fazíamos. Chegou um dia, que eu acabei ficando pra jantar na sua casa, e ela passou por lá pra me buscar. E nosso mundo virou de cabeça para baixo.

–"Minha mãe solto algumas indiretas para sua. E eu posso afirmar que sua mãe não sabia que, bem, eles eram um casal. Meu pai e o seu tiveram uma conversa direta, e totalmente esclarecedora. Sabiam que Dorea iria fazer qualquer coisa para que vocês não tivessem uma vida em paz. E eu e você..."

–Foi aí, que meu pai veio com a história de mudança – eu sussurro. – Isso é meio novela – eu dou uma risada nervosa.

–Eu acho que sua mãe soube, agora – James fala. – Eles estão brigando por isso Lily.

–Minha mãe não sabe se meu pai casou com ela por amor.

Eu fecho os olhos e encosto minha testa no maxilar de James.

–Sua infância foi terrível, não foi?

–Um pesadelo.

–Sinto muito, Jim.

–Não, eu sinto muito não ter falado com você antes – ele diz, eu abro os olhos. – Bem, eu te achei em algumas redes sociais, desde quando você foi pro EUA.

Eu levanto rapidamente.

–Quer dizer, que depois desses anos todos você não podia mandar um "oi", pelo sei lá, MySpace e mandar uma foto nossa?

–Ei, eu nem sabia se você lembraria de mim ou não.

–Eu não tenho culpa, ok? Diferente de você, eu não tive nenhum acesso a álbuns de foto ou coisas nostálgicas. Meu pai fez o favor de deixar empacotado nesse monte de lugares que eu fui. Pelo menos agora eu sei o motivo. E a única coisa relacionada a você, é o anel da máquina de chiclete e Jim, e eu simplesmente pensava que devia estar aqui.

–Bem, você estava certa.

–Eu ainda acho que você deveria tem falado comigo antes.

–O que você poderia fazer?

–O que eu não posso fazer? Minha mãe era a única que queria voltar para cá, e se eu ou Petúnia déssemos bons motivos nós voltaríamos.

–Se você sabia que tinha que voltar para cá, por que você simplesmente não veio se era assim tão fácil?

–Porque eu percebi que não era apenas um desejo de voltar para onde eu nasci, era muito mais do que isso. E eu só descobri isso na França. E toda vez que eu pegava aquele anel, eu só tinha a esperança que quando eu chegasse te encontraria – eu respiro fundo. – E aqui estamos nós.

Eu ando para trás.

–Lily...

–Eu só quero pensar, ok?

Eu acho a sala do piano de calda. Eu simplesmente sento no banco. Na minha cabeça passam flash backs curtos, toda hora. Quando James e eu não tínhamos nenhuma idade para pensar em casamento, ou em namoro. Simplesmente queríamos estar juntos. Mas, não deu certo. Talvez James esteja certo sobre meus pais e brigas atuais.

Eu acabo dormindo.

–Vocês não podem casar, minha filha – meu pai disse pondo a mão nos meus ombros.

–Por que, papai?

–Vocês são muito pequenos, não têm idade para pensar nisso – ele fala e suspira. – E nós vamos no mudar.

–Eu não quero me mudar! – Eu grito com minha voz fina. – Eu quero ficar aqui! – Eu começo a chorar. – Eu não quero ficar longe do Jim. Nem do Six!

–Não temos escolha. É questão de trabalho.

–Não era o senhor que dizia que a felicidade era mais importante que o dinheiro?

–Vamos ser felizes lá também, querida.

–Eu não posso ir, eu não quero ir...

A cena muda e vejo James de seis anos entrar na sala.

Eu corro até ele dando um abraço apertado.

–Eu quero que esse seja o nosso melhor dia – eu digo.

–Por quê? Todo dia é perfeito.

–Eu vou embora amanhã, bem cedo.

–Como assim?

–Papai disse que temos que morar em outro lugar.

–Você vai me deixar, Liz? – Os olhos castanhos de James perderam o brilho natural.

–Não é isso, Jim. Eu não sei o que está acontecendo. Eles não me falam o porquê de estarmos saindo de Londres.

Ele me dá um selinho de supetão.

–É para eu me lembrar de você – ele diz.

–Tome – eu dou nossa foto para ele.

–James, está na hora do jantar – a babá dele entra na sala.

Eu o acompanho até no carro.

–Nunca se esqueça de mim, certo? – eu digo o abraçando.

–Nunca.

O sonho foi dissolvendo a medida que eu expelia o ar dos meus pulmões gritando o seu nome.

Sinto os braços de James me envolvendo.

–Eu estou aqui, estou aqui – ele diz, depois me solta.

Eu olho para os lados e está tudo escuro, até o aquário em forma de guitarra de James.

–Faltou luz – ele fala e segura meu rosto. – Você está bem?

Eu simplesmente o abraço.

–Nunca mais me deixe escapar tão fácil – eu digo.

–Você já está comigo – ele sussurra quando nos soltamos. Ele segura meu olhar escuro pela falta de luz. – Eu te amo, Liz.

–Eu que te amo, Jim – eu digo de volta.

Notas finais
Curto :'(