Olimpo esquecido

5 Uma aventura selvagem


Notas iniciais
Ísis e Amon se apaixonaram desde crianças, como em todas as suas vidas passadas. Amon reconhecia-a por causa dos cabelos loiros e Ísis por causa dos olhos azuis profundos e seu rosto de rasgos suaves. Apolo, o mais forte entre todos, era cego a todas as mulheres da Terra, pois o corpo de Afrodite o enfeitiçava no primeiro olhar. Já com oito anos, ela era a perfeição que caminhava pelo planeta. E, em cada vida, ela era rodeada de homens que a cobiçavam. Porém, depois da primeira surra aos paqueradores, Apolo tinha sempre o direito de ficar com ela. Ísis mais uma vez começou a ter seus filhos, os quais cresceram trabalhando ao lado deles, todos os dias.

Quando os homens de Angor partiram, Zeus, Amon, Noé e Apolo, com suas esposas, não tiveram conhecimento do fato, pois estavam recém-nascidos numa tribo assentada ao sudoeste da Alemanha, no lugar que hoje seria Frankfurt. Somente naquela encarnação, Apolo e Afrodite nasceram como irmãos de seus próprios pais. Afrodite foi irmã de Ísis e Apolo, irmão caçula de Noé.

Mas, desta vez, os Earthman estavam condenados ao seu próprio destino, pois dos deuses só havia sobrado a lembrança. “Deva”, o deus brilhante, era adorado nos povos indo-europeus. Já, na Índia, ele era chamado de “Bhrama”, e nos povos do Oriente Médio ele era “Javé”. Todas as tribos da Terra sabiam que os deuses desciam do céu, num carro iluminado, com comida em tempos de fome, e para construir-lhes abrigo em tempos de frio.

Para superar as vicissitudes de uma vida dura, os oito amigos tentaram usar as lembranças de vidas passadas para se ajudar no dia a dia. Inventaram as latrinas; fizeram as lavouras entre o mato; levantaram casas misturando pedra, madeira e telhados de folhas; e com algodão teceram as roupas do mundo primitivo: saias grossas, luvas, meias, tudo aquilo que podia protegê-los do frio do inverno. Para defender a cidade, levantaram um muro de madeira ao redor, com um portão firme e duas torres de vigia, como líderes de um povo que os seguia com admiração.

Ísis e Amon se apaixonaram desde crianças, como em todas as suas vidas passadas. Amon reconhecia-a por causa dos cabelos loiros e Ísis por causa dos olhos azuis profundos e seu rosto de rasgos suaves. Apolo, o mais forte entre todos, era cego a todas as mulheres da Terra, pois o corpo de Afrodite o enfeitiçava no primeiro olhar. Já com oito anos, ela era a perfeição que caminhava pelo planeta. E, em cada vida, ela era rodeada de homens que a cobiçavam. Porém, depois da primeira surra aos paqueradores, Apolo tinha sempre o direito de ficar com ela. Ísis mais uma vez começou a ter seus filhos, os quais cresceram trabalhando ao lado deles, todos os dias.

Infelizmente, nessa encarnação a guerra entrou na vida deles sem dó nem piedade. Povos nômades os invadiram, num dia qualquer, com armas de bronze. Os selvagens invadiram as lavouras, matando aos homens e estuprando as mulheres com brutalidade. Apolo, carregando milho nas costas, lutou como um guerreiro com patadas, socos, mas uma pedra na nuca o fez desmaiar e uma lança arrebentou seu coração. Afrodite tentou se defender da mesma maneira, mas foi estuprada, espancada e morta.

Quando a horda de bárbaros invadiu o resto da tribo, pulando o muro como macacos enlouquecidos, Amon, Zeus e Noé, unidos aos homens da vila, lutaram contra eles, matando os que cruzavam o caminho, usando as ferramentas das lavouras, as trancas de madeira das portas, pois a tribo era desarmada. No entanto, quando os selvagens bateram em retirada e regressaram por onde haviam chegado, foi o momento da dor e do desespero. Noé e Andrômeda caíram sobre o corpo de Apolo aos gritos, enquanto Ísis e Amon faziam o mesmo ao lado do corpo de Afrodite, e não havia nada que curasse tamanha dor. Tuth, o filho mais velho de Amon, e bravo guerreiro como o pai, tentou consolá-los ao lado de três irmãs que ficaram escondidas embaixo da cama junto a duas meninas, filhas de Afrodite.

Nos dias seguintes, colocaram os corpos das vítimas por cima de piras de lenha, e choraram as mortes até as cinzas esfriarem. O que fariam? Viver com essa dor no peito seria a coisa mais difícil de se fazer. Ísis parou de ter filhos, pois Amon fez uma vasectomia nele mesmo. Cuidaram das filhas de Afrodite, e junto com Noé e Andrômeda lhes ensinaram tudo que podiam lembrar, e um dia as casaram com bons homens.

Nos anos seguintes, eles organizaram o primeiro grupo de guerreiros. Amon e Tuth ensinaram-lhes luta corpo a corpo; Noé, o uso das pernas como armas e o arremesso de pedras com estilingue; e Zeus, o arremesso de lanças de ferro, um metal bem mais duro que o bronze. Construíram um fosso de água e mais um muro, isolando a cidade de futuras invasões. Mas o perigo estaria sempre entre as lavouras além da cidade, indispensáveis para o sustento da tribo. Por esse motivo, dali em diante, sempre houve dois grupos de gente na roça – os que trabalhavam nas plantações e os que os protegiam com lanças nas mãos.

Contudo, nunca mais foram invadidos.

Um a um foram morrendo, desta vez com uns cinquenta anos cada um.

Depois da morte, todos eles se reuniram na Lua para dialogar sobre o que iriam fazer dali em diante, pois os povos pacíficos, quanto mais evoluídos, maior era o perigo de serem invadidos. Seriam alvos das tribos nômades que percorriam o mundo como baratas, destruindo tudo que encontravam pelo caminho. Apolo foi o primeiro a falar:

— Vamos encarnar em separado e estéreis. Dessa maneira, não vamos sofrer pela morte de um filho numa guerra sangrenta. E vamos nos dar um prazo nessa terra selvagem: que tal sete mil anos? E vamos encarnar a cada quinhentos anos, cada um onde a civilização está começando. O que acham?

Zeus falou em seguida:

— Acho que Set vai regressar para levar a todos nós. E eu vou partir, pois para mim chega disto tudo. Este mundo é selvagem demais! São assassinos, irracionais, nem em um milhão de anos serão como nós. E Apolo e Afrodite deveriam ir comigo.

Ísis falou imediatamente:

— Concordo plenamente! Eu não tive uma filha para que ela fosse espancada e estuprada por uma horda de selvagens! Este mundo merece apenas UM louco: eu!

Amon abraçou-a, beijou-a na boca, emocionado, pois ele também desejava ficar. Noé olhou para sua mulher, viu que podia se arriscar novamente, e disse:

— Nós também ficamos, mas Apolo deve partir. Você é lindo demais, filho. Mais cedo ou mais tarde vai ser confundido com mulher, e você não vai querer ser sodomizado...

Apolo caiu na gargalhada, porque seu pai tinha razão – ele sempre derretia o coração dos homossexuais, pois o mundo estava cheio deles. E, lá no fundo, não desejava que sua mulher fosse novamente estuprada e espancada até a morte. Mas deixar seus pais sozinhos partia seu coração. E perguntou para Afrodite:

— O que faço, meu amor? Estou partido em dois. Farei o que você decidir.

— Eu desejava muito ficar, mas minha mãe sofreu mais do que eu: ela viveu com uma dor que eu também não desejo para mim. Se uma de nossas filhas tivesse sido estuprada, eu jamais iria me perdoar.

E Afrodite começou a chorar. Depois foi Ísis, e, finalmente, os oito se abraçaram, pois, a vida dali por diante nunca mais seria um mar de felicidade. “Ser heróis” tinha seu preço, um preço tão alto que Zeus não desejava mais pagar. Haviam sido babás dos Earthman durante 32 milênios, e parecia que tudo havia sido em vão.

No dia em que Ares e Set apareceram com Helena e Ester, só encontraram quatro espíritos tristes para levar consigo à Lua de Júpiter. Ares novamente caiu em lágrimas, feliz por reencontrar sua amada irmã, mas triste porque seus pais mais uma vez estavam encarnados, em algum lugar.

Notas finais
– Eu desejava muito ficar, mas minha mãe sofreu mais do que eu: ela viveu com uma dor que eu também não desejo para mim. Se uma de nossas filhas tivesse sido estuprada, eu jamais iria me perdoar. E Afrodite começou a chorar. Depois foi Ísis, e, finalmente, os oito se abraçaram, pois, a vida dali por diante nunca mais seria um mar de felicidade. “Ser heróis” tinha seu preço, um preço tão alto que Zeus não desejava mais pagar. Haviam sido babás dos Earthman durante 32 milênios, e parecia que tudo havia sido em vão.